GENIVAL LACERDA DEIXA RASTRO DE ALEGRIA NA MÚSICA NORDESTINA, AO MORRER AOS 89 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Muita gente associa Genival Lacerda a piadas de duplo sentido e voltadas ao cotidiano, mas ele, mais uma vítima fatal da Covid-19 (doença que, estupidamente, o governo Jair Bolsonaro nunca se empenhou em combater), aos 89 anos (90 incompletos), foi um grande artista nordestino, cantando baiões e cocos que eram certeiros nas festas nordestinas da época, festas que tinham uma alegria natural e não a alegria tóxica das coronafests de hoje em dia.

Atuante desde 1956, Genival chegou a ser comparado com o roqueiro Jerry Lee Lewis na música "Rock'n'roll", de Raul Seixas e Marcelo Nova. Com seu falecimento, a música nordestina que mostrou sua força nos anos 1950 e 1960 perde um de seus nomes mais significativos.

Genival Lacerda deixa rastro de alegria na música nordestina ao morrer aos 89 anos

Por Mauro Ferreira - Portal g1

♪ OBITUÁRIO – “Ele tá de olho é na butique dela / Ele tá de olho é na butique dela...”. Quem vivia no Brasil em 1975 certamente ouviu o verso malicioso que ditava o ritmo do refrão da música Severina Xique-Xique.

Naquele momento, todo o país conheceu o cantor e compositor paraibano Genival Lacerda (5 de abril de 1931 – 7 de janeiro de 2021), parceiro de João Gonçalves nesse sucesso do forró de duplo sentido. Severina Xique-Xique mostrou ao Brasil a música e a cara irreverentes de Genival Lacerda, mas o artista já era familiar para o povo da nação nordestina.

Em 1975, Genival já completava 20 anos de carreira fonográfica iniciada em 1955 com a gravação do single de 78 rotações com o Coco de 56, parceria do compositor com João Vicente. Lançado de fato em 1956, o disco com o coco foi o início de trajetória profissional interrompida na madrugada desta quinta-feira, 7 de janeiro, com a morte do artista em hospital do Recife (PE), vítima de covid-19.

Genival Lacerda não teve tempo de festejar os 90 anos que completaria em abril, mas sai de cena com obra associada à alegria. Genival foi uma das caras mais carismáticas dos gêneros musicais nordestinos genericamente rotulados como forró.

Essa irreverência foi escancarada já nos títulos de álbuns do artista, como Não despreze seu coroa (1979) – de cujo repertório saiu o sucesso Radinho de pilha (Namd e Graça Góis) – e Troque as pilhas, só não mate o véio (1984).

Do ponto de vista rítmico, a obra do artista gravitou em torno dos cocos, xaxados e baiões, entre outros gêneros afins. E essa afinidade residia sobretudo nas letras leves e bem-humoradas, ainda que algumas sejam inaceitáveis aos ouvidos politicamente corretos dos tempos atuais.

Iniciada na gravadora Mocambo, a obra fonográfica do artista inclui álbuns feitos na Philips, na primeira metade dos anos 1970, mas a fase de maior popularidade, pela abrangência nacional, foi vivida pelo cantor na gravadora Copacabana, na qual Genival emplacou de cara o sucesso nacional Severina Xique-Xique, música lançada em single e no álbum Aqui tem catimberê (1975).

Passado o período de visibilidade em todo o Brasil, amplificada pelas aparições do artista em programas de TV, Genival Lacerda continuou em plena atividade, direcionada primordialmente ao amplo mercado da região nordeste.

O artista gravou regularmente até os anos 1990, década de discos como O Rambo do sertão (1992). Os últimos álbuns foram gravados e editados de forma independente, caso de Genival Lacerda canta Luiz Gonzaga no balanço do forró (2012).

Genival Lacerda se vai, mas deixa na memória nacional sucessos como o Rock do jegue (Bráulio de Castro e Célio Roberto, 1979), composição popularmente conhecida como De quem é esse jegue? que gerou até remixes. O artista também deixa um rastro de alegria na música nordestina que ecoa por todo o Brasil.

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