UM VELHO FEMINICIDA PODE ESTAR MORTO


Por Alexandre Figueiredo

Analisando os noticiários a respeito da onda de feminicídios que ocorreu entre 2017 e 2019, chocando a opinião pública mas também oferecendo o risco de banalização do crime, parei para pensar a respeito e mergulhei no passado, constatando que, em tese, alguns dos principais feminicidas chegaram à casa dos 80 anos de idade.

Comparando os vícios de masculinidade tóxica que marcou um desses velhos feminicidas, noticiado por uma antiga revista de variedades na época do crime, com o que a Ciência reporta sobre esses casos, especulo que um famoso e rico velho feminicida já se encontra falecido, há, pelo menos, um ou três anos. Não me sinto autorizado a dizer o seu nome.

Evidentemente, o possível óbito não está relacionado com o coronavírus, podendo ter ocorrido bem antes. Mas, juntando as peças do quebra-cabeça, consta-se que o feminicida fumou os mesmos cigarros que mataram um sem-número de famosos em evidência no seu tempo. Suspeita-se que ele tenha morrido pelos efeitos de um câncer que o afetou há mais de três décadas (ocultas pela imagem de "saudável" que ele tentava forjar na imprensa; machistas não admitem suas fraquezas).

Estando com 85 anos de nascimento em 2019, é difícil ele, pelo seu passado de tabagismo inveterado e cocaína, estar vivo hoje em dia. É uma idade avançada demais para o que ele fez contra sua saúde, embora, em tempos de fake news, espera-se até um clima "Um morto muito louco" e, em 2025, a imprensa falar que o velho feminicida está "vivo e bem de saúde". Até lá, fica mais difícil dizer que ele está vivo, e foi uma gafe alegar que ele "estava bastante ativo nas redes sociais".

Eis o que escrevi em mensagem para o fórum do Jornal GGN:

Eu parei para pensar, sobre o histórico dos feminicídios do Brasil, e tenho um pressentimento que um velho feminicida já faleceu e ninguém deu nem tende a dar uma mínima nota.

Trata-se de um rico homem que era de São Paulo. Não vou dizer detalhes sobre ele.

Mas, vejamos, ele matou sua mulher em algum momento da década de 1970.

Ele tornou-se conhecido pela masculinidade tóxica, que pela lógica não faz separação entre os “machistas que matam” e os “machistas que morrem”. Pesquisas jornalísticas que fiz apontam que o feminicida cometia seus vícios que, segundo as leis da Natureza, não tardariam a fragilizá-lo.

A primeira amostra dessa masculinidade tóxica:

1) Pouco após o crime, uma conhecida revista de grande circulação, hoje extinta, falava que o feminicida, então quarentão, fumava demais e isso preocupava não só o feminicida como também amigos e familiares;

2) Informa-se que ele, um membro da alta sociedade, de um tipo bastante festeiro, consumiu muita cocaína no passado e se embriagava nestas festas do ‘grand mondé’;

3) Num julgamento, no início dos anos 1980, quando o feminicida tinha como advogado um jurista ligado a causas progressistas, o criminoso parecia mais velho para os padrões de alguém com mais de 45 anos. Normalmente, alguém dessa idade aparentava uns quinze anos a mais do que os padrões de hoje. O feminicida aparentava 25 a mais;

4) O feminicida tentou doar um rim a um sobrinho, nos anos 1990. Ele não resistiu e morreu. Isso indica que o organismo do feminicida já se encontrava fragilizado;

5) Nos anos 2000, o feminicida deu entrevistas aos meios de comunicação e falava, com estranha ênfase, dos eventuais momentos de “dislexia”. Era eufemismo para mal de Alzheimer. Ninguém fica alardeando que “sofre de dislexia de vez em quando”, só falando em tal informação conforme o contexto;

6) O feminicida apenas atribui, em livro biográfico, que sofreu uma “pneumonia” num dos pulmões. Alegou que essa pneumonia se curou, em palavras lacônicas;

7) O feminicida largou a cocaína e o álcool, mas continuou fumando depois dos 70 anos;

8) Como membro da alta sociedade paulistana que badalava nas festas dos anos 1970, o feminicida provavelmente (digo até com certeza) fumou dos mesmos cigarros que mataram um sem-número de famosos em evidência na década, que não eram cigarrinhos bestas, mas de níveis pesados de nicotina.

Apesar disso, não há notícia sequer de que o velho feminicida esteja doente. Quando muito, deve sofrer uns “resfriados” ou “eventuais doenças”, se alguém tiver que noticiar a respeito.

Em 2015, um jornal carioca de grande circulação alegou que o velho feminicida, na casa dos 80 anos, estava “bastante ativo nas redes sociais”. Achei isso muito, muito estranho.

Faço duas comparações. Uma com o que relatava a antiga revista dos anos 1970 – o feminicida fumava muito que seus amigos se preocupavam com sua saúde, já na época – e outra com as alegações, nos últimos depoimentos do feminicida, de que ele estava amargurado com a sociedade, além dele estar com idade considerada avançada para usar as redes sociais como se fosse um moleque.

Daí que considero um absurdo um feminicida nascido nos anos 1930, padrão pré-Internet dos anos 1970, ser jogado na nova geração de influenciadores que nos deu Felipe Neto e Whindersson Nunes.

Maior preparação psicológica para lidar com redes sociais teriam os saudosos Luiz Carlos Maciel e Paulo Henrique Amorim, se continuassem vivos. PHA provou que, se não tivesse morrido, estaria a todo vapor na Internet, este sim com um entusiasmo de garoto, como provaram seus últimos vídeos do Conversa Afiada.

Mas o velho feminicida, não. Não se sabe se por boa-fé ou fake news, o redator ignorou que, como todo empresário, o rico feminicida se serve de ‘ghost writers’ ou assessores, e com cerca de 80 anos ele não teria forças físicas nem psicológicas para usar as redes sociais. O redator do jornal carioca ignorou que, quem está bastante ativo nas redes sociais é o assessor, talvez relativamente mais jovem, que o representa nas redes sociais.

Tendo estado o velho feminicida com 85 anos em 2019, fico imaginando. É possível que um sujeito desses, que fumou demais, cheirou muita cocaína e se embriagou, e ainda mais encarou os efeitos emocionais do feminicídio que cometeu e “parou” o Brasil, que incluem a bipolaridade emocional que alterna arrogância e irritabilidade e depressão e tristeza profundas, já tenha falecido e o fato não virou sequer nota de rodapé da Folha de São Paulo.

Na farra feminicida daquele ano, eu imagino os motivos prováveis da possível omissão desse óbito: seus familiares, membros de uma rica elite paulistana, já arranhados com a ação feminicida de um de seus patrícios, quer preservar a privacidade e nem mesmo se autoriza a publicar no Wikipedia a notícia desse suposto falecimento, sob o risco das edições do verbete dessa pessoa serem bloqueadas para internautas comuns.

O que se sabe é que ele conta com idade avançada demais para estar vivo e saudável. Estima-se que até o ano que vem seja natural que ele morresse, porque, na melhor das hipóteses, uma pessoa que descuidou demais de sua saúde tem condições de viver até os 87 anos. Mas eu acredito que o feminicida já tenha morrido, pelo menos, entre há um e três anos, e isso quando não morreu antes.

Por sorte, sua família talvez tenha uma coesão e uma integração que impede que vazem, por exemplo, supostos escândalos de brigas por heranças, como vemos no caso de Gugu Liberato. Se houvesse esse risco, é possível que vaze alguma coisa sobre o possível destino trágico do velho feminicida que tenha sido um dos maiores símbolos da vingança machista contra a suposta infidelidade feminina. 

De qualquer forma, vale encerrar aqui (com) o trecho de “Hey Joe”, canção de O Rappa que, curiosamente, é versão de uma canção gravada por Jimi Hendrix (e autoria de Billy Roberts) cuja letra é direcionada a um feminicida: “Também morre quem atira”.

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