BATERISTA E LETRISTA DO RUSH, NEIL PEART MORRE AOS 67 ANOS

DA ESQUERDA, O GUITARRISTA ALEX LIFESON, O BATERISTA E LETRISTA NEIL PEART E O BAIXISTA E VOCALISTA GEDDY LEE ERAM A SUPER BANDA CANADENSE RUSH.

Por Alexandre Figueiredo

2020 começa com luto no rock clássico. O super baterista do Rush, Neil Peart, perdeu a batalha de um câncer no cérebro e morreu com 67 anos, na verdade 68 anos incompletos, por ele ter nascido em 12 de setembro de 1952.

A banda Rush, inicialmente influenciada pelo Led Zeppelin, marcada pelo rock progressivo, passou depois a modernizar o som e, nos anos 1980, tornou-se bastante curtido entre os praticantes e adeptos do esqueite e do surfe, esportes aparentemente estranhos para o universo do progressivo.

Peart não foi o primeiro baterista da banda que surgiu em 1968 na cidade de Toronto, no Canadá, e que teve várias formações até chegar a última e definitiva. Originalmente, a banda era formada por Lifeson, com o estadunidense Jeff Jones (atualmente no Red Rider) e o baterista John Rutsey, mas Jeff deixou a banda pouco após seu surgimento e Geddy Lee, colega de escola de Lifeson, tornou-se o vocalista de baixista.

Em 1971, o Rush, depois de experimentar vários músicos - com um pequeno hiato de Lee, tendo sido Joe Perna baixista e vocalista por dois meses, entre maio e julho de 1969) firmou no trio Lifeson, Lee e Rutsey. Foi essa formação que gravou o álbum de estreia, Rush, de 1974. Ainda em 1974, Rutsey foi substituído por Neil Peart, constituindo na formação definitiva do trio.

O grupo começou sua trajetória com um som influenciado pelo hard rock e por elementos de blues introduzidos no rock. Na década de 1970, o grupo passou a fazer rock progressivo, até depois modernizar seu som pelas influências roqueiras das décadas posteriores.

Sua produtiva discografia, com a formação clássica, foi lançada entre 1975 e 2012, com álbuns em estúdio. A fase John Rutsey contou ainda com um compacto, no qual a faixa principal era uma cover de "Not Fade Away", música de Buddy Holly já gravada pelos Rolling Stones.

O grupo é conhecido por canções que se tornaram clássicos do rock como "Fly By Night", "Tom Sawyer", "2112", "Limelight", "YYz", "Big Money", "Roll the Bones", "Closer to the Heart", "Working Man", "Subdivisions", entre tantas outras.

Discos como Fly By Night (1975), A Farewell to Kings (1977), Permanent Waves (1980), Grace Under Pressure (1984), Power Windows (1985) e Roll the Bones (1991) são considerados os mais populares da banda. O último disco do grupo foi lançado em 2012, Clockwork Angels. Há também vários discos ao vivo, entre eles um de 2003, Rush In Rio, com a gravação de uma apresentação no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, no ano anterior.

A apresentação no Maracanã marcou o fim de um hiato que o Rush teve que enfrentar, quando, pouco tempo após finalizar o disco Test For Echo, de 1996, o baterista Neil Peart enfrentou duas tragédias, em 1997, quando sua filha Selena Taylor morreu em um acidente de carro, e em 1998, quando a primeira esposa, Jacqueline Taylor, morreu de câncer, agravado com os abalos emocionais pela perda da filha.

Nessa época, o Rush chegou a anunciar que encerrou suas atividades. Profundamente abalado, Neil Peart chegou a dizer que se considerava um músico aposentado. O grupo teve que suspender suas atividades por cerca de cinco anos.

Somente a partir de 2001, Peart retomou suas atividades com os parceiros. Entre 2009 e 2015, o grupo voltou à produtividade. Ele se casou novamente, com a fotógrafa Carrie Nuttall, em 2000, e, em 2009, nasceu a menina Olivia Nuttall Peart.

Peart era considerado um superbaterista, influenciado por Buddy Rich, John Bonham (até no visual) e Keith Moon. Seus solos eram um dos destaques das performances do Rush, principalmente ao vivo. O baterista do Rush era considerado um dos maiores da história do rock. Sofrendo de tendinite e dores nos ombros, Peart decidiu se aposentar em dezembro de 2015, após encerrar a última turnê da banda, o Rush R40 Tour.

O Rush anunciou seu fim, através de comunicado de Geddy Lee, em janeiro de 2018. Em entrevista ao The Globe and Mail, ele afirmou: "Não temos mais planos de excursionar e gravar novos discos. Nós basicamente terminamos. Depois de 41 anos, sentimos que foi o suficiente".

Duas curiosidades é que Peart era fã de graphic novels, apreciava livros de filosofia e de ficção científica - que constantemente influenciaram seu trabalho como letrista - e, por outro lado, sua orientação político-ideológica era conservadora. Em 2010, ele adquiriu cidadania estadunidense e, após a aposentadoria, ele ocupava seu tempo convivendo com a esposa e a filha.

Em comunicado oficial, os dois remanescentes, Lifeson e Lee, escreveram, comovidos:

"É com coração partido e uma tristeza profunda que devemos anunciar a terrível notícia de que nosso amigo, nosso irmão de alma e de banda por 45 anos, Neil, perdeu sua incrível batalha de três anos e meio contra um câncer cerebral (glioblastoma).

"Pedimos que amigos, fãs e mídia respeitem a necessidade de privacidade e paz da família neste momento extremamente doloroso e difícil. Aqueles que desejam expressar suas condolências podem escolher um grupo de pesquisa ou caridade de sua escolha e fazer uma doação em nome de Neil Peart. Descanse em paz, irmão".

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