Pular para o conteúdo principal

MAIOR TENISTA DA HISTÓRIA DO BRASIL, MARIA ESTHER BUENO MORRE AOS 78 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Contemporânea de esportistas como Pelé e Eder Jofre, a tenista paulistana Maria Esther Bueno foi um dos símbolos de uma época ímpar no Brasil, em que, diferente do colapso político e social de hoje, viveu um período de muitas conquistas e um potencial de grandeza que era incipiente, mas promissor o suficiente para alegrar os brasileiros de cerca de 60 anos atrás.

Uma das mais destacadas esportistas femininas do Brasil, Maria Esther se destacou num esporte pouco popular no Brasil, o tênis, e sua vitória em vários torneios, principalmente no começo da década de 1960, era ao lado da Bossa Nova, da arquitetura de Brasília, do Cinema Novo, do teatro engajado e do movimento estudantil (que lançava os Centros Populares de Cultura da UNE), símbolos de uma modernidade que, por breves anos, parecia ser eterna.

Maior tenista da história do Brasil, Maria Esther Bueno morre aos 78 anos

Do Globo Esporte

Ao longo de sua premiada carreira, Maria Esther Andion Bueno ficou conhecida como a Bailarina do Tênis. A alcunha fez jus à plasticidade de seu jogo gracioso e à habilidade com a raquete. A verdade, no entanto, é que a maior jogadora do país em todos os tempos foi além: quebrou paradigmas, brilhou em um esporte em que o Brasil tinha pouca representatividade, ganhou notoriedade no círculo mais restrito do esporte e deixou um legado indelével. Sua vida poderia ganhar muitos outros adjetivos. Maria Esther foi uma vencedora, única e formidável. Lendária. A ex-tenista, um dos grandes nomes da história do esporte brasileiro, repousou nesta sexta-feira, 8 de junho, aos 78 anos, vítima de um câncer.

Ela estava internada no Hospital Nove de Julho, na capital paulista. Ela não teve filhos. A morte foi confirmada pelo sobrinho de Maria Esther, Pedro Bueno. O velório acontece neste sábado, de 8h às 15h, no salão oval do palácio do governo de São Paulo.

No ano passado, Maria Esther havia retirado um câncer do lábio, mas o tumor se espalhou para a garganta. Ela, então, passou por sessões de radioterapia no Hospital Albert Einstein e apresentou melhora no quadro. Entretanto, a situação se agravou no último mês de abril. Enquanto jogava tênis - hobby que nunca deixou de praticar -, sentiu dores e, de início, pensou se tratar de uma lesão. Mas após uma visita ao médico e novos exames, se descobriu que um novo câncer havia se espalhado por outros órgãos do corpo. A ex-jogadora optou por não fazer quimioterapia. Desde então, ela vinha sendo tratada com imunoterapia. Maria Esther continuava lúcida e, na terça-feira, chegou a assistir ao jogo entre Novak Djokovic e o italiano Marco Cecchinato pelas quartas de final de Roland Garros.

Com 19 títulos de Grand Slam, Maria Esther Bueno é considerada a maior tenista brasileira de todos os tempos, tendo alcançado o posto de número 1 do mundo em quatro temporadas (1959, 1960, 1964 e 1966). Ela conquistou o seu 1º título de Grand Slam em Wimbledon, em 1959, aos 19 anos. Em 1960, ganhou os quatro Grand Slams de duplas ao vencer na Austrália, com Christine Truman, e em Wimbledon, Roland Garros e no Aberto dos Estados Unidos, todos em parceria com Darlene Hard. No total, ganhou 589 títulos ao longo de sua carreira. Ela entrou para o hall da fama em 1978.

Primeiro título em Wimbledon veio aos 19 anos

Maria Esther Bueno começou a jogar tênis de maneira despretensiosa, em companhia do irmão mais velho, Pedro, no Clube de Regatas Tietê, na zona norte de São Paulo. Ambos foram levados ao esporte pelo pai, Pedro Augusto, sócio número 5 do Tietê, que tinha o tênis como maior paixão embora trabalhasse como tesoureiro.

A proximidade do clube, que ficava a uma calçada de distância da casa da família, e a empolgação do pai com o esporte elitista influenciaram Maria Esther de maneira profunda - ela só descobriria o quanto no futuro, quando desfilaria suas artes na Inglaterra. No Tietê, ela lapidou seu backhand de uma mão e um jogo de rede agressivo, suas marcas registradas. Gostava de contar que era auto-didata em quase tudo no que dizia respeito ao tênis.


Em 1954, então com apenas 14 anos, o baile realmente começou. Maria Esther ganhou o título brasileiro contra rivais muito mais velhas na época. Três anos depois, conquistou o importante torneio Orange Bowl, para tenistas júnior, na Flórida. Curiosamente, ela havia conseguido viajar para a competição graças a uma passagem, somente de ida, fornecida pelo clube. A dificuldade só fez reforçar a trajetória gloriosa que veio a seguir.

Entre 1958 e 1977, quando se aposentou oficialmente, Maria Esther Bueno - cujo nome fãs e personalidades estrangeiras encurtaram para Maria Bueno - ergueu 71 troféus, dos quais 19 em campeonatos do Grand Slam: sete em simples, 11 em duplas e um em duplas mistas. O palco em que mais brilhou foi justamente o mais antigo e importante de todos: Wimbledon. Na grama sagrada do All England Lawn Tennis and Croquet Clube, em Londres, ela amealhou três taças em simples (1959, 1960 e 1964) e outras cinco em duplas (1958, 1960, 1963, 1965 e 1966). O primeiro título de Grand Slam veio aos 19 anos.

Tamanho sucesso levou a menina que batia bola às margens do Rio Tietê a lugares impensáveis. Primeiro a alçou ao posto de número 1 do ranking mundial em 1959. Com o sucesso, ganhou em apelo popular a ponto de virar selo dos Correios em homenagem às suas vitórias em Wimbledon.

Em meados da década de 1960, ela estava no auge. E chegou à sua cidade natal para a disputa dos Jogos Pan-Americanos de 1963 como grande estrela do evento. Antes de ganhar o ouro nas simples e ser prata nas duplas, a brasileira teve de driblar um incidente inusitado, do qual costumava rir.


- A principal recordação foi de um acontecimento um dia antes do início dos Jogos. Tinha ganhado um filhote de cachorro e estávamos brincando quando acidentalmente ele mordeu minha mão direita e rasgou bastante a parte interna de um dos dedos. Foi preciso fazer vários pontos e visitas diárias ao hospital durante o torneio para que eu pudesse jogar (com muita dificuldade para segurar a raquete) a semana toda. Os jogos foram todos relativamente fáceis e na final venci uma ex-campeã de Roland Garros, uma das melhores jogadoras mexicanas e especialista em quadras de saibro, Yolanda Ramirez, por 6/3 e 6/3 - disse ela em entrevista à "Folha de S.Paulo", em 2003.

O fenômeno não foi maior apenas porque Maria Esther atuou em uma época sem ferramentas de comunicação tão eficientes e quando os torneios eram amadores. A profissionalização do tênis foi sedimentada em 1968, com mudanças nas regras de premiação que inauguraram a chamada era aberta. A brasileira, já acometida por lesões nos braços e pernas, competiu pouco depois disso. Fez algumas exibições e conquistou um único título, o Aberto do Japão de 1974.

A distância das quadras não fez com que fosse menos reverenciada por seus pares e pelo mundo. Em 1978, foi indicada ao Hall da Fama do tênis. Além dela, somente Gustavo Kuerten recebeu a honraria, em 2012 - enquanto via o tricampeão de Roland Garros entrar para a elite do esporte, teve de lidar com a perda do irmão, Pedro, que a ajudara nos tempos de Clube Tietê e de quem era muito próxima. Há quatro anos, Maria Esther também recebeu a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão de São Paulo, as mais altas distinções da cidade em que nasceu. No ano seguinte, recebeu homenagem na abertura do Centro Olímpico de Tênis dos Jogos Olímpicos do Rio.


- Eu não tenho palavras para expressar a minha gratidão e o quanto eu estou feliz. Este é um dos dias mais felizes de minha vida e, sem dúvida, uma das maiores homenagens que eu já recebi em vida. Fico tremendamente emocionada. Não posso nem dizer o quanto significa ter conseguido colocar meu nome em um estádio tão maravilhoso, um estádio olímpico. Tenho certeza que as Olimpíadas no Brasil serão as melhores do mundo. Todos perguntavam se os Jogos iam ficar prontos, ninguém confiava na gente - disse ela em 2015.

A ex-tenista foi garota-propaganda de um dos patrocinadores da Olimpíada do Rio e conduziu a chama olímpica no revezamento da tocha em julho de 2016. Também participou da cerimônia de encerramento do megaevento, onde carregou a bandeira brasileira antes da execução do hino nacional (veja vídeo abaixo).

Em meio às ações como embaixadora, nas duas últimas décadas ela começou a divulgar o esporte em que brilhou. Tornou-se comentarista da TV Globo/SporTV e da rede britânica BBC. Em fevereiro deste ano, ela participou da transmissão do SporTV do Rio Open.


Maria Esther costumava afirmar que gostava de dar informações sobre os bastidores dos atletas, dos eventos e do jogo em vez de fazer uma análise ponto a ponto das partidas. Faz todo o sentido para alguém que fez do tênis um balé. Ou uma poesia. Ou uma elegante fantasia. Tudo se encaixa na descrição que inúmeros especialistas da modalidade fizeram ao longo de décadas de Maria Esther Bueno, agora ícone eterno do esporte brasileiro.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O ESTADO DA GUANABARA

AEROFOTO DO FOTÓGRAFO DA REVISTA MANCHETE, CARLOS BOTELHO, PUBLICADA TAMBÉM NA ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DO IBGE. A FOTO DATA DE 1956, QUANDO A NOVA CAPITAL, BRASÍLIA, COMEÇOU A SER CONSTRUÍDA, TRANSFORMANDO DEPOIS O ANTIGO DISTRITO FEDERAL NA GUANABARA.

Do portal WikipediaA Guanabara foi um estado do Brasil de 1960 a 1975, no território do atual município do Rio de Janeiro. A palavra guanabara tem sua origem no tupi guarani guaná-pará, e significa "o seio-mar".

HISTÓRIA

Em 1834, a cidade do Rio de Janeiro foi transformada no Município Neutro da Corte, permanecendo como capital do Império do Brasil, enquanto que Niterói passou a ser a capital da província do Rio de Janeiro. Em 1889, a cidade transformou-se em capital da República, o município neutro em distrito federal e a província em estado. Com a mudança da capital para Brasília, em 21 de abril de 1960, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o estado da Guanabara, de acordo com as disposições transitórias da Cons…

ATRIZES MÁRCIA REAL E MARIA ISABEL DE LIZANDRA MORREM EM SP

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: As atrizes veteranas Maria Isabel de Lizandra - que deixou a televisão em 1998 - e Márcia Real, morreram em dias diferentes, mas na mesma cidade de São Paulo, tendo sido duas grandes estrelas televisivas presentes em várias novelas marcantes.

Atriz Maria Isabel de Lizandra morre em São Paulo aos 72 anos

Do Portal G1

A atriz Maria Isabel de Lizandra morreu na noite de desta quinta-feira (14), no Hospital das Clínicas de São Paulo, segundo informou a família. Ela é umas das primeiras atrizes da TV brasileira, conhecida por vários trabalhos na televisão, como o fenômeno Vale Tudo, um dos maiores sucessos da história da Globo.

Em Vale Tudo, Maria Isabel interpretou Marisa, amiga da personagem Raquel, vivida por Regina Duarte.

A atriz tinha 72 anos e deu entrada no Hospital das Clínicas com quadro de pneumonia.


O corpo está sendo velado no Cemitério do Araçá e o enterro será às 17h no Cemitério da Consolação.

Maria Isabel Reclusa Antunes Maciel, que adotou o nome artísti…

RÁDIO CIDADE ENCERROU HISTÓRIA ANTES DOS 40 ANOS. MELHOR ASSIM

Por Alexandre Figueiredo

Seria patético uma rádio comemorar 40 anos de existência com uma trajetória totalmente diversa da original. Se o contexto permitisse, tudo bem, mas soaria ridículo que a Rádio Cidade tivesse que comemorar 40 anos como se fossem os 35 anos da Fluminense FM, algo bastante surreal que, certamente, daria um filme de Luís Buñuel.

A Rádio Cidade, que anunciou sua saída do dial para o próximo dia 31 de julho de 2016, na verdade morreu faz muito tempo. Morreu quando o Sistema Jornal do Brasil sentiu ressentimento de não ter largado na frente de uma rádio autenticamente rock, a Fluminense FM, do Grupo Fluminense de Comunicação.

A Fluminense FM, a "Maldita", bem antes da Internet e do YouTube, tinha uma locução sóbria, que não falava em cima das músicas, e seu repertório, mesmo na programação normal, fugia da mesmice do hit-parade, tocando bandas e artistas até hoje pouco conhecidos.

De Gentle Giant a Teardrop Explodes, nenhuma emissora de rádio roqueira teve…

PRIMEIRA TRANSMISSÃO DE TV A CORES NO BRASIL FAZ 40 ANOS

Por Alexandre Figueiredo

Hoje faz 40 anos em que se realizou a primeira transmissão televisiva a cores, a partir da TV Difusora de Porto Alegre (hoje TV Bandeirantes local) e a TV Rio (Guanabara, atual TV Record Rio). A TV Globo, do Rio de Janeiro, também participou da façanha.

O evento escolhido foi o desfile tradicional da Festa da Uva, na cidade gaúcha de Caxias do Sul. A foto em questão, aliás, mostra um ônibus "bicudinho" da Mercedes-Benz, provavelmente O-326, que a TV Rio enviou para o Sul do país.

Era tempos do "milagre brasileiro" da ditadura militar e prefeitos com algum senso de oportunismo instalaram aparelhos de TV pelas ruas da cidade para que a população visse a novidade. Aliás, foi assim que Assis Chateaubriand fez para atrair a multidão para a então recém-inaugurada televisão, em vários pontos-chave da cidade de São Paulo, em 18 de setembro de 1950. Em ambos os casos, eventuais falhas técnicas ocorreram.



Mas quem imaginasse que a televisão a cores era u…

DUCAL, LOJAS DE ROUPAS

NO PRÉDIO EM FORMA DE MEIA-LUA NA AV. BRASIL, NO RIO DE JANEIRO, CHEGOU A FUNCIONAR AS LOJAS DUCAL. O PRÉDIO FOI DEMOLIDO PARA DAR LUGAR A UM TRECHO DA LINHA VERMELHA (VIA EXPRESSA PRES. JOÃO GOULART), EM 1992.

Do portal Wikipedia

A Ducal Roupas foi uma rede de lojas de roupas masculinas brasileira de muito sucesso nas décadas de 1950 e 1960. Seu nome, além de remeter ao nobre título de duque, também era a junção das sílabas das palavras "duas calças", pois quem comprava um paletó e uma calça ganhava outra mais barata e ficava, assim, com duas calças. A promoção deu fama à empresa junto com o seu sistema de crédito.

A Ducal Roupas era referência no mercado de moda masculina na metade do século passado. Seus ternos vestiram vários brasileiros anônimos e famosos em sua época. A Ducal tinha lojas em três estados do país como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Mas a Ducal não era apenas uma grande marca e sim um grande grupo empresarial da época e que possuía além das lojas, …

TV EXCELSIOR

TV Excelsior - A Criadora do Padrão Globo de Qualidade

Edson Rodrigues - Retro TV

Dez anos de criatividade que resultaram no desenvolvimento da televisão brasileira. Assim podemos definir a trajetória da TV Excelsior, Canal 9 de São Paulo. Mas, como tudo começou? E como tudo acabou?

O Início

Estamos em 1959 e a Organização Victor Costa - que já possuía a TV Paulista Canal 5 - ganha um novo canal de televisão. Naquela época era comum um mesmo dono ter mais de uma emissora. Antes mesmo de inaugurá-la, Mário Wallace Simonsen manifesta interesse em comprar os direitos sobre o novo canal. A família Simonsen era poderosa, possuía mais de 40 empresas (uma delas a aérea Panair) e estavam ansiosos por colocar no ar a TV Excelsior (nome este que veio da emissora de rádio, hoje a conhecida CBN). Os valores da venda são desencontrados, mas é sabido que a cifra foi a mais alta até então registrada.

A emissora instalou-se nos dois últimos andares de um prédio localizado na esquina da Avenida Paulista co…

BIBI FERREIRA, DIVA DOS MUSICAIS BRASILEIROS, MORRE AOS 96 ANOS

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Bibi Ferreira foi aonde pôde ir como atriz, diretora e intérprete de grande talento e experiência, como representante de um teatro vibrante como poucos. Filha do ator e mestre do teatro Procópio Ferreira, Bibi herdou a responsabilidade de promover espetáculos de grande qualidade e profundo profissionalismo. Sua carreira foi produtiva e durou décadas, atuando desde bebê ao lado de familiares.

Ela também foi cantora e compositora e apresentou programas de TV como a série "Brasil", programa de auditório transmitido pela TV Excelsior entre 1960 e 1963. Ela havia se aposentado em 2018, quando já não tinha mais energia física para continuar nos palcos.

Bibi Ferreira, diva dos musicais brasileiros, morre aos 96 anos

Do Portal G1

A atriz e cantora Bibi Ferreira, diva dos musicais brasileiros, morreu nesta quarta-feira (13), aos 96 anos, no Rio. Também apresentadora, diretora e compositora, ela foi um dos maiores fenômenos artísticos do país.

Segundo Tina Ferrei…

Ditadura permitiu pornografia para amansar o povo pobre

1964: Várias marchas envolvendo grupos religiosos, entidades diversas (como a CAMDE - Campanha da Mulher pela Democracia - , o "instituto" IPES e a Escola Superior de Guerra) e o empresariado, reivindicavam moralidade ao pedirem a derrubada do governo João Goulart. Foram as chamadas Marchas da Família Com Deus pela Liberdade, cujo clímax aconteceu no Vale do Anhangabaú, São Paulo, em 19 de março daquele ano. Uma outra marcha aconteceu no Rio de Janeiro, em 02 de abril, para comemorar o golpe militar.

Dez anos depois, com a crise do petróleo no Oriente Médio atingindo o mundo, o Brasil sofreu um colapso econômico que comprometeu seriamente o "milagre brasileiro" do governo do general Médici e levaria a ditadura militar à falência, anos depois. a crise do petróleo aconteceu em 1973 e fatos sócio-políticos diversos já começavam a abalar o regime militar, apesar da atividade intensa dos órgãos de repressão que matavam a sangue frio diversos acusados de subversão, sobret…

HÁ 50 ANOS, PERDEMOS SYLVIA TELLES, UMA DAS MAIORES CANTORAS DO BRASIL

Por Alexandre Figueiredo

Até hoje, a perda da cantora Sylvia Telles, um dos maiores nomes da Bossa Nova e da moderna MPB, deixou uma lacuna irreparável. Diante de uma situação em que a MPB sofre uma crise, perdida em excesso de tributos e clichês pós-tropicalistas ou revivalistas, não há uma cantora que pudesse se equiparar à voz intensa, meiga, forte, dramática e sensualmente doce de Sylvinha Telles.

Ela teve uma breve carreira de 12 anos. Breve, mas de altíssima qualidade. Raramente compôs músicas, mas como intérprete dava sua marca forte em interpretações que se encaixavam em arranjos bossanovistas, jazzísticos e diante de uma orquestra. E tinha uma modernidade juvenil que dava um frescor musical intenso, de um grande talento prematuramente falecido.

Sua primeira música gravada foi "Amendoim Torradinho", composição de Henrique Beltrão, que fazia parte de um número musical da peça de teatro de revista Gente Fina e Champanhota, em 1955. Um dos músicos acompanhantes, José C…

GUITARRA INSTRUMENTAL PERDE DICK DALE, AOS 81 ANOS

Por Alexandre Figueiredo

O roqueiro médio, ao ouvir "Misirlou", da banda Dick Dale & His Del-Tones, da trilha sonora do filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, imagina que a canção é do tempo do filme ou, ao menos, um pouquinho mais antiga. Não imagina que a canção é do distante ano de 1962, quase do tempo dos seus avós.

A canção é um dos poucos sucessos do chamado gênero Instrumental Guitar ou Guitar Instrumental, traduzido como Guitarra Instrumental, tendência do rock que tornou-se moda entre 1958 e 1963 no mundo inteiro, famosa por servir de trilhas sonoras de competições de surfe, daí muitas vezes o estilo ser conhecido como surf music. Era conhecido como o rock alternativo e o rock de garagem da época.

Um de seus ícones principais ícones, o músico estadunidense Dick Dale, faleceu ontem aos 81 anos de idade. Ele faria 82 anos no próximo dia 04 de maio. Ele nasceu em 1937 em Boston, Massachusetts e, por incrível que pareça, o primeiro instrumento que ele aprendeu n…