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CASOS HARVEY WEINSTEIN E ROSEANNE BARR APONTAM FRAGILIDADE DA GERAÇÃO "W"


Por Alexandre Figueiredo

Não se fazem mais pessoas mais velhas do que antigamente. A geração nascida a partir de 1950, que se aproxima dos 70 anos, e que vai até 1974, com pessoas a caminho dos 45 ou 50 anos, se envolve cada vez mais em incidentes polêmicos, que vão desde escândalos de assédio sexual e comentários racistas até em postagens que dizem o que não devem e são imediatamente apagadas, não sem repercutir nas redes sociais e ser reproduzida a tempo de aparecer na imprensa no mundo inteiro.

Os casos de Harvey Weinstein, produtor de Hollywood acusado de assédio sexual e até de estupro por um considerável número de atrizes de Hollywood, e de Roseanne Barr, atriz e produtora que havia criado e protagonizado uma sitcom de grande sucesso, intitulada Roseanne, que havia encerrado há tempos e ganhou uma nova temporada recentemente.

Weinstein, um dos fundadores da Miramax Films e, depois, fundou a Weinstein Company com seu irmão Bob, era um dos mais prestigiados produtores executivos do cinema estadunidense, várias vezes premiado por diversos filmes que se tornaram sucessos de bilheteria, como Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love), de 1998, e Gangues de Nova York (Gangs of New York), de 2002.

A reputação de Weinstein caiu tanto que ele teve seus prêmios no Oscar devolvidos e também perdeu seu assento no conselho da Academia de Hollywood. Ele se declarou inocente das acusações feitas por inúmeras atrizes, como Asia Argento, Lea Seydoux, Rose McGowan e Ashley Judd.

Roseanne, que teve sua bem-sucedida comédia de situação, que fez sucesso na década de 1990, retornando com uma nova temporada, teve a atitude impulsiva de fazer comentários agressivos no seu perfil do Twitter. Ela comparou a filha do casal Bill Clinton e Hillary Clinton, Chelsea Clinton, com o burro do filme de animação Shrek.

Mas o pior ato foi escrever um comentário racista contra uma antiga assessora do ex-presidente dos EUA Barack Obama, a também negra Valerie Jarrett, que foi acusada por Roseanne de fazer parte da Irmandade Muçulmana  e de ser um "produto do seriado Planeta dos Macacos (Planet of the Apes)".

A repercussão foi tanta que abalou o revival do seriado, que agora passará a ser feito sem a protagonista, ganhando o título de The Conners. Arrependida, Roseanne chegou a dizer que escrevia os comentários sob o efeito dos comprimidos Ambien, remédio que ela toma para dormir. Mas representantes da fabricante do Ambien, a indústria farmacêutica Sanofi, enviaram um comunicado desmentindo que o comportamento racista nada tem a ver com os efeitos do medicamento.

NEUROSES JUVENIS

Esses são apenas dois dos milhares de exemplos de que a geração nascida da década de 1950 até começo da de 1970 não simboliza mais a maturidade antes esperada dos mais velhos. Essa geração já pode ser definida como Geração W, por causa de seu caráter de dúvidas, incertezas e inseguranças expresso nas palavras interrogativas em inglês, que incluem a letra W: "what", "who", "where", "why" e "how" ("o quê", "quem", "onde", "por quê" e "como").

Gerada num contexto em que a competitividade social se resume ao mercado de trabalho e à ascensão financeira, a Geração W é uma geração que, entre outras coisas, não consegue acertar no primeiro casamento, não desenvolveu muito idealismo na juventude e chega na meia-idade ostentando neuroses, pretensões e até pedantismos típicos da adolescência.

Os impulsos de Roseanne Barr e Harvey Weinstein são típicos da adolescência. Mas há também atitudes pedantes como empresários, executivos e profissionais liberais de 45 anos ou mais que tentam parecer intelectualmente 20 anos mais velhos, sem no entanto ter a identificação necessária com referenciais mais antigos.

É algo comparável a uma criança que quer se intrometer nas conversas de adultos, só que desta vez com pessoas querendo se apropriar de referenciais adultos do tempo em que essas pessoas eram crianças ou não tinham sequer nascido.

No caso de empresários, executivos e profissionais liberais (como médicos e economistas), o pedantismo se observa principalmente quando pessoas nascidas nos anos 1950 tentam dar a falsa impressão de que foram adultas no tempo em que nasceram e que, por isso, se apropriam, por pretensiosismo, de referenciais das décadas de 1950 e também das de 1940 e 1950.

A Geração W tenta imitar os mais velhos, como se pudessem reconstituir os tempos de glamour que seus pais viveram. Querem até mesmo fumar os mesmos cigarros ou, pelo menos, tomar as mesmas bebidas alcoólicas, com o mesmo apetite autodestrutivo que os transformará, depois, em velhos frágeis.

Outro aspecto da Geração W é que ela vê a velhice de maneira glamourizada. Acha que os cabelos brancos trazem sabedoria de graça. Ou que o sucesso profissional, por si só, traz a erudição cultural tão sonhada.

Nem todos os que nasceram no período assinalado correspondem à Geração W, pois esta envolve pessoas que, apesar de bem sucedidas, não conseguem ter proveito adequado de suas experiências de vida, perseguindo mais o status econômico e profissional do que o desenvolvimento moral e intelectual.

Essa geração é uma geração mais pretensiosa do que experiente, e que, tendo sido jovem durante períodos politicamente conservadores - como a ditadura militar, no Brasil, e os governos do presidente dos EUA, Ronald Reagan, e da primeira-ministra da Grã-Bretanha, Margareth Thatcher - , acha que pode ganhar tempo desenvolvendo, ao mesmo tempo, idealismo e maturidade depois da faixa dos 40 anos.

E é essa combinação de, ao mesmo tempo, parecer ambicioso e experiente que faz com que os "coroas" se atropelem constantemente, principalmente quando tentam combinar valores velhos com a aparência do novo.

No Brasil, a Geração W está associada à precipitação política do golpe de 2016, comandando manifestações pela saída do governo da presidenta Dilma Rousseff, democraticamente eleita. Políticos identificados com causas conservadoras, mas, também, envolvidos em corrupção, são em boa parte nascidos no período assinalado, mas também são ligados a políticos mais velhos que se ascenderam no fim da ditadura militar, como Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.

Observaram alguns cidadãos aparentando em média 65 anos envolvidos numa invasão na Câmara dos Deputados, onde se debatia um pacote "anti-corrupção", para pedir intervenção militar (eufemismo para um novo golpe militar). Alguns chegaram a trepar na mesa do plenário para manifestar o desejo golpista. Outros cidadãos da mesma aparência, muitos grisalhos, também foram vistos atirando pedras contra a caravana do Partido dos Trabalhadores, no Rio Grande do Sul.

O mais preocupante é que essa geração chegará à velhice vendendo a imagem de "amadurecidos", procurando servir de exemplo para futuras gerações. O rol de atitudes impulsivas, posturas inseguras, pedantismos e outras confusões só fará com que essa gente grisalha "de sucesso", assim que completar o embranquecimento de seus cabelos, viva o insólito contexto da insegurança juvenil que acabaram contraindo tardiamente, a partir da meia-idade.

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