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JORNALISTA AUDÁLIO DANTAS MORRE EM SÃO PAULO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Audálio Dantas foi um dos grandes profissionais do jornalismo, tendo lutado pelos direitos da categoria e também tendo se mobilizado em prol dos direitos humanos, até seus últimos anos.

Ele tornou-se mais famoso por ter conhecido a catadora de papéis Carolina Maria de Jesus, favelada que mantinha cadernos de anotações, nos quais ela escrevia poemas e também relatava seu cotidiano. Pegando um dos cadernos, em 1959, Audálio se ofereceu a datilografar os manuscritos do primeiro livro de Carolina, Quarto de Despejo, apenas fazendo correções gramaticais mas sempre mantendo o texto original, que é um dos testemunhos mais importantes da vida das favelas.

Audálio também foi um dos jornalistas que, à frente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, primeiro denunciaram o assassinato, nos porões do DOI-CODI, do colega Vladimir Herzog, ex-chefe de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo. Herzog foi preso e torturado porque se recusou a fazer propaganda de um ato do governo paulista, e sua morte causou uma séria crise política no regime militar.

Jornalista Audálio Dantas morre em São Paulo

Por Daniel Evangelista - Globo News

jornalista Audálio Dantas morreu na tarde desta quarta-feira (30), aos 88 anos, no Hospital Premiê, em São Paulo. Ele lutava contra um câncer de intestino desde 2015, quando foi operado; a doença atingiu fígado e pulmões depois disso.

Em abril, foi internado no centro médico, onde morreu. Segundo sua família, o corpo será cremado. Ele deixa mulher, filhos e netos.

Dantas foi presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo em 1975, ano do assassinato do jornalista Vladimir Herzog. Foi um dos responsáveis por denunciar que Herzog foi torturado e morto no DOI-CODI --o que contrariava a versão oficial do governo, de suicídio.

Deixou o cargo em 1978, ano em que foi eleito deputado federal.

Carreira jornalística

Alagoano de Tanque D’Arca, Audálio começou sua carreira jornalística em 1954, como repórter do jornal “Folha da Manhã” (atual “Folha de S.Paulo”). Cinco anos depois, foi para a revista “O Cruzeiro”, onde foi redator e chefe de reportagem.

Também trabalhou em diversas publicações da Editora Abril, entre elas “Quatro Rodas”, “Veja” e a prestigiada “Realidade”. Foi chefe de redação da revista “Manchete” e editor da “Nova”.

Em 1981 recebeu o Prêmio de Defesa dos Direitos Humanos da ONU por sua atuação em prol da defesa dos direitos humanos. Em 1983, foi presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Foi diretor-executivo da revista Negócios da Comunicação, da Editora Segmento MC, de junho de 2008 a dezembro de 2014, quando passou a dedicar-se à produção de eventos culturais.


Lançou diversos livros, entre eles "As duas guerras de Vlado Herzog", em que conta como o jornalista foi vítima dos nazistas na Iugoslávia, nos anos 1940, e das forças de repressão da ditadura militar brasileira.

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