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IDOSOS CRITICAM "FUNK" EM CONVERSA E ELOGIAM FEVERS

MIGUEL PLOPSCHI E MICHAEL SULLIVAN, O SEGUNDO E O QUARTO DOS CINCO ACIMA, NA CAPA DO ÁLBUM A MAIOR FESTA DO MUNDO, DE 1983.

Por Alexandre Figueiredo

Um episódio insólito foi observado num supermercado no bairro de Icaraí, em Niterói. Dois idosos, amigos de longa data, estavam conversando e, de repente, um deles perguntou ao outro se ele gostava dos Fevers, banda da Jovem Guarda os Fevers, inicialmente denonimada "The Fevers", nos anos 1960.

"Você já ouviu os 'Feveres' (sic)?", perguntou o idoso, cantarolando depois um sucesso do grupo. O outro sorriu, dizendo que sim, e os dois fizeram comentários elogiosos ao grupo, que, apesar da grande popularidade, não foi um dos musicalmente mais significativos da Jovem Guarda, seguindo mais uma tendência comercial, influenciada pelo rock comportado de Pat Boone, Paul Anka e companhia.

Uma mulher idosa, esposa de um deles, se aproximou dos dois depois de pagar as compras e ficou criticando o "funk", estilo musical de maior sucesso entre os jovens nos últimos anos, citando Anitta, Ludmilla e MC Gui. Dizendo isso, ela disse que prefere ouvir as músicas do seu tempo.

O grande problema é que, nos Fevers, se destacaram dois músicos e compositores que se empenharam no comercialismo musical brasileiro, criando todas as condições de show business que resultaram justamente nos sucessos rejeitados pelos mais idosos.

Miguel Plopschi foi executivo da antiga RCA (hoje ligada à Sony Music). Ele foi saxofonista da banda e havia ingresso no grupo em 1965, um ano após o surgimento da banda. Michael Sullivan, ainda sob o nome de Ivanilton, ingressou na formação de 1979 e ficou até 1983, mesmo ano da saída de Plopschi.

Juntos, os dois se tornaram artífices na produção de sucessos comerciais, introduzindo o hit-parade brasileiro, baseado na experiência de nomes "americanizados" exportados para o mercado estadunidense de nomes como Morris Albert, Terry Winter, Pholhas, Mark Davis (Fábio Jr.), Christian (atualmente da dupla Christian & Ralf) e o próprio Michael Sullivan.

Eles modernizaram e ampliaram a linhagem de ídolos de música brega que faziam sucesso desde os anos 1960 e intensificaram sua popularidade nos tempos da ditadura militar. Era uma articulação entre o mercado e o poder midiático na criação de um hit-parade à brasileira, que promovia os sucessos que, pelo seu amplo alcance, eram considerados "populares demais".

Depois de Plopschi e Sullivan (este compondo sucessos com o ex-baixista de Lafayette e Seu Conjunto, Paulo Massadas), houve uma linhagem mais "profissional" da música "popular demais" (brega-popularesca), da qual se revelaram ídolos como Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano e Alexandre Pires, entre outros.

Mais tarde, a chamada "cultura MTV" criou uma linhagem de nomes do "funk", da axé-music, do "forró eletrônico" e do "sertanejo universitário" que levaram esse comercialismo às últimas consequências, a ponto de nomes como Luan Santana e Anitta interagirem com nomes do comercialismo musical dos EUA.

Portanto, se os idosos estão reclamando dos ídolos musicais da atualidade, deveriam prestar muito bem atenção e agradecer, sobretudo a Miguel Plopschi e Michael Sullivan, por esses sucessos que constrangem os mais velhos. A trajetória dos Fevers tem uma boa relação com isso tudo.

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