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THE WHO DEU LIÇÃO DE ROCK NO ROCK IN RIO 2017

THE WHO EM 1964: DE TRÁS PARA A FRENTE, OS FALECIDOS JOHN ENTWISTLE, ATRÁS, E KEITH MOON, À FRENTE, E, ENTRE ELES, A DUPLA REMANESCENTE PETE TOWNSHEND, COM CAMISETA DE FLANELA, E ROGER DALTREY, DE TERNO.

Por Alexandre Figueiredo

Por condições alheias à minha vontade, não pude ver a apresentação da banda britânica The Who, um dos ícones da Invasão Britânica nos anos 1960. Surgido em 1963 mas iniciando carreira fonográfica em 1965 - um ano após tentar mudar seu nome para The High Humbers, uma gozação com as paradas de sucesso - da formação original só restam o vocalista Roger Daltrey e o guitarrista e principal compositor, Pete Townshend.

A banda tinha também outros músicos excepcionais, o baixista John Entwistle e o baterista Keith Moon, este também um performático à parte, simpático e muito carismático. Eram quatro músicos que, ainda na primeira metade dos anos 1960, se empenharam em criar um som energético e "agressivo" numa época em que o rock ainda se mantinha numa musicalidade mais ingênua.

Sempre tocando em alto volume, os ambiciosos músicos de Londres, que juntamente com os Beatles e Rolling Stones integraram o trio principal da Invasão Britânica - bandas britânicas que começaram a fazer sucesso mundialmente ao se apresentarem nos EUA - , também se autointitularam "o máximo em rhythm and blues", numa época em que o termo era associado a uma forma eletrificada do blues e não como um derivado romântico-eletrônico da soul music.

O grupo começou com clássicos potentes com letras de pura energia juvenil. Versos como "as pessoas querem nos botar para baixo", de "My Generation", pontuada pelas batidas aceleradas de Moon, mostrava o tom das composições do guitarrista Pete Townshend, compositor da maioria das canções gravadas pela banda.

O grupo personificou, na década de 1960, o comportamento mod, surgido na década anterior, quando o Reino Unido ainda tinha o skiffle como ritmo juvenil (que combinava elementos de jazz, rhythm and blues, country e o folk irlandês e era tocado com instrumentos como banjo e objetos inusitados como tanque de lavar roupa). O mod era um tipo de subcultura no qual integravam jovens rebeldes e intelectualizados que vestiam roupas entre casuais e elegantes de maneira mais "tosca".

Com o tempo, o Who assimilou influências do rock progressivo e do hard rock, consagrando esta fase com a ópera-rock Tommy, um álbum conceitual baseado nas reflexões pessoais de Townshend. Ele criou outro álbum conceitual, Quadrophenia, dois anos depois de ter gravado, no álbum de 1971 Who's Next, a longa faixa "Won't Get Fooled Again", com acordes de sintetizador e guitarras intensas, com a forte bateria de Moon.

Houve um período de crises e conflitos pessoais da banda, marcado também pelos problemas com as deogas. Keith Moon faleceu aos 31 anos em 1978, sendo substituído depois por Kenney Jones. O grupo seguiu com Daltrey, Townshend e Entwistle na formação, que se deu até 2002, quando o baixista foi encontrado morto aos 57 anos, por overdose de drogas.

DALTREY E TOWNSHEND BRILHANDO NO ROCK IN RIO 2017.

O grupo só se apresentou no Brasil este ano, na temporada do Rock In Rio 2017. Antes eles participaram de um festival de rock em São Paulo. Sendo oficialmente uma dupla, o Who conta também com Pino Paladino no baixo, o filho do ex-Beatle Ringo Starr e afilhado de Keith Moon, Zak Starkey (que se aproxima, em agilidade, do falecido titular), e o irmão de Townshend, o também guitarrista e cantor Simon Townshend, no referido instrumento.

O grupo, nos últimos tempos, lançou álbuns que não ficam a dever com os clássicos discos da década de 1970, como Endless Wire, de 2006. Townshend tem problemas auditivos e usa aparelhos contra surdez, assim como o próprio Daltrey e os dois falecidos músicos tiveram diagnósticos semelhantes. Tudo por conta de tocarem som alto pelo vigor da sonoridade rock.

A banda que, além de produzir clássicos como "I Can't Explain", "My Generation", "Pinball Wizard" - sucesso radiofônico na voz de Elton John, que teve retribuída a façanha quando o Who, nos anos 1990, gravou uma versão de "Saturday Night is Alright for Fighting" - fez uma cover peculiar de "Summertime Blues", música de 1958 de Eddie Cochran, se apresentou no Rock In Rio 2017 com uma grandiosa e respeitada experiência nos palcos.

No currículo de apresentações, estão o Monterey Pop, em 1967, o Festival de Woodstock, em 1969, o da Ilha de Wight, em 1970, o Live Aid em 1985 e, mais recentemente, o Desert Trip, em 2016, ao lado de outros remanescentes do rock sessentista, incluindo o ex-beatle Paul McCartney e os Rolling Stones. O próprio Mick Jagger comentou que é difícil alguém conseguir tocar, com êxito, depois de uma apresentação do Who.

Quem viu a banda britânica no Rock In Rio, num público predominantemente feminino e bem mais jovem, viu uma energia incomparável, apesar de Roger e Pete serem dois idosos, com 73 e 72 anos de idade, respectivamente. A banda tocou por quase duas horas, mas com uma intensidade dos tempos áureos do rock, com o potente vocal de Roger e a guitarra ágil de Pete ensinando mais de 50 anos de trajetória, acompanhados de músicos que procuram compensar a ausência de Moon e Entwistle.

A esperada vinda do Who se concretizou numa apresentação digna de um grande clássico do rock, e Townshend anunciou ainda que pretende se retirar para compor um novo disco, na intenção de fazer algo novo e de impacto. Serão novas e valiosas lições de um dos grandes mestres do rock.

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