sábado, 21 de janeiro de 2017

LÍDER ESTUDANTIL PRESENTE EM COMÍCIO DE JANGO, JOSÉ SERRA HOJE COLABORA COM OS EUA

JOSÉ SERRA EM 1964 E EM 2016. 

Por Alexandre Figueiredo

As situações mudam. Um jovem líder estudantil a poucos dias de completar 22 anos, o então presidente da União Nacional dos Estudantes, José Serra, participava no comício do presidente da República João Goulart, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964.

A manifestação foi um sucesso mas causou indignação nas forças oposicionistas que pressionaram para o golpe de 1964, criando a Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade, realizada ironicamente na terra natal de Serra, São Paulo, e no dia do aniversário de 22 anos, 19 de março de 1964.

Os tempos passam e a mutação ideológica gradual do antigo líder estudantil, ligado ao grupo esquerdista católico Ação Popular (AP), no José Serra que fundou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de perfil inicialmente liberal de centro, mas depois inclinado para a centro-direita, revelou alguém oposto ao que Serra havia sido.

JOSÉ SERRA, AO LADO DE MIGUEL ARRAES, NO COMÍCIO DA CENTRAL EM 1964. ATUALMENTE, SERRA AO LADO DO PRESIDENTE MICHEL TEMER.

Observamos que João Goulart, herdeiro político de Getúlio Vargas, mas alinhado à centro-esquerda, prometia levar adiante as reformas de base prometidas. Para os desavisados de hoje, as reformas de Jango iam na contramão das "reformas" do atual presidente da República, Michel Temer, porque as reformas de base ampliariam os direitos e garantias das classes populares.

Já as "reformas" de Temer, a reforma trabalhista e a reforma previdenciária, ameaçam os direitos dos trabalhadores. Na reforma trabalhista, haverá flexibilização das negociações trabalhistas, o que dá vantagem aos interesses dos patrões quando prevalece o negociado sobre o legislado.

Já na reforma previdenciária, com aposentadoria alterada de 55/60 de idade e 25/30 de contribuição (mulheres/homens) para 65 anos de idade e 49 de contribuição para ambos os sexos, a medida prejudicará as classes mais pobres, que não chegam a atingir a idade mínima ou o tempo de contribuição mínimo para receber os benefícios previdenciários.

No comício de João Goulart, viam-se faixas de apoio à permanência da Petrobras (Petróleo Brasileiro S/A) como empresa pública que exercia o monopólio da extração e produção de petróleo. Surgida em 1953, a empresa já era ameaçada, nos anos 1960, de perder o monopólio - válido para garantir a soberania brasileira no uso de petróleo - para as empresas estrangeiras.

Cinco décadas depois, eis que o líder estudantil do passado, já como senador da República, colaborava com os EUA, numa ação antes inimaginável. Em 2014, documentos secretos dos EUA divulgados pelo Wikileaks já haviam divulgado que o então senador tucano José Serra negociava com a companhia petrolífera daquele país, a Chevron, uma boa fatia das reservas petrolíferas no pré-sal situadas no litoral brasileiro.

Com a crise política que tirou a presidenta Dilma Rousseff do poder, em maio de 2016, através de manobras supostamente legalistas e democráticas articuladas pela mídia, pelo Judiciário e pelo Legislativo, José Serra foi escolhido pelo vice-presidente que ocupava o mandato, Michel Temer, para ser o ministro das Relações Exteriores.

Em atuação bastante medíocre, até para os padrões estudantis - José Serra não deixou grandes marcas como presidente da UNE, mas pelo menos teve um mandato correto e eficiente - , o ministro das Relações Exteriores era capaz de fazer piadas machistas contra o fato de o Senado mexicano ser majoritariamente feminino.

Mas o pior nem é isso, embora fosse esta uma atitude deplorável por si mesma. O pior é que José Serra está negociando a venda de riquezas minerais brasileiras para empresas estrangeiras, chegando a promover negociações sem licitação.

José Serra colabora para o desmonte da soberania brasileira, sabotando também com o Mercosul, articulando uma pressão para tirar a Venezuela do bloco econômico, transformando esse grupo numa entidade próxima aos interesses dos EUA, que haviam fracassado na proposta de criar a ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas).

Serra também articula para a venda de serviços de monitoramento remoto do território brasileiro por satélite para empresas estrangeiras, além de querer transformar a base espacial de Alcântara, no Maranhão, em base dos EUA, com acesso restrito a técnicos estadunidenses.

A venda das riquezas minerais para empresas estrangeiras - não exclusivamente estadunidenses, mas privilegia as gigantes do petróleo (como Chevron, Exxon, Shell, Total e BP), mas dá uma falsa impressão de diversidade na quebra do monopólio da Petrobras. Uma estatal da Noruega, Statoil, adquiriu reservas de pré-sal nas bacias de Santos e Campos.

Uma lista para exploração de complexos petroquímicos em Santos e Itaboraí está restrita a companhias estrangeiras o que mostra o quanto a intenção do governo de Michel Temer em desvalorizar a economia brasileira prejudica o país, e revela a atuação de alguém que, um dia, esteve ao lado dos que defendiam o fortalecimento da economia nacional. A história mostra que devemos tomar cuidado com certos personagens.


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