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A FÁBRICA DE CHOCOLATES E A METÁFORA DA COMPETIÇÃO HUMANA


Por Alexandre Figueiredo

O filme A Fantástica Fábrica de Chocolate (Willy Wonka and the Chocolate Factory), de 1971, tem 45 anos de existência quando seu protagonista, o ator e diretor Gene Wilder, faleceu aos 83 anos depois de muito tempo doente do mal de Alzheimer.

Wilder, também conhecido por atuar e dirigir o filme A Dama de Vermelho (The Woman in Red), de 1984 - poucos anos antes do outro "Willy Wonka" (de 2005), o ator Johnny Depp, fazer sua estreia no seriado Anjos da Lei (21 Jump Street) em 1987 - , também atuou em vários filmes de Mel Brooks e em comédias ao lado do já falecido Richard Pryor.

Mas foi o personagem Willy Wonka o papel mais marcante e mais instigante, como o do filme correspondente. A curiosidade é que, apesar de ser um filme infantil, A Fantástica Fábrica de Chocolate traz um enredo de análise bastante complexa, que daria excelentes teses de mestrado com toda sua análise semiológica.

Aparentemente, o filme é uma gincana e uma apresentação de um "mundo de fantasia" representado por uma fábrica de chocolate. Willy Wonka trabalha com funcionários anões, os "oompa-lompas", o que reforma as analogias da lenda do Papai Noel e do conto de Branca de Neve.

O enredo parte da humilde vida do menino Charlie Bucket, numa cidade europeia não identificada, que, vendo as outras crianças indo para uma loja de doces depois de saírem da escola, ele, no mesmo caminho de volta, apenas tinha o prazer de olhar pela janela os doces que não poderia comprar.

De repente, ele passa pela fábrica de chocolate do Willy Wonka e um funileiro, recitando versos do poema "As Fadas", de William Allingham, lhe avisa sobre o local "ninguém entra jamais, nem jamais sai". Ele volta correndo para casa, e fala para o avô Joe sobre a fábrica e este lhe conta uma história.

Segundo esse relato, Wonka teria fechado a fábrica porque outros fabricantes de doces concorrentes, incluindo o arqui-rival Arthur Slugworth, enviaram espiões disfarçados de funcionários que acabaram roubando as receitas dos doces e dos chocolates, além dos próprios produtos.

Wonka teria desaparecido por três anos e depois voltou a trabalhar, causando um mistério sobre a origem de seu trabalho. O fabricante divulgou publicamente, depois, que escondeu cinco bilhetes dourados premiados em cada barra de chocolates Wonka, e a pessoa que achar o bilhete tem o direito de conhecer a fábrica.

Cinco crianças tiveram a sorte. Charlie havia adquirido uma barra depois que achou dinheiro em uma sarjeta. Pôde comprar uma e ainda uma outra barra para o avô Joe. Ao comer a sua barra, Charlie achou o quinto bilhete dourado, uma surpresa depois que ele havia sido informado de um suposto milionário paraguaio que teria encontrado o bilhete.

Ao sair de casa, encontra um homem sinistro sussurrando para outros vencedores, que se dirige a Charlie se apresentando como Slugworth. O homem então oferece a Charlie a mais recente criação do rival Willy Wonka, o doce Everlasting Gobstopper. Voltando para casa, ele conta o caso para o avô Joe, que, animado, decide ser seu acompanhante na visita da fábrica de chocolates.

Outras quatro crianças encontraram o bilhete: um alemão guloso chamado Augustus Gloop, uma britânica mimada, Veruca Salt, um estadunidense viciado em televisão chamado Michael Teavee e uma também estadunidense, Violet Beauregarde, que adorava mascar chicletes. Todas elas são recebidas por um Wonka dotado de uma aparente animação circense.

Durante o passeio no interior da fábrica, quatro das cinco crianças têm algum desfecho trágico. Augustus cai num rio de chocolate e é sugado por um tubo. Violet explode depois de, contrariando um aviso de Wonka, mascou uma goma experimental. Veruca, depois de exigir um dos ovos de chocolate cuidados por gansos, num trecho marcante que é a música "I Want It Now", e depois cai numa rampa de lixo que a levou para um forno. E Mike, mexendo no Wonkavision, desaparece por teletransporte.

Charlie e Joe acabam sobrando na visita da fábrica. Mas Wonka lhes diz que não vai oferecer a prometida fonte de vida eterna de chocolate. Joe, então, pergunta por quê e Wonka, irritado, diz que os dois violaram o contrato furtando as bebidas Fizzy Lifting Drinks e pelo custo de limpeza da sala desta bebida efervescente. Por essas quebras de contrato, não haveria direito ao prêmio prometido.

Como vingança, Joe sugere a Charlie para dar o Everlasting Gobstopper que eles pegaram da Sala de Invenção para Slugworth, mas Charlie diz ao avô que não queria magoar Wonka e então devolve o doce a este. Wonka então muda o tom, declara Charlie vencedor e faz algumas revelações.

Slugworth seria, na verdade, o senhor Wilkinson, empregado da fábrica, e a oferta da Gobstopper era um teste moral para as crianças. Charlie foi o único aprovado. Entrando Wonka, Joe e Charlie no elevador Wonkavator, subiram para uma altura que dá para ver a cidade em vista aérea. Wonka revelou, portanto, que o concurso foi feito para procurar uma criança honesta para ser herdeira da fábrica e convidou Charlie e sua família para se mudarem para a fábrica.

A obra é uma adaptação do livro Charlie and The Chocolate Factory, publicado em 1964 pelo escritor britânico Roald Dahl, que foi um grande sucesso literário. E é uma grande lição, através da literatura infantil, sobre as consequências da competição humana. O que mostra o quanto obras infantis podem dizer muita coisa, até mesmo para os adultos.

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