JOANA FOMM É VÍTIMA DO HABITUAL DESCASO AOS TALENTOS VETERANOS

JOANA FOMM EM MACUNAÍMA, FILME DE 1969.

Por Alexandre Figueiredo

Contemporânea de Leila Diniz e Dina Sfat, Joana Fomm, está sendo vítima da habitual injustiça dada aos grandes talentos veteranos, vivendo um drama similar ao que o grande diretor teatral e o brilhante intelectual Luiz Carlos Maciel, divulgou há cerca de um ano.

Assim como Maciel, Joana anda pedindo trabalho. Joana divulgou uma nota no Facebook apelando para ter algum trabalho na TV, seja como atriz ou jornalista. "Amigos, estou precisando trabalhar. Como atriz ou jornalista. Tem horas que fica difícil ainda. Ainda não tinha encarado essa. Alguém precisa de mim?", desabafou.

Joana tornou-se conhecida na virada dos anos 80 para os 90 como a viúva Perpétua da novela Tieta, da Rede Globo, papel que lhe valeu uma premiação no Troféu Imprensa. Ela recebeu o prêmio APCA por sua participação em Dancin' Days e dois prêmios Candango por A Vida Provisória, de 1968, e Césio 137 - O Pesadelo de Goiânia, em 1990.

Ela atuou, no cinema, em filmes como Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira, de 1967, e Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, adaptação da obra de Mário de Andrade (amigo e parceiro do pai de Joaquim, Rodrigo Melo Franco de Andrade, na fundação do atual IPHAN), feita em 1969.

O último trabalho da TV que Joana atuou como contratada da Rede Globo foi As Cariocas, de 2010, especial baseado em obra homônima de Sérgio Porto. Ela também chegou a participar na novela Boogie Oogie, também da Globo.

Atualmente com 76 anos, Joana Fomm venceu um câncer e sofreu de disautonomia (distúrbio cerebral que compromete os movimentos físicos), que está sob controle. Ela afirma que também está fazendo exercícios e levando uma vida saudável.

Num país que perde com muita frequência grandes talentos que não são compensados pelas novas gerações, predominantemente medíocres, ver que pessoas talentosas que continuam vivas não obtém reconhecimento e não são devidamente valorizadas. Pena que um hábito como este prevaleça no Brasil que tanto maltrata a própria cultura.

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