sábado, 4 de junho de 2016

O EXEMPLO DE MUHAMMAD ALI



Por Alexandre Figueiredo

O pugilista e ativista social Muhammad Ali, nascido Cassius Clay, perdeu a luta contra o mal de Parkinson e nos deixou na noite de ontem, 03 de julho. Embora esteja associado ao boxe, esporte controverso por causa da agressividade - mas nem tanto diante da grosseria dos torneios UFC de hoje - , ele também marcou sua carreira por sua filantropia e trajetória humanista.

Ele tornou-se notável quando venceu uma luta de boxe nas Olimpíadas de Roma, de 1960. No ano seguinte, 1961, já se tornava um dos maiores astros do boxe, aos 19 anos. Teve um estilo próprio e ágil de pugilista peso-pesado. Ainda era Cassius Clay, já que o nome Muhammad Ali foi adotado em 1964.

Quando foi comemorar o título de Campeão Mundial de Boxe em 1964, derrotando Sonny Liston, Clay foi para uma festa com o ativista Malcolm X, e decidiu se converter à religião muçulmana do amigo, os Muçulmanos Negros, passando então a adotar o nome que marcou até o fim da vida.

Um dos exemplos mais corajosos de Ali foi quando, convidado para atuar como capitão na Guerra do Vietnã, em 1967, ele recusou-se a fazer, dizendo: "O que um vietcong me fez para que eu esteja em guerra com ele"? Com a recusa, Ali foi punido pela Justiça estadunidense, além de ter sido duramente criticado por simpatizantes da ação bélica dos EUA.

Ali foi condenado a cinco anos de prisão e multa de US$ 10 mil. Pagou fiança, mas teve o passaporte e a licença para lutar confiscados, além de perder o título mundial de boxe conquistado em 1967. Passou o tempo dando palestras para faculdades e instituições muçulmanas.

Como pugilista, só sofreu cinco derrotas em 61 lutas. Se aposentou do boxe em 1981. Em 1984, divulgou à imprensa que foi diagnosticado como portador de Mal de Parkinson, Na cerimônia das Olimpíadas de 1996, em Atlanta, Geórgia, EUA, Ali mostrava sintomas da doença, andando lento e com os braços trêmulos ao carregar a tocha olímpica.

Nos últimos anos, Ali se dedicava a projetos filantrópicos, comparecendo a eventos e dando contribuições. Fez tratamento contra a doença usando células tronco, em 2010. Em janeiro de 2015 foi internado devido a uma infecção urinária.

A última aparição de Muhammad Ali foi durante um evento realizado no Arizona, em abril. Em maio, foi internado após sofrer problemas respiratórios, que se agravaram até a noite de 03 de junho, quando o ex-pugilista faleceu, aos 74 anos.

Ali tornou-se um exemplo de pugilista e figura humana, e só a coragem de ter recusado a participar da Guerra do Vietnã, numa época em que havia o ativismo sócio-cultural da Contracultura, o fez uma figura admirada e respeitada por muitos, que morre num ano em que grandes personagens nos deixam, época marcada pela crescente mediocrização da sociedade contemporânea.

Resta manifestarmos nossa gratidão ao grande Muhammad Ali.

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