sábado, 21 de maio de 2016

JORNALISTA QUE DESCOBRIU CAROLINA MARIA DE JESUS DEIXA PMDB EM PROTESTO CONTRA GOVERNO TEMER


Por Alexandre Figueiredo

Jornalista que descobriu a escritora Carolina Maria de Jesus, negra pobre que registrava sua experiência de vida em diários escritos em cadernos encontrados no lixo, Audálio Dantas, hoje com 87 anos, deu seu manifesto de repúdio ao governo do presidente interino Michel Temer.

Junto com o escritor Fernando Morais, este autor do livro Chatô - O Rei do Brasil, Audálio, que já presidiu entidades representativas da classe jornalística, decidiu desfiliar-se do PMDB, reagindo ao projeto político de Temer, que ameaça acabar com conquistas sociais históricas e chegou a extinguir o Ministério da Cultura, entidade que teve que ressuscitar devido a um forte protesto popular, apoiado por artistas como Caetano Veloso e Erasmo Carlos.

Fernando e Audálio declararam sua desfiliação do PMDB durante o evento Grito pela Democracia, no auditório lotado da Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo. O evento foi organizado para protestar contra o governo Temer. Na ocasião, Fernando Morais estava com sua ficha partidária para rasgá-la como sinal de protesto.

"As conquistas que vieram das ruas não poderão ser eliminadas por um bando de aproveitadores. O povo brasileiro mais uma vez repele a tentativa de supressão de seus direitos e de sua liberdade", declarou Audálio, lembrando que o MDB, antigo nome do PMDB, funcionava como uma frente que reuniu de conservadores liberais a militantes de partidos clandestinos, como o PCB e o PC do B.

Audálio é conhecido por ter descoberto a humilde Carolina Maria de Jesus, ainda em 1959, e resolveu ajudá-la a se lançar como escritora. Moradora da favela do Canindé, em São Paulo, apesar de ter nascida em Sacramento, Minas Gerais, Carolina lhe entregou os manuscritos que deram origem ao livro Quarto de Despejo Diário de uma Favelada.

Audálio foi responsável pela revisão, mas teve todo o cuidado de não mexer no texto, mantendo a linguagem crua de uma mulher pobre que descrevia a vida no cotidiano de miséria como catadora de lixo. O livro tornou-se um grande sucesso na época.

Com o apoio a Carolina, Audálio mostrou sua inclinação social e sua solidariedade com os movimentos sociais, que foram reforçados pela manifestação de repúdio a um governo de caráter neoliberal instaurado de maneira irregular e composto de corruptos e criminosos na sua equipe ministerial e base política, já que o governo Temer se iniciou de maneira golpista se valendo apenas de uma mera rivalidade política com a presidenta afastada Dilma Rousseff.

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