LIVROS PARA COLORIR SERIAM ARTIGO DO FEBEAPÁ?


Por Alexandre Figueiredo

O mercado literário brasileiro está uma piada. Literatura analgésica e anestesiante. Ao que se saiba, a missão do livro de transmitir Conhecimento para as pessoas foi deixado de lado. As pessoas preferem obras que "divirtam" e "relaxem", no primeiro caso as obras de besteirol mais vazio de conteúdo, no segundo caso obras de auto-ajuda mística e deslumbramento religioso.

2015 é considerado um dos piores anos do mercado literário, e prova que o brasileiro até está comprando mais livros, mas a qualidade das obras obtidas é muito, muito inferior. Lá fora, autores como Umberto Eco são verdadeiras "feras" que conseguem furar o bloqueio do comercialismo e figurar entre os mais vendidos.

Mas no Brasil Umberto Eco nunca passaria de um blogueiro com pouco mais de uns cinco seguidores, publicando textos que, num dia, mal conseguem obter uns quinze leitores, dois deles concordando e apoiando suas linhas de raciocínio, o resto lendo mal e protestando, ainda que com indiferença.

Umberto Eco não entraria nos cursos de Mestrado, nem mesmo como aluno-ouvinte. Numa turma de 30 vagas, é mais fácil ficar com 29 se o 30º candidato for alguém do nível de um Umberto Eco. O 30º aluno ficava fora porque, simplesmente, "não cabia na sala".

São surrealismos e surrealismos que dariam um novo Febeapá, se Sérgio Porto estivesse vivo. Ele, morto prematuramente, aos 45 anos, no distante ano de 1968, não porque foi torturado, mas porque sofreu um terceiro e fulminante infarto, poderia muito bem analisar a cultura hoje com sua observação surreal através do codinome Stanislaw Ponte Preta.

No mercado literário, nota-se o quanto Sérgio ficaria pasmo com a presença dos livros para colorir entre os títulos mais vendidos. E, pior, de não-ficção. Imagina a zorra que Stanislaw Ponte Preta poderia escrever a respeito dos livros para colorir? Ficaria mais ou menos assim:

"O mercado literário parece viver em outros tempos. Na lista de títulos mais vendidos, observam-se obras estranhas que são definidas como 'livros para colorir'. A ideia é promover uma arte anti-estresse, com gravuras em branco para as pessoas pintarem.

Num país em nível educacional precário como o nosso, a ideia de pessoas se servirem de lápis de cor para colorir árvores, frutas, personagens etc lhes soa interessante, mas a dificuldade é alguém achar qual o lápis ideal para ficar flutuando sobre os desenhos, como quem acompanha uma leitura linha a linha.

Além disso, o nosso tão conhecido quadro de analfabetismo faz com que as pessoas nestas condições tenham dificuldade até mesmo para virar a página, já que elas não conseguem identificar as possíveis palavras existentes em cada desenho, o que lhes impossibilita de ter a compreensão exata de uma mensagem".

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