DICAS PARA ENTENDER AS DÉCADAS DE 1950, 1960 E 1970


Quem nasceu depois de 1978, pelo menos no Brasil, ainda precisa se esforçar bastante para entender o passado. Por conta das distorções promovidas pela grande mídia nos anos 80 e 90, as gerações mais recentes acabaram tendo uma visão tão distorcida do passado que mesmo a década de 80 vivida em suas infâncias era precariamente compreendida e vivenciada.

Os mais esforçados, pelo menos, tiveram que aprimorar o aprendizado depois dos 25 anos, já adquirido o nível universitário. E viram, entre outras coisas, que nem tudo que passava na TV nos anos 80 era realmente dos anos 80, que a disco music não é uma música sofisticada, que o cinema comercial antigo de Hollywood não é "alternativo" nem "de arte" e que a década oitentista não era só Trem da Alegria, Menudo, Dr. Silvana e Absyntho, entre outras coisas.

Para requintar o nível de compreensão e a bagagem de conhecimentos, é preciso ir a sebos ou ir a bibliotecas consultar material antigo, como jornais e revistas. Ou ver filmes antigos que passam na TV, sem cair na ilusão de achar que o cinemão comercial de Hollywood é tão artístico quanto o intelectualizado cinema independente europeu.

Uma boa introdução é pesquisar o que revistas como Manchete e Cruzeiro publicaram nas décadas de 1950, 1960 e 1970, além de outras revistas derivadas como Joia, Cigarra e Fatos e Fotos. É aconselhável começar da edição mais recente - por exemplo, uma edição de Manchete da última semana de 1979 ou da Cruzeiro do final de 1973 - e ir depois para edições anteriores.

O mesmo deve ser feito com os jornais. Nas três décadas citadas, os quatro principais jornais do país, O Globo, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e O Estado de São Paulo estavam em circulação. Mas havia também outras, como Última Hora, Correio da Manhã (RJ), Diário de Notícias (RJ) que não existem mais. E há jornais regionais, como Correio Braziliense, O Estado de Minas, Zero Hora e A Tarde, também em circulação naqueles tempos.

Há revistas antigas como Senhor (1959-1964), sem relação, ao menos direta, que a Senhor dos anos 70 que deu origem à atual Isto É. Teve também a revista Visão, surgida em 1952, e a Amiga, revista de celebridades que marcou a década de 70, tal como a Intervalo, nos anos 60.

As famosas Contigo (1963), Cláudia (1961), Manequim (1959), Capricho (1952), Quatro Rodas (1960) e Veja (1968) são periódicos da Editora Abril que também oferecem volumes antigos para pesquisas.

Além disso, o You Tube encontra disponíveis fragmentos de antigos programas de TV mesmo na fase pré-1970 da televisão brasileira, em que a maior parte de seu conteúdo se perdeu. O que dela restou está em parte reproduzido em vídeos do You Tube, para uma pesquisa básica.

Conversas com pais, tios, professores e avós também ajudam bastante. E um pouco de reflexão crítica e analítica para não distorcer as coisas. Afinal, compreender uma época passada sem deslumbramento ingênuo é difícil, mas cabe um esforço de raciocínio sobre os prós e contras desse tempo.

Com essas dicas, nosso blogue cumpre a missão de mostrar um pouco desses tempos de 1950 a 1979 para vocês. O conteúdo deste blogue permanece, nós apenas encerraremos as atividades. Muito obrigado pelo apoio de vocês e tenham uma excelente leitura.

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