domingo, 23 de março de 2014

A MARCHA DA FAMÍLIA UNIDA COM DEUS PELA LIBERDADE PEDIU O GOLPE MILITAR DE 1964


Por Alexandre Figueiredo

Assustadas com as promessas feitas por João Goulart no comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964, as classes dominantes, de entidades religiosas a grupos empresariais, resolveu, seis dias depois, dar a resposta que representou o maior protesto contra o governo progressista que vigorava naquele problemático ano, que se distancia de hoje em meio século.

Se o comício da Central teve a presença de representantes das classes trabalhadoras, além de políticos progressistas - inclusive um José Serra então líder estudantil e distante do direitista tucano que é atualmente - , a Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade reuniu a chamada "nata da direita" brasileira, claramente simpatizante da supremacia capitalista dos EUA.

Era a época da Guerra Fria e o Brasil vivia o maniqueísmo ideológico entre a "democracia" capitalista dos EUA e o comunismo da URSS, num conflito bem mais duro do que a atual disputa entre EUA e Rússia na disputa pela Crimeia, que historicamente foi vinculada à Ucrânia e queria manter e reafirmar seu status de nação independente.

Os EUA estavam preocupados com as promessas arrojadas do governo nacionalista e popular de João Goulart, que no seu comício na famosa estação ferroviária do centro carioca - no então Estado da Guanabara - e, nos bastidores da política estadunidense, o Departamento de Estado e a CIA despejavam uma gigantesca soma de dinheiro para campanhas pela derrubada do governo Jango.

Esse investimento, acrescido de outros de empresas estrangeiras, sobretudo estadunidenses, instaladas no Brasil, como Coca-Cola, ESSO, General Motors, IBM, Shell, Ford e muitas outras, financiava desde pretensos institutos, como o IPES-IBAD, até passeatas como a Marcha da Família, além de instituições diversas de mulheres, estudantes, trabalhadores e militares, todos de cunho direitista.

A Marcha da Família, ou Marcha Deus e Liberdade, como tornou-se conhecida a título de simplificação de nome, ocorrida no dia 19 de março de 1964 - ironicamente, dia de aniversário de José Serra, então completando 22 anos de idade - , não foi a primeira nem a única marcha realizada, mas foi a maior, feita por multidões no centro de São Paulo.

A inspiração da marcha está nas pregações moralistas do líder católico conservador Patrick Peyton, cujo sobrenome inspiraria e talvez inspirou piadas no anedotário brasileiro. Ele pedia a seus adeptos que exibissem rosários como prova de fé. O evento, patrocinado pelo governador de São Paulo, Adhemar de Barros, teve adesões que iam de Hebe Camargo a Carlos Lacerda, passando pelos estudantes da Mackenzie, instituição de ensino de orientação prebisteriana.

Seu itinerário incluiu da Praça da República à Praça da Sé, passando pela rua Barão de Itapetininga, a Praça Ramos de Azevedo, o Viaduto do Chá, a Praça do Patriarca e a rua Direita. Entre as frases exibidas pelos manifestantes, se destacaram "Vermelho bom, só o batom", "Um, dois, três, Jango no xadrez", "Abaixo os imperialistas vermelhos" e "Verde e amarelo, sem foice nem martelo".

A marcha causou grande repercussão na opinião pública da época e agravou a crise política do país, fazendo com que os generais das três Forças Armadas - Exército, Marinha e Aeronáutica - começassem a debater qual a forma de tirar João Goulart do poder. Coisa que foi feita no dia 01 de abril, embora a História tivesse atribuído para um dia antes.

Outra marcha foi organizada no Rio de Janeiro, em 02 de abril de 1964, para celebrar a vitória do golpe militar de 1964. Mantendo o mesmo longo nome, a marcha no entanto foi apelidada de Marcha da Vitória, reunindo as mesmas instituições que realizaram a manifestação paulista.

REEDIÇÃO - Em 22 de março de 2014, foi realizada a nova marcha, com o mesmo nome e relançando muitos bordões. No entanto, a manifestação teve menos adesão e a crise política que existe no governo Dilma Rousseff se limita a conflitos com políticos do PMDB, o maior partido aliado do PT, que comanda o governo.

O objetivo da marcha, além de relembrar o protesto de 1964, era pedir "intervenção militar" para tirar Dilma do poder. Os pretextos são outros, como a promessa de "novas eleições" e com uma ênfase na juventude, mas seu sucesso foi muito fraco e o Brasil não possui uma crise político-institucional e econômica que propicie uma ação golpista bem-sucedida e respaldada pela sociedade.

Além disso, também ocorreram marchas anti-fascistas, paralelamente à Marcha da Família, que lembraram, numa abordagem negativa, tanto a marcha de 1964 quanto a ditadura militar que se seguiu e teve reflexos negativos na sociedade brasileira.

segunda-feira, 17 de março de 2014

MORRE SCOTT ASHETON, BATERISTA DOS STOOGES


45 anos depois de se tornarem mais conhecidos, os Stooges perdem mais um integrante. Foi a vez do baterista Scott Asheton, de 64 anos, morrer no último sábado. Ele era irmão de outro integrante, o guitarrista Ron Asheton, que faleceu em 2009. E outro membro original dos Stooges havia falecido de edema pulmonar, o baixista Dave Alexander, em 1975.

“Scott era um grande artista, nunca ouvi ninguém tocar bateria com mais significado do que Scott Asheton. Ele era como meu irmão”, divulgou o vocalista Iggy Pop a respeito do saudoso parceiro, acrescentando estar solidário com o sofrimento dos familiares do baterista.

Os Stooges são a banda de Detroit, Michigan, mais conhecida em todo o mundo. O grupo foi um dos símbolos de uma evolução do rock de garagem do período 1965-1968 para o punk rock, assim como o Deep Purple simbolizou uma evolução para o heavy metal.

Conhecido por músicas como "I Wanna Be Your Dog" e "No Fun", os Stooges tornaram-se referência sobretudo para bandas como New York Dolls e Ramones, além de antecipar sonoramente elementos que marcariam o noise rock dos anos 80 e 90.

Os Stooges se apresentaram no Brasil em 2009, no evento Planeta Terra, promovido pelo portal Terra.

quinta-feira, 13 de março de 2014

MORRE AOS 81 ANOS O ATOR PAULO GOULART


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O ator Paulo Goulart foi um dos mais produtivos e influentes de sua geração. Com uma longa carreira que se encerrou pouco antes do tratamento contra o câncer, doença que o matou hoje, Paulo se destacou em muitas novelas e filmes, além de ter tido um casamento longevo com a atriz Nicete Bruno, atualmente na novela Joia Rara, da Rede Globo. Um dos filhos, a atriz Beth Goulart, também hoje se destaca fazendo uma peça baseada na vida e obra da escritora Clarice Lispector. Paulo deixa um clã de atores talentosos e muitas lições de vida e de atuação.

Morre aos 81 anos o ator Paulo Goulart

Do Portal Terra

Aos 81 anos, morreu o ator Paulo Goulart em São Paulo, informou nesta quinta-feira (13) o Jornal Hoje. Ele estava internado no Hospital São José, parte da Beneficência Portuguesa.

Em setembro do ano passado o ator tratou um tumor no mediastino (canal da região dos pulmões). O câncer foi recidivo de anos atrás, na região dos rins.

Paulo Goulart é o nome artístico de Paulo Afonso Miessa. Nasceu em Ribeirão Preto, em 9 de janeiro de 1933, na Fazenda Santa Tereza. Os pais do ator, Afonso e Elza Miessa, ganhavam a vida lidando com a terra. Aos 8 anos, teve sua primeira experiência teatral, interpretando uma pequena bailarina em uma peça de teatro infantil de seu colégio. Paulo estudou química industrial e chegou a se formar, mas sonhava em trabalhar com rádio. Quando soube que havia um teste para locutor em sua cidade, logo se candidatou, mas não passou. Fez outros testes, dessa vez para ator, e passou a ser rádio-ator.

Iniciou carreira em emissora de rádio fundada por seu pai na cidade de Olímpia, interior de São Paulo. Já em 1952, passou a integrar a Companhia Nicette Bruno e Seus Comediantes, atuando em Senhorita Minha Mãe, de Louis Verneuil, com direção de Ruggero Jacobbi e, no mesmo ano, em Amor Versus Casamento, de Maxwell Anderson, direção de Rubens Petrille de Aragão. Casou-se com Nicette ainda em 1952.

Nesta mesma época, começou a trabalhar na TV, em Helena e estreou no cinema, em 1954, com Destino em Apuros. Passou a colaborar com a Companhia Eva e Seus Artistas, de Eva Todor, atuando em Vê Se Me Esquece, de Luiz Iglesias, Anastácia, de Marcelle Maurette, e Lotária, de Luís Iglesias, todos sob a direção de Henriette Morineau, em 1957. 

No mesmo ano, está em A Vida Não É Nossa, de Accioly Neto, em uma produção sua com Nicette Bruno, com direção de José Maria Monteiro, com quem trabalha em mais dois espetáculos subseqüentes.

Sem deixar o teatro de lado, começa a emendar papeis no cinema. Em 1957 está  em Rio Zona Norte e em 1958 faz outros cinco filmes. Segue assim com E Eles Não Voltaram e, em 1960; e Nordeste Sangrento, em 1962. A partir daí, segue um período de descanso nas telonas, para onde só retorna em 1972, com A Marcha.

De 1966 a 1969 passa a se dedicar à TV Excelsior, na qual faz novelas como As Minas de Prata (1966), Os Fantoches  (1967), A Muralha (1968) e Vidas em Conflito (1969).

Iniciou-se como autor em 1975, escrevendo Nós Também Sabemos Fazer, peça que dirige ele próprio no mesmo ano. Em 1980, é a vez de Mãos ao Alto, São Paulo!, dirigido por Roberto Lage. Em 1983 escreve duas peças, O Infalível Dr. Brochard, outra direção de Roberto Lage, reencenada no mesmo ano no Rio de Janeiro, novamente por Aderbal Freire Filho.

Sua primeira novela na Globo foi A Cabana do Pai Tomás (1969), mas atuou também na programação da TV Tupi, SBT, Record e TV Bandeirantes. Entre os sucessos na Globo, estão Plumas e Paetês (1980), O Dono do Mundo (1991), Mulheres de Areia(1993), Esperança (2002), América (2005), Duas Caras (2007), Ti-ti-ti  (2010) e Morde & Assopra 2011).

O último trabalho na TV foi a minissérie Louco por Elas  (2012).

Paulo Goulart deixa os filhos Beth Goulart e Bárbara Bruno, atrizes, e o ator e dançarino Paulo Goulart Filho. Também deixa as netas e atrizes Vanessa Goulart e Clarissa Mayoral.

domingo, 2 de março de 2014

MORRE CINEASTA FRANCÊS ALAIN RESNAIS, DE HIROSHIMA MEU AMOR


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: No ano em que seu filme de maior sucesso, Hiroshima Meu Amor (Hiroshima Mon Amour), morre o cineasta da nouvelle vague Alain Resnais, que até pouco tempo atrás esteve em atividade. E, infelizmente, é mais um mestre que perdemos em qualquer modalidade artística, em tempos que a cultura anda sendo refém da mediocridade hegemônica.

Morre cineasta francês Alain Resnais, de Hiroshima Meu Amor

Do Portal Terra - Com informações da Agência France Press

O cineasta francês Alain Resnais, diretor de Hiroshima Meu Amor (1959),  morreu na noite deste sábado (1) em Paris, “cercado pela família”, anunciou Jean-Louis Livi, produtor de seus últimos filmes. 

Alain Resnais tinha 91 anos e foi homenageado na 64ª edição do Festival de Berlim, em fevereiro, onde estreou o seu trabalho mais recente, Amar, Beber e Cantar. No evento, a obra de Alain ganhou o Alfred Bauer, prêmio concedido para inovação artística

"Ele estava preparando comigo um outro filme, do qual ele também era roteirista", declara Livi, que produziu os três últimos títulos de Resnais.

Entre as obras do cineasta francês estão Noite e Neblina (1955), Ano Passado em Marienbad (1961),  A Guerra Acabou (1966), Longe do Vietnã (1967), Medos Privados em Lugares Públicos (2006) e Vocês Ainda Não Viram Nada (2012), que concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2012.

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, lamentou a morte do cineasta e saudou "um grande, grande talento, conhecido mundialmente".

Ao longo da carreira, Alain ganhou cinco prêmios César (três de melhor filme, dois de melhor diretor), dois Ursos de Prata em Berlim, três prêmios no Festival de Veneza, um BAFTA e um prêmio especial do júri em Cannes, entre outros.