quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

MORRE PACO DE LUCIA, SÍMBOLO DA RENOVAÇÃO E DIFUSÃO DO FLAMENCO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: De vez em quando, perdemos grandes artistas e a arte de qualidade torna-se cada vez  mais órfã, ela que já está carente de renovação e, nos últimos anos, virado refém da mediocridade que deslumbra os jovens incautos. Desta vez, um grande violonista, o virtuoso Paco de Lucia, que renovou o flamenco com um estilo instrumental bastante sofisticado.

Morre Paco de Lucía, símbolo da renovação e difusão do flamenco

Da Agência EFE

Paco de Lucía, violonista de flamenco, morreu nesta quarta-feira (26) em Cancún, no México, aos 66 anos de idade. Símbolo da renovação e difusão mundial do flamenco, ele conquistou diversos prêmios. 

O músico teria sofrido um infarto enquanto brincava com seus filhos na praia. Em novembro do ano passado, ele esteve no Brasil, após 16 anos, para uma turnê pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Francisco Sánchez Gómez, de nome artístico Paco de Lucía, introduziu ao flamenco, ao longo de sua carreira, ritmos como o jazz, a bossa nova e, inclusive, a música clássica.

Discípulo de Niño Ricardo e de Sabicas, e respeitado por músicos de jazz, rock e blues por seu estilo próprio, alcançou, entre outros muitos reconhecimentos, um Grammy para o melhor álbum de flamenco em 2004; o Prêmio Nacional de Guitarra de Arte Flamenco; a Medalha de Ouro ao Mérito das Belas Artes em 1992; o Prêmio Pastora Pavón La Niña de los Peines de 2002; e o Prêmio Honorário da Música de 2002.

Nascido em 21 de dezembro de 1947 na cidade de Algeciras com o nome de Francisco Sánchez Gómez, aos sete anos pegou pela primeira vez um violão pelas mãos de seu pai e, depois, de seu irmão mais velho.

Por sua mãe portuguesa ficou conhecido como "Paco, o de Lucía", ao identificar, assim como na Andaluzia, o filho com o nome da mãe, Lucía Gomes.

Com 12 anos formou o dueto Los Chiquitos de Algeciras com seu irmão Pepe nos vocais. O grupo fez sucesso em 1961 em um concurso de Jerez e com o qual gravou seu primeiro disco.

Contratado pelo bailarino José Greco em 1960 como terceiro violonista da Companhia do Balé Clássico Espanhol, fez sua primeira turnê pelos Estados Unidos, e depois foi o segundo violonista e viajou por meio mundo. Foi aí que conheceu os músicos Sabicas e Mario Escudero, que o incentivaram a compor suas próprias músicas.

Aos 17 anos entrou para um grupo financiado pelos representantes alemães Horst Lippmann e Fritz Rau para seu espetáculo Festival Flamenco Gitano, com o qual percorreu a Europa e no qual figuravam Camarón, El Lebrijano, El Farruco e Juan Moya.

Acompanhado com frequência por seus irmãos Ramón de Algeciras e Pepe de Lucía, gravou seus primeiros discos solo em meados dos anos 1960: La Fabulosa Guitarra de Paco de Lucía (1967) e Fantasía Flamenca (1969).

Sua consagração chegou nos anos 1970, com memoráveis atuações no Palau de Barcelona, no Teatro Real e no Teatro Monumental de Madri, e sua primeira gravação ao vivo Paco en vivo desde el Teatro Real, lhe rendeu seu primeiro disco de Ouro.

Foi em Madri que surgiu a mítica dupla El Camarón-De Lucía, tão virtuosa e purista como renovadora do flamenco e que se traduziu em mais de dez discos de estúdio, como El Duende Flamenco (1972) e Fuente y Caudal (1973).

Ganhou o Prêmio Castillete de Oro del Festival de Las Minas em 1975; single de ouro em 1976 por sua magnífica rumba Entre dos Águas e disco de ouro em 1976 por Fuente y Caudal.

No final dos anos 1970, ganhou muita popularidade fora da Espanha por seus trabalhos com os guitarristas John McLaughlin, Al Di Meola e Larry Coryell.

Fundou em 1981 seu "Sexteto", com Ramón de Algeciras (segundo violão), Pepe de Lucía (vocais e palmas), Jorge Pardo (saxofone e flauta), Rubén Dantas (percussão) e Carles Benavent (baixo), o que lhe permitiu criar o conceito atual de grupo de flamenco.

Colaborou no disco Potro de Rabia y Miel de seu grande amigo Camarón, e a morte deste, em 1992, o fez cancelar suas apresentações por todo o mundo durante quase um ano. Inclusive pensou em se aposentar, retornando um ano depois aos palcos com uma nova turnê europeia, na qual fez 40 apresentações nos EUA e gravou Live in America.

Entre seus discos estão Fantasía Flamenca, Recital de Guitarra, El Duende Flamenco de Paco de Lucía, Almoraima, Solo Quiero Caminar, Paco de Lucía en Moscú, Zyryab, Siroco e Lucía (1998).

Após um hiato de cinco anos, em 2004 gravou Cositas Buenas, considerado pela crítica uma "obra prima", com oito temas inéditos, acompanhado pelo violão de Tomatito e a voz recuperada de Camarón, e que lhe rendeu o Grammy Latino de melhor álbum de flamenco.

Um ano antes, lançou sua primeira coletânea, Paco de Lucía Por Descubrir, com seus trabalhos de 1964 a 1998.

No dia 29 de junho de 2010 ofereceu um magnífico concerto para 2,5 mil espectadores que se reuniram na Puerta del Ángel de Madri.

Em 2011, participou em um disco de flamenco tradicional do músico Miguel Poveda.

Tornou-se Doutor Honoris Causa pela Universidade de Cádiz e pelo Berklee College of Music de Boston (EUA, 2010).

O músico estava estabelecido em Toledo e passava temporadas em Cancún, onde praticava pesca submarina. Teve três filhos, frutos de seu primeiro casamento em 1977 com Casilda Varela em Amsterdã: Casilda, Lucía e Francisco.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

GUITARRISTA DO DEVO, BOB CASALE MORRE AOS 61 ANOS POR PROBLEMA CARDÍACO



Triste notícia para os fãs de pós-punk, de tecnopop e muitos skatistas e nerds que curtem a banda Devo. Faleceu ontem, por problemas no coração, o guitarrista Robert Casale, conhecido como Bob Casale, do Devo, aos 61 anos.

Irmão do baixista e segundo vocalista do Devo, Gerald Casale, Bob era também chamado de Bob II porque o irmão do vocalista, guitarrista e tecladista do Devo, Mark Mothersbaugh, também se chama Robert e era conhecido como Bob I. Os quatro eram a formação chave do Devo, que já havia sofrido a morte de um ex-baterista, Alan Myers, no ano passado.

O Devo tem 40 anos de existência. Fazia um tecnopop com levada roqueira new wave e soa como uma resposta punk ao Kraftwerk. Originário de Ohio, o grupo foi formado quando seus membros eram universitários e a partir de seu nome eles apostavam numa tese que parece satírica, mas tem sua profunda seriedade.

Devo, para seus integrantes, se relaciona à "teoria da devolução", em que o progresso tecnológico desenfreado faz com que o ser humano regredisse e se tornasse mais primitivo. A princípio, eles levavam isso como uma piada satírica, mas numa vinda ao Brasil, nos anos 90, Mark Mothersbaugh se surpreendeu com a sociedade na época e viu que a "devolução" era coisa séria.


OS IRMÃOS CASALE (BOB À ESQUERDA), NUMA APRESENTAÇÃO EM ATLANTA, NA GEÓRGIA (EUA), EM 1978, ANO DA HILÁRIA VERSÃO DE "SATISFACTION", DOS ROLLING STONES.

O Devo é conhecido por versões hilárias de "Satisfaction", dos Rolling Stones - com aprovação do próprio Mick Jagger, que teria dançado alegremente ao ouvir a música pela primeira vez - e "Are You Experienced?", de Jimi Hendrix.

Mas também o grupo é conhecido por músicas como "Whip It", "Uncontrolable Urge", "Devo Corporate Anthem" (usada em vinheta da Fluminense FM), "Disco Dancer" (usada em comercial do programa de TV Realce), "Shout", "Here To Go" e "Time Out For Fun" (única música que as rádios comerciais "de rock" têm coragem de tocar).

O Devo segue em atividade, mesmo com a perda de Bob Casale, que também era engenheiro de som. Ficará a saudade das performances de Bob, mas com toda a certeza o irmão deste, Gerald, e Mark conduzirão a banda da melhor forma, até para homenagear o finado companheiro.

Desejamos boa sorte ao Devo nessa trajetória, e nos solidarizamos diante da triste perda, mas desejando muita paz a Bob, lá no mundo espiritual.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

MORRE AOS 93 ANOS A EX-VEDETE DO TEATRO DE REVISTA VIRGÍNIA LANE


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Os teatros de revista eram comédias teatrais popularíssimas, que incluíam muitos números musicais, com um grande coral e muitos dançarinos. As moças que atuavam e cantavam em coro eram chamadas "coristas". E durante muito tempo essas peças eram certeza de lotação absoluta.

De Carlos Machado a José Vasconcellos, muitas peças do teatro de revista - jocosamente chamadas de teatro rebolado - fizeram sucesso no Brasil dos anos 40, 50 e no começo dos anos 60. Depois, a moda passou e seu teor humorístico migrou para os humorísticos populares de TV. Uma dessas vedetes, Virgínia Lane, faleceu hoje aos 93 anos, de infecção urinária.

Morre aos 93 anos a ex-vedete do teatro de revista Virginia Lane

Da Agência Brasil

Morreu nesta segunda-feira (10), no município de Volta Redonda, no sul do Rio de Janeiro,  a ex-vedete Virginia Lane, que estava internada desde o último dia 2 no CTI do Hospital São Camilo, devido a uma grave infecção urinária. Segundo as primeiras informações, ela morreu por falência múltipla dos órgãos. 

A prefeitura de Piraí, onde a ex-vedete morava desde o início da década de 1970, já está providenciando  o serviço funerário. O corpo será embalsamado em Volta Redonda, de onde irá para Piraí. Em Piraí, ela receberá homenagem durante duas horas, na Câmara de Vereadores local. Dali, o corpo da artista será levado para o Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, antes de seguir para o Cemitério do Caju, também na capital do Estado, onde será enterrado nesta terça-feira (11), no jazigo da família.

O coordenador da Casa de Cultura de Piraí, Hudson Valle, disse à Agência Brasil que o prefeito, Luiz Antonio da Silva Neves, decretou luto oficial de três dias.

Virginia Lane, nome artístico de Virginia Giaccone, nascida no Rio em 28 de fevereiro de 1920, atingiu o auge de sua carreira no início da década de 1950. Durante quatro anos consecutivos, ela estrelou nos teatros da Praça Tiradentes, no centro do Rio, revistas musicais produzidas por Walter Pinto.

Um desses espetáculos, intitulado Seu Gegê - uma referência ao então presidente Getúlio Vargas -, valeu à atriz o título de "A Vedete do Brasil", dado pelo próprio presidente. Anos mais tarde, Virginia Lane contou, em diversas entrevistas concedidas à imprensa, que manteve um relacionamento amoroso durante dez anos com Getúlio Vargas.

O início da carreira de Virginia, no entanto, ocorreu bem antes, em 1935, na Rádio Mayrink Veiga, no programa Garota Bibelô, apresentado por César Ladeira. Em 1943, ela trabalhou como corista no Cassino da Urca, onde foi também crooner - cantor ou cantora principal de uma orquestra popular - e dançarina, atuando com as orquestras de Carlos Machado, Tommy Dorsey e Benny Goodman.

Famosa como vedete do teatro de revista, Virginia Lane gravou em 1951, para o Carnaval, a marchinha Sassaricando, de Luis Antonio. O sucesso foi tanto que a música acabou mudando o nome da revista Jabaculê de Penacho, que ela estrelava na ocasião, e deu origem à expressão maliciosa "sassaricar".

A marchinha é cantada até hoje pelos foliões durante o Carnaval. Desde 2007, está em cartaz nos teatros do Rio com o musical Sassaricando, de Sergio Cabral e Rosa Maria Araújo, que resgata a importância das marchinhas para o Carnaval carioca. 

Virginia Lane atuou também em 37 filmes, principalmente musicais e chanchadas das companhias cinematográficas Cinédia e Atlântida, nos anos 1940 e 1950. Na televisão, participou de programas na TV Tupi, na mesma época do teatro de revista, e mais recentemente, em 2005, integrou o elenco, ao lado de outras ex-vedetes, da novela Belíssima, da TV Globo.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

50 ANOS DA CHEGADA DOS BEATLES AOS EUA


Um acontecimento crucial para a cultura rock do mundo inteiro comemora 50 anos. É a chegada dos Beatles aos EUA, puxando a invasão britânica que virou de cabeça para baixo o ritmo criado pelos estadunidenses mas revigorado pelos ingleses.

Os Beatles, naquele 07 de fevereiro de 1964, não eram levados muito a sério. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr eram vistos por muitos como meros ídolos adolescentes sem importância, embora na verdade sempre foram excelentes músicos e suas canções sempre primaram pela qualidade e pelos excelentes arranjos.

É porque naquela época, os tempos eram outros. O mundo adulto era mais moralista e repressivo, embora esse argumento seja clichê demais e arriscado para os dias de hoje, tempos da grosseria brega-popularesca que desafiam os padrões éticos mais liberais, ora pela pieguice romântica mais chorosa, ora pelas baixarias em níveis quase trogloditas.

Mas naquela época a injustiça foi comprovada ao longo do tempo. Os Beatles desembarcaram em Nova York e excursionaram por duas semanas no país. Se apresentaram também em Miami e Washington. E, em Nova York, apareceram no programa do famoso apresentador de TV, Ed Sullivan, conhecido pelo seu perfil conservador. O programa teve recordes de audiência com os Beatles.

A imprensa norte-americana não viu positivamente o fenômeno Beatles. Em compensação, as fãs ficaram extasiadas com a apresentação dos quatro rapazes, com gritos que, mais tarde, fariam o quarteto mais famoso de Liverpool abandonar os palcos para se concentrarem em experimentações artísticas.

O fenômeno Beatles, devido ao sucesso da turnê norte-americana, estimulou a curiosidade de uma rica cena musical existente no Reino Unido desde que o falecido Lonnie Donegan lançava o skiffle, tradução britânica do rhythm and blues e fonte primária para o rock'n'roll da Grã-Bretanha.

A cena era bem movimentada muito antes da Beatlemania - até Richie Blackmore já mostrava seu vigor nas guitarras na banda The Outlaws, ativa antes mesmo do Brasil lançar a Jovem Guarda - e, com a turnê dos EUA, houve depois a "invasão britânica" de nomes como Rolling Stones, Who, Animals e muitos, muitos outros.

Daí que isso transformou decisivamente o rock mundial, com uma diversidade de bandas que fez o rock se popularizar no mundo inteiro e fazer muitos jovens correrem para as lojas de instrumentos musicais e combinar conjuntos musicais com os amigos.

Com isso, a cultura rock ganhou muito com o fenômeno Beatles. O rock, poucos anos depois, se transformou completamente - além dos próprios Beatles se reinventarem de 1965 a 1970 - e muita coisa foi feita, criando uma grande diversidade de bandas, músicos e cantores, de variações musicais diversas, que tornaram o rock mais dinâmico e bem mais aberto a aventuras criativas.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

INCÊNDIO NO JOELMA PROVOCOU GRANDES MUDANÇAS NA SEGURANÇA PREDIAL


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O trágico incêndio do edifício Joelma, em São Paulo, que completa 40 anos, foi um marco infeliz para que autoridades e especialistas pensassem em normas mais rígidas de socorro e prevenção para a segurança nos edifícios, motivada sobretudo pela revolta consequente da comoção popular pelo episódio que tornou-se notícia no Brasil e no mundo.

Incêndio no Joelma provocou grandes mudanças na segurança predial

Do Portal Terra

Na manhã do dia 7 de fevereiro de 1974, apenas seis dias após o incêndio que matou 191 pessoas no Edifício Joelma, o prefeito de São Paulo, Miguel Colasuonno, publicou um decreto com normas específicas para a segurança dos edifícios na capital. A normativa foi uma resposta ao clamor popular pelo fim de incêndios tão graves quanto os dos edifícios Joelma e Andraus.

A nova lei foi aplicada diretamente em prédios em construção ou que passariam por reforma, além dos edifícios que fossem notificados como inseguros por fiscais da prefeitura. O decreto legislava sobre a classificação do prédio, materiais utilizados na construção, lotação máxima, rotas de fuga, resistência ao fogo, suprimento de água para combater o fogo, extintores e para-raios.

A amplitude do decreto mostra a fragilidade da legislação vigente até o incêndio trágico do Joelma.


Proteção contra o fogo

Segundo a recomendação pós-Joelma, todas as partes dos prédios deveriam apresentar resistência ao fogo por, no mínimo, 4 horas. Além disso, todas as paredes externas deveriam ser construídas com material à prova de fogo.

Pela primeira vez fica proibida a construção de coberturas com material combustível, a não ser em camada de impermeabilização.  Também se tornou obrigatório o uso de material resistente ao fogo nas escadas. O uso de madeira só seria permitido nos corrimões.