MORRE ARIEL SHARON, EX-PREMIÊ DE ISRAEL E GENERAL DA OCUPAÇÃO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ariel Sharon, falecido depois de oito anos em regime vegetativo, era um típico exemplo da política de Israel como um "país cliente" dos Estados Unidos, para usar uma definição do pensador Noam Chomsky.  O ex-primeiro ministro israelense fez sua carreira promovendo o massacre e a opressão do povo palestino e a defesa da intervenção norte-americana nas reservas econômicas no Oriente Médio.

Morre Ariel Sharon, ex-premiê de Israel e general da ocupação

Por Moara Crivelente - Portal Vermelho


Ariel Sharon, ex-premiê e militar israelense, morreu neste sábado (11), aos 85 anos de idade. Em coma havia oito anos devido a um derrame cerebral, a piora do seu estado de saúde, nas últimas semanas, vinha resultando na publicação de diversos artigos sobre o seu papel na criação do Estado de Israel e na política recente do país. Neste sentido, sua ação fundamental sobre o conflito e a ocupação da Palestina é ressaltada.

Jornais israelenses falam do "fim de uma era” política de firmeza. Mas Sharon ficou conhecido pelo mundo também pela provocação na ignição da Segunda Intifada – levante árabe contra a ocupação, em 2000 – e no massacre de palestinos e libaneses nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano, entre as várias guerras das quais participou ativamente.

Para o jornalista e editor do Portal Vermelho, José Reinaldo Carvalho, "com a morte de Ariel Sharon desaparece um dos piores verdugos do povo palestino. Uma vida inteira dedicada ao genocídio, à política de ocupação, a massacres, ao expansionismo do Estado pária de Israel. Infelizmente, Sharon sobrevive na estratégia e ações da mesma natureza do regime sionista".

Exemplos do seu envolvimento em incontáveis episódios de violência e crimes de guerra não faltam. Em Sabra e Chatila, apesar de a extrema-direita libanesa ser autora direta dos ataques, Sharon, que era então ministro da Defesa, foi considerado pessoalmente responsável, inclusive pela Corte Suprema de Israel, já que a área estava sob a ocupação israelense, devido à invasão de 1982. Analistas consideram ainda que a negligência foi consciente e intencional, e que o massacre contou com a coparticipação israelense.

Mas a história de Sharon como militar tem início muito antes disso. Em 1942, aos 14 anos de idade, ele integrou a Gadna, um batalhão da juventude judia, e depois o Haganah, um grupo paramilitar judeu criado para a defesa das colônias judias, mas que combatia os britânicos e os árabes da região. O Haganah foi o precursor militar das forças armadas atuais, chamadas “Forças de Defesa de Israel” (FDI).

Sharon foi comandante do Exército israelense desde a sua criação como tal, em 1948, e participou da guerra que Israel chama de “luta pela independência” – contra o Mandato Britânico que então controlava a região – e que massacrou centenas de milhares de palestinos, forçando outros milhares a refugiarem-se nos países vizinhos ou em outros continentes.

Depois, também foi proeminente nas guerras de agressão de Israel contra o Egito, em 1956, contra diversos vizinhos árabes e os palestinos, na Guerra dos Seis Dias de 1967 e, outra vez, na Guerra do Ramadã, ou do Yom Kippur, de 1973, além da própria guerra de 1982 contra o Líbano. São trajetos que ele fez como general e como ministro da Defesa.

Pela carreira política-militar, vista como a de um feroz combatente por muitos israelenses, Sharon foi apelidado de “Rei de Israel”, ou “Leão de Deus”. Após aposentar-se do Exército, ele filiou-se ao partido Likud, ou “A Consolidação”, em hebraico, de direita – o mesmo ao qual pertence o atual ministro, Benjamin Netanyahu, e que tinha ajudado a fundar, na década de 1970. Foi ministro de vários governos, até ser eleito primeiro-ministro, em 2001. Ocupou o cargo até 2006, quando sofreu um derrame cerebral e ficou em estado vegetativo, mas observadores da época dizem que suas chances de vencer a reeleição eram altas.

Enquanto ainda concorria ao cargo de premiê, Sharon visitou a Esplanada das Mesquitas, onde fica a importante Al-Aqsa, que vários grupos israelenses pretendem destruir para que se construa o Terceiro Templo judeu. A visita de Sharon foi considerada uma provocação pelos muçulmanos e pelos palestinos em específico, que se manifestaram contrariamente, mas foram reprimidos pelas tropas israelenses com munição letal. O episódio contribuiu significativamente para a eclosão da Segunda Intifada, em 2000, contra a ocupação israelense.

Sharon foi responsável por mais violência, neste período. Um dos eventos mais conhecidos foi a chamada Batalha de Jenin, quando tropas israelenses invadiram o campo de refugiados desta região, na Cisjordânia. Muitos palestinos foram mortos em confrontos com as tropas de Israel, apesar da resistência das brigadas organizadas.

No contexto das esparsas negociações com os palestinos, Sharon foi responsável também pela retirada das colônias judias do interior da Faixa de Gaza, em 2005, mantendo o território sob um bloqueio militar extremo, entretanto. A medida causou desavenças no interior do Likud, e o então premiê deixou o partido para formar o Kadima, ou “Adiante”, que ficou classificado de “centrista”, ao qual é filiada a atual ministra da Justiça responsável pelas atuais negociações com a Autoridade Palestina, Tzipi Livni. Assim como a maior parte dos grupos políticos de Israel, tanto o Likud quanto o Kadima classificam-se como sionistas, ideologia colonialista em que se baseia o Estado de Israel.

A retirada da Faixa de Gaza – acordada através do chamado “Mapa para a Paz”, resultado de uma proposta mediada pelos Estados Unidos, pela Rússia e pela União Europeia, em 2003 – foi vista por muitos analistas como uma concessão estratégica, uma vez que, entre outras coisas, Israel deixava de ser “responsável”, como ocupante - condição que o governo não reconhece -, por mais de um milhão de palestinos no território. Ainda assim, nas negociações, Sharon dizia que planejava aceitar, “no futuro”, a consolidação do Estado da Palestina. Entretanto, ao mesmo tempo em que retirou 8.000 colonos de Gaza, levou cerca de 500.000 para a Cisjordânia.

Em 2005, uma pesquisa de opinião conduzida pelo jornal de direita Yiedioth Aharanoth revelava que a maioria dos israelenses considerava Sharon uma das figuras mais importantes da história política israelense, e foi votado como “o oitavo maior israelense de todos os tempos”.

De acordo com a agência palestina de notícias Ma’an, muitos israelenses lembram Sharon como um estadista controverso, mas firme, que liderou o país com um punho de ferro por tempos difíceis. Já para os palestinos e outros povos árabes, que o apelidaram de “a escavadeira”, Sharon é lembrado pelo seu envolvimento e liderança nos massacres em vários países e pelo seu papel na repressão do movimento nacional palestino durante décadas.

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