terça-feira, 15 de abril de 2014

DICAS PARA ENTENDER AS DÉCADAS DE 1950, 1960 E 1970


Quem nasceu depois de 1978, pelo menos no Brasil, ainda precisa se esforçar bastante para entender o passado. Por conta das distorções promovidas pela grande mídia nos anos 80 e 90, as gerações mais recentes acabaram tendo uma visão tão distorcida do passado que mesmo a década de 80 vivida em suas infâncias era precariamente compreendida e vivenciada.

Os mais esforçados, pelo menos, tiveram que aprimorar o aprendizado depois dos 25 anos, já adquirido o nível universitário. E viram, entre outras coisas, que nem tudo que passava na TV nos anos 80 era realmente dos anos 80, que a disco music não é uma música sofisticada, que o cinema comercial antigo de Hollywood não é "alternativo" nem "de arte" e que a década oitentista não era só Trem da Alegria, Menudo, Dr. Silvana e Absyntho, entre outras coisas.

Para requintar o nível de compreensão e a bagagem de conhecimentos, é preciso ir a sebos ou ir a bibliotecas consultar material antigo, como jornais e revistas. Ou ver filmes antigos que passam na TV, sem cair na ilusão de achar que o cinemão comercial de Hollywood é tão artístico quanto o intelectualizado cinema independente europeu.

Uma boa introdução é pesquisar o que revistas como Manchete e Cruzeiro publicaram nas décadas de 1950, 1960 e 1970, além de outras revistas derivadas como Joia, Cigarra e Fatos e Fotos. É aconselhável começar da edição mais recente - por exemplo, uma edição de Manchete da última semana de 1979 ou da Cruzeiro do final de 1973 - e ir depois para edições anteriores.

O mesmo deve ser feito com os jornais. Nas três décadas citadas, os quatro principais jornais do país, O Globo, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e O Estado de São Paulo estavam em circulação. Mas havia também outras, como Última Hora, Correio da Manhã (RJ), Diário de Notícias (RJ) que não existem mais. E há jornais regionais, como Correio Braziliense, O Estado de Minas, Zero Hora e A Tarde, também em circulação naqueles tempos.

Há revistas antigas como Senhor (1959-1964), sem relação, ao menos direta, que a Senhor dos anos 70 que deu origem à atual Isto É. Teve também a revista Visão, surgida em 1952, e a Amiga, revista de celebridades que marcou a década de 70, tal como a Intervalo, nos anos 60.

As famosas Contigo (1963), Cláudia (1961), Manequim (1959), Capricho (1952), Quatro Rodas (1960) e Veja (1968) são periódicos da Editora Abril que também oferecem volumes antigos para pesquisas.

Além disso, o You Tube encontra disponíveis fragmentos de antigos programas de TV mesmo na fase pré-1970 da televisão brasileira, em que a maior parte de seu conteúdo se perdeu. O que dela restou está em parte reproduzido em vídeos do You Tube, para uma pesquisa básica.

Conversas com pais, tios, professores e avós também ajudam bastante. E um pouco de reflexão crítica e analítica para não distorcer as coisas. Afinal, compreender uma época passada sem deslumbramento ingênuo é difícil, mas cabe um esforço de raciocínio sobre os prós e contras desse tempo.

Com essas dicas, nosso blogue cumpre a missão de mostrar um pouco desses tempos de 1950 a 1979 para vocês. O conteúdo deste blogue permanece, nós apenas encerraremos as atividades. Muito obrigado pelo apoio de vocês e tenham uma excelente leitura.

sábado, 5 de abril de 2014

AOS 69 ANOS, MORRE O ATOR JOSÉ WILKER, VÍTIMA DE INFARTO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: É chocante a notícia do falecimento repentino do ator José Wilker, uma das figuras mais dinâmicas, joviais e atuantes do cenário da atuação. Profundo conhecedor de cinema, ele ainda teve, no passado, a militância no CPC da UNE, quando se preparava para sair do Ceará, seu Estado de origem, para a então Guanabara.

Wilker era conhecido por uma porção de trabalhos, que incluíram o personagem de Dias Gomes, Roque Santeiro, e figuras históricas como o justiceiro Tenório Cavalcanti e o líder da Revolta de Canudos, Antônio Conselheiro. Também interpretou o ex-presidente Juscelino Kubitschek, participou de filmes como Bye Bye Brasil e Dona Flor e Seus Dois Maridos e uma de suas últimas atividades foi fazer a locução de um comercial dos Correios.

Wilker também era diretor de cinema e teatro e eventual autor de textos. Uma figura dessas vai fazer falta ao nosso país, cada vez mais marcado pela mediocridade. Retificamos a informação do texto original, que creditou 66 anos a idade final do ator, quando ele faleceu com 70 incompletos, ou seja, ainda com 69 anos.

Aos 69 anos, morre o ator José Wilker, vítima de infarto

Do Portal Terra

Morreu na manhã de sábado (5) o ator José Wilker, aos 69 anos vítima de um infarto fulminante. Ele estava em sua casa, no Rio de Janeiro.

Natural de Juazeiro do Norte, no Ceará, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 19 anos. Estreou em novelas em 1971, em Bandeira 2, de Dias Gomes, na Rede Globo. A partir daí viveu personagens marcantes, como o protagonista da novela Anjo Mau (1976), de Cassiano Gabus Mandes. Fez muito sucesso com a novela Roque Santeiro (1985), na qual deu vida ao personagem central da trama homônima, ao lado de Regina Duarte e Lima Duarte, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva.

Dirigiu boa parte dos episódios de Sai de Baixo, exibido também na Rede Globo, entre 1997 e 2002. Ainda na televisão interpretou personagens memoráveis como Giovanni Improtta, na novela Senhora do Destino, onde bordões como “felomenal” e “o tempo ruge e a Sapucaí é grande” ganharam a boca do público. Na minissérie JK, deu vida ao ex-presidente Juscelino Kubitsheck, e em 2012 voltou a ser dono de outro bordão marcante, o “vou lhe usar”, usado por Jesuíno Mendonça, em Gabriela. Seu último papel na TV foi na novela Amor à Vida, em 2013, onde interpretou o médico Herbert.

No cinema, Wilker também teve destaque com papéis como Tiradentes, no filme Os Inconfidentes, em 1972, foi Vadinho, em Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976; viveu o político Tenório Cavalcanti de O Homem da Capa Preta, em 1986 e Antônio Conselheiro, de Guerra de Canudos, em 1997. Também participou dos filmes Xica da Silva e Bye Bye Brasil, ambos de Cacá Diegues.

Amante de cinema tinha aproximadamente quatro mil fitas em casa, era comentarista oficial da premiação do Oscar, na Rede Globo, além de escrever uma coluna semanal sobre o assunto no Jornal do Brasil, e apresentar o programa Palco & Plateia, no Canal Brasil.

José Wilker deixa duas filhas, Marina, de seu relacionamento com a atriz Renée de Vielmond, Isabel, com a atriz Mônica Torres, e Madá, do casamento com a jornalista Claudia Montenegro. Também foi casado com a atriz Guilhermina Guinle. 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O "MAPA MUNDI" DOS "CARETAS" NASCIDOS NOS ANOS 50


Complementando o texto em questão, nota-se que muitos "coroas" nascidos na década de 1950 - a década que ofereceu, no Primeiro Mundo, pessoas com algum senso maior de modernidade - , sobretudo os do Brasil, uma mentalidade um tanto "mofada", que mesmo no caso de homens casados com mulheres mais jovens consegue resolver (e até agrava).

Com isso, os "coroas", sobretudo os granfinos, sucumbem a uma personalidade antiquada que cria até mesmo um "mundinho" de referenciais antigos, de um passado que eles não compreendem por uma inclinação natural ou uma identificação espontânea, mas algo feito para impressionar os mais velhos que agora viram filhos, alunos e empregados ganharem também rugas e cabelos cinzas ou brancos.

Numa pesquisa feita a partir de diversas personalidades, há sobretudo uma obsessão dos homens nascidos nos anos 50 em assumir uma bagagem de conhecimento de homens nascidos nos anos 1920-1930, a época de seus pais, patrões e professores. As mulheres, nota-se um aumento de religiosidade, que contagia até mesmo antigas hippies que hoje viraram beatas.

Isso não significa uma revisitação sincera do passado. Os "coroas" mais granfinos nascidos nos anos 50 já não se lembram mais de personalidades como Ben Gurion, Gamal Abdel Nasser, Dick Haymes, Jane Russell, Alceu Penna, Stellinha Egg, Gabriel Passos, Stan Kenton e Johnny Ray, embora queiram dar a impressão de que foram "jovens" nos anos 40 e "adultos" nos anos 50, só para impressionar. E transformam a velhice numa brincadeira de criança, literalmente.

Hoje se cobra maior jovialidade para nossos "coroas", que nossas "senhoras" não rezem muito, que nossos "senhores" não fiquem usando sapatos de verniz o tempo todo, que aumentem os BPMs (batidas por minuto) de sua trilha sonora e procurem arejar suas mentes com atividades menos sedentárias e mais descontraídas.

Aqui vai um resumo do "mapa-mundi" e de uma lista de referências que povoam as mentes pedantes desse pessoal de meia-idade, com pressa de assumir um modelo de velhice e de vida idosa que não é mais o dos dias de hoje, e nem é uma versão recauchutada de paradigmas de velhice da década de 1970.

1) EUA DA DÉCADA DE 1940 - O centro chique de Nova York dos anos 40 (e um pouco dos 50), o auge de Hollywood, as comédias românticas da época, as orquestras, os standards da canção hollywoodiana. Glenn Miller, Frank Sinatra, Gene Kelly, Dean Martin, Ella Fitzgerald, Grace Kelly, músicos jazzistas ao lado de seções de cordas, músicas para dançar colado, "Cheek to Cheek", "Moonlight Serenade" etc etc etc.

2) FRANÇA DO SÉCULO XIX - Pinturas impressionistas, campos silvestres, boemia, romantismo parisiense, Belle-Èpoque, vinhos de grande marca e longo tempo de fermentação, e um pouco de referenciais "mais contemporâneos" como Charles Aznavour e Maurice Chevalier com suas canções românticas ao som de acordeon.

3) ITÁLIA RENASCENTISTA - Pinturas renascentistas, a arquitetura remanescente do antigo Império Romano, incluindo os pontos turísticos de Roma. A Roma romântica pré-Mussolini, os antigos restaurantes, o antigo glamour. Se bem que a patota nascida nos 1950 só começou a apreciar a Roma histórica depois que viu o filme Candelabro Italiano, de 1962 (!).

4) BRASIL ANOS 50 - É lógico que quem nasceu nos 1950 foi criança ou não era nascido diante de muitos referenciais chiques da época. A boate Vogue destruída num incêndio em 1955, mas antes disso símbolo do glamour da época junto ao Copacabana Palace (que em 1968 receberia até Mick Jagger), a Bossa Nova, a sofisticada revista Senhor, o colunismo de Jacinto de Thormes já passando o lenço para Ibrahim Sued, as festas de gala da época, a Casa Canadá, a grife Alfred etc etc.

5) GERAÇÕES ANTIGAS - Outra mania também é a geração de 1950 querer se vincular à geração intelectual nascida décadas antes. Qual o médico nascido nos 1950 poderia ter participado dos círculos boêmios de 1958, senão da forma de um meninote de camisa listrada e tênis Vulcabras acompanhando algum pai que estivesse por perto?

Aqui vale denunciar um certo pedantismo. Em 1958 a boemia era marcada por jornalistas, compositores, escritores e outras figuras que nasceram, em média, entre 1923 e 1937, alguns antes, outros um pouco depois. Gente que dava à boemia não só um glamour poético mas uma riqueza de conhecimentos em que até uma piada renderia artigos memorialistas tempos depois.

Era o tempo em que se via, nos bares, gente como Millôr Fernandes, Nelson Rodrigues, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Sérgio Porto e tantos, tantos outros. E vinha também uma Adalgisa Nery ou então um Otto Lara Rezende, xará do também em evidência Otto Maria Carpeaux, participar das conversas.

Um tempo que não volta mais e que também não são os "coroas" nascidos nos 1950 que se dispuseram a resgatar. Perdemos a MPB tal como era antes de 1968, perdemos a TV Excelsior, perdemos até mesmo a capacidade de se paquerar alguém em locais públicos, ou de ver pobres como o sambista Cartola criar poesia admirável, e nossos "senhores" não resgataram isso.

Fora um ou outro lamento, pelas costas, sobre a crise social de nosso país, eles não vieram resgatar o ouro perdido, ocupados demais com suas jovens esposas (lá entre os 35, 45 anos) que mais parecem versões new wave das "garôtas" de Alceu Penna e que passaram a adolescência e a puberdade ouvindo Rock Brasil, lendo Bizz e vendo MTV.

Na verdade, esses homens e também as mulheres nascidas nos 1950 - que trocaram o Velvet Underground pelo Padre Zezinho - sentem saudade de um passado que não viveram, parafraseando Millôr. E não se sentem identificados com esse passado, salvo raras exceções, mas sim com um desejo de se vincularem ao que seus patrões, pais e professores mais queridos viveram.

Dizem que ser "coroa" é uma forma infantil de ser idoso. Chegando os cabelos brancos, a novidade empolga a princípio e, entre os 45 e 65 anos se brinca de "ser velho" acreditando ter adquirido uma sabedoria que na verdade não vem assim de bandeja. Se empolga demais com os primeiros sinais de envelhecimento e os "coroas" vão longo brincando de "velhos sábios" em palestras, encontros e entrevistas.

Daí a recomendação de, por exemplo, ir a um Lollapalooza para arejar suas mentes. A vida de escritórios, consultórios, encontros formais e festas de gala andou fazendo um pouco mal às mentes de senhores que se esqueceram de Stan Kenton mas se acham entendidos de jazz e senhoras que fizeram topless na adolescência e hoje parecem beatas castiças. Vão viver um pouco mais, enquanto estão vivos!!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

BIOGRAFIA DE MARVIN GAYE


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Marvin Gaye foi um dos importantes nomes da música negra norte-americana, tendo sido um dos artistas que enriqueceu o ritmo com romantismo e poesia, além de ter dado ao gênero soul uma sofisticação que falta no cenário de hoje. Neste dia, Marvin teria completado 75 anos. Mas, há 30 anos atrás, em 01 de abril de 1984, ele foi morto pelo próprio pai durante uma séria discussão.

Gaye foi conhecido por inúmeros clássicos como "Dancing In The Streets", "Wherever I Lay My Hat (That's My Home)", "Stop, Look and Listen", "I Heard it Through The Grapevine", "What's Going On" e "Sexual Healing", este seu derradeiro sucesso, de 1982, que antecipava o soul eletrônico, o charm.

Biografia de Marvin Gaye

Do Portal Letras.com.br

Marvin Gaye (2 de abril de 1939 - 1 de abril de 1984), em Marvin Pentz Gay. Foi um cantor popular de soul e R&B, multiinstrumentista, compositor e produtor. 

Gaye conquistou fama internacional durante os anos 60 e 70 como um artista da gravadora Motown. 

O início da carreira do cantor foi em 1961, na Motown, onde Gaye se tornou o principal cantor da gravadora e emplacou numerosos sucessos durante os anos sessenta, entre eles "Stubborn Kind of Fellow", "How Sweet It Is (To Be Loved By You)", "I Heard It Through the Grapevine" e vários duetos com Tammi Terrell, "Ain't No Mountain High Enough" e "You're All I Need to Get By", antes de mudar sua própria forma de se expressar musicalmente. 

Gaye é importante por sua luta por produzir seus sucessos, mas criativamente restritivo no processo de gravação da Motown. Intérpretes, compositores e produtores eram geralmente mantidos em áreas separadas. 

Com seu bem-sucedido álbum What's Going On, de 1971, e outros lançamentos subseqüentes - includindo Trouble Man, de 1972, e Let's Get It On, de 1973, Gaye, que vez ou outra compunha canções para artistas da Motown no início da sua carreira, provou também que poderia tanto escrever quanto produzir seus próprios discos sem ter de confiar no sistema da Motown. 

Também é conhecido por seu ambientalismo, talvez mais evidente na canção "Mercy Mercy Me (The Ecology)". 

Durante os anos setenta, Gaye lançaria outros notáveis álbuns, includindo Let's Get It On e I Want You, além de ter emplacado vários sucessos, como "Let's Get It On" e "Got to Give It Up". Já no começo dos anos oitenta, seria a vez do hit "Sexual Healing", que lhe rendeu dois prêmios Grammy. 

Gaye assassinado pelo seu pai, em 1984, tinha se tornado um dos mais influentes artistas da cena soul. 

Em 1996, Gaye foi homenageado na 38º cerimônia do Grammy Awards. 

A carreira de Marvin tem sido descrita como uma das que "abarcam toda a história do R&B, do doo-wop dos anos cinqüenta ao soul contemporâneo dos anos oitenta." 

Críticos têm também afirmado que a produção musical de Gaye "significou o desenvolvimento da black music a partir do rhythm'n blues, através de um sofisticado soul de consciência política nos anos setenta e de uma abordagem maior em assuntos de cunho pessoal e sexual." 

Marvin Gaye nasceu no Freedman's Hospital, em Washington, D.C.. Ele foi o primeiro filho e o segundo mais velho de quatro filhos do pastor evangélico Marvin Pentz Gaye Sr. e da professora e dona-de-casa Alberta Cooper. 

Com as irmãs Jeanne e Zeola e o irmão mais novo Frankie, viviam na zona segregada da capital norte-americana, no bairro da Deanwood (nordeste da cidade). 

Ainda novo, ele era carregador de tacos de golfe no Norbeck Country Club, em Olney, Maryland 

O pai de Gaye pregava com pastor na Igreja Adventista do Sétimo Dia chamada House of God (a "Casa de Deus"), que tinha um rigoroso código de conduta misturado a ensinamentos do judaísmo ortodoxo e pentecostalismo. 

Crescendo na igreja de seu pai, Marvin começou a cantar desde cedo no coral - aos 3 anos - e a tocar instrumentos. 

A música era uma espécie de válvula de escape para o jovem, que durante toda a infância costumava apanhar do pai diariamente. 

Durante o tempo em que esteve na high school, Marvin começou a ouvir Doo-Wop e ingressou no DC Tones como um baterista. 

Após abandonar a Cardozo High School, Gaye alistou-se na Força Aérea dos Estados Unidos. Após o fingimento de uma doença mental, ele foi dispensado por ter se recusado a seguir ordens. 

Após abandonar as Forças Aéreas em 1957, Gaye começou sua carreira musical em vários grupos Doo Wop, fixando-se em um popular grupo de Washington DC, chamado The Marquees. 

Com Bo Diddley, The Marquees lançaram o single "Wyatt Earp" em 1957 pela gravadora Okeh e foram então contratados por Harvey Fuqua para o grupo The Moonglows. 

"Mama Loocie", lançada em 1959 pela gravadora Chess, foi o primeiro e único single de Gaye com os Moonglows. 

Junto com os Moonglows, Gaye assimilou várias técnicas, utilizadas posteriormente, nos álbuns que produziria. 

E foi com ajuda dessa banda que ele foi apresentado a empresários da cena musical. Depois de um concerto em Detroit, o "novo" Moonglows foi dissolvido e Fuqua apresentou Gaye a Berry Gordy, presidente da Motown Records. 

Ele contratou Gaye primeiramente como baterista de estúdio, para tocar para grupos como The Miracles, The Contours, Martha and the Vandellas, The Marvelettes, entre outros. 

Depois de iniciar sua carreira na Motown, Gaye mudou seu nome de Marvin Gay para Marvin Gaye, acrescentando '"e"' para diferenciar do nome de seu pai, para encerrar os boatos em curso em torno de sua sexualidade e ainda para imitar seu ídolo, Sam Cooke, que havia também acrescentado um 'e' ao seu sobrenome. 

Gaye desejava gravar para a Motown, mas Berry Gordy tinha receio quanto ao cantor, devido ao fato de que Gaye não costumava seguir as ordens sobre as quais a gravadora queria que ele cumprisse. 

De acordo com um documentário do canal de televisão VH1, a namorada de Marvin - e irmã de Berry, Anna Berry Gordy, convenceu o irmão a assinar com Gaye. Berry concordou em deixar que Marvin gravasse versões pop-contemporâneas de baladas românticas baseadas no jazz. 

Popular e querido dentro da Motown, Gaye já carregava com ele uma maneira sofisticada e cavalheiresca e tinha pouca necessidade de treinamento no setor de desenvolvimento artístico da gravadora - embora tenha seguido o conselho do diretor dessa divisão, Maxine Powell, de não cantar de olhos fechados, para não parecer que tinha adormecido". 

Em junho de 1961, foi lançado a primeira gravação solo de Gaye, The Soulful Moods of Marvin Gaye. Foi o segundo LP lançado pela Motown - o primeiro foi o Hi... We're The Miracles, o primeiro disco dos Miracles. Apesar das faixas "How Deep Is the Ocean?" e "How High the Moon" terem sido elogiadas pela crítica pela profundidade das harmonias e melodias, o álbum de Gaye fracassou e nem chegou às paradas norte-americanas. 

Marvin ainda tinha dificuldades em descobrir seu jeito próprio de cantar, que ele desejava que fosse o mais próximo de, um dos ícones do jazz, estilo que predomina no primeiro disco solo de Marvin. 

A Motown queria que o cantor se direcionasse para melodias da Soul Music, mais populares e atraentes no mercado fonográfico. 

Depois de discutir sobre a direção de sua carreira com Berry Gordy, Gaye - relutante - concordou em gravar mais canções de R&B de seus colegas de gravadora e outros três novos escritos pelo próprio Gordy. 

Seu primeiro single lançado, "Let Your Conscience Be Your Guide", construída sobre uma vibração de Ray Charles, fracassou nas paradas - tendo o mesmo ocorrido com as canções "Sandman" e "A Soldier's Plea", todas de 1962. 

Ironicamente, Gaye encontraria o sucesso primeiramente como compositor da canção "Beechwood 4-5789", gravada pelas Marvelettes em 1962. 

Finalmente naquele mesmo ano, o single "Stubborn Kind of Fellow" rendeu algum sucesso e chegou ao Top 10 R&B dos Estados Unidos. Co-escrita por Gaye e produzida pelo amigo William "Mickey" Stevenson, a gravação contou com a participação das recém-contratadas Martha and the Vandellas (então conhecidas como The Vells) e foi uma espécie de desabafo autobiográfico sobre o comportamento indiferente e deprimido de Gaye. 

Na seqüência de "Stubborn Kind of Fellow" vieram, em 1963, outros três singles: as dançantes "Hitch Hike" e "Can I Get a Witness", que chegaram ao Top 30 Pop da Billboard, e a balada romântica "Pride and Joy", primeira canção de Gaye a chegar ao Top 10 Pop. 

Apesar do cantor começar a encontrar o caminho do sucesso, Marvin ainda brigava com a Motown para ser um cantor de baladas românticas e sofisticadas, diferentemente da linha da gravadora que esperava de seus artistas os grandes hits. 

Batalhas entre a opção artística de Marvin e a demanda por produtos comerciais da Motown seriam freqüentes ao longo dos anos e marcariam o relacionamento entre o cantor e a gravadora, já que as insistentes cobranças do selo por um trabalho mais comercial eram incompatíveis com as ambições artísticas de Gaye. 

O sucesso continuaria em 1964 com os singles "You Are a Wonderful One" (que contou com o trabalho vocal de fundo do grupo The Supremes), "Try It Baby" (que contou com vocais de fundo do grupo The Temptations), 
"Baby Don't You Do It" e "How Sweet It Is (To Be Loved By You)", que tornou-se sua primeira composição de sucesso. 

Durante este fase inicial de sucesso, Gaye ainda contribuiu com o grupo Martha and the Vandellas, sendo autor da letra do hit "Dancing in the Street", sucesso naquele mesmo ano. 

Gaye também conseguiu figurar nas paradas com o álbum Together, um disco de duetos com a cantora Mary Wells. A dupla emplacou os singles "Once Upon a Time" e "What's the Matter With You, Baby?". 

Como artista solo, Gaye continuou a desfrutar de um grande sucesso e seu LP Moods of Marvin Gaye, de 1966, do qual participou Smokey Robinson, colocou os singles "I'll Be Doggone" e "Ain't That Peculiar" tanto o Top 10 Pop da Billboard quanto no topo - pela primeira vez na carreira do cantor - da parada R&B norte-americana. 

Com Kim Weston, sua segunda parceria de dueto, foi lançado "It Takes Two", canção que chegou ao Top 20 Pop e ao quarto lugar na lista de R&B da Billboard. Marvin Gaye se estabelecia como um dos principais artistas na era dos duos. 

Seu sucesso como cantor solo também lhe concedeu o status de ídolo da juventude, assim como ele se tornou um dos artistas prediletos nos principais shows adolescentes - entre os quais, American Coreto, Shindig, Hullaballoo e The Mike Douglas Show. 

Ele também se tornou um dos poucos artistas da Motown a se apresentar no Copacabana - e um álbum seu gravado na casa demoraria três décadas para ser lançado. 

Uma série dos sucessos de Gaye pela Motown foram duetos com artistas femininas, tais como Mary Wells e Kim Weston. O primeiro LP do cantor a aparecer nas listas da Billboard foi o Together, de 1964, disco de duetos com Wells. 

No entanto, a parceira mais popular e memorável de Marvin foi Tammi Terrell. Gaye e Terrell tinham um bom relacionamento e o álbum de estréia da dupla, United, lançado em 1967, gerou uma série de sucessos, como "Ain't No Mountain High Enough", "Your Precious Love", "If I Could Build My Whole World Around You" e "If This World Were Mine". 

A dupla de compositores Nickolas Ashford e Valerie Simpson, que eram também casados, forneceu as letras e a produção para as gravações de Gaye/Terrell. Enquanto Gaye e Terrell não formavam um casal de namorados - embora rumores persistam de que eles podem ter tido um caso anteriormente -, eles atuavam como verdadeiros amantes nas gravações. 

De fato, Gaye às vezes declarava que pela duração das canções ele estava apaixonado por ela. Mas ainda naquele ano, o sucesso da parceria foi tragicamente encurtado. 

Em 14 de outubro, Terrell desmaiou nos braços de Gaye, enquanto eles se apresentavam no Hampton Institute (hoje Hampton Universit), em Hampton, Virginia. Era o primeiro sintoma de um tumor cerebral, diagnosticado em exames realizados posteriormente, e que continuaria a debilitar a saúde de Tammi. 

A Motown decidiu tentar e continuar as gravações da dupla Gaye/Terrell. Em 1968, a gravadora lançou You're All I Need, o segundo LP da dupla, que se destacou pelos sucessos de "Ain't Nothing Like the Real Thing" e "You're All I Need to Get By". 

No ano seguinte foi lançado Easy, o último álbum da dupla. A deterioração da saúde de Terrell a impediu de concluir as gravações de estúdio e a maior parte dos vocais femininos teriam sido gravados por Valerie Simpson. Duas faixas do LP eram canções arquivadas da carreira solo de Terrell e foram mixadas com a voz de Gaye. 

A doença de Tammi Terrell deixou Gaye em profunda depressão; quando sua canção "I Heard It Through the Grapevine" (inicialmente gravada em 1967 por Gladys Knight & The Pips) chegou ao primeiro lugar da principal lista da Billboard - além de ter também sido o single mais vendido da história da Motown, com quatro milhões de cópias -, ele se recusou a reconhecer seu sucesso, sentindo que ele era imerecido. 

O trabalho com o produtor Norman Whitfield, que havia produzido "Grapevine", resultou em outros dois sucessos similares: "Too Busy Thinking About My Baby" e "That's the Way Love Is". 

Entretanto, o casamento de Gaye estava ruindo e ele continuava a sentir que seu trabalho artístico era completamente irrelevante. Frente às transformações sociais que chacoalhavam os Estados Unidos naquele período. 

Ao mesmo tempo que Marvin cantava interminavelmente sobre o amor, a música popular norte-americana passava por uma grande revolução, abordando em suas letras as questões sociais e políticas daqueles anos. Desejando ter independência criativa, Marvin foi liberado pela Motown para produzir as gravações de estúdio das bandas The Originals, cujo resultado apareceu nos hits "Baby I'm For Real" e "The Bells". 


Em 16 de março de 1970, Tammi Terrell morreu em decorrência do tumor cerebral e deixou Marvin devastado. Durante o funeral da parceira, Marvin estava tão sensível que ele conversava com o corpo de Tammi como que esperando por uma resposta dela. Imediatamente, Gaye mergulhou em um auto-isolamento e ficou sem se apresentar ao vivo por quase dois anos. Gaye contou a amigos que havia pensado em deixar a carreira musical, à ponto até de tentar ingressar no futebol americano e jogar no Detroit Lions (onde ele encontrou os colegas Mel Farr e Lem Barney), mas depois de seu sucesso produzindo os Originals, Gaye estava confiante em criar sua própria gravadora. Como resultado disso, ele entrou nos estúdios em 1 de junho de 1970 para gravar as canções "What's Going On", "God is Love", "Sad Tomorrows" - uma versão inicial da canção "Flying High (In the Friendly Sky)". Gaye queria lançar "What's Going On" como single, mas Berry Gordy recusou-se, alegando que a canção não era viável comercialmente. Gaye recusou-se a gravar qualquer outra canção até que o presidente da Motown cedesse, o que ocorreria em janeiro de 1971. O sucesso do single surpreendeu Gordy, que requisitou um álbum com canções similares. 

O álbum What's Going On tornou-se um dos mais importantes da carreira de Gaye e é até hoje seu trabalho mais conhecido. Tanto em termos de som (influenciada pelo funk e pelo jazz) e de conteúdo das letras (fortemente espiritual), o álbum representou uma aproximação com seus trabalhos iniciais na Motown. 

Além da faixa-título, "Mercy Mercy Me" e "Inner City Blues (Make Me Wanna Holler)" atingiram o Top 10 Pop Hits e o primeiro lugar da lista R&B da Billboard. Considerado como um dos mais notáveis discos da história da soul music norte-americana, o álbum conceitual de Gaye foi um divisor de águas para esse gênero musical. 

Ele já foi chamado de "a mais importante e apaixonada gravação já lançada da música soul, entregue por uma de suas melhores vozes". 

Com o sucesso do álbum What's Going On, a Motown renegociou um novo contrato com Marvin que permitiu a ele o controle artístico de seu trabalho, no valor de US$1 milhão, fazendo do cantor o mais bem pago artista negro da história da música. 

Além disso, Gaye ajudou a libertar o trabalho criativo de outros artistas da Motown, entre os quais Stevie Wonder. Ainda naquela época, Marvin mudou-se de Detroit para Los Angeles em 1972 após receber uma proposta para escrever a trilha-sonora para um filme blaxploitation. 

Escrevendo as letras, criando os arranjos e produzindo o LP para o filme Trouble Man, Marvin lançou o álbum e a canção homônimas, que atingiram o Top 10 Pop da Billboard em 1973. 

Depois de passar por um período complicado quanto aos rumos de sua carreira, Marvin decidiu mudar o conceito lírico das composições. 

O LP Let’s Get it On trazia uma temática menos social e mais pessoal da vida de Marvin. Conflitos com o pai, dúvidas existenciais e questões sobre a vida particular do compositor fazem parte do álbum. 

O LP foi um dos trabalhos mais bem sucedidos de sua carreira e o seu maior sucesso de vendas, superando What's Going On. A faixa-título chegou ao topo da parada pop da Billboard e bateu o recorde de vendagens da Motown, que pertencia ao próprio Marvin com "I Heard It Through the Grapevine". 

Outros destaques do LP foram as canções "Come Get to This", "You Sure Love to Ball" e "Distant Lover". 

Gaye começou a trabalhar naquele que seria seu último álbum dueto, desta vez com Diana Ross. O projeto do LP Diana & Marvin teve início em 1972, mas houve atrasos no andamento do álbum. 

Com Diana grávida pela segunda vez, Gaye recusava-se a cantar se ele não pudesse fumar no estúdio. Então, os dois realizaram as gravações em dias separados. 

Lançado no segundo semestre de 1973, o álbum rendeu vários sucessos, entre os quais "You're a Special Part of Me", "My Mistake (Was to Love You)" e as versões para "You Are Everything" e "Stop, Look, Listen (To Your Heart)", ambas hits do grupo The Stylistics. 

Em 1975, Gaye começou a pensar em seu próximo disco solo, mas o divórcio com Anna Gordy tomou boa parte do seu tempo. O fim do casamento levou Gaye a várias audiências nos tribunais. 

O disco I Want You foi finalizado somente no ano seguinte. O álbum levou a faixa-título "I Want You" ao topo da parada R&B da Billboard. 

Em 1977, a Motown lançou o single de "Got to Give It Up", que se tornou primeiro lugar nas lista Pop, R&B e Dance da Billboard, e o LP ao vivo Live at the London Palladium, álbum que vendeu em torno de duas milhões de cópias - se tornando um dos mais vendidos daquele ano. 

No ano seguinte, finalmente Gaye consegue se divorciar de sua primeira esposa Anna. Como resultado do acordo judicial, Gaye foi ordenado a pagar pensão alimentícia - ele concordou em ceder parte de seu salário e das vendas do seu álbum seguinte para pagar essa pensão. 

O resultado foi o LP duplo Here, My Dear, que explorou o relacionamento do casal em detalhes tão íntimos que quase levou Anna a processá-lo por invasão de privacidade, mas ela desistiu dessa decisão. 

O LP fracassou nas listas de sucesso e Gaye se esforçou para vender o disco. Em 1979, Gaye se casou pela segunda vez, agora com Janis Hunter, com quem teve dois filhos, Frankie e Nona), e começou a trabalhar em um novo álbum, Lover Man. Mas o projeto foi abortado depois do fracasso do single "Ego Tripping Out". 

Reclamando de problemas com impostos e de vício em drogas, Gaye pediu falência e se mudou para o Hawaii, onde ele vivia em um furgão. 

Em 1980, ele assinou com o promotor britânico Jeffrey Kruger para realizar concertos no Reino Unido. Mas Gaye não conseguiu chegar em tempo ao palco. Quando ele chegou, todos já haviam deixado o concerto. 

Em Londres, Marvin trabalhou no LP In Our Lifetime?, uma complexa e profunda gravação pessoal. Quando a Motown lançou o disco em 1981, Gaye ficou lívido: ele acusou a gravadora de editar e remixar o álbum sem seu consentimento, lançando uma canção inacabada, 
"Far Cry", alterando a arte do LP que ele requisitara e removendo o ponto de interrogação do título (dessa forma, alterando sua conotação irônica). 

Depois de oferecida uma nova chance em Ostend, Bélgica, Marvin mudou-se para lá ainda em 1981. Ainda perturbado pela decisão precipitada da Motown em lançar In Our Lifetime, ele negociou sua saída da gravadora e assinou com a Columbia Records no ano seguinte, onde lançou Midnight Love. 

O disco incluía o grande sucesso "Sexual Healing", que lhe rendeu seus primeiros dois prêmios Grammy (de Melhor Performance R&B Masculina e Melhor R&B Instrumental), em fevereiro de 1983. 

Ele também seria indicado aos mesmos prêmios no ano seguinte pelo LP Midnight Love. Também em fevereiro de 1983, Gaye fez uma apresentação memorável no All-Star Game da NBA, interpretando o Hino Nacional dos Estados Unidos. 

No mês seguinte, ele fez sua última apresentação para seu antigo mentor no concerto Motown 25, apresentando What's Going On. Depois, ele embarcou em uma turnê pelos EUA divulgando seu recente trabalho. Terminada a turnê, em agosto de 1983, ele estava atormentado por problemas de saúde - ele teve acessos de depressão e medo em torno de uma suposta tentativa de lhe tirarem a vida. 

Quando a turnê foi encerrada, ele se isolou e se mudou para a casa de seus pais. Ele ameaçou cometer suicídio diversas vezes, depois de numerosas e amargas brigas com seu pai, Marvin Pentz Gay. 

Em 1 de abril de 1984, um dia antes de completar seu 45º aniversário, Marvin foi assassinado com um tiro por seu próprio pai, após uma briga iniciada quando os pais de Gaye discutiam sobre a perda de documentos de negócios. Gaye foi morto por uma arma que ele próprio havia dado de presente para seu pai. 

Marvin Pentz Sr. foi condenado a seis anos de prisão, após ser declarado culpado por homicídio. A acusação de assassinato foi abandonada após médicos descobrirem que ele estava com um tumor cerebral. Marvin Pentz Sr passou o final de sua vida em um asilo, onde morreria de pneumonia em 1998. 

Após alguns lançamentos póstumos, que fortaleceram a memória de Marvin na consciência popular, o cantor foi introduzido ao Rock and Roll Hall of Fame em 1987. Mais tarde, também ao Hollywood's Rock Walk e, em 1990, ganharia uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

"BRASIL PERDEU 50 ANOS DESDE GOLPE"

JOÃO VICENTE APARECE BEM PEQUENO AO LADO DO PAI, JANGO, E DA MÃE, MARIA THERESA. ATUALMENTE ELE E A MÃE SÃO AS PRINCIPAIS TESTEMUNHAS DO LEGADO DO EX-PRESIDENTE EXPULSO DO PODER PELA FORÇA DOS GENERAIS.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Mesmo criança, naqueles tempos turbulentos em que viveu seu pai, o hoje presidente do Instituto João Goulart, João Vicente Goulart, foi testemunha daquele período e sentia a humilhação de ver o pai sendo expulso do poder por um levante militar que deu origem a um período político que causou sérios prejuízos ao Brasil.

Segundo João Vicente, o Brasil teve um prejuízo de 50 anos por causa do golpe militar, já que até agora o projeto de reformas de base proposto por seu pai não foi plenamente realizado.

"Brasil perdeu 50 anos desde golpe", diz filho de Jango

Da Agência EFE

O Brasil perdeu 50 anos desde o golpe de 1º de abril de 1964, que mergulhou o país em uma ditadura de 21 anos, porque as reformas propostas pelo então presidente, João Goulart, ainda precisam ser feitas, disse em entrevista exclusiva à Agência Efe o filho do presidente deposto, João Vicente Goulart.

"Estaríamos em uma situação muito diferente. Perdemos 50 anos. É lógico que o país evoluiu, mas, se as reformas tivessem sido adotadas na época, nosso nível de desenvolvimento seria muito superior hoje", afirmou o presidente do Instituto João Goulart, que tinha sete anos quando acompanhou o pai ao exílio.

João Vicente, que é filósofo, poeta e empresário, dedicou os últimos anos a resgatar a memória do pai, explicou que a maior parte das "reformas de base" propostas por Jango ainda não foram iniciadas.

Essas reformas estruturais, tachadas de "comunistas" por alguns e que aterrorizavam ruralistas, militares e banqueiros, foram implantadas por muitos dos grandes países capitalistas, afirmou.

Goulart explica que a reforma agrária de Jango distribuiria títulos de propriedade a 1 milhão de camponeses ("nada mais irônico do que um comunista distribuindo títulos de propriedade"), a bancária permitiria que o crédito chegasse a toda a sociedade, a tributária criaria impostos sobre as grandes fortunas e a educacional universalizaria a educação.

"Estou citando uma a uma porque nenhuma foi feita até hoje. Foram propostas 50 anos atrás e ainda são necessárias", assegurou.

Para ele, a perda de meio século se reflete no Índice de Gini, utilizado pela ONU para medir a desigualdade, e que "está voltando agora ao nível em que estava na época de Jango".

"Derrubaram uma constituição, depuseram um governo legítimo, implantaram uma ditadura, reduziram os salários, criaram a ideia de que o Brasil era um país imparável que vivia um milagre econômico e que o bolo estava crescendo para depois ser dividido. O problema foi que o bolo cresceu, não foi dividido e ficamos devendo a farinha e os ovos. Só agora estamos recuperando a economia e voltando ao nível de desenvolvimento da época", disse.

João Vicente diz esperar que o Brasil aproveite os 50 anos do golpe, amanhã, para fazer uma profunda reflexão "nas universidades, nos sindicatos, nos movimento sociais" sobre as reformas que o Estado precisa fazer.

"Independentemente de estarmos em um ano eleitoral e de termos um governo de direita ou de esquerda - entre aspas - é fundamental saber que existe um gargalo para o desenvolvimento e que para superá-lo é preciso fazer a reforma do Estado, a agrária, a do seguro social", continuou.

O filho de Jango garantiu que os militares tomaram o poder financiados por "interesses econômicos das multinacionais que não queriam as reformas para poder continuar subjugando as economias latino-americanas, que é o que acontece até hoje".

Segundo Goulart, a sociedade brasileira não estava polarizada em 1964 como alegavam então os grandes meios de comunicação, que, analisou, ficaram do lado dos golpistas desde 1962, quando a CIA forneceu dinheiro para comprar redações, promover a instabilidade, financiar ações encobertas e escolher políticos contrários a Jango.

"Essa polarização foi fabricada, tanto que esconderam durante 40 anos uma pesquisa que atribuía a Jango 68% do apoio da opinião pública e 89% entre os setores mais pobres", disse.

Goulart não considera tardia a homenagem que o governo brasileiro fez recentemente a seu pai ao receber seu corpo em novembro em Brasília com as honras de chefe de Estado que foram negadas pela ditadura.

"Rever a história do Brasil é um compromisso da nação. Jango é hoje um bem cultural imaterial da nação e do país, que tem uma responsabilidade com a verdade, e por isso (o governo) tem que investigar o que ocorreu com Jango, com suas propostas, com sua vida, com sua morte. É um dever investigar tudo isso", concluiu.

JOÃO GOULART E AS PRESSÕES DO 1964


Por Alexandre Figueiredo

João Goulart pode ter cometido erros políticos, sim, como a tal anistia aos sargentos revoltosos comandados pelo suspeito Cabo Anselmo - depois revelado um direitista astucioso - , mas não era um político fraco nem hesitante, mas um líder popular que sabia que estava agindo sob violentas pressões de todos os lados.

Das esquerdas, Jango era acusado de não cumprir o que prometia das chamadas reformas de base. Neste caso, as pressões sociais e a atuação bem menos cúmplice do que parecia em relação ao PCB - que já em 1962 deixava o antigo nome "Partido Comunista do Brasil" para o nascedouro PC do B e passava a ser Partido Comunista Brasileiro - desmentiram o mito de que Jango era "comunista" e "manipulador de sindicatos".

Da direita, Jango era acusado de ser "comunista", mesmo quando as relações não eram assim tão ligadas e que o próprio PCB era duramente criticado pelos esquerdistas de 1961-1964, por conta de sua visão antiquada e extremamente pragmática. Depois do golpe, o PCB foi acusado de não ter firmeza, na época, para reagir contra a ação dos generais.

João Goulart era um líder nacionalista. Até o linguista e cientista político norte-americano Noam Chomsky não considerava Jango um "comunista". O que Jango representou foi um político reformista, que procurava ousar mais nas suas ideias políticas e nos seus projetos de governo, que infelizmente não teve condições de colocar em prática.

Jango não era hesitante. Ele tentava manter um equilíbrio político, já que governava um país grande e diferenciado que era o Brasil. A responsabilidade dele era grande, mas o preconceito que se havia na sociedade com projetos reformistas era bem pior.

Se trinta anos antes do Golpe de 1964 ainda se via as reivindicações dos trabalhadores como um "crime", em 1964 havia gente que se revoltava quando um governante prometia reformas sociais amplas, reforma agrária e redução das remessas de lucros para o exterior.

Jango melhorava as políticas salariais, e irritou a direita quando, no tempo em que era ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, dobrou o valor do salário mínimo. Isso em 1954. A direita pressionou e os então coronéis que depois derrubaram o mesmo político, chegaram a divulgar um manifesto contra a medida.

A reforma agrária só era aceita pela direita quando os grandes proprietários de terra recebessem uma pesada indenização. Foram-se os tempos de antigos fazendeiros que transformavam antigas propriedades em bairros populares, a ganância dos fazendeiros nas últimas décadas motivou até mesmo a prepotência e a violência nas áreas rurais e nos subúrbios.

A redução da remessa de lucros para o exterior era uma forma de impedir que empresas e empresários estrangeiros levassem mais dinheiro para fora do país. Era um meio do Brasil segurar mais dinheiro no seu território, para ser aplicado em projetos de cunho social, sobretudo em favor da Saúde, da Educação e dos salários dos trabalhadores.

Jango irritava a direita por causa disso. Aliás, o Brasil queria andar para a frente. Mesmo culturalmente. Discutia-se até mesmo as marchinhas de carnaval, algo que parece insólito num país que, hoje, não quer que questionemos o "funk". Tínhamos projetos educacionais ousados, projetos de cultura musical polêmicos mas audaciosos, tínhamos programações de TV de qualidade.

Sim, porque naquela época mesmo apresentadores de auditório que depois mergulharam fundo na bregalização cultural - como Sílvio Santos e Raul Gil, que já eram bem conhecidos na época do governo Jango - não estavam comprometidos com a imbecilização das classes populares. E se hoje qualquer nulidade do Big Brother Brasil vira "celebridade", naqueles tempos um filósofo como Jean-Paul Sartre é que atraía mais audiência para a televisão já no começo de popularização.

Bibi Ferreira chamava personalidades brasileiras que tinham o que dizer e artistas de música brasileira de verdade para comporem as atrações do Brasil "Ano Tal" que havia feito então, na TV Excelsior, uma emissora de TV de perfil moderno na época. Com seu Brasil 60, Brasil 61, Brasil 62 e Brasil 63, Bibi fazia um programa de auditório sofisticado que nem as emissoras de TV paga hoje têm coragem nem interesse em fazer.

Era um Brasil que parecia antecipar até mesmo à Contracultura da Europa e dos EUA. A dos EUA de 1961-1964 parecia tímida, a da Grã-Bretanha incipiente, a da França criava fôlego, com outros países assistindo a tudo isso de camarote. O Brasil já tinha uma UNE discutindo cultura e querendo transformar as mentes populares de nosso país.

Mas aí veio a ditadura, e Jango mostrou-se, por incrível que pareça, equilibrado. Ele sabia que nada podia fazer, com um Congresso Nacional em maioria contra ele, com ameaças de golpe já divulgadas em rádio e TV, e tinha um Exército pouco preparado para reagir contra as ações golpistas.

O frágil dispositivo militar do ministro da Casa Militar, Argemiro Assis Brasil, e o fato do ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, estar doente, propiciaram a reação golpista, que ainda contou com a adesão dos poucos militares de Assis Brasil que rumaram em direção às tropas de Olímpio Mourão Filho.

Jango preferiu não investir na reação, e sua decisão foi controversa (ela irritou, sobretudo, o cunhado Leonel Brizola, que havia transferido seu domicílio político do Rio Grande do Sul para a Guanabara). Ele não queria criar um ambiente de guerra, primeiro por saber do que a rígida oposição seria capaz de fazer, segundo, porque não queria que se criem grandes tragédias para o povo brasileiro.

Mais tarde, revelou-se que os EUA já tinham pronto um plano de guerra contra o Brasil, a operação Brother Sam, não bastasse a grande soma de dinheiro que a CIA investiu aqui e ali no Brasil, de entidades "representativas" de estudantes e operários até "marchas da família", para não dizer o IPES-IBAD, na campanha para derrubar Jango.

Com a ditadura militar, o país regrediu a um conservadorismo reciclado que reflete até mesmo nos dias de hoje. Tanto que, quarenta anos depois, Lula tentava aplicar uma forma branda de "governo Jango" num contexto sócio-cultural parecido com o da Era Geisel.

Em vários aspectos da vida social, cultural, política e econômica, o país passou a sofrer de um vazio ideológico e identitário muito grande. Para piorar, muitos dos intelectuais de hoje só querem analisar o passado retrocedendo, no máximo, até 1967. Eles têm medo de 1964, e de antes desse ano, porque iria expor contradições e equívocos que explicariam muitos erros ocultos de hoje.

Por isso ainda temos que analisar muito o que significou o Brasil até 01 de abril de 1964. A memória curta sofrerá muitas dores, e muitos "heróis" e "dogmas" serão postos em xeque, diante da redescoberta de um Brasil que os brasileiros de hoje pouco conhecem.

domingo, 23 de março de 2014

A MARCHA DA FAMÍLIA UNIDA COM DEUS PELA LIBERDADE PEDIU O GOLPE MILITAR DE 1964


Por Alexandre Figueiredo

Assustadas com as promessas feitas por João Goulart no comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964, as classes dominantes, de entidades religiosas a grupos empresariais, resolveu, seis dias depois, dar a resposta que representou o maior protesto contra o governo progressista que vigorava naquele problemático ano, que se distancia de hoje em meio século.

Se o comício da Central teve a presença de representantes das classes trabalhadoras, além de políticos progressistas - inclusive um José Serra então líder estudantil e distante do direitista tucano que é atualmente - , a Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade reuniu a chamada "nata da direita" brasileira, claramente simpatizante da supremacia capitalista dos EUA.

Era a época da Guerra Fria e o Brasil vivia o maniqueísmo ideológico entre a "democracia" capitalista dos EUA e o comunismo da URSS, num conflito bem mais duro do que a atual disputa entre EUA e Rússia na disputa pela Crimeia, que historicamente foi vinculada à Ucrânia e queria manter e reafirmar seu status de nação independente.

Os EUA estavam preocupados com as promessas arrojadas do governo nacionalista e popular de João Goulart, que no seu comício na famosa estação ferroviária do centro carioca - no então Estado da Guanabara - e, nos bastidores da política estadunidense, o Departamento de Estado e a CIA despejavam uma gigantesca soma de dinheiro para campanhas pela derrubada do governo Jango.

Esse investimento, acrescido de outros de empresas estrangeiras, sobretudo estadunidenses, instaladas no Brasil, como Coca-Cola, ESSO, General Motors, IBM, Shell, Ford e muitas outras, financiava desde pretensos institutos, como o IPES-IBAD, até passeatas como a Marcha da Família, além de instituições diversas de mulheres, estudantes, trabalhadores e militares, todos de cunho direitista.

A Marcha da Família, ou Marcha Deus e Liberdade, como tornou-se conhecida a título de simplificação de nome, ocorrida no dia 19 de março de 1964 - ironicamente, dia de aniversário de José Serra, então completando 22 anos de idade - , não foi a primeira nem a única marcha realizada, mas foi a maior, feita por multidões no centro de São Paulo.

A inspiração da marcha está nas pregações moralistas do líder católico conservador Patrick Peyton, cujo sobrenome inspiraria e talvez inspirou piadas no anedotário brasileiro. Ele pedia a seus adeptos que exibissem rosários como prova de fé. O evento, patrocinado pelo governador de São Paulo, Adhemar de Barros, teve adesões que iam de Hebe Camargo a Carlos Lacerda, passando pelos estudantes da Mackenzie, instituição de ensino de orientação prebisteriana.

Seu itinerário incluiu da Praça da República à Praça da Sé, passando pela rua Barão de Itapetininga, a Praça Ramos de Azevedo, o Viaduto do Chá, a Praça do Patriarca e a rua Direita. Entre as frases exibidas pelos manifestantes, se destacaram "Vermelho bom, só o batom", "Um, dois, três, Jango no xadrez", "Abaixo os imperialistas vermelhos" e "Verde e amarelo, sem foice nem martelo".

A marcha causou grande repercussão na opinião pública da época e agravou a crise política do país, fazendo com que os generais das três Forças Armadas - Exército, Marinha e Aeronáutica - começassem a debater qual a forma de tirar João Goulart do poder. Coisa que foi feita no dia 01 de abril, embora a História tivesse atribuído para um dia antes.

Outra marcha foi organizada no Rio de Janeiro, em 02 de abril de 1964, para celebrar a vitória do golpe militar de 1964. Mantendo o mesmo longo nome, a marcha no entanto foi apelidada de Marcha da Vitória, reunindo as mesmas instituições que realizaram a manifestação paulista.

REEDIÇÃO - Em 22 de março de 2014, foi realizada a nova marcha, com o mesmo nome e relançando muitos bordões. No entanto, a manifestação teve menos adesão e a crise política que existe no governo Dilma Rousseff se limita a conflitos com políticos do PMDB, o maior partido aliado do PT, que comanda o governo.

O objetivo da marcha, além de relembrar o protesto de 1964, era pedir "intervenção militar" para tirar Dilma do poder. Os pretextos são outros, como a promessa de "novas eleições" e com uma ênfase na juventude, mas seu sucesso foi muito fraco e o Brasil não possui uma crise político-institucional e econômica que propicie uma ação golpista bem-sucedida e respaldada pela sociedade.

Além disso, também ocorreram marchas anti-fascistas, paralelamente à Marcha da Família, que lembraram, numa abordagem negativa, tanto a marcha de 1964 quanto a ditadura militar que se seguiu e teve reflexos negativos na sociedade brasileira.

segunda-feira, 17 de março de 2014

MORRE SCOTT ASHETON, BATERISTA DOS STOOGES


45 anos depois de se tornarem mais conhecidos, os Stooges perdem mais um integrante. Foi a vez do baterista Scott Asheton, de 64 anos, morrer no último sábado. Ele era irmão de outro integrante, o guitarrista Ron Asheton, que faleceu em 2009. E outro membro original dos Stooges havia falecido de edema pulmonar, o baixista Dave Alexander, em 1975.

“Scott era um grande artista, nunca ouvi ninguém tocar bateria com mais significado do que Scott Asheton. Ele era como meu irmão”, divulgou o vocalista Iggy Pop a respeito do saudoso parceiro, acrescentando estar solidário com o sofrimento dos familiares do baterista.

Os Stooges são a banda de Detroit, Michigan, mais conhecida em todo o mundo. O grupo foi um dos símbolos de uma evolução do rock de garagem do período 1965-1968 para o punk rock, assim como o Deep Purple simbolizou uma evolução para o heavy metal.

Conhecido por músicas como "I Wanna Be Your Dog" e "No Fun", os Stooges tornaram-se referência sobretudo para bandas como New York Dolls e Ramones, além de antecipar sonoramente elementos que marcariam o noise rock dos anos 80 e 90.

Os Stooges se apresentaram no Brasil em 2009, no evento Planeta Terra, promovido pelo portal Terra.

quinta-feira, 13 de março de 2014

MORRE AOS 81 ANOS O ATOR PAULO GOULART


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O ator Paulo Goulart foi um dos mais produtivos e influentes de sua geração. Com uma longa carreira que se encerrou pouco antes do tratamento contra o câncer, doença que o matou hoje, Paulo se destacou em muitas novelas e filmes, além de ter tido um casamento longevo com a atriz Nicete Bruno, atualmente na novela Joia Rara, da Rede Globo. Um dos filhos, a atriz Beth Goulart, também hoje se destaca fazendo uma peça baseada na vida e obra da escritora Clarice Lispector. Paulo deixa um clã de atores talentosos e muitas lições de vida e de atuação.

Morre aos 81 anos o ator Paulo Goulart

Do Portal Terra

Aos 81 anos, morreu o ator Paulo Goulart em São Paulo, informou nesta quinta-feira (13) o Jornal Hoje. Ele estava internado no Hospital São José, parte da Beneficência Portuguesa.

Em setembro do ano passado o ator tratou um tumor no mediastino (canal da região dos pulmões). O câncer foi recidivo de anos atrás, na região dos rins.

Paulo Goulart é o nome artístico de Paulo Afonso Miessa. Nasceu em Ribeirão Preto, em 9 de janeiro de 1933, na Fazenda Santa Tereza. Os pais do ator, Afonso e Elza Miessa, ganhavam a vida lidando com a terra. Aos 8 anos, teve sua primeira experiência teatral, interpretando uma pequena bailarina em uma peça de teatro infantil de seu colégio. Paulo estudou química industrial e chegou a se formar, mas sonhava em trabalhar com rádio. Quando soube que havia um teste para locutor em sua cidade, logo se candidatou, mas não passou. Fez outros testes, dessa vez para ator, e passou a ser rádio-ator.

Iniciou carreira em emissora de rádio fundada por seu pai na cidade de Olímpia, interior de São Paulo. Já em 1952, passou a integrar a Companhia Nicette Bruno e Seus Comediantes, atuando em Senhorita Minha Mãe, de Louis Verneuil, com direção de Ruggero Jacobbi e, no mesmo ano, em Amor Versus Casamento, de Maxwell Anderson, direção de Rubens Petrille de Aragão. Casou-se com Nicette ainda em 1952.

Nesta mesma época, começou a trabalhar na TV, em Helena e estreou no cinema, em 1954, com Destino em Apuros. Passou a colaborar com a Companhia Eva e Seus Artistas, de Eva Todor, atuando em Vê Se Me Esquece, de Luiz Iglesias, Anastácia, de Marcelle Maurette, e Lotária, de Luís Iglesias, todos sob a direção de Henriette Morineau, em 1957. 

No mesmo ano, está em A Vida Não É Nossa, de Accioly Neto, em uma produção sua com Nicette Bruno, com direção de José Maria Monteiro, com quem trabalha em mais dois espetáculos subseqüentes.

Sem deixar o teatro de lado, começa a emendar papeis no cinema. Em 1957 está  em Rio Zona Norte e em 1958 faz outros cinco filmes. Segue assim com E Eles Não Voltaram e, em 1960; e Nordeste Sangrento, em 1962. A partir daí, segue um período de descanso nas telonas, para onde só retorna em 1972, com A Marcha.

De 1966 a 1969 passa a se dedicar à TV Excelsior, na qual faz novelas como As Minas de Prata (1966), Os Fantoches  (1967), A Muralha (1968) e Vidas em Conflito (1969).

Iniciou-se como autor em 1975, escrevendo Nós Também Sabemos Fazer, peça que dirige ele próprio no mesmo ano. Em 1980, é a vez de Mãos ao Alto, São Paulo!, dirigido por Roberto Lage. Em 1983 escreve duas peças, O Infalível Dr. Brochard, outra direção de Roberto Lage, reencenada no mesmo ano no Rio de Janeiro, novamente por Aderbal Freire Filho.

Sua primeira novela na Globo foi A Cabana do Pai Tomás (1969), mas atuou também na programação da TV Tupi, SBT, Record e TV Bandeirantes. Entre os sucessos na Globo, estão Plumas e Paetês (1980), O Dono do Mundo (1991), Mulheres de Areia(1993), Esperança (2002), América (2005), Duas Caras (2007), Ti-ti-ti  (2010) e Morde & Assopra 2011).

O último trabalho na TV foi a minissérie Louco por Elas  (2012).

Paulo Goulart deixa os filhos Beth Goulart e Bárbara Bruno, atrizes, e o ator e dançarino Paulo Goulart Filho. Também deixa as netas e atrizes Vanessa Goulart e Clarissa Mayoral.

domingo, 2 de março de 2014

MORRE CINEASTA FRANCÊS ALAIN RESNAIS, DE HIROSHIMA MEU AMOR


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: No ano em que seu filme de maior sucesso, Hiroshima Meu Amor (Hiroshima Mon Amour), morre o cineasta da nouvelle vague Alain Resnais, que até pouco tempo atrás esteve em atividade. E, infelizmente, é mais um mestre que perdemos em qualquer modalidade artística, em tempos que a cultura anda sendo refém da mediocridade hegemônica.

Morre cineasta francês Alain Resnais, de Hiroshima Meu Amor

Do Portal Terra - Com informações da Agência France Press

O cineasta francês Alain Resnais, diretor de Hiroshima Meu Amor (1959),  morreu na noite deste sábado (1) em Paris, “cercado pela família”, anunciou Jean-Louis Livi, produtor de seus últimos filmes. 

Alain Resnais tinha 91 anos e foi homenageado na 64ª edição do Festival de Berlim, em fevereiro, onde estreou o seu trabalho mais recente, Amar, Beber e Cantar. No evento, a obra de Alain ganhou o Alfred Bauer, prêmio concedido para inovação artística

"Ele estava preparando comigo um outro filme, do qual ele também era roteirista", declara Livi, que produziu os três últimos títulos de Resnais.

Entre as obras do cineasta francês estão Noite e Neblina (1955), Ano Passado em Marienbad (1961),  A Guerra Acabou (1966), Longe do Vietnã (1967), Medos Privados em Lugares Públicos (2006) e Vocês Ainda Não Viram Nada (2012), que concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2012.

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, lamentou a morte do cineasta e saudou "um grande, grande talento, conhecido mundialmente".

Ao longo da carreira, Alain ganhou cinco prêmios César (três de melhor filme, dois de melhor diretor), dois Ursos de Prata em Berlim, três prêmios no Festival de Veneza, um BAFTA e um prêmio especial do júri em Cannes, entre outros.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

MORRE PACO DE LUCIA, SÍMBOLO DA RENOVAÇÃO E DIFUSÃO DO FLAMENCO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: De vez em quando, perdemos grandes artistas e a arte de qualidade torna-se cada vez  mais órfã, ela que já está carente de renovação e, nos últimos anos, virado refém da mediocridade que deslumbra os jovens incautos. Desta vez, um grande violonista, o virtuoso Paco de Lucia, que renovou o flamenco com um estilo instrumental bastante sofisticado.

Morre Paco de Lucía, símbolo da renovação e difusão do flamenco

Da Agência EFE

Paco de Lucía, violonista de flamenco, morreu nesta quarta-feira (26) em Cancún, no México, aos 66 anos de idade. Símbolo da renovação e difusão mundial do flamenco, ele conquistou diversos prêmios. 

O músico teria sofrido um infarto enquanto brincava com seus filhos na praia. Em novembro do ano passado, ele esteve no Brasil, após 16 anos, para uma turnê pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Francisco Sánchez Gómez, de nome artístico Paco de Lucía, introduziu ao flamenco, ao longo de sua carreira, ritmos como o jazz, a bossa nova e, inclusive, a música clássica.

Discípulo de Niño Ricardo e de Sabicas, e respeitado por músicos de jazz, rock e blues por seu estilo próprio, alcançou, entre outros muitos reconhecimentos, um Grammy para o melhor álbum de flamenco em 2004; o Prêmio Nacional de Guitarra de Arte Flamenco; a Medalha de Ouro ao Mérito das Belas Artes em 1992; o Prêmio Pastora Pavón La Niña de los Peines de 2002; e o Prêmio Honorário da Música de 2002.

Nascido em 21 de dezembro de 1947 na cidade de Algeciras com o nome de Francisco Sánchez Gómez, aos sete anos pegou pela primeira vez um violão pelas mãos de seu pai e, depois, de seu irmão mais velho.

Por sua mãe portuguesa ficou conhecido como "Paco, o de Lucía", ao identificar, assim como na Andaluzia, o filho com o nome da mãe, Lucía Gomes.

Com 12 anos formou o dueto Los Chiquitos de Algeciras com seu irmão Pepe nos vocais. O grupo fez sucesso em 1961 em um concurso de Jerez e com o qual gravou seu primeiro disco.

Contratado pelo bailarino José Greco em 1960 como terceiro violonista da Companhia do Balé Clássico Espanhol, fez sua primeira turnê pelos Estados Unidos, e depois foi o segundo violonista e viajou por meio mundo. Foi aí que conheceu os músicos Sabicas e Mario Escudero, que o incentivaram a compor suas próprias músicas.

Aos 17 anos entrou para um grupo financiado pelos representantes alemães Horst Lippmann e Fritz Rau para seu espetáculo Festival Flamenco Gitano, com o qual percorreu a Europa e no qual figuravam Camarón, El Lebrijano, El Farruco e Juan Moya.

Acompanhado com frequência por seus irmãos Ramón de Algeciras e Pepe de Lucía, gravou seus primeiros discos solo em meados dos anos 1960: La Fabulosa Guitarra de Paco de Lucía (1967) e Fantasía Flamenca (1969).

Sua consagração chegou nos anos 1970, com memoráveis atuações no Palau de Barcelona, no Teatro Real e no Teatro Monumental de Madri, e sua primeira gravação ao vivo Paco en vivo desde el Teatro Real, lhe rendeu seu primeiro disco de Ouro.

Foi em Madri que surgiu a mítica dupla El Camarón-De Lucía, tão virtuosa e purista como renovadora do flamenco e que se traduziu em mais de dez discos de estúdio, como El Duende Flamenco (1972) e Fuente y Caudal (1973).

Ganhou o Prêmio Castillete de Oro del Festival de Las Minas em 1975; single de ouro em 1976 por sua magnífica rumba Entre dos Águas e disco de ouro em 1976 por Fuente y Caudal.

No final dos anos 1970, ganhou muita popularidade fora da Espanha por seus trabalhos com os guitarristas John McLaughlin, Al Di Meola e Larry Coryell.

Fundou em 1981 seu "Sexteto", com Ramón de Algeciras (segundo violão), Pepe de Lucía (vocais e palmas), Jorge Pardo (saxofone e flauta), Rubén Dantas (percussão) e Carles Benavent (baixo), o que lhe permitiu criar o conceito atual de grupo de flamenco.

Colaborou no disco Potro de Rabia y Miel de seu grande amigo Camarón, e a morte deste, em 1992, o fez cancelar suas apresentações por todo o mundo durante quase um ano. Inclusive pensou em se aposentar, retornando um ano depois aos palcos com uma nova turnê europeia, na qual fez 40 apresentações nos EUA e gravou Live in America.

Entre seus discos estão Fantasía Flamenca, Recital de Guitarra, El Duende Flamenco de Paco de Lucía, Almoraima, Solo Quiero Caminar, Paco de Lucía en Moscú, Zyryab, Siroco e Lucía (1998).

Após um hiato de cinco anos, em 2004 gravou Cositas Buenas, considerado pela crítica uma "obra prima", com oito temas inéditos, acompanhado pelo violão de Tomatito e a voz recuperada de Camarón, e que lhe rendeu o Grammy Latino de melhor álbum de flamenco.

Um ano antes, lançou sua primeira coletânea, Paco de Lucía Por Descubrir, com seus trabalhos de 1964 a 1998.

No dia 29 de junho de 2010 ofereceu um magnífico concerto para 2,5 mil espectadores que se reuniram na Puerta del Ángel de Madri.

Em 2011, participou em um disco de flamenco tradicional do músico Miguel Poveda.

Tornou-se Doutor Honoris Causa pela Universidade de Cádiz e pelo Berklee College of Music de Boston (EUA, 2010).

O músico estava estabelecido em Toledo e passava temporadas em Cancún, onde praticava pesca submarina. Teve três filhos, frutos de seu primeiro casamento em 1977 com Casilda Varela em Amsterdã: Casilda, Lucía e Francisco.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

GUITARRISTA DO DEVO, BOB CASALE MORRE AOS 61 ANOS POR PROBLEMA CARDÍACO



Triste notícia para os fãs de pós-punk, de tecnopop e muitos skatistas e nerds que curtem a banda Devo. Faleceu ontem, por problemas no coração, o guitarrista Robert Casale, conhecido como Bob Casale, do Devo, aos 61 anos.

Irmão do baixista e segundo vocalista do Devo, Gerald Casale, Bob era também chamado de Bob II porque o irmão do vocalista, guitarrista e tecladista do Devo, Mark Mothersbaugh, também se chama Robert e era conhecido como Bob I. Os quatro eram a formação chave do Devo, que já havia sofrido a morte de um ex-baterista, Alan Myers, no ano passado.

O Devo tem 40 anos de existência. Fazia um tecnopop com levada roqueira new wave e soa como uma resposta punk ao Kraftwerk. Originário de Ohio, o grupo foi formado quando seus membros eram universitários e a partir de seu nome eles apostavam numa tese que parece satírica, mas tem sua profunda seriedade.

Devo, para seus integrantes, se relaciona à "teoria da devolução", em que o progresso tecnológico desenfreado faz com que o ser humano regredisse e se tornasse mais primitivo. A princípio, eles levavam isso como uma piada satírica, mas numa vinda ao Brasil, nos anos 90, Mark Mothersbaugh se surpreendeu com a sociedade na época e viu que a "devolução" era coisa séria.


OS IRMÃOS CASALE (BOB À ESQUERDA), NUMA APRESENTAÇÃO EM ATLANTA, NA GEÓRGIA (EUA), EM 1978, ANO DA HILÁRIA VERSÃO DE "SATISFACTION", DOS ROLLING STONES.

O Devo é conhecido por versões hilárias de "Satisfaction", dos Rolling Stones - com aprovação do próprio Mick Jagger, que teria dançado alegremente ao ouvir a música pela primeira vez - e "Are You Experienced?", de Jimi Hendrix.

Mas também o grupo é conhecido por músicas como "Whip It", "Uncontrolable Urge", "Devo Corporate Anthem" (usada em vinheta da Fluminense FM), "Disco Dancer" (usada em comercial do programa de TV Realce), "Shout", "Here To Go" e "Time Out For Fun" (única música que as rádios comerciais "de rock" têm coragem de tocar).

O Devo segue em atividade, mesmo com a perda de Bob Casale, que também era engenheiro de som. Ficará a saudade das performances de Bob, mas com toda a certeza o irmão deste, Gerald, e Mark conduzirão a banda da melhor forma, até para homenagear o finado companheiro.

Desejamos boa sorte ao Devo nessa trajetória, e nos solidarizamos diante da triste perda, mas desejando muita paz a Bob, lá no mundo espiritual.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

MORRE AOS 93 ANOS A EX-VEDETE DO TEATRO DE REVISTA VIRGÍNIA LANE


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Os teatros de revista eram comédias teatrais popularíssimas, que incluíam muitos números musicais, com um grande coral e muitos dançarinos. As moças que atuavam e cantavam em coro eram chamadas "coristas". E durante muito tempo essas peças eram certeza de lotação absoluta.

De Carlos Machado a José Vasconcellos, muitas peças do teatro de revista - jocosamente chamadas de teatro rebolado - fizeram sucesso no Brasil dos anos 40, 50 e no começo dos anos 60. Depois, a moda passou e seu teor humorístico migrou para os humorísticos populares de TV. Uma dessas vedetes, Virgínia Lane, faleceu hoje aos 93 anos, de infecção urinária.

Morre aos 93 anos a ex-vedete do teatro de revista Virginia Lane

Da Agência Brasil

Morreu nesta segunda-feira (10), no município de Volta Redonda, no sul do Rio de Janeiro,  a ex-vedete Virginia Lane, que estava internada desde o último dia 2 no CTI do Hospital São Camilo, devido a uma grave infecção urinária. Segundo as primeiras informações, ela morreu por falência múltipla dos órgãos. 

A prefeitura de Piraí, onde a ex-vedete morava desde o início da década de 1970, já está providenciando  o serviço funerário. O corpo será embalsamado em Volta Redonda, de onde irá para Piraí. Em Piraí, ela receberá homenagem durante duas horas, na Câmara de Vereadores local. Dali, o corpo da artista será levado para o Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, antes de seguir para o Cemitério do Caju, também na capital do Estado, onde será enterrado nesta terça-feira (11), no jazigo da família.

O coordenador da Casa de Cultura de Piraí, Hudson Valle, disse à Agência Brasil que o prefeito, Luiz Antonio da Silva Neves, decretou luto oficial de três dias.

Virginia Lane, nome artístico de Virginia Giaccone, nascida no Rio em 28 de fevereiro de 1920, atingiu o auge de sua carreira no início da década de 1950. Durante quatro anos consecutivos, ela estrelou nos teatros da Praça Tiradentes, no centro do Rio, revistas musicais produzidas por Walter Pinto.

Um desses espetáculos, intitulado Seu Gegê - uma referência ao então presidente Getúlio Vargas -, valeu à atriz o título de "A Vedete do Brasil", dado pelo próprio presidente. Anos mais tarde, Virginia Lane contou, em diversas entrevistas concedidas à imprensa, que manteve um relacionamento amoroso durante dez anos com Getúlio Vargas.

O início da carreira de Virginia, no entanto, ocorreu bem antes, em 1935, na Rádio Mayrink Veiga, no programa Garota Bibelô, apresentado por César Ladeira. Em 1943, ela trabalhou como corista no Cassino da Urca, onde foi também crooner - cantor ou cantora principal de uma orquestra popular - e dançarina, atuando com as orquestras de Carlos Machado, Tommy Dorsey e Benny Goodman.

Famosa como vedete do teatro de revista, Virginia Lane gravou em 1951, para o Carnaval, a marchinha Sassaricando, de Luis Antonio. O sucesso foi tanto que a música acabou mudando o nome da revista Jabaculê de Penacho, que ela estrelava na ocasião, e deu origem à expressão maliciosa "sassaricar".

A marchinha é cantada até hoje pelos foliões durante o Carnaval. Desde 2007, está em cartaz nos teatros do Rio com o musical Sassaricando, de Sergio Cabral e Rosa Maria Araújo, que resgata a importância das marchinhas para o Carnaval carioca. 

Virginia Lane atuou também em 37 filmes, principalmente musicais e chanchadas das companhias cinematográficas Cinédia e Atlântida, nos anos 1940 e 1950. Na televisão, participou de programas na TV Tupi, na mesma época do teatro de revista, e mais recentemente, em 2005, integrou o elenco, ao lado de outras ex-vedetes, da novela Belíssima, da TV Globo.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

50 ANOS DA CHEGADA DOS BEATLES AOS EUA


Um acontecimento crucial para a cultura rock do mundo inteiro comemora 50 anos. É a chegada dos Beatles aos EUA, puxando a invasão britânica que virou de cabeça para baixo o ritmo criado pelos estadunidenses mas revigorado pelos ingleses.

Os Beatles, naquele 07 de fevereiro de 1964, não eram levados muito a sério. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr eram vistos por muitos como meros ídolos adolescentes sem importância, embora na verdade sempre foram excelentes músicos e suas canções sempre primaram pela qualidade e pelos excelentes arranjos.

É porque naquela época, os tempos eram outros. O mundo adulto era mais moralista e repressivo, embora esse argumento seja clichê demais e arriscado para os dias de hoje, tempos da grosseria brega-popularesca que desafiam os padrões éticos mais liberais, ora pela pieguice romântica mais chorosa, ora pelas baixarias em níveis quase trogloditas.

Mas naquela época a injustiça foi comprovada ao longo do tempo. Os Beatles desembarcaram em Nova York e excursionaram por duas semanas no país. Se apresentaram também em Miami e Washington. E, em Nova York, apareceram no programa do famoso apresentador de TV, Ed Sullivan, conhecido pelo seu perfil conservador. O programa teve recordes de audiência com os Beatles.

A imprensa norte-americana não viu positivamente o fenômeno Beatles. Em compensação, as fãs ficaram extasiadas com a apresentação dos quatro rapazes, com gritos que, mais tarde, fariam o quarteto mais famoso de Liverpool abandonar os palcos para se concentrarem em experimentações artísticas.

O fenômeno Beatles, devido ao sucesso da turnê norte-americana, estimulou a curiosidade de uma rica cena musical existente no Reino Unido desde que o falecido Lonnie Donegan lançava o skiffle, tradução britânica do rhythm and blues e fonte primária para o rock'n'roll da Grã-Bretanha.

A cena era bem movimentada muito antes da Beatlemania - até Richie Blackmore já mostrava seu vigor nas guitarras na banda The Outlaws, ativa antes mesmo do Brasil lançar a Jovem Guarda - e, com a turnê dos EUA, houve depois a "invasão britânica" de nomes como Rolling Stones, Who, Animals e muitos, muitos outros.

Daí que isso transformou decisivamente o rock mundial, com uma diversidade de bandas que fez o rock se popularizar no mundo inteiro e fazer muitos jovens correrem para as lojas de instrumentos musicais e combinar conjuntos musicais com os amigos.

Com isso, a cultura rock ganhou muito com o fenômeno Beatles. O rock, poucos anos depois, se transformou completamente - além dos próprios Beatles se reinventarem de 1965 a 1970 - e muita coisa foi feita, criando uma grande diversidade de bandas, músicos e cantores, de variações musicais diversas, que tornaram o rock mais dinâmico e bem mais aberto a aventuras criativas.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

INCÊNDIO NO JOELMA PROVOCOU GRANDES MUDANÇAS NA SEGURANÇA PREDIAL


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O trágico incêndio do edifício Joelma, em São Paulo, que completa 40 anos, foi um marco infeliz para que autoridades e especialistas pensassem em normas mais rígidas de socorro e prevenção para a segurança nos edifícios, motivada sobretudo pela revolta consequente da comoção popular pelo episódio que tornou-se notícia no Brasil e no mundo.

Incêndio no Joelma provocou grandes mudanças na segurança predial

Do Portal Terra

Na manhã do dia 7 de fevereiro de 1974, apenas seis dias após o incêndio que matou 191 pessoas no Edifício Joelma, o prefeito de São Paulo, Miguel Colasuonno, publicou um decreto com normas específicas para a segurança dos edifícios na capital. A normativa foi uma resposta ao clamor popular pelo fim de incêndios tão graves quanto os dos edifícios Joelma e Andraus.

A nova lei foi aplicada diretamente em prédios em construção ou que passariam por reforma, além dos edifícios que fossem notificados como inseguros por fiscais da prefeitura. O decreto legislava sobre a classificação do prédio, materiais utilizados na construção, lotação máxima, rotas de fuga, resistência ao fogo, suprimento de água para combater o fogo, extintores e para-raios.

A amplitude do decreto mostra a fragilidade da legislação vigente até o incêndio trágico do Joelma.


Proteção contra o fogo

Segundo a recomendação pós-Joelma, todas as partes dos prédios deveriam apresentar resistência ao fogo por, no mínimo, 4 horas. Além disso, todas as paredes externas deveriam ser construídas com material à prova de fogo.

Pela primeira vez fica proibida a construção de coberturas com material combustível, a não ser em camada de impermeabilização.  Também se tornou obrigatório o uso de material resistente ao fogo nas escadas. O uso de madeira só seria permitido nos corrimões.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

MORRE AOS 94 ANOS PETE SEEGER, ÍCONE DA MÚSICA FOLK


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A importância do cantor e músico folk Pete Seeger é tanta que ele já liderava uma cena do gênero nos EUA, nas décadas de 1940 e 1950, e ele se tornou influência decisiva na revitalização do estilo musical nos anos 60.

Só três exemplos comprovam isso, como o caso do grupo The Tokens, que em 1961 popularizou a canção do pouco conhecido compositor africano Solomon Linda, "Wimoweh", reintitulada como "The Lion Sleeps Tonight". A música foi difundida nos EUA por Pete Seeger, que era amigo de Solomon.

Seeger também influenciou o cantor Bob Dylan no começo da carreira e uma canção de Seeger, "Turn! Turn! Turn!", baseada no Livro dos Eclesiastes, foi gravada pelo grupo de folk rock The Byrds.

Morre aos 94 anos Pete Segeer, ícone da música folk

Da Agência EFE

O cantor, pesquisador e compositor de música folk Pete Seeger, considerado como uma das principais figuras desse gênero musical e um ativista dos direitos humanos, morreu em Nova York aos 94 anos, segundo informaram nesta terça-feira (28) diferentes veículos da imprensa dos Estados Unidos.

A morte, ocorrida ontem no New York-Presbyterian Hospital, onde permanecia internado há uma semana, ocorreu "por causas naturais", de acordo com o que disse seu neto, Kitama Cahill Jackson, ao New York Times.

A carreira de Seeger, para quem a música folk tinha um sentido comunitário e era um veículo de ação política, o levou do top dez da música no rádio aos auditórios dos festivais de folk e do seu desprezo pelo Congresso à atuação no Memorial de Lincoln no concerto inaugural em homenagem a Barack Obama.

Cantou para o movimento operário, em defesa dos direitos civis e contra a guerra do Vietnã, apoiou a luta pelo meio ambiente e protestou contra as campanhas belicistas.

Foi mentor de jovens que começavam no folk, como Bob Dylan, Don McLean e Bernice Johnson Reagon; Bruce Springsteen cantou suas canções no álbum We Shall Overcome: The Seeger Sessions (2006), e com Woody Guthrie fez This Land Is Your Land.

Seu 90º aniversário foi celebrado no Madison Square Garden com um concerto no qual Springsteen o apresentou como "um arquivo vivo da música americana e de sua consciência, um testamento do poder da canção e da cultura".

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

MORRE MÁRCIO AUGUSTO ANTONUCCI, CANTOR DE OS VIPS

A DUPLA OS VIPS EM GRAVAÇÃO DE ESTÚDIO, EM 1966. MÁRCIO É O DA ESQUERDA NA FOTO.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O cantor Márcio Augusto Antonucci, que formava os Vips ao lado do irmão Ronaldo Luís, era também um produtivo e dedicado diretor musical de emissoras de TV.

Por sua vez, os Vips eram um dos nomes mais populares da Jovem Guarda, com vários sucessos de lavra própria, composições alheias ou versões de canções dos Beatles. O grupo chegou a se apresentar, nos últimos anos, ao lado de outros ídolos da JG.

Uma curiosidade é que o nome da dupla foi inspirado no título original do filme britânico Gente Muito Importante (The Vips), de 1963, estrelado por Richard Burton e Elizabeth Taylor.

Morre cantor da dupla de rock Os Vips

Márcio Augusto Antonucci fez muito sucesso durante a Jovem Guarda, nos anos 60

Do Portal R7

O cantor, compositor e produtor musical Márcio Augusto Antonucci morreu na manhã desta segunda-feira (20), aos 69 anos.

O artista estava internado desde a semana passada com uma forte pneumonia, na UTI do hospital do município de Angra dos Reis, no Rio, onde morava.  O quadro médico de Márcio se agravou e ele teve complicações com uma infecção generalizada.

Pelo Facebook, a ex-mulher e cantora Lilian Knapp (da dupla Leno e Lilian) lamentou a notícia. 

— Amigos..... O Márcio foi embora.... muito triste....

Um dos três filhos do cantor, Bruno Antonucci também usou a rede social para conversar com os fãs.

— É com muito pesar que informo que o meu pai, ídolo e amigo nos deixou hoje pela manhã. Como disse nos últimos dias, o quadro dele estava estável, porém, hoje, esse quadro mudou. Peço a todos que respeitem esse momento pelo qual toda a família esta passando. Entendo que meu pai foi um ídolo, um “muso” para muitos, mas peço a compreensão de todos. Eu amo e sempre vou te amar. Meu pai foi a minha inspiração para ser o melhor homem que eu posso ser.

Ainda não foram divulgadas informações sobre o velório e sepultamento do compositor.

História

Ao lado do grupo Os Vips, nos anos 60, Márcio e o irmão Ronald fizeram sucesso com hits como A Volta, Emoção, Coisas que Acontecem, Menina Linda, Largo Tudo e Venho te Buscar, entre outros. 

Em 1976, a dupla se separou e Márcio se tornou produtor da gravadora Som Livre. 

Já em 1995, foi lançado um CD com 29 artistas que fizeram fama durante a Jovem Guarda. Encabeçado pelos Vips, o disco comemorou 30 anos do movimento musical e vendeu 3 milhões de cópias. 

Márcio trabalhou na Globo, SBT e foi diretor musical da Record.

sábado, 11 de janeiro de 2014

MORRE ARIEL SHARON, EX-PREMIÊ DE ISRAEL E GENERAL DA OCUPAÇÃO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ariel Sharon, falecido depois de oito anos em regime vegetativo, era um típico exemplo da política de Israel como um "país cliente" dos Estados Unidos, para usar uma definição do pensador Noam Chomsky.  O ex-primeiro ministro israelense fez sua carreira promovendo o massacre e a opressão do povo palestino e a defesa da intervenção norte-americana nas reservas econômicas no Oriente Médio.

Morre Ariel Sharon, ex-premiê de Israel e general da ocupação

Por Moara Crivelente - Portal Vermelho


Ariel Sharon, ex-premiê e militar israelense, morreu neste sábado (11), aos 85 anos de idade. Em coma havia oito anos devido a um derrame cerebral, a piora do seu estado de saúde, nas últimas semanas, vinha resultando na publicação de diversos artigos sobre o seu papel na criação do Estado de Israel e na política recente do país. Neste sentido, sua ação fundamental sobre o conflito e a ocupação da Palestina é ressaltada.

Jornais israelenses falam do "fim de uma era” política de firmeza. Mas Sharon ficou conhecido pelo mundo também pela provocação na ignição da Segunda Intifada – levante árabe contra a ocupação, em 2000 – e no massacre de palestinos e libaneses nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano, entre as várias guerras das quais participou ativamente.

Para o jornalista e editor do Portal Vermelho, José Reinaldo Carvalho, "com a morte de Ariel Sharon desaparece um dos piores verdugos do povo palestino. Uma vida inteira dedicada ao genocídio, à política de ocupação, a massacres, ao expansionismo do Estado pária de Israel. Infelizmente, Sharon sobrevive na estratégia e ações da mesma natureza do regime sionista".

Exemplos do seu envolvimento em incontáveis episódios de violência e crimes de guerra não faltam. Em Sabra e Chatila, apesar de a extrema-direita libanesa ser autora direta dos ataques, Sharon, que era então ministro da Defesa, foi considerado pessoalmente responsável, inclusive pela Corte Suprema de Israel, já que a área estava sob a ocupação israelense, devido à invasão de 1982. Analistas consideram ainda que a negligência foi consciente e intencional, e que o massacre contou com a coparticipação israelense.

Mas a história de Sharon como militar tem início muito antes disso. Em 1942, aos 14 anos de idade, ele integrou a Gadna, um batalhão da juventude judia, e depois o Haganah, um grupo paramilitar judeu criado para a defesa das colônias judias, mas que combatia os britânicos e os árabes da região. O Haganah foi o precursor militar das forças armadas atuais, chamadas “Forças de Defesa de Israel” (FDI).

Sharon foi comandante do Exército israelense desde a sua criação como tal, em 1948, e participou da guerra que Israel chama de “luta pela independência” – contra o Mandato Britânico que então controlava a região – e que massacrou centenas de milhares de palestinos, forçando outros milhares a refugiarem-se nos países vizinhos ou em outros continentes.

Depois, também foi proeminente nas guerras de agressão de Israel contra o Egito, em 1956, contra diversos vizinhos árabes e os palestinos, na Guerra dos Seis Dias de 1967 e, outra vez, na Guerra do Ramadã, ou do Yom Kippur, de 1973, além da própria guerra de 1982 contra o Líbano. São trajetos que ele fez como general e como ministro da Defesa.

Pela carreira política-militar, vista como a de um feroz combatente por muitos israelenses, Sharon foi apelidado de “Rei de Israel”, ou “Leão de Deus”. Após aposentar-se do Exército, ele filiou-se ao partido Likud, ou “A Consolidação”, em hebraico, de direita – o mesmo ao qual pertence o atual ministro, Benjamin Netanyahu, e que tinha ajudado a fundar, na década de 1970. Foi ministro de vários governos, até ser eleito primeiro-ministro, em 2001. Ocupou o cargo até 2006, quando sofreu um derrame cerebral e ficou em estado vegetativo, mas observadores da época dizem que suas chances de vencer a reeleição eram altas.

Enquanto ainda concorria ao cargo de premiê, Sharon visitou a Esplanada das Mesquitas, onde fica a importante Al-Aqsa, que vários grupos israelenses pretendem destruir para que se construa o Terceiro Templo judeu. A visita de Sharon foi considerada uma provocação pelos muçulmanos e pelos palestinos em específico, que se manifestaram contrariamente, mas foram reprimidos pelas tropas israelenses com munição letal. O episódio contribuiu significativamente para a eclosão da Segunda Intifada, em 2000, contra a ocupação israelense.

Sharon foi responsável por mais violência, neste período. Um dos eventos mais conhecidos foi a chamada Batalha de Jenin, quando tropas israelenses invadiram o campo de refugiados desta região, na Cisjordânia. Muitos palestinos foram mortos em confrontos com as tropas de Israel, apesar da resistência das brigadas organizadas.

No contexto das esparsas negociações com os palestinos, Sharon foi responsável também pela retirada das colônias judias do interior da Faixa de Gaza, em 2005, mantendo o território sob um bloqueio militar extremo, entretanto. A medida causou desavenças no interior do Likud, e o então premiê deixou o partido para formar o Kadima, ou “Adiante”, que ficou classificado de “centrista”, ao qual é filiada a atual ministra da Justiça responsável pelas atuais negociações com a Autoridade Palestina, Tzipi Livni. Assim como a maior parte dos grupos políticos de Israel, tanto o Likud quanto o Kadima classificam-se como sionistas, ideologia colonialista em que se baseia o Estado de Israel.

A retirada da Faixa de Gaza – acordada através do chamado “Mapa para a Paz”, resultado de uma proposta mediada pelos Estados Unidos, pela Rússia e pela União Europeia, em 2003 – foi vista por muitos analistas como uma concessão estratégica, uma vez que, entre outras coisas, Israel deixava de ser “responsável”, como ocupante - condição que o governo não reconhece -, por mais de um milhão de palestinos no território. Ainda assim, nas negociações, Sharon dizia que planejava aceitar, “no futuro”, a consolidação do Estado da Palestina. Entretanto, ao mesmo tempo em que retirou 8.000 colonos de Gaza, levou cerca de 500.000 para a Cisjordânia.

Em 2005, uma pesquisa de opinião conduzida pelo jornal de direita Yiedioth Aharanoth revelava que a maioria dos israelenses considerava Sharon uma das figuras mais importantes da história política israelense, e foi votado como “o oitavo maior israelense de todos os tempos”.

De acordo com a agência palestina de notícias Ma’an, muitos israelenses lembram Sharon como um estadista controverso, mas firme, que liderou o país com um punho de ferro por tempos difíceis. Já para os palestinos e outros povos árabes, que o apelidaram de “a escavadeira”, Sharon é lembrado pelo seu envolvimento e liderança nos massacres em vários países e pelo seu papel na repressão do movimento nacional palestino durante décadas.