sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

JANGO RECEBERÁ NOVO FUNERAL 37 ANOS APÓS MORTE


Por Alexandre Figueiredo

Nos exatos 37 anos em que se lembra seu falecimento, o ex-presidente João Goulart será enterrado com honras de chefe de Estado, após seus restos mortais terem sido levados a Brasília para perícia médica.

João Goulart sempre foi um político hostilizado pelas forças conservadoras. Era hostilizado também pelas autoridades norte-americanas, que sempre viram no político gaúcho um perigo para a prevalência dos interesses estadunidenses na política brasileira.

Apesar de ser um rico fazendeiro de São Borja, filho de Vicente Goulart, amigo de Getúlio Vargas - que sempre viu em Jango seu herdeiro político - , João Goulart tinha uma natural inclinação para as causas progressistas, tendo simplesmente duplicado o valor do salário mínimo, quando era ministro do Trabalho do segundo governo Vargas, em 1953.

Isso irritou os coronéis das Forças Armadas, que assinaram um manifesto contrário à medida, criando uma crise que fez Vargas destituir o amigo do ministério, a contragosto. A reação criaria uma oposição militar que, em 1964, tiraria Jango do poder.

Consta-se que João Goulart, cujo último ato político foi clandestino - o apoio, mesmo fora do Brasil, à campanha de redemocratização chamada Frente Ampla, liderada pelos antigos desafetos Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, abortada pela ditadura em 1968 - , teria sido assassinado por envenenamento, durante um exame de rotina.

Jango tinha problemas cardíacos, vivia deprimido desde que foi expulso do poder em 1964. Mas isso não ocorria a ponto dele ter falecido por "causas naturais", e além disso Jango era uma figura que autoridades da CIA e as ditaduras latino-americanas associadas queriam eliminá-lo.

Acusado pela oposição por ser "manipulador de sindicatos", Goulart tinha uma vocação humanista que pode ter causado controvérsia ao deixar o poder em 1964 sem promover reação, mas ele o fez por não querer que brasileiros se sacrifiquem numa guerra contra as bem-equipadas tropas golpistas, que recebiam suporte das Forças Armadas estadunidenses.

Jango, nessa época, foi enterrado como um semi-anônimo, sem honras de chefe de Estado. Só agora ele receberá as homenagens, numa cerimônia que incluirá missa e discursos. A viúva Maria Teresa Goulart, seus filhos Denise e João Vicente (este presidente do Instituto João Goulart) e netos do ex-presidente estarão presentes na cerimônia.

Autoridades de São Borja e do Rio Grande do Sul farão homenagens e terão representantes no enterro. O governo gaúcho será representado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Pedro Westphalen (PP). O governador Tarso Genro (PT) está em visita à China, curiosamente um dos países visitados por João Goulart durante a renúncia do então presidente Jânio Quadros, em 1961.

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