sábado, 27 de julho de 2013

CANTOR E COMPOSITOR JJ CALE MORRE AOS 74 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Músico pouco badalado pela mídia, o cantor e guitarrista JJ Cale (nascido John Weldon Cale), era um nome significativo para o rock clássico e, norte-americano, foi um grande amigo do inglês Eric Clapton, que gravou duas músicas suas, "Cocaine" (cuja versão foi um grande sucesso nas rádios) e "After Midnight").

No Brasil, JJ Cale tocou em rádios como a Eldo Pop FM e a Fluminense FM, que chegou a ter um programa Módulo Especial (que ia às 13 horas e durava cerca de meia-hora) dedicado ao músico, que faleceu ontem de ataque cardíaco. É menos uma referência para o hoje injustiçado rock clássico.

Outros nomes da música, como o grupo Lynyrd Skynyrd e Johnny Cash também gravaram canções do compositor e guitarrista.

Cantor e compositor JJ Cale morre de ataque cardíaco aos 74 anos

Por Greg McCune - Agência Reuters, reproduzido do Portal Terra

Vencedor de um Grammy e um dos músicos mais versáteis de sua era, tendo ido do rock ao blues e ao jazz, o cantor e compositor JJ Cale morreu após sofrer um ataque cardíaco, informou seu site oficial neste sábado.

Cale, que tinha 74 anos, conquistou um Grammy em 2008 pelo disco "The Road to Escondido", que gravou com o bluesman Eric Clapton.

Nascido na cidade de Oklahoma, Cale mudou-se para Los Angeles nos anos 1960 e floresceu. Neil Young, lenda vida do rock, certa vez descreveu Cale como o melhor guitarrista que já viu depois de Jimmy Hendrix.

O site oficial de Cale disse que ele morreu na noite de sexta-feira no Hospital Scripps, em La Jolla, na Califórnia. Não havia planos imediatos para um funeral, segundo o site.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

MICK JAGGER: UM GAROTÃO DE 70 ANOS



Por Alexandre Figueiredo

Mick Jagger chega aos 70 anos de idade em boa fase. Sua banda, The Rolling Stones, está bem à vontade no palco e suas apresentações atraem públicos de várias gerações com essa verdadeira lição de rock'n'roll feita por músicos de larga experiência.

Ele faz aniversário hoje, 26 de julho, dia do idoso, e no entanto Mick dá uma grande lição de jovialidade não somente pelo senso de humor e pela repectividade que ele tem aos jovens, mas pela sua surpreendente energia como cantor e intérprete, andando e dançando nos palcos da mesma forma que fazia na década de 60, até com mais desenvoltura que no começo da carreira.

Afinal, Mick era mais "comportado" do que hoje, e olha que os Rolling Stones tinham "má fama" por conta de seu rock mais cru e pelo jeito rebelde que os fazia "rivais" dos Beatles. O que era puro mito, porque os Beatles eram tão rebeldes quanto os Stones, ambos negociavam para não se "atropelarem" no lançamento de compactos e na segunda fase dos Fab Four, o entrosamento com os Stones se tornou mais evidente.

O rock tem para Mick Jagger um compromisso de gratidão, afinal Mick tornou-se um dos mais dinâmicos artistas na sua performance ao vivo, e se os Beatles inspiraram muitos jovens do mundo inteiro a formar bandas de rock, os Rolling Stones eram o grande exemplo de como deve ser uma banda de rock ao vivo.

Os próprios Beatles também valorizaram os concertos ao vivo, tanto que, não podendo mais tocar diante dos gritos histéricos das fãs, abandonaram os palcos e viraram banda de estúdio, criando muitas experimentações. Mas os Stones continuaram se apresentando ao vivo, sendo um contraponto e um excelente complemento à banda de Liverpool nas preciosas lições do rock.

Mick Jagger até causou escândalos, polêmicas etc.. Mas, quando é para fazer música, Mick dava conta de seu recado, como cantor e compositor, além do talento de interpretar também canções alheias, sejam as de Buddy Holly ou de Robert Johnson. Ou mesmo "I Wanna Be Your Man", dos "inimigos" Beatles.

Portanto, numa época em que a cultura rock, pelo menos no Brasil, sucumbe a um pragmatismo caricato e forçado, um "rock" mais preocupado com poses, caras e bocas do que com a cultura musical e o estado de espírito, o exemplo de Mick e seus 51 anos à frente dos Rolling Stones faz muitas bandinhas novas ficarem constrangidas consigo mesmas.

Além do mais, ver que o lançamento em disco do concerto no Hyde Park em Londres, este ano, tornou-se sucesso absoluto no iTunes, um dia após chegar às lojas, é um grande desafio para aqueles que acreditam que rock é só grunge e poser metal.

Portanto, longa vida a Mick Jagger, muita saúde e sucesso para esse garotão de 70 anos.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

SEM DOMINGUINHOS, BAIÃO PERDE A ALMA


Por Alexandre Figueiredo

Ontem à noite, faleceu Dominguinhos, aos 72 anos, um dos músicos remanescentes dos tempos áureos do baião, quando a música nordestina tinha seu destaque como manifestação cultural autêntica que escapava do controle mercantilista do coronelismo midiático que se desenvolveu sobretudo depois de 1964.

José Domingos de Moraes era o herdeiro artístico de Luiz Gonzaga, tinha 50 anos de carreira e mais de 40 discos gravados e lutava há meses contra um câncer no pulmão. Sua família não tinha dinheiro para parte do tratamento da doença e chegou-se a cogitar um evento musical para arrecadar dinheiro para financiamento. Mas o músico faleceu ontem, horas depois de chegar à UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Teve vários sucessos e era um produtivo compositor. Entre os sucessos, está "De Volta pro Aconchego", em parceria com Nando Cordel, gravada pela cantora Elba Ramalho e que fez parte da trilha sonora da novela Roque Santeiro, da Globo. Também foi co-autor, com a cantora de baião Anastácia, da música "Eu Só Quero um Xodó", gravada há quarenta anos por Gilberto Gil e com boa execução em rádios até hoje.

É MUITO DIFÍCIL FAZER BAIÃO E OUTROS RITMOS NORDESTINOS

Dominguinhos conheceu Gonzagão aos nove anos de idade e surgiu uma grande amizade, que resultou também em parcerias e num aprendizado artístico que fez Dominguinhos o "filho artístico" do Rei do Baião, uma vez que Luiz Gonzaga Jr., o Gonzaguinha, seguiu um outro caminho musical, mais influenciado pela música intelectualizada dos CPCs da UNE. Sem Dominguinhos, o baião praticamente perdeu a alma, porque o músico foi um dos poucos a trabalhar o ritmo nordestino com emoção.

Não é muito fácil fazer baião, maxixe e outros ritmos constitutivos do chamado "forró". Pelo contrário, é muito, muito difícil. Não basta ter um acordeon e uma ideia na cabeça e trabalhá-la em festas juninas. Mesmo em trabalhos encomendados para festas juninas, casamentos e batizados, músicos como Luiz Gonzaga, Mário Zan e Dominguinhos, entre outros dessa época áurea, trabalhavam os ritmos nordestinos com emoção e espontaneidade.

Hoje tudo é técnica. Daí que um grupo como Falamansa, por exemplo, não tenha deixado grande marca. O grupo até escapa daquela deturpação grotesca do que se chama de "novo forró" - também conhecido como "forró eletrônico", "oxente-music" e forró-brega - , mas seu baião apenas é trabalhado numa técnica correta, mas sem a emoção natural de Gonzagão e cia.. O grupo é bem intencionado, mas soa por demais burocrático no som e nas composições.

Não bastasse a grande dificuldade de se produzir baiões, maxixes, xaxados e outros ritmos com a emoção necessária para não apenas reproduzir suas linguagens como senti-las e absorver seu estado de espírito, há também a deturpação grosseira que o termo "forró" se associou nos últimos anos.

O que se conhece oficialmente como "forró" tornou-se um engodo, uma "lavagem" tirada de "restos" do cardápio radiofônico que inclui country music, disco music, merengues, salsas e outros ritmos caribenhos. A falta de "nordestinidade" e de regionalidade, notada em grupos como Calcinha Preta, Mastruz Com Leite, Caviar com Rapadura, Aviões do Forró e Saia Rodada, cujas estéticas reproduzem até mesmo cabarés texanos, é tão gritante que até mesmo o som de sanfona é inspirado não na música nordestina, mas na música gaúcha.

O forró-brega tornou-se um mercado hegemônico, predatório e monopolista, além de se valer da precarização do mercado de trabalho, da exploração do trabalho dos compositores e da violação de qualquer processo de direitos autorais que a turma intelectualoide do "copyleft" faz vista grossa ou até mesmo apoia, por um simples ódio cego ao ECAD.

O mercado do forró-brega é tão nocivo que inclui até mesmo disputas de qual grupo vai gravar primeiro a música de algum compositor, e a coisa é tão feia que houve até caso de dançarina assassinada por outra na disputa de um posto num grupo de forró-brega do Espírito Santo (!), Estado da região Sudeste.

Não fosse isso suficiente, há também as temáticas que destoam completamente da poesia original do verdadeiro som nordestino. O forró-brega se ancora em letras de ódio conjugal, temas pornográficos e exaltação à bebedeira. Há até mesmo um sucesso, "Zuar e Beber", que defende a embriaguez de pessoas que vão dirigir um carro (no caso, uma Van). Imoralidades que só a intelectualidade dominante de hoje, com seu relativismo ético - valores retrógrados tornam-se "positivos" quando associados às "periferias" - acham normais.

Só a intelectualidade dominante, que não aponta diferenças entre forró-brega e o mangue beat (este sim, um movimento de renovação do som nordestino), acha o "novo forró" maravilhoso. Mas nem mesmo os nordestinos, como pernambucanos e cearenses, aguentam mais esse som. E, além do mais, seu monopólio chega mesmo a alimentar a corrupção de políticos conservadores, latifundiários e barões regionais da mídia associados.

ARTE HUMANISTA

Isso nada tinha a ver com a arte humanista da qual Dominguinhos foi um dos remanescentes. É verdade que o som nordestino associado a ele, Gonzagão, Mário Zan, Trio Nordestino, Genival Lacerda e outros remetem ainda a um Brasil rural, a tempos em que adolescentes ainda faziam brincadeiras de crianças.

Daí outra dificuldade. Afinal, o baião não é apenas um som, não é uma música com acordeon que fale de saudades e remeta a danças populares, mas um estado de espírito de um tempo que não existe mais. Da mesma forma, a Bossa Nova, como estado de espírito, também remete a um outro tempo, e o difícil é reproduzir essa "alma" cultural para os tempos de hoje.

Os impasses que a atualização desse estado de espírito encontra hoje, numa sociedade midiatizada e massificada, tragada pela mediocrização cultural galopante, é que faz com que a simples reprodução musical soe postiça e forçada, mesmo quando bem intencionada. É que, na falta de um "clima" e um "sentimento", essa reprodução se limita a técnica e, como tal, vulnerável a clichês e, na pior das hipóteses, em caricaturas.

Daí, por exemplo, fazer um samba como se faz um Grupo Revelação, meramente técnico, embora o grupo, do contrário do Falamansa, não está fora do contexto do "pagode romântico" dos deturpadores violentos do gênero. Ou no caso do Sambô, outro que está dentro desse contexto, misturando o sambrega do Exaltasamba com o "rock farofa" bem ao gosto da rádio 89 FM, em que o aprimoramento técnico - tanto do Sambô quanto do Revelação - não significam aprimoramento artístico.

Copiar é fácil. Há "bons solos" de guitarra até nas músicas melosas de Zezé di Camargo & Luciano. Em tempos de Internet, qualquer idiota sabe que, por exemplo, o punk rock teve os Sex Pistols. O neo-brega dos anos 90 chegou ao estágio em que seus ídolos hoje fazem um arremedo de MPB, com "lindos" arranjos acústicos e orquestrais que não resolvem o problema da mediocrização artística.

Isso porque não há estado de espírito. A técnica apenas reproduz na forma o que, no conteúdo, soa forçado e sem emoção. Por mais que grupos como Sambô e Revelação "caprichem" na sonoridade sambista, eles mantém sempre a atitude brega que marca seus colegas menos espertos como Grupo Molejo, Katinguelê e Os Morenos e que também não foge dos ambiciosos Alexandre Pires e Belo, estes mergulhados numa pseudo-MPB para turista ouvir.

Daí que a coisa se agrava. Hoje os mais antigos grupos de forró-brega tentam cortejar a "música de raiz", tocando baiões e sobretudo sucessos de Gonzagão e cia.. Muito fácil gravar covers, se alimentar de repertório alheio e passar por "arte de qualidade". É como um aluno ruim que, para fazer um trabalho de aula, copia fragmentos de livros de grandes autores para "montar" um trabalho "bem feito", no qual o aluno não esboçou qualquer tipo de criação, por pior que esta seja.

Neste sentido, Dominguinhos, com sua arte humanista, fará muita falta. Ele era uma referência para as gerações atuais de um som nordestino feito com alma e emoção. Ele foi muito mais do que um sanfoneiro animando festas, mas um criador que sentia o que fazia.

Nos tempos tecnicistas de hoje, há dúvidas se haverá um sucessor que reúna o carisma, a visibilidade e o talento de Dominguinhos, numa época em que "som nordestino" tem muito pouco a ver com a realidade musical própria do Nordeste, mais parecendo uma paródia de rincões porto-riquenhos e mexicanos da Flórida.