"PAI" DA VEJA, ROBERTO CIVITA MORRE EM SP


Por Alexandre Figueiredo

Depois de Ruy Mesquita, outro barão da grande mídia vem a falecer. O empresário Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, faleceu depois de vários meses internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por complicações causadas por um aneurisma na aorta. O empresário tinha 77 anos incompletos.

Seus problemas de saúde geraram controvérsia, numa época em que havia pressões para que ele depusesse na CPI do Cachoeira, por causa do envolvimento de seu empregado Policarpo Júnior com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Civita era filho do fundador do Grupo Abril, Victor Civita e, como ele, era italiano de nascimento, tendo inclusive apoiado o acordo entre a Time-Life e as Organizações Globo para a criação da TV Globo, nos anos 60. Victor faleceu em 1990, ano em que Roberto assumiu os negócios do pai.

O Grupo Abril surgiu em 1950 lançando a revista em quadrinhos do Pato Donald, mas pouco depois passou a publicar revistas como Quatro Rodas (automóveis), revistas femininas como Cláudia e Manequim, a revista Capricho (inicialmente de fotonovelas, hoje dedicada ao público adolescente) e é responsável pela franquia de revistas de origem estrangeira como a argentina Caras e a norte-americana Playboy.

Comparado a Rupert Murdoch pelo poderio e até pela aparência física, Roberto Civita foi redador-chefe da revista Realidade, que introduziu a linguagem do New Journalism e acolhia jornalistas de esquerda, como Sérgio de Souza e Milton Severiano (depois fundadores da Caros Amigos)

Roberto também criou a revista Veja, que teve o também italiano Mino Carta (hoje responsável pela Carta Capital) como chefe de redação. Com 45 anos de existência, Veja, que nasceu como uma versão moderada ideológica e esteticamente de Realidade, atualmente não é sequer a sombra do que foi em 1968.

Um dos últimos negócios de Roberto Civita foi no setor educacional, através do Abril Educação, que inclui as editoras Ática e Scipione, os sistemas de ensino Anglo, Ser, Maxi e GEO, o Siga (de preparação para concursos públicos), o Curso e o Colégio pH, o Grupo ETB (Escolas Técnicas do Brasil), a Escola Satélite, a rede de escolas de inglês Red Balloon e a Livemocha, de ensino de idiomas.

Roberto Civita viveu nos Estados Unidos antes de migrar para o Brasil, tendo estudado física nuclear na cidade de Rice, no Texas, e, depois, se formou em jornalismo na Universidade da Pensilvânia. Ao morrer, Roberto deixa os negócios ao seu filho Giancarlo, que já administra a empresa durante o afastamento do pai.

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