sexta-feira, 31 de maio de 2013

BOSSA NOVA DESAFINOU NOS EUA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Este texto vale por uma curiosidade, porque é bastante polêmico, fruto de uma campanha de parte de jornalistas brasileiros, "orquestrada" pelo pesquisador cultural José Ramos Tinhorão, contra a Bossa Nova, a qual acusavam ser um subproduto do jazz norte-americano.

Há até quem diga que o autor do texto, o "obscuro" Orlando Suero, seja o próprio Tinhorão que havia escrito o texto abaixo, a partir de informações colhidas da imprensa internacional e de repórteres brasileiros, e talvez um tanto superestimadas, dando a crer que o fiasco do festival de Bossa Nova no Carnegie Hall teria sido pior do que realmente foi, apesar de, realmente, o evento ter sido um tanto precipitado e desorganizado.

BOSSA NOVA DESAFINOU NOS EUA

Por Orlando Suero - Do Bureau de O Cruzeiro em Nova York - 18 de dezembro de 1962

Nova York, via VARIG - Cercados por uma floresta de microfones (uma dúzia ao todo), que impediam sua visão pelo público, mas os fazia ouvidos, graças ao trabalho de uma cadeia de emissoras, até na Cortina de Ferro, 20 cantores, compositores e instrumentistas da chamada bossa nova brasileira levaram à cena, no Carnegia Hall, o maior fracasso da música popular do Brasil. Quase 3 mil pessoas, atraídas ao Carnegie Hall para conhecer a bossa nova autêntica, começaram a abandonar a sala quando Antônio Carlos Jobim passou a cantar, em mau inglês, os mesmos sambas que as orquestras norte-americanas já haviam gravado, muito melhor.

MENINOS EMPRESTARAM TODA A SUA BOSSA AO FESTIVAL QUE FRACASSOU

Depois de conquistar o público norte-americano e europeu, a bossa nova brasileira passou por um fiasco, ao anunciado Festival do Carnegie Hall, que representou o ponto culminante de uma série de equívocos, para o qual colaboraram, em partes iguais, o interesse comercial norte-americano, a ingenuidade e a vaidade dos artistas brasileiros e a pressa do Itamaraty em colaborar para uma empresa sem base na realidade.

Após uma viagem improvisada (até a véspera do embarque muitos não tinham sequer passaporte), duas dezenas de representantes da bossa nova partiram para Nova York, certos de conquistar a América. Eram eles: Tom Jobim, Carlinhos Lira, João Gilberto, Luís Bonfá, Chico Feitosa, Roberto Menescal, Milton Banana, Maurício Marconi, o sexteto de Sérgio Mendes, Oscar Castro Neves e Quarteto (Ico, Henri, Mário), além do cronista de discos Sílvio Túlio Cardoso, do vagamente empresário Aloísio de Oliveira e o próprio Conselheiro Mário Dias Costa, do Itamaraty.

O Festival havia sido programado por iniciativa do presidente da fábrica de discos norte-americana Audio Fidelity, Sr. Sidney Frey, que estivera no Rio de Janeiro tentando contratar representantes para uma apresentação de bossa nova nos Estados Unidos, com caráter de divulgação, mas apenas prometendo pagar as passagens.

Após uma série de desentendimentos, os artistas brasileiros preferiram embarcar para os Estados Unidos com passagens fornecidas pelo Itamaraty e com recursos próprios, dentro de um orgulhoso objetivo: mostrar aos norte-americanos, sem receber um único dólar, a verdadeira bossa nova.

Nos Estados Unidos, a apresentação dos brasileiros - principalmente do cantor e compositor João Gilberto, apontado como o pai da bossa nova - foi precedida de larga publicidade, o que encontrava eco no sucesso obtido pelas primeiras três dezenas de "long-playings" de orquestras americanas responsáveis pela nova moda musical.

Dias antes do espetáculo, as entradas (caras) já estavam esgotadas no Carnegie Hall. Às 8h30 min da noite de quarta-feira, dia 21 de novembro último, finalmente - hora e data que se pretendiam históricas para a música popular brasileira - a grande cortina da sala de concertos do mais respeitável teatro norte-americano se levantou para o ansiado espetáculo.

Estavam presentes, no Carnegie Hall, além de numerosos altos funcionários de setores culturais do governo dos Estados Unidos, alguns dos músicos mais famosos do país e artistas de Hollywood (como Lauren Bacall e Rosalind Russel) e o grande teatrólogo Tennessee Williams. 

Desde logo, porém, a pressa com que foi organizada a apresentação fica patente. A floresta de microfones não deixava ver os artistas. A sequência na apresentação dos números não fôra estabelecida dentro de qualquer critério, mas o cantor ou conjunto era simplesmente anunciado como nos programas de calouros: Agora é fulano de tal que vai cantar isto assim e assim.

Apequenados no meio do palco grandioso do Carnegie Hall, rapazes ainda praticamente amadores como Carlos Lira, ou possuidores de pequeno volume de voz, como o próprio João Gilberto - tão louvado pela propaganda - começaram, então, a apresentar-se com pouca possibilidade de serem ouvidos por todo o público presente, e sem possibilidade nenhuma de serem entendidos, em face da diferença de língua.

Depois de alguns minutos de espetáculo, a impressão geral era de uma grande monotonia. Os conjuntos de Sérgio Mendes e Oscar Castro Neves - esforçados imitadores da música norte-americana - revelaram-se em tudo inferiores aos conjuntos americanos que já haviam gravado as mesmas músicas que procuravam mostrar.

Para agravar a desorganização, figuravam no programa, longo demais, artistas brasileiros radicados nos Estados Unidos - como a cantora Carmen Costa e o violonista Bola Sete - além de músicos norte-americanos ligados à bossa nova naquele país, como os contratados da Audio Fidelity, o pianista Lalo Schifrin (com Leo Wright, flauta, e Art Davis, contrabaixo) e Stan Getz, com orquestra de 10 figuras sob a direção de Gary McFarland.

Em meio à confusão, quando tocava o quarteto de Lalo Schifrin (que, aliás, é argentino), alguém acendeu inadvertidamente as luzes do Carnegie Hall, e o público, já impaciente, começou-se a levantar pensando tratar-se do intervalo.

E veio realmente o intervalo, pouco depois. Quando o pano voltou a subir, porém, a plateia estava quase vazia. Nos bastidores, o fiasco já patenteado provocava intensa agitação e troca de acusações. Para agravar tudo, Stan Getz abriu a segunda parte da apresentação do Festival tocando, com grande orquestra, a composição francesa "Flores Mortas" (*), que nada tem a ver com bossa nova.

Ante o fracasso da apresentação, osos organizadores resolveram abreviar o fim do espetáculo fazendo aparecer, no palco, vários artistas de uma só vez, o que provocou protestos de Carlinhos Lira, que fez pé firme para apresentar-se só.

Ao final, o único artista mais aplaudido ficou sendo mesmo o violonista Luís Bonfá (que era já conhecido nos Estados Unidos e se tornara popular graças ao filme "Orfeu Negro").

Hora depois do encerramento do Festival da Bossa Nova, já as primeiras críticas começaram a aparecer, e eram unânimes: se a bossa nova já não estivesse popularizada nos Estados Unidos por alguns dos melhores músicos do país - como Stan Getz e Charlie Byrd - o fracasso do Carnegie Hall seria o bastante para sepultar qualquer pretensão no sentido de sua divulgação.

Na Europa - principalmente na França e na Itália - onde as gravações norte-americanas de bossa nova já começam a figurar nas paradas de sucesso, o fiasco dos brasileiros não causou maior repercussão. Os europeus parecem dispostos, apenas, a receber os sambas de bossa nova (um "jazz" estilizado), através de sua estilização pelos músicos de "jazz" norte-americanos, e exclusivamente como música para dançar. Diferente do "twist", porque cavalheiro e dama dançam juntos.

(*) Provavelmente, o títulooriginal da canção seria "Les fleurs fanées" (nota do editor).

domingo, 26 de maio de 2013

"PAI" DA VEJA, ROBERTO CIVITA MORRE EM SP


Por Alexandre Figueiredo

Depois de Ruy Mesquita, outro barão da grande mídia vem a falecer. O empresário Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, faleceu depois de vários meses internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por complicações causadas por um aneurisma na aorta. O empresário tinha 77 anos incompletos.

Seus problemas de saúde geraram controvérsia, numa época em que havia pressões para que ele depusesse na CPI do Cachoeira, por causa do envolvimento de seu empregado Policarpo Júnior com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Civita era filho do fundador do Grupo Abril, Victor Civita e, como ele, era italiano de nascimento, tendo inclusive apoiado o acordo entre a Time-Life e as Organizações Globo para a criação da TV Globo, nos anos 60. Victor faleceu em 1990, ano em que Roberto assumiu os negócios do pai.

O Grupo Abril surgiu em 1950 lançando a revista em quadrinhos do Pato Donald, mas pouco depois passou a publicar revistas como Quatro Rodas (automóveis), revistas femininas como Cláudia e Manequim, a revista Capricho (inicialmente de fotonovelas, hoje dedicada ao público adolescente) e é responsável pela franquia de revistas de origem estrangeira como a argentina Caras e a norte-americana Playboy.

Comparado a Rupert Murdoch pelo poderio e até pela aparência física, Roberto Civita foi redador-chefe da revista Realidade, que introduziu a linguagem do New Journalism e acolhia jornalistas de esquerda, como Sérgio de Souza e Milton Severiano (depois fundadores da Caros Amigos)

Roberto também criou a revista Veja, que teve o também italiano Mino Carta (hoje responsável pela Carta Capital) como chefe de redação. Com 45 anos de existência, Veja, que nasceu como uma versão moderada ideológica e esteticamente de Realidade, atualmente não é sequer a sombra do que foi em 1968.

Um dos últimos negócios de Roberto Civita foi no setor educacional, através do Abril Educação, que inclui as editoras Ática e Scipione, os sistemas de ensino Anglo, Ser, Maxi e GEO, o Siga (de preparação para concursos públicos), o Curso e o Colégio pH, o Grupo ETB (Escolas Técnicas do Brasil), a Escola Satélite, a rede de escolas de inglês Red Balloon e a Livemocha, de ensino de idiomas.

Roberto Civita viveu nos Estados Unidos antes de migrar para o Brasil, tendo estudado física nuclear na cidade de Rice, no Texas, e, depois, se formou em jornalismo na Universidade da Pensilvânia. Ao morrer, Roberto deixa os negócios ao seu filho Giancarlo, que já administra a empresa durante o afastamento do pai.

terça-feira, 21 de maio de 2013

MORRE RUY MESQUITA, DIRETOR DO ESTADÃO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O jornalista Ruy Mesquita, da tradicional oligarquia que controla o jornal O Estado de São Paulo, falecido hoje, pertenceu à geração que acompanhou episódios ligados à crise do governo João Goulart, a ditadura militar e a redemocratização, sendo um dos porta-vozes da linha bastante conservadora que consagrou o jornal na mídia de direita do Brasil.

Morre Ruy Mesquita, diretor do Estadão

Do portal Brasil 247

O jornalista morreu às 20h40 desta terça-feira; Ruy Mesquita foi internado no último dia 25 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo; em abril, ele teve diagnosticado um câncer de base de língua; mesmo aos 88 anos, manteve sua rotina de trabalho até a véspera da internação; o jornalista era responsável pela opinião do Estadão desde a morte de seu irmão Julio de Mesquita Neto, em 1996

247 - Diretor de O Estado de S. Paulo, o jornalista Ruy Mesquita morreu às 20h40 desta terça-feira. O jornaiista foi internado no último dia 25 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Em abril, ele teve diagnosticado um câncer de base de língua. Leia obituário publicado no site do Estadão:

Seguindo a tradição da família, Ruy Mesquita foi um defensor da liberdade, da democracia e da livre-iniciativa, princípios que sempre nortearam a linha editorial do Estado. Ao longo de seus 88 anos, teve participação ativa em momentos importantes da história do Brasil e da América Latina. Presenciou o início da revolução em Cuba, nos anos 50, e foi homenageado pelos irmãos Castro, de cujo regime se tornou depois crítico contumaz.

Reuniu-se com militares antes do golpe de 1964, que apoiou, em nome da defesa da democracia, mas, assim como seu pai e seu irmão, também passou a criticar a ditadura, uma vez instalada. Os três lideraram uma das mais emblemáticas resistências à censura prévia, substituindo as reportagens cortadas por poemas e receitas.

Aos 88 anos, Ruy manteve sua rotina de trabalho até a véspera da internação. Responsável pela opinião do Estado desde a morte de seu irmão Julio de Mesquita Neto, em 1996, ele se reunia diariamente com os editorialistas para definir as tradicionais "Notas & Informações" da página 3. De hábitos reclusos, dividia seu tempo entre o jornal e a casa, onde se dedicava a leituras. Deixa a mulher, Laura Maria Sampaio Lara Mesquita, os filhos Ruy, Fernão, Rodrigo e João, 12 netos e um bisneto.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

MORRE RAY MANZAREK, TECLADISTA DO THE DOORS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Os Doors se destacavam pelo talento de todos os seus músicos, mas dois deles eram especiais: Jim Morrison, pela sua voz e dramaticidade fortes, e pela sua poesia refinada, e o teclado com sua sonoridade de órgão de Ray Manzarek. Só os dois davam maior beleza nas músicas da banda, e agora Ray acompanhará Jim na galeria dos grandes nomes do além.

Morre Ray Manzarek, tecladista do The Doors

Do Portal Terra

O tecladista Ray Manzarek, cofundador do The Doors com Jim Morrison, morreu nesta segunda-feira (20) em uma clínica em Rosenheim, na Alemanha, informa o Facebook oficial da banda. Ele tinha 74 anos e lutava contra um câncer na vesícula biliar. Ray estava acompanhado da mulher, Dorothy, e dos irmãos, Rick and James Manczarek.

A banda foi formada a banda em 1965, após um encontro casual de Ray e Jim Morrison em Venice Beach. O The Doors acabou se transformando em uma das mais controversas bandas de rock dos anos 60, vendendo mais de 100 milhões de discos ao redor do mundo.

Entre as principais canções do grupo estão L.A.Woman, Break On Through to the Other Side, The End, Hello, I Love You e Light My Fire. "Fiquei profundamente triste ao saber da morte do meu amigo e companheiro de banda", disse o guitarrista Robby Krieger em um comunicado.