sábado, 30 de março de 2013

EX-GOVERNADOR MAURO BORGES MORRE EM GOIÂNIA AOS 93 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Mauro Borges foi o único governador que se juntou a Leonel Brizola para apoiar a mobilização em defesa da legalidade da posse do então vice-presidente João Goulart que, depois da renúncia de Jânio Quadros, seria, de acordo com a Constituição de 1946 então vigente, empossado presidente da República.

Mas os ministros militares de Jânio, Odílio Denys, Sílvio Heck e Grün Moss, não admitiam a posse de Jango e já haviam elaborado um golpe para impedir essa posse, uma amostra do que as Forças Armadas foram capazes de fazer na virada de março para abril de 1964. A mobilização de Brizola e Borges pelo menos conseguiu reverter o golpe naquele agosto de 1961.

GO: ex-governador Mauro Borges morre na capital aos 93 anos

Do Portal Terra

Morreu por volta das 6 horas da manhã desta sexta-feira, em Goiânia, o ex-governador, senador e deputado goiano Mauro Borges. Aos 93 anos, ele estava há 14 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anis Rassi, ligado a aparelhos. Ele deu entrada na unidade no último dia 16, apresentando um quadro de pneumonia grave. O ex-governador também era portador do Mal de Alzheimer.

O velório de Mauro Borges ocorre no salão Dona Gercina do Palácio das Esmeraldas, sede do governo estadual, e, segundo informações da família, o corpo será sepultado às 18h, no cemitério Jardim das Palmeiras. O governador Marconi Perillo (PSDB) decretou luto oficial de sete dias no Estado.

Natural da cidade de Rio Verde, no sudoeste goiano, e filho do fundador de Goiânia, Pedro Ludovico Teixeira, Mauro teve uma carreira marcante e ficou conhecido como um dos políticos de maior visão desenvolvimentista de Goiás. Iniciou a vida pública em 1958, eleito deputado federal pelo Estado goiano. Dois anos depois, em 1960, foi eleito governador, mas foi afastado por intervenção federal após o golpe de 1964, tendo seus direitos políticos cassados em 1966. Em 1979, foi eleito presidente regional do então Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1982, senador e, em 1990, outra vez deputado federal, já pelo Partido Democrata Cristão (PDC).

Em 1961, como governador, Mauro Borges, se aliou a Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, no Movimento pela Legalidade, que objetivava garantir a posse do vice-presidente João Goulart,  após a renúncia de Jânio Quadros da presidência. Na época, o Palácio das Esmeraldas, sede do governo estadual, se transformou em um importante quartel-general irradiador do movimento dos legalistas.

quarta-feira, 20 de março de 2013

EMÍLIO SANTIAGO E A MPB QUE SE VAI


Por Alexandre Figueiredo

Hoje faleceu, aos 66 anos de idade , o cantor Emílio Santiago, por complicações causadas por um acidente vascular cerebral (AVC). Ele faleceu no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde estava internado desde o último dia 07.

Embora Emílio tivesse sido praticamente um crooner, no sentido de que grava geralmente repertório alheio, ele era uma das últimas referências de sofisticação musical na MPB. Descoberto pelo apresentador Flávio Cavalcanti, que tinha fama de exigente, Emílio Santiago tinha 40 anos de carreira e sua voz seguia a linha requintada conhecida através de Dick Farney.

Não por acaso, os últimos discos de Emílio Santiago eram dedicados à Bossa Nova, e, salvo uma ou outra canção de gosto duvidoso - tipo "Deslizes", de Sullivan e Massadas - , o repertório cantado por Emílio primava pela qualidade musical dentro de uma voz potente e melodiosa do cantor.

Estamos numa época em que a MPB autêntica sofre os efeitos da velhice. Afinal, os grandes artistas, salvo raras exceções, não têm menos que 60 anos de idade, e nas últimas semanas quase perdemos Zé Ramalho e Dominguinhos. Mas perdemos Emílio Santiago. Isso é muito grave. Se até mesmo Caetano Veloso e Gilberto Gil são septuagenários, então, a coisa fica muito delicada.

Enquanto isso, nas gerações mais recentes, a cada cantor de MPB autêntica que surge - geralmente de um talento de mediano para bom, mas nada excepcional ou impactuante - , surgem milhares de cantores brega-popularescos de vários estilos.

A cultura popular foi privatizada pelas chamadas empresas de entretenimento, cujos ricos empresários se vestem de forma "modesta" e "jovial" para não despertar suspeitas, mas que controlam com mãos de ferro seus "artistas" e chegam até mesmo a precarizar o trabalho, como no caso do "forró eletrônico" e mesmo no "funk carioca".

O que temos é um abismo entre uma "cultura do povo" que é controlada por empresas de entretenimento - de casas noturnas a agências de famosos, passando por "pequenas" gravadoras locais - , e uma cultura de qualidade elitizada pelos especialistas. Graças a uma mídia coronelista subestimada pelos analistas midiáticos, a cultura das classes populares perdeu a qualidade e a força social de outros tempos.

A preconceituosíssima intelectualidade dita "sem preconceitos" tenta pôr a sujeira debaixo do tapete dizendo que "tudo é MPB". Mas vendo assim, nota-se que uns são "mais MPB que os outros" e a perda de talentos acaba causando um impacto sério, pois nem todo mundo sabe cantar bem nem fazer boas músicas.

O que a mídia credita como "sofisticação" na dita música brasileira contemporânea é a pseudo-MPB pasteurizada e tendenciosa de ídolos neo-bregas como Alexandre Pires, Belo, Chitãozinho & Xororó e Zezé di Camargo & Luciano - fora outros oportunistas tipo Chiclete Com Banana, Ivete Sangalo, Latino e Banda Calypso - que compõem mal e cantam pior ainda, só que são mais "arrumadinhos".

Eles chegaram até mesmo a piorar o que já era ruim, que era aquela pasteurização da MPB imposta pela indústria fonográfica nos anos 80. Se os discos que Guilherme Arantes e Zizi Possi - fora outras vítimas como Marcos Sabino, Dalto e Vanessa Rangel - , que são talentosos, gravaram nos anos 80 eram burocráticos, os neo-bregas dos anos 90 acabaram fazendo até pior do que isso.

A única diferença é que os neo-bregas lotavam plateias com mais facilidade, tinham um "apelo popular" verossímil e trabalhado com muito lobby pela grande mídia. Eram bregas "embelezados" pela Rede Globo, e que não somam coisa alguma à MPB de verdade. Pelo contrário, seguem as mesmas regras da "MPB pasteurizada" de uma forma ainda piorada.

É preciso repensar a MPB e não aceitar esse "vale tudo qualquer nota" que os antropólogos, sociólogos e críticos musicais de nome exaltam com seus argumentos confusos e delirantes. Fala-se tanto que o brega é maravilhoso, o neo-brega é sofisticado, o "funk carioca" é uma maravilha, mas é só ouvir seus CDs que a impressão é outra. Não é preconceito algum dizer que tudo isso é um lixo.

Enquanto isso, a morte de Emílio e as doenças que atingiram outros nomes da MPB autêntica são um grande alerta para que a gente não cruze os braços nesse debate cultural. Para as favas a defesa intelectualoide da cafonice reinante. Graças a eles e aos barões da mídia, a cultura popular deixou de ser a expressão do saber para ser a "expressão do não-saber", e evitar o debate não a faz ficar melhor ou mais digna.

terça-feira, 19 de março de 2013

OS 50 ANOS DE "PLEASE PLEASE ME" E O EQUÍVOCO DE CAETANO

CAPA DO PRIMEIRO ÁLBUM DOS BEATLES, DE 1963, E PARÓDIA DA FOTO DE CAPA FEITA PELA BANDA EM 1969.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Os Beatles pareciam bastante pueris com esse primeiro álbum, mas eram dotados de bastante sofisticação musical, algo que eles desenvolveram depois que se recusaram a se apresentar ao vivo, porque não poderiam sequer se ouvirem, no seu desempenho musical, diante da gritaria das fãs. E seus integrantes já estavam interessados em novas experiências musicais.


Mesmo assim, o disco marca a conexão entre a fase pré-Beatlemania do rock britânico pós-skiffle (1955-1963) e a "invasão britânica" pós-1964, que revelaram a riquíssima tradução feita pelos britânicos do rock'n'roll originalmente lançado pelos EUA.

Os 50 anos de “Please Please Me” e o equívoco de Caetano

Kiko Nogueira - Do Diárío do Centro do Mundo

O primeiro álbum dos Beatles, que completa meio século, já tinha a semente da genialidade — apesar de não soar como Thelonious Monk.

“Cara, em 1963, quando os Beatles apareceram e eu ouvi as primeiras vezes, era como hoje a pessoa ouvir Justin Bieber. Não era mais do que isso”, diz Caetano Veloso. “Achei bonitinhas as canções, um negócio meio simplório assim, porque, veja bem, eu gostava do Thelonious Monk.”

Há 50 anos, os Beatles lançavam seu primeiro álbum, Please Please Me. Foi gravado em escassas 12 horas, a toque de caixa, com basicamente o repertório do show. Custou módicas 400 libras. Depois de liquidarem a música que dá nome ao disco, o produtor George Martin felicitou o quarteto: “Parabéns, senhores. Vocês acabam de fazer seu primeiro número 1 das paradas”.

Caetano fez um julgamento apressado e depois virou fã dos caras – a ponto de copiar o conceito de Seargent Pepper’s em sua fase tropicalista. A culpa não é totalmente dele. Thelonious Monk, afinal, é Thelonious Monk. Mas, definitivamente, ele não ouviu direito.

Please Please Me tem 14 canções que ainda soam urgentes e frescas. Há algumas bobagens, como Do You Want to Know a Secret. Mas o resto é uma pequena amostra do que estava por vir. A primeira faixa, I Saw Her Standing There, tem a famosa contagem (one, two, three, FOUR), antes de entrar a banda com a força punk das noites insanas em Hamburgo e no Cavern Club.

Tem Ask Me Why, com as harmonias matadoras. Tem John tentando imitar Roy Orbison em Please Please Me, com a letra de duplo sentido, o riff de guitarra e a gaita que ele abandonaria depois. E tem, afinal, ele mesmo se esgoelando em Twist and Shout, sem camisa no estúdio de Abbey Road, registrada num único take. Eles tentaram fazer outro, mas a voz de Lennon já tinha ido para o espaço, apesar dos litros de leite da cantina para mitigar a dor na garganta. A capa virou um clássico instantâneo.

A BBC convidou alguns artistas para regravar as músicas. Stereophonics, Mick Hucknall, Joss Stone e outros fizeram suas versões no mesmo estúdio. Please Please Me permaneceu no topo das paradas por 30 semanas até ser desbancado pelo trabalho seguinte, With The Beatles. Ali estava presente um novo som, combinando a energia do rock com as vozes de John, Paul e George. Basta escutar com atenção. Não tem nada a ver com Thelonious Monk. E no dia em que Justin Bieber soar daquele jeito estaremos próximos do Juízo Final.

quarta-feira, 6 de março de 2013

MORRE O GUITARRISTA BRITÂNICO ALVIN LEE, DA BANDA TEN YEARS AFTER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O Ten Years After, banda inglesa originária de Nottingham, era uma das mais conceituadas bandas de rock'n'roll setentista de todos os tempos, um grupo com uma trajetória pouco badalada, mas muito significativa e um público fiel que se tornou órfão, com o falecimento do guitarrista e cantor da banda, Alvin Lee. O grupo tornou-se famoso ao participar do Festival de Woodstock, em 1969.

Morre o guitarrista britânico Alvin Lee, da banda Ten Years After

Da Agência Reuters

O guitarrista britânico de blues e rock Alvin Lee, mais conhecido por sua atuação com a banda Ten Years After no festival de Woodstock (1969), morreu na quarta-feira, aos 68 anos, segundo sua família.

"Com grande tristeza temos de anunciar que Alvin faleceu inesperadamente nesta manhã, após complicações imprevistas em um procedimento cirúrgico de rotina", disse a família em nota no site oficial do artista, sem informar que tipo de cirurgia foi essa.

Com Lee nos vocais e em longos solos de guitarra, a canção "I'm Going Home" apresentou a banda Ten Years Afters a audiências mais amplas, e foi incluída no documentário "Woodstock", de 1970.

Depois disso, a banda faria sucesso ainda com músicas como "Love Like a Man" (1970) e "I'd Love to Change the World" (1971).

Em 1973, Lee deixou a banda, da qual fora um dos fundadores, para seguir carreira solo. Voltou em 1988.

A Ten Years After lançou 11 álbuns de estúdio entre 1966 e 2008, e Lee teve 14 álbuns solo na carreira, até "Still on the Road to Freedom", em 2012.

(Reportagem de Eric Kelsey)