segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A LEMBRANÇA DOS 70 ANOS DE GEORGE HARRISON


George Harrison teria feito 70 anos hoje. Ele havia nos deixado em novembro de 2001, com apenas 58 anos, mas uma trajetória intensa. Afinal, como integrante dos Beatles, George foi um dos responsáveis pela formatação do espírito dos anos 60, através do famoso conjunto inglês que, partindo de Liverpool, sacudiu a cena roqueira do mundo inteiro.

Foi George que fez muitos rapazes procurarem as lojas de instrumentos musicais para comprar uma guitarra e formar muitas bandas. George era o guitarrista solo dos Beatles. John Lennon era outro guitarrista, mas fazia acordes de base e, muitas vezes, tocava violão, além de ocasionalmente tocar piano.

George participou ativamente, mesmo garoto, dos primórdios dos Beatles, mesmo desde os tempos dos Quarrymen. O que significa que também atuou na fase pré-Beatlemania, de 1958 a 1963, que também foi uma riquíssima cena de bandas britânicas.

A história dos Beatles teve peso igual em cada um de seus integrantes da formação clássica, aquela que gravou seus conhecidos LPs. Mas isso também revelou individualidades fortes, e a de George mostrava um adepto do misticismo hindu e um músico inclinado ao folk rock, sobretudo pela influência do amigo Bob Dylan, que depois seria colega seu nos Travelling Wilburys.

A carreira solo de George Harrison se destacava também pelos músicos convidados. Em suas apresentações e gravações, Harrison tocou com a companhia de músicos como Ringo Starr, Eric Clapton, Elton John, Jim Capaldi, Steve Winwood e até o ex-Rolling Stone Bill Wyman, além do vocalista e guitarrista da Electric Light Orchestra, Jeff Lynne.

Aliás, Jeff Lynne - considerado um dos "bodes expiatórios" do rock - foi o principal parceiro de George Harrison, praticamente seu escudeiro, tendo sido também seu colega nos Travelling Wilburys, juntamente com o citado Dylan, Tom Petty e, durante o começo, Roy Orbison. E o grupo quase teve Del Shannon como integrante, mas ele não aceitou.

No final da vida, Harrison, fragilizado, fez suas últimas apresentações com a voz debilitada e um jeito frágil. Sofria de câncer triplo, no pulmão, na garganta e no cérebro. E ainda foi apresentado pelo amigo Jim Capaldi (também já falecido) à música "Anna Julia", de Los Hermanos, dando uma canja na versão gravada pelo ex-Traffic.

Enquanto tentava a quimioterapia, gravou seu último disco, o póstumo Brainwashed (2002), tendo a companhia do filho Dhani Harrison, também guitarrista, que finalizou o disco ao lado de Jeff Lynne, pouco depois da morte do ex-beatle.

George Harrison morreu relativamente prematuro. Mas deixou um produtivo legado de muitos discos e músicas, e ainda deu muitos depoimentos para a série Beatles Anthology (1995). Na época, ele se reuniu com os ex-colegas Paul McCartney e Ringo Starr para acrescentarem arranjos e melodias a gravações demo deixadas por John Lennon.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

MORREU NA FRANÇA O MÚSICO BRITÂNICO KEVIN AYERS, ASTRO DO ROCK PSICODÉLICO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Mais um músico de grande importância morre, deixando o rock órfão. Isso reflete em lacunas insuperáveis, mas pelo menos os músicos possuem um público cativo que continuará admirando eles e assimilando suas lições mesmo postumamente.

O problema é em países como o Brasil, onde a falta de uma cultura rock autêntica e forte faz com que muitos desprezem os grandes nomes do rock, porque são "do tempo da vovozinha". E sobretudo um músico ligado ao "complicado" Soft Machine, banda de rock psicodélico e, depois, de rock progressivo, o guitarrista Kevin Ayers, falecido esta semana na comunidade francesa de Montolieu.

O Soft Machine teve em suas formações integrantes como Robert Wyatt e Daevid Allen, e o grupo chegou a fazer acompanhamento à voz e guitarra de Syd Barrett na música "Octopus", incluída no álbum do antigo líder do Pink Floyd, Opel, de 1988

Morreu na França o músico britânico Kevin Ayers, astro do rock psicodélico

Da Agência EFE

Kevin Ayers, fundador do grupo britânico Soft Machine e astro da música psicodélica, morreu aos 68 anos no sudoeste da França, informaram esta quarta-feira fontes oficiais.

Ayers morreu em sua casa no povoado de Montolieu, informou a prefeitura.

O músico começou a carreira tocando com o grupo Pink Floyd e fez uma turnê pelos Estados Unidos com Jimi Hendrix. Mais tarde, o cantor, compositor e guitarrista lançou-se em carreira solo.

"Era um cara muito simpático e muito simples", comentou a prefeitura de Montolieu, acrescentando que Ayers deixou uma de suas guitarras em um café da cidade com a mensagem "para quem quiser tocá-la".

Bernard McMahon, gerente do selo fonográfico britânico Lo-Max Records, que trabalhou com Ayers desde 2006, confirmou que o músico foi encontrado morto em sua cama na manhã desta quarta-feira. Segundo ele, "poderia ter morrido há uns dois dias".

"Era a encarnação do ideal dos anos 1960, que era o da criatividade, a liberdade do discurso e o amor livre", afirmou McMahon. "Foi, penso, o pai do Underground", emendou.

Montolieu tem 800 habitantes e fica perto da cidade medieval de Carcassone.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

TONY SHERIDAN, MÚSICO QUE TOCOU COM OS BEATLES, MORRE AOS 72 ANOS


Por Alexandre Figueiredo

O guitarrista e cantor Tony Sheridan, que teve o acompanhamento da primeira formação dos Beatles, faleceu em sua casa em Hamburgo, Alemanha, aos 72 anos de idade. Ele estava em atividade musical até o fim da vida, embora as gerações recentes pouco tenham noção de sua importância.

Afinal, Tony era um dos roqueiros bastante atuantes na fase pré-Beatlemania (1958-1963), posterior à fase do skiffle, ritmo irlandês com caraterísticas semelhantes ao rock'n'roll dos EUA na mesma época, por volta de 1955 a 1958, lançada por Lonnie Donegan, considerado o pai do rock britânico, falecido em 2002.

Nesses tempos pré-Beatlemania, uma das bandas mais populares eram The Shadows. Havia também o cantor Billy Fury e suas baladas românticas e até mesmo o nosso conhecido músico heavy Ritchie Blackmore (Deep Purple) havia integrado uma banda de rock instrumental da época, os Outlaws.

Tony Sheridan tocou em diversas bandas. No começo da carreira, chegou a excursionar com músicos norte-americanos que se apresentavam no Reino Unido, como Gene Vincent e Eddie Cochran (estes dois, por sinal, se envolveriam em um acidente em 1960 no qual Eddie seria morto).

A parceria com a primeira formação dos Beatles - John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Pete Best (na época, Ringo Starr era baterista dos Rory Storm & The Hurricanes) - se deu por sugestão do produtor da Polydor, onde os dois, cantor e grupo, eram contratados, ninguém menos que o maestro de easy listening alemão Bert Kaempfert.

A parceria resultou então em uma série de músicas gravadas que resultaram no álbum Tony Sheridan and The Beatles, de 1961, época em que os Beatles, sem Tony, haviam gravado apenas poucas músicas, incluindo a lendária instrumental "Cry For a Shadow", inicialmente intitulada "Beatle Bop", única canção composta por John Lennon e George Harrison. Sheridan e os Beatles também tocaram juntos ao vivo.

Tony Sheridan and The Beatles, na verdade, foi lançado originalmente na Alemanha com o nome de Tony Sheridan and The Beat Brothers, para evitar um trocadilho com a palavra alemã pidels, referente à conhecida genitália masculina.

Sheridan, no entanto, não se tornou tão famoso quanto a banda que o acompanhou. Durante a guerra do Vietnã, ele chegou a se apresentar para as tropas aliadas dos EUA. Sheridan também chegou a tocar com o músico argentino Charly Garcia. Em 2010, Sheridan veio ao Brasil para se apresentar com sua banda, tendo se apresentado em Vitória, no Espírito Santo.

Tony Sheridan deixou um herdeiro musical, seu filho mais velho Tony Sheridan Jr. que mantém carreira como cantor e guitarrista de rockabilly, vivendo atualmente nos EUA mas se apresentando constantemente em festivais de rockabilly na Grã-Bretanha.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

HÁ 48 ANOS, MORRIA NAT KING COLE


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: As gerações recentes se limitam a ver Nat King Cole como um cantor romântico. Mas esse foi um aspecto menor de sua carreira, já que ele foi um exímio pianista, tinha uma excelente banda de jazz e, com surpreendente desenvoltura, gravou boleros e mariachis com um espanhol impecável.

Nat foi conhecido por sucessos como "Route 66", "Blue Gardenia", "When I Fall In Love", "Unforgettable" e, em espanhol, por canções como "Ansiedad", "Quiçás, Quiçás" e "Cachito". Quando veio ao Brasil, em 1959, tornou-se um grande destaque na imprensa brasileira, pelo seu carisma, talento e popularidade.

Nat King Cole era considerado um dos artistas mais refinados de seu tempo, e permanece até hoje como um símbolo de sofisticação musical que fascinou até mesmo nossos bossanovistas. Atualmente, mesmo num estilo bem diferente do pai, a cantora Natalie Cole segue carreira aproveitando as lições que Nat deixou para ela.

Há 48 anos, morria Nat King Cole; veja vida e carreira do cantor

Do Portal Terra

Nesta sexta-feira (15), completam-se 48 anos da morte do cantor Nat King Cole, um dos maiores nomes do jazz. O músico, que fumava cerca de três maços de cigarro por dia, morreu vítima de um câncer no pulmão, aos 45 anos, em Santa Mônica, na Califórnia.

Cole era filho do açougueiro Don Edward Coles, que também era diácono da Igreja Batista, e de Perlina Adams, que toca órgão na congregação. Ela foi sua primeira e única professora de piano, com quem aprendeu jazz, gospel e música clássica.

Em 1943, emplacou seu primeiro sucesso, Straighten Up and Fly Right, que vendeu mais de 500 mil cópias. Depois, emplacou músicas como Mona Lisa, Stardust, Unforgettable, Nature Boy, Christmas Song e Quizás, Quizás, Quizás.Nat King Cole lutou contra o racismo durante toda a sua vida e não se apresentava em locais com segregação racial. Em 1956, chegou a ser atacado duranet um show no Alabama pelo grupo White Citizens Council, que tentava sequestrá-lo.

O músico também fez história na TV, com o The Nat King Cole Show, o primeiro programa do tipo comandado por um negro. Ficou um ano no ar, por não ter patrocínio.

Além da música e da TV, Cole fez teve uma carreira no cinema, estrelando mais de 20 filmes, incluindo Cidadão Kane. Seu último longa foi Cat Ballou, em 1965, com Jane Fonda e Lee Marvin.

Durante sua vida, Cole teve uma passagem pelo Brasil em abril de 1959, em que fez shows no Rio de Janerio e São Paulo. Ele chegou a almoçar com o presidente da República da época, Juscelino Kubistscheck, no Palácio das Laranjeiras.

Nat King cole é pai da cantora Natalie Cole, que herdou o talento do pai e já ganhou oito Grammy Awards.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

30 ANOS SEM KAREN CARPENTER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A cantora da dupla de irmãos Carpenters, a belíssima Karen Carpenter, faleceu no dia 04 de fevereiro de 1983. Talvez esta postagem pareça tardia, mas há exatos 30 anos a notícia do falecimento da cantora já estava espalhada pelos quatro cantos e repercutia mundialmente, causando tristeza profunda em todos os seus fãs.

Os Carpenters podem não ter sido musicalmente excepcionais, mas eram bastante talentosos, pelo talento de pianista de Richard Carpenter e da bela voz de Karen, que por sinal tinha uma beleza sexy que ela mesma não pôde prestar atenção, tão preocupada em se tornar magra que a fez vítima de anorexia nervosa. Pena, porque Karen era linda e desejadíssima mesmo "cheinha" e, se viva estivesse, continuaria belíssima, apenas adaptando suas feições para os 63 anos que poderia completar no próximo dia 02 de março.

Algumas curiosidades notáveis dos Carpenter: os irmãos chegaram a gravar cover da banda progressiva Klaatu e Karen era eventual baterista da dupla.


Karen Carpenter

Do portal Memorial da Fama

Cantora norte-americana com enorme sucesso ao unir-se ao irmão Richard e formado o conjunto The Carpenters. O excepcional timbre de sua voz, realçado pelo acompanhamento nos teclados e backing vocals de Richard, produziam um som melodioso e apropriadamente radiofônico. A dupla conquistou uma extraordinária popularidade internacional, permanecendo nos hit parades ao longo de toda a década de 70. Ela é lembrada por muitos artistas como uma das melhores cantoras de todos os tempos. Madonna e K.D. Lang, entre outros, citaram-na como influência musical.

Venderam cerca de 30 milhões de discos, foram contemplados com três prêmios Grammy, considerado o Oscar da canção, e oito discos de ouro. Entre as canções românticas que normalmente atingiam os primeiros lugares das paradas de sucesso em todo o mundo se encontram as memoráveis Mr. Postman, Superstar, We've Only Just Began, Yesterday Once More, Let Me Be the One, Goodbye to Love, Solitaire, Rainy Days and Mondays, For All We Know e Close to You.

Karen nasceu em New Haven, Connecticut, no nordeste dos Estados Unidos, filha de Harold Bertram Carpenter e Agnes Reuwer Tatum. Seu irmão Richard desenvolveu um grande interesse pela música desde cedo, tornando-se um virtuose no piano. A família mudou-se em 1963 para Downey, subúrbio de Los Angeles, Califórnia, sede de várias gravadoras, com o objetivo de facilitar a vida de Richard em sua carreira musical. Quando Karen foi ao colégio em Downey, pediu ajuda a Richard para participar da banda do colégio. O condutor, ao receber o pedido de Richard, concordou e lhe deu um metalofone. Ela não gostava desse instrumento, e passou a admirar um colega que tocava na percussão, pedindo ao condutor para tocar na percussão também.

Logo após o auge do sucesso, a cantora foi acometida de anorexia nervosa, levando-a ao emagrecimento exagerado. Pouco antes de seu 33° aniversário, Karen teve uma parada cardíaca na casa de seus pais em Downey e foi levada a um hospital próximo, morrendo 20 minutos depois. Naquele dia, Karen iria terminar seu divórcio. Sua morte trouxe à mídia a questão da anorexia nervosa e também da bulimia. Também encorajou outras celebridades a tornarem públicas suas desordens alimentares, dentre elas Diana, Princesa de Gales. Centros médicos e hospitais começaram a receber cada vez mais casos de pessoas com essas desordens. O público antes da morte de Karen tinha pouquíssimo conhecimento dessas doenças, tornando-as difíceis de identificar e tratar. Karen Carpenter faleceu aos 32 anos, em 4 de fevereiro de 1983.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

REG PRESLEY, DO GRUPO THE TROGGS, MORRE AOS 71 ANOS DE CÂNCER


O vocalista da banda inglesa The Troggs, Reg Presley, morreu aos 71 anos vítima de câncer no pulmão. Ele faleceu em casa, na companhia da mulher e dos filhos, pouco mais de um ano depois dele ter anunciado sua aposentadoria em virtude da doença.

Os Troggs foram uma das bandas mais prestigiadas da chamada Invasão Britânica que se deu depois da apresentação dos Beatles nos EUA. E, juntamente com grupos como The Who e The Creation, fizeram parte do movimento mod que inspirou também a banda punk The Jam e, no Brasil, o grupo paulista Ira!.

Os Troggs inspiraram o jornalista Luiz Antônio Mello, ainda na sua adolescência, a montar um especial promocional para a Rádio Federal AM, em 1972, uma espécie de programa sobre a banda. Mello ganhou a promoção, mas ele trocou o prêmio por um estágio na rádio, iniciando sua conhecida experiência de radialista depois consagrada pela conduta da Fluminense FM.

As gerações recentes pouco conhecem os Troggs, apesar deles terem se entrosado com nomes mais recentes como a extinta banda R.E.M.. O único contato com a música dos Troggs é através da versão de "Love Is All Around", gravada pelo grupo pop Wet Wet Wet, que não tem o menor vínculo com a cultura rock.

O grupo também foi conhecido pela música "Wild Thing", uma poderosa canção de rock que também foi tocada por Jimi Hendrix e que faz parte dos cardápios musicais das verdadeiras rádios de rock mundo afora.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

HOMENS "NASCIDOS NOS 1950" NO BRASIL: UM CASO ESTRANHO

EMPRESÁRIOS, MÉDICOS, PUBLICITÁRIOS ETC NASCIDOS NOS ANOS 50 AINDA ESTÃO PRESOS NOS TEMPOS EM QUE MANECO MULLER (FOTO) FAZIA SUCESSO COMO O SOFISTICADO COLUNISTA JACINTO DE THORMES.

Por Alexandre Figueiredo

Os homens que nasceram nos anos 50 no Brasil são um caso estranho. Se escolhem ser surfistas, ativistas estudantis e músicos de rock, eles permanecem fiéis ao seu ideal de jovialidade e juventude espiritual adequados ao contexto do tempo de suas vidas.

Já quem decide ser profissional liberal, executivo ou empresário, se fecha no tempo. Quando em idade universitária, no começo de seus 20 anos - geralmente no começo da década de 1970 - , se deslumbram com o tipo de quarentão que eles entenderam ser sinônimo de sucesso, geralmente um coroa grisalho com mais de 45 anos, enrugado e vestido terno e gravata ou roupa de gala e com uma taça de uísque na mão.

Nem adianta desposarem com moças mais jovens - geralmente bebês ou recém-nascidas naqueles idos dos anos 70 - que eles se fecham ainda mais no tempo. E, talvez por vergonha de terem esposas mais novas, tentam ser mais velhos do que realmente são.

Daí a estranheza. Numa mesma geração, por um lado, vemos homens que sentiram a noção de liberdade e prazer e que chegam aos 60 anos com total desenvoltura de garotões sem medo de amadurecer e de coroas sem medo de serem jovens. Sempre tiveram contato com jovens o tempo todo, e até o contato com a natureza continua sendo poético e saudável.

Por outro lado, em contrapartida, vemos homens que se trancaram, desde os anos 80, em seus escritórios e consultórios, perdem a noção de jovialidade. E, quando chegaram aos 50 e 55 anos, tentaram parecer mais velhos do que são, até pela vergonha inconsciente de terem se casado com moças mais jovens, uns 10, 15 e até 20 anos a menos que eles.

Mas aí eles, assim que precisam manter esses casamentos - geralmente segundos, terceiros ou quartos - para evitar mais um fracasso conjugal, eles também, na medida em que se tornam grisalhos e enrugados (e até irresponsavelmente barrigudos, pois na juventude eram até franzinos ou tinham porte atlético), tentam parecer à imagem e semelhança de seus pais, patrões e professores, estes geralmente nascidos nos 1930.

E aí, haja pedantismo. Só por uma especialização médica, por um êxito empresarial, por algum sucesso administrativo ou advocacional, nossos coroas born in the 50s acham que podem se equiparar aos homens mais velhos. Nem todo homem consegue compreender referenciais anteriores ao seu tempo. Não é um Ruy Castro que aparece em qualquer consultório de oftalmologia ou ginecologia nem em qualquer empresa.

Aí, coisas que parecem "admiráveis" são constrangedoras, para quem conhece melhor as coisas. Uma compreensão pedante do jazz, como uma coisa necessariamente de festas de black tie, é um equívoco que os mais jovens não compreendem, pois a estrutura musical do jazz não está relacionada a festas de gala e estas também não são necessariamente eventos de jazz.

Outra coisa é a tentativa de se aproximar de referenciais aos quais eles existiam quando eles eram ainda bebês. Por exemplo, um homem nascido em 1953, 1954 praticamente só teve contato com a sofisticada revista Senhor quando rabiscava os exemplares de seus pais, isso quando eles compraram a revista. Se não compraram, não há como um coroa de hoje dizer que ele era "do tempo da revista Senhor".

No colunismo social, vi que, nos últimos 10 anos, esses homens se comportavam como se ainda vivessem no tempo de Jacinto de Thormes, o colunista social "clássico" - apesar de trabalhar num jornal popular e progressista como a Última Hora - , numa época em que as colunas sociais de hoje mostram jovens atores andando de skate com bermudão e tênis.

Pelo comportamento "glamouroso" que nossos coroas empresários, executivos e profissionais liberais fazem, eles parecem procurar, até hoje, os escombros da finada boate Vogue, destruída por um incêndio em agosto de 1955. Não gerou tantas vítimas fatais quanto a boate Kiss de Santa Maria (RS) recentemente, mas gerou muita notícia e muito pesar.

Eles tentam cortejar as gerações intelectuais mais velhas - num tempo em que era fácil, pelo menos no antigo Distrito Federal, o Rio de Janeiro, encontrar intelectuais se reunindo em grupos nos bares da Zona Sul - , como se estivessem presentes e participassem das conversas. Sem chance. Naqueles tempos, a única preocupação dos born in the 50s era brincar em algum parquinho de seu agrado.

E aí tentam se equiparar a um Millôr Fernandes, a um Tom Jobim. Tentam ler Paulo Francis como quem lia uma revista da Luluzinha. Mas não chegam a encarar um Otto Maria Carpeaux. Muito erudito. Nelson Werneck Sodré? Muito esquerdista para seu gosto. Cartuns do Carlos Estevão? Não, muito anárquicos. E será que eles se lembram do "Micróbio do Rock" de Adilson Ramos?

Eu nasci em 1971. Mas é muito mais fácil eu saber dos anos 50 e 60 do que a turma "mais elegante e culta" de 1950-1955 saber dos anos 80. Um Roberto Justus da vida ignora que pelo menos dois homens de sua idade - o jornalista Luiz Antônio Mello e o cantor e radialista Kid Vinil - formataram o espírito dos anos 80, aquele que os empresários, executivos e profissionais liberais nascidos nos 1950 acham "muito infantis".

Mas nem mesmo o rock dos anos 50 e começo dos anos 60 lhes é de seu conhecimento. Mas, no fundo, nem a revista Senhor, nem os livros de Otto Maria Carpeaux, e nem sequer a revista O Pif Paf de Millôr Fernandes são de conhecimento vivenciado dos coroas aqui comentados.

Elvis Presley eles conhecem por umas cinco músicas mais conhecidas. Os Beatles eles só querem saber de umas baladas mais "comportadas" ou "reflexivas", seja "Michelle" ou "Something", "In My Life" e "The Long and Winding Road". E acham ainda que os Beatles foram um grupo isolado de seu cenário de rock britânico. Balelas.

Os Beatles se relacionaram com os Rolling Stones, Who, Led Zeppelin, Cream, Deep Purple, Jimi Hendrix Experience (o músico era norte-americano, mas o grupo foi formado na Inglaterra), Animals, Hollies, Manfred Mann, Yardbirds etc. Se vissem uma foto recente com Paul McCartney e Keith Richards conversando como velhos camaradas, ficariam assustados.

Daí que os nossos coroas preferem viajar para a Itália e evitar o Reino Unido. Pelo menos lembra o Candelabro Italiano, filme de sucesso em 1962, acessível até à criançada da época. Se nem nomes emergentes do rock de 1958 como Buddy Holly e Eddie Cochran a turma "granfina" da safra 1950-1955 não quer saber, eles pelo menos, correndo para Roma com suas "meninas" (esposas), eles se consolam com o contato com o antigo, com o romântico, que os anestesia depois da rotina profissional.

E assim essa turma começa, desde 2010, a entrar em contato com os 60 anos. Mas não serão idosos comuns. Serão homens querendo sobreviver hoje com um perfil de meia-idade fora do seu tempo, por mais que as jovens esposas de boa parte desses homens tenha referenciais mais modernos. Enquanto isso, Serginho Groisman amadurece sem perder a jovialidade.