sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

REGINALDO ROSSI NÃO SE ACHAVA UM "ARTISTA SÉRIO"


Por Alexandre Figueiredo

Um dos nomes da música brega que não merece tantas críticas é o recém-falecido Reginaldo Rossi. Ele, ao lado de alguns outros - como Sidney Magal, por exemplo - , tinham a despretensão que a maioria dos ídolos bregas, neo-bregas e pós-bregas não tem.

Nota-se que, nos últimos anos, estimulada pela blindagem intelectual ferrenha, a música brega e seus derivados (inclusive a "moderna" axé-music e o "arrojado" "funk") foram tomados de um surto de pretensiosismo extremo, às custas da falsa imagem de "vítimas de preconceitos" e do mau humor que seus "artistas" despejavam nos depoimentos à imprensa.

Ingratos, esses ídolos, em vez de expressar alguma gratidão a alguém pelo seu sucesso, resmungavam ou choramingavam só porque não eram vistos como "artistas sérios" nem eram incluídos no primeiro time da MPB.

Por sorte, a quase totalidade do brega-popularesco tinha a solidariedade de um poderoso lobby de intelectuais, empresários e até mesmo do apoio explícito mas quase nunca admitido (pela intelectualidade) dos barões da grande mídia, das "transnacionais" e do latifúndio, daí a criação de artifícios falsos para os breguinhas da hora parecerem "MPB" num dado momento da carreira.

Os bregas dos anos 70 e início dos anos 80 tentaram imitar o que a MPB mais acessível fazia através de intérpretes menores como Biafra e Hermes Aquino ou os de maior apelo comercial, como Guilherme Arantes e Joanna vide o verniz "emepebista" que envolveu nomes como Nahim, Adriana, Ângelo Máximo, José Augusto, Fernando Mendes, Dudu França e Markinhos Moura.

A partir da fusão das fórmulas de pasteurização da MPB dos anos 80 com a cosmética de luxo e pompa que cercou o brega através de Sullivan & Massadas, floresceu a geração neo-brega que marcou a década seguinte através de "sertanejos", "pagodeiros" e axézeiros que faziam brega misturado com pretensões pseudo-MPBistas.

E se os neo-bregas queriam parecer "sofisticados", logo depois, por volta do começo do século XXI, vieram os pós-bregas, que juntavam a vocação brega com uma gama de informações acumuladas, porém confusas e mal-trabalhadas, extraídas do mais básico da "cultura pop" pesquisada na Internet ou naquilo que a televisão e o rádio permitem que seja divulgado.

Daí que os pós-bregas queriam ser "vanguarda", da mesma forma que os neo-bregas com sua "MPB de mentirinha" queriam parecer "requintados", todos querendo algum vínculo à MPB, à "alta cultura", mesmo da forma mais retardatária, forçada e tendenciosa possível, mesmo com muitos covers de MPB feitos para disfarçar seus repertórios autorais sofríveis.

O que faz Reginaldo Rossi - e também Sidney Magal e Falcão, este tratando o brega como um verdadeiro espetáculo de humor - respeitável é que ele nunca quis estar no topo da MPB, não se achava no patamar de um Tom Jobim ou Chico Buarque, não fazia brega pensando que estava fazendo "MPB séria" e, além disso, tinha um excelente senso de humor que falta a um Odair José.

E já que citamos o cearense Falcão, vale acrescentar que o humorista, abominado pelo "semideus" da intelectualidade, "sua santidade papa" Paulo César Araújo, havia parodiado o pretensiosismo pseudo-emepebista dos bregas, através de um disco intitulado A Um Passo da MPB, lançado em 1997, no calor da pretensão dos neo-bregas dos anos 90 em fazer "MPB de mentirinha".

Mesmo muitas tendências e ídolos bregas risíveis - como a Banda Calypso, Grupo Molejo, É O Tchan, Psirico, Calcinha Preta e ritmos como arrocha, tecnobrega e "funk carioca" - tinham uma desesperada pretensão de parecerem sérios, de serem vistos como "MPB séria", mesmo não tendo sequer metade do talento necessário para isso.

Também se tornou constrangedor ver que nomes como os "pagodeiros" Péricles e Leandro Lehart - para não dizer o pedantismo de Alexandre Pires, Belo e Thiaguinho - ou "sertanejos" como Daniel e Leonardo, levarem tanto tempo para descobrirem que a MPB tem melhor reputação que o brega, tentando soar "emepebistas" de forma tardia e tendenciosa, depois de tanta breguice feita.

Reginaldo Rossi passou ao largo de tudo isso. E olha que ele fez parte da Jovem Guarda antes, da mesma forma que Odair José e Michael Sullivan (que era o Ivanilson dos Fevers). Mas Reginaldo não queria mudar o mundo, não se achava dono da MPB, não queria ser gênio visionário.

Se ele foi fazer brega, ele o fez numa boa. Da parte dele e seus semelhantes, o brega, sem se levar muito a sério e sem perseguir uma grandiloquência artística e um pretensiosismo artístico-cultural surreais, não incomodava a sociedade e também não ameaçava os espaços da MPB, que sob o pretexto da "diversidade cultural" perderia seus próprios espaços.

Daí ser vergonhoso o quanto os nomes do "funk", seja o "funk carioca", seja o "funk ostentação" ou o que vier, chegarem com um constrangedor discurso "ativista", chorando feito pretensas vítimas da sociedade, arrotando, até com certa arrogância e nervosismo, pretensiosismo extremo que os torna ainda mais chatos e insuportáveis.

Pode ser que Reginaldo Rossi não deixe muitas lacunas musicais, depois de sua morte. Mas deixa uma lição de humildade, despretensão e senso de humor que falta na quase totalidade do brega. Ele mesmo sabia que não iria mudar o mundo e não se achava um "artista sério".

Talvez Reginaldo Rossi tenha sido um dos poucos ídolos bregas que assumiram o verdadeiro sentido do brega: humorismo e diversão. Só isso.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

OS 70 ANOS DE KEITH RICHARDS


Meses depois de Mick Jagger, é a vez do outro membro fundador dos Rolling Stones, Keith Richards, completar 70 anos, mantendo sua trajetória como músico, ator e celebridade bastante controversa, mas admirável.

Keith Richards tem o típico espírito de rock'n'roll, tendo até cometido erros sérios e quase perdido a vida com as drogas que consumiu, mas que também o fez ser um músico respeitado e um artista ímpar, que com Mick Jagger produziu muitas das grandes canções da famosa banda inglesa.

Como guitarrista, Keith tem uma performance ágil, mas sem se preocupar com solos homéricos, mas com acordes vigorosos e eventuais solos econômicos dentro da escola do rhythm and blues (o verdadeiro, não o soul pasteurizado que roubou esse nome), sempre valorizando a melodia e a energia roqueira.

Keith quase sempre compartilhou seus acordes com outro guitarrista. No começo, Brian Jones, o membro fundador que faleceu depois de sair da banda em 1969, tinha essa função. Depois, Mick Taylor com seu estilo peculiar de tocar guitarra foi o seu parceiro. Desde 1975, Keith compartilha os acordes de guitarra com Ronnie Wood, ex-integrante do Jeff Beck Group.

Keith também é notável cantor, geralmente tendo uma faixa com ele nos vocais em cada álbum dos Rolling Stones. Neste caso, Mick às vezes aparece como vocalista de apoio, mas não toca instrumento nas faixas cantadas por Keith (Mick Jagger eventualmente toca guitarra, piano, percussão e gaita).

Com o tempo, o vocal de Keith até melhorou, ganhando a rouquidão que cai muito bem no rock de inspiração fortemente blues dos Rolling Stones. Além disso, Keith é bastante carismático e, como o restante da banda, é sempre um gigante nos palcos, lugar onde os Rolling Stones brilham com toda sua experiência.

Os Rolling Stones, pelo jeito, pretendem continuar. E a gente aqui deseja vida longa a todos os seus membros, sobretudo Keith neste dia do seu aniversário, e que ele e Mick Jagger continuem nos presenteando com grandes canções e sua banda nos brinde com ótimas performances.

Que Keith Richards, Mick Jagger e seus parceiros continuem dando uma lição de jovialidade e vigor na sua contribuição para a música rock'n'roll.

domingo, 15 de dezembro de 2013

MORRE AOS 81 ANOS PETER O'TOOLE, ATOR QUE FOI INDICADO AO OSCAR OITO VEZES


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE:  Faleceu na noite de ontem o ator Peter O'Toole, conhecido pelo papel de Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia), premiado filme de 1962. Ele trabalhou até o fim da vida, fazendo vários trabalhos recentes, principalmente o filme Troia (Troy), de 2004. Inglês, Peter O'Toole é considerado um dos mais talentosos atores de sua geração.

Ele havia terminado seu último filme, Katharine of Alexandria, e chegou a ser anunciado para trabalhar com Ben Kingsley no filme Mary.

Morre aos 81 anos Peter O´Toole, ator que foi indicado ao Oscar oito vezes

Do Portal Terra


Morreu, na noite de sábado (14), aos 81 anos, o ator Peter O´Toole, conhecido principalmente pelo papel de T. E. Lawrence no longa Lawrence da Arábia (1962) e de Eli Cross em O Substituto (1980). A morte foi confirmada ao site da britânica BBC pelo agente de O´Toole, neste domingo (15).

O ator figura na lista dos atores que mais vezes foram indicados ao Oscar. Foram oito no total, mesma quantidade de nomes como Al Pacino, Marlon Brando, Jack Lemmon e Geraldine Page.

No entanto, diferente deles, O´Toole é o único entre os recordistas que nunca recebeu um prêmio da Academia - foi apenas presenteado com um Oscar Honorário, pelo conjunto da obra, em 2003.

Além de O Substituto e Lawrence da Arábia, O´Toole foi indicado ao Oscar por suas atuações em Um Cara Muito Baratinado (1982), A Classe Governante (1972), Adeus, Mr. Chips (1969), O Leão no Inverno (1968) e Becket, O Favorito do Rei (1964). Ele ganhou no total quatro Globos de Ouro.

O ator deixa três filhos: Kate, Patricia e Lorcan.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

JANGO RECEBERÁ NOVO FUNERAL 37 ANOS APÓS MORTE


Por Alexandre Figueiredo

Nos exatos 37 anos em que se lembra seu falecimento, o ex-presidente João Goulart será enterrado com honras de chefe de Estado, após seus restos mortais terem sido levados a Brasília para perícia médica.

João Goulart sempre foi um político hostilizado pelas forças conservadoras. Era hostilizado também pelas autoridades norte-americanas, que sempre viram no político gaúcho um perigo para a prevalência dos interesses estadunidenses na política brasileira.

Apesar de ser um rico fazendeiro de São Borja, filho de Vicente Goulart, amigo de Getúlio Vargas - que sempre viu em Jango seu herdeiro político - , João Goulart tinha uma natural inclinação para as causas progressistas, tendo simplesmente duplicado o valor do salário mínimo, quando era ministro do Trabalho do segundo governo Vargas, em 1953.

Isso irritou os coronéis das Forças Armadas, que assinaram um manifesto contrário à medida, criando uma crise que fez Vargas destituir o amigo do ministério, a contragosto. A reação criaria uma oposição militar que, em 1964, tiraria Jango do poder.

Consta-se que João Goulart, cujo último ato político foi clandestino - o apoio, mesmo fora do Brasil, à campanha de redemocratização chamada Frente Ampla, liderada pelos antigos desafetos Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, abortada pela ditadura em 1968 - , teria sido assassinado por envenenamento, durante um exame de rotina.

Jango tinha problemas cardíacos, vivia deprimido desde que foi expulso do poder em 1964. Mas isso não ocorria a ponto dele ter falecido por "causas naturais", e além disso Jango era uma figura que autoridades da CIA e as ditaduras latino-americanas associadas queriam eliminá-lo.

Acusado pela oposição por ser "manipulador de sindicatos", Goulart tinha uma vocação humanista que pode ter causado controvérsia ao deixar o poder em 1964 sem promover reação, mas ele o fez por não querer que brasileiros se sacrifiquem numa guerra contra as bem-equipadas tropas golpistas, que recebiam suporte das Forças Armadas estadunidenses.

Jango, nessa época, foi enterrado como um semi-anônimo, sem honras de chefe de Estado. Só agora ele receberá as homenagens, numa cerimônia que incluirá missa e discursos. A viúva Maria Teresa Goulart, seus filhos Denise e João Vicente (este presidente do Instituto João Goulart) e netos do ex-presidente estarão presentes na cerimônia.

Autoridades de São Borja e do Rio Grande do Sul farão homenagens e terão representantes no enterro. O governo gaúcho será representado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Pedro Westphalen (PP). O governador Tarso Genro (PT) está em visita à China, curiosamente um dos países visitados por João Goulart durante a renúncia do então presidente Jânio Quadros, em 1961.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

NELSON MANDELA MORRE AOS 95 ANOS EM TSHWANE



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Guerrilheiro e ativista, Nelson Mandela foi um dos mais importantes militantes contra o regime de separatismo racial que durante muitos anos dominou a política da África do Sul. Ficou preso durante 27 anos e, anos depois de ser libertado (1990), foi eleito presidente do país. Ultimamente ele estava muito doente e faleceu em consequência do agravamento de sua infecção pulmonar.

Nelson Mandela fica como um dos símbolos da luta pelos direitos humanos, tornando-se um personagem histórico de grande importância entre os movimentos ativistas do mundo inteiro.

Nelson Mandela morre aos 95 anos em Tshwane

Do portal Vermelho

Morreu nesta quinta-feira (5) aos 95 anos o ex-presidente da África do Sul e eminente lutador contra o regime de segregação racial do apartheid no país, Nelson Mandela, segundo anunciou no início desta noite o presidente do país, Jacob Zuma, em Tshwane, nome local da cidade de Pretória, capital do país.

Segundo informações médicas, desde 26 de junho Mandela se encontrava em "estado vegetativo permanente". Ante o estado crítico de Mandela, os médicos aconselharam aos familiares na época que desligassem as máquinas que mantinham vivo o ex-presidente.

Em 8 de junho Mandela sofreu uma piora em seu estado de saúde, com uma infecção pulmonar que o fez retornar ao hospital em "estado grave mas estável".

Era a segunda vez em dois meses que o ex-presidente sul-africano era hospitalizado por causa do mesmo problema de saúde que o fez ser internado em março de 2013 e dezembro de 2012.

Mandela passou três semanas em um hospital de Tshwane e posteriormente foi submetido a uma operação de extração da cálculos biliares.

Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul e lutou durante décadas contra o regime de segregação racial do 'apartheid', imposto pela minoria branca euro-sul-africana.

Em 1990 foi libertado depois de cumprir 27 anos de prisão, por sua luta contra o regime racista da África do Sul, isso fez com que recebesse o Prêmio Nobel da Paz em 1994.

PIONEIRO NA DIREÇÃO DE SHOWS, FAUZI ARAP MORRE AOS 75 ANOS EM SP


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um dos diretores do teatro contemporâneo, Fauzi Arap, que foi um dos pioneiros a trabalhar a linguagem teatral nas apresentações musicais, faleceu hoje de manhã devido a um câncer na bexiga. Ele foi também dramaturgo, ator e poeta.

Pioneiro na direção de shows, Fauzi Arap morre aos 75 anos em SP

Do Portal Terra

O diretor e dramaturgo paulistano Fauzi Arap morreu nesta quinta-feira (5), aos 75 anos, em São Paulo. O corpo do diretor, ator e autor, que estava com câncer na bexiga, será velado a partir das 10h desta sexta (6) na Catedral Ortodoxa, na capital paulista. O enterro será no Cemitério São Paulo, na zona oeste da cidada.

Formado em engenharia civil, Arap migrou para a dramaturgia no final dos anos 1950, quando integrou a fase amadora do Teatro Oficina, comandado por José Celso Martinez. Ele participou da primeira montagem profissional do grupo, em 1961, em A Vida Impressa em Dólar, de Clifford Odetts.

Arap atuou em diversas peças até os 29 anos, quando passou a se dedicar exclusivamente à direção, em peças como Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã. Em 1971, ajudou a projetar o nome de Maria Bethânia quando a dirigiu, valorizando as encenações, no espetáculo Rosa dos Ventos, em um de seus diversos trabalhos como um pioneiro na direção de shows de música no Brasil. Na década de 1970 também começou a trabalhar como autor.

Arap recebeu diversos prêmios, entre eles o Molière, o APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e o Prêmio Shell. Em 1998, lançou sua autobiografia, Mare Nostrum - Sonhos, Viagens e Outros Caminhos, focado quase que exclusivamente em sua paixão pelo teatro e pelas artes.

domingo, 1 de dezembro de 2013

DONO DA KISS FM PODE RETOMAR TV EXCELSIOR


A TV Excelsior, emissora de televisão que marcou a década de 1960 e que, mesmo em boa situação financeira, foi lacrada pela ditadura militar pelo simples fato do seu principal dono, Mário Wallace Simonsen, ser aliado de João Goulart e Leonel Brizola, poderá voltar ao ar em breve.

A presidenta Dilma Rousseff deve assinar, daqui a alguns dias - a data ainda não foi acertada - o decreto que anistia a TV Excelsior, anulando a cassação feita em 30 de setembro de 1970 pela ditadura militar, já anos depois de Mário Wallace ter se suicidado, deprimido com o fim da sua companhia aérea Panair e com a perseguição que a ditadura fazia contra ele.

Atualmente, o espólio da TV Excelsior, sob razões ainda não esclarecidas, está nas mãos do empresário paulista Paulo Abreu, dono de várias rádios paulistanas, como Mundial FM e a rádio de rock Kiss FM.

Paulo, no entanto, não conseguiu até agora achar espaços na TV aberta. Ele pensa em entrar no Canal 3. As antigas frequências da Excelsior, como o canal 2 carioca e o canal 9 paulistano, foram preenchidos por outras emissoras, sendo as atuais respectivamente a TV Brasil (educativa) e a Rede TV!.

Para que o decreto seja assinado, será preciso esperar os ajustes técnicos para possibilitar a entrada da Excelsior no Canal 3. Este canal costuma provocar interferência em emissoras vizinhas - canais 2 e 4 - na televisão analógica.

A TV Excelsior foi conhecida por ser a primeira emissora de televisão a adotar uma grade padrão de programação, distribuindo atrações em horários fixos para exibição de filmes, novelas, jornalísticos etc.

A emissora também foi notabilizada pelo sucesso do programa Brasil (Ano Corrente), que a atriz e diretora de teatro Bibi Ferreira lançou na emissora, um programa de auditório que alternava entrevistas com personalidades brasileiras e atrações musicais nacionais. O programa teve quatro temporadas anuais: Brasil 60, Brasil 61, Brasil 62 e Brasil 63, conforme o ano em questão.


A emissora também foi a primeira a testar a televisão a cores, dez anos antes de sua implantação oficial no Brasil. Isso porque, já em 1962, o programa Moacir Franco Show, apresentado pelo famoso ator e cantor, havia sido o primeiro programa usado no teste. Outros programas, como o humorístico-musical Times Square, também foram testados.

sábado, 30 de novembro de 2013

FUNDADOR DA SOM LIVRE, JOÃO ARAÚJO MORRE AOS 78 ANOS


O empresário João Araújo, pai do cantor Cazuza, faleceu na manhã de hoje de parada cardíaca, e já foi velado e enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele tinha 78 anos.

Em 1969, João fundou a gravadora Som Livre, sob o suporte empresarial das Organizações Globo. O nome Som Livre era inspirado na cultura hippie, embora a gravadora se dedicasse inicialmente à música brasileira ao lançamento de trilhas sonoras de novelas que, inicialmente, eram dotadas de material inédito.

Com o tempo, a Som Livre alternou o lançamento de artistas brasileiros, como Djavan e a carreira solo de Rita Lee, com o crescente comercialismo que culminou no padrão atual, em que a gravadora se alimenta das trilhas de novelas (um amontoado de canções radiofônicas lançadas por várias gravadoras) e o lançamento de ídolos comerciais da música.

Nos anos 80, a gravadora serviu, junto à RCA (atual Sony Music), à indústria de sucessos musicais comandada pelo ex-Fevers Michael Sullivan, que com seu então parceiro Paulo Massadas (ex-Lafayette e Seu Conjunto), tornaram-se o paradigma do mais explícito comercialismo musical brasileiro, principalmente através de Xuxa.

Atualmente a Som Livre, além de trilhas sonoras de novelas, tem como contratados ídolos do brega-popularesco como DJ Marlboro, Thiaguinho, Michel Teló, Luan Santana e Gaby Amarantos.

João Araújo foi casado com Lucinha Araújo e os dois tiveram um único filho, Agenor de Miranda Araújo Neto, o cantor Cazuza, que faleceu em 1990, aos 32 anos, vítima de complicações de saúde agravadas pela AIDS.

Cazuza foi vocalista do Barão Vermelho, um dos grupos lançados pelo empresário, não pela Som Livre, mas pelo então selo Opus Columbia, em parceria com a CBS (também atual Sony Music). No entanto, o primeiro álbum solo de Cazuza saiu originalmente pelo selo Som Livre, em 1985.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

NILTON SANTOS, BICAMPEÃO COM A SELEÇÃO, MORRE NO RIO AOS 88 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O jogador Nilton Santos havia sido um grande memorialista do futebol brasileiro, tendo guardado em sua mente muitas histórias sobre o esporte de seu tempo. Até pouco tempo atrás, dava seus depoimentos sobre os fatos e curiosidades sobre os jogadores de futebol contemporâneos a ele, sobretudo os que haviam jogado com ele na sua carreira esportiva. Nilton faleceu hoje aos 88 anos.

Nilton Santos, bicampeão com a Seleção, morre no Rio aos 88 anos

Do Portal Terra

O ex-lateral esquerdo Nilton Santos morreu aos 88 anos, na Clínica Bela Lopes, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Eleito pela Fifa o melhor jogador de todos os tempos na posição, Nilton Santos estava internado desde o sábado, vítima de insuficiência respiratória. O ídolo botafoguense sofria do Mal de Alzheimer.

Bicampeão mundial com a Seleção Brasileira (1958 e 1962), Santos atuou pelo Botafogo entre 1948 e 1964, contabilizando 729 partidas pelo clube de General Severiano. Ele também disputou as Copas do Mundo de 1950 e 1954.
Melhor lateral esquerdo da história segundo a Fifa, brasileiro (à esq.) disputou quatro Copas do Mundo Foto: Getty Images Melhor lateral esquerdo da história segundo a Fifa, brasileiro (à esq.) disputou quatro Copas do Mundo Foto: Getty Images

Conhecido como "a Enciclopédia do Futebol", ele teve uma pneumonia diagnosticada na segunda-feira, mas apresentou uma melhora no quadro um dia depois.

Nilton vivia há seis anos na Clínica da Gávea, sendo que sofria do Mal de Alzheimer desde 2008.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

POR QUE KENNEDY AINDA DESPONTA COMO MITO NOS EUA, 50 ANOS DEPOIS DE SUA MORTE?


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O carismático presidente John Kennedy, do Partido Democrata,  era uma das autoridades mais empenhadas em ações imperialistas dos EUA, mas havia fracassado na invasão de soldados norte-americanos e dissidentes cubanos anti-castristas feita na Baía de Los Cochinos em 1961. Também ameaçou travar uma guerra nuclear contra a União Soviética mas, internamente, era também hostilizado e seu assassinato ainda é um mistério. Conservador, Kennedy no entanto foi muito longe do herói que a mitificação oficial dos EUA tenta manter como sua imagem na posteridade.

Por que Kennedy ainda desponta como mito nos EUA, 50 anos depois de sua morte?

Por Dodô Calixto - Opera Mundi


Historiadores e especialistas contestam figura de "presidente herói", perpetuado na sociedade estadunidense

A queda de um mito. Esta é uma frase clássica nos EUA para explicar como a morte de John Fitzgerald Kennedy afetou o país em 22 de novembro de 1963. “Qualquer que fosse o desastre natural”, disse o cronista Gay Talese, teria tido um efeito menos catastrófico que o assassinato do presidente. A razão? O jovem democrata, morto aos 46 anos foi responsável pelas ideias mais notórias acerca de questões sociais, econômicas e políticas no século XX na América do Norte, de acordo com historiadores e especialistas. Todavia, 50 anos depois, ainda restam controvérsias sobre o seu legado.


A discussão é que, em vez de políticas públicas, o carisma e a energia com que Kennedy apresentava suas opiniões, somados às conspirações e aos contornos dramáticos de sua morte, teriam transformado o democrata em mito – que persiste, mesmo há 50 anos do fatídico disparo em Dallas, Texas. Diversos críticos de sua gestão afirmam que o estadunidense era muito mais um personagem, inspirado em heróis do cinema, do que um governante, capaz de desenvolver soluções para a problemática da sociedade.


"Kennedy teve acertos e erros na sua administração, assim como todos os outros presidentes dos EUA. No entanto, seus discursos cativantes e o seu carisma fizeram com que, no momento de sua morte, ele alcançasse nível de herói", afirmou o jornalista Seymour Hersh, 76 anos, em entrevista recente. Hersh é autor do livro “O lado negro de Camelot”  - uma das obras mais controversas sobre Kennedy, contestando a verdadeira face do presidente.


Embora a agenda de Kennedy tenha abordado temas complexos da problemática social e econômica dos EUA, cientistas políticos contestam a eficácia do seu trabalho. Muitos afirmam, inclusive, que seu sucessor, Lyndon Johnson, foi quem realmente conseguiu executar os seus planos.


"Aqueles que estudam sua gestão como presidente constatam que, embora tenha tido um grande talento e representasse uma enorme esperança para os norte-americanos, suas conquistas reais em matéria legislativa e diplomática foram extremamente reduzidas", afirma o professor Jeffrey Engel, da Southern Methodist University, de Dallas, em entrevista à agência AP.
O fato, no entanto, é que são poucos os norte-americanos que não colocam Kennedy entre os maiores de todos os tempos. O consenso nos EUA é que um conjunto de fatores auxiliou na promoção da ideia do “presidente herói”.


O principal deles é que os fatos negativos de sua administração, como graves crises no sistema de saúde ou a política intervencionista na América Latina, foram esquecidos pela sua morte trágica - com um tiro na nuca. Assim, a lembrança positiva dos discursos emocionantes diante de milhares de pessoas ficou perpetuado no imaginário da população.


No entanto, Kennedy teve seus méritos, governando o país também em um dos períodos mais conturbados do século XX, a Guerra Fria. Ele exerceu papel chave durante a crise dos mísseis na ilha de Cuba. Para Jeffrey Engel, foi “o momento mais perigoso para a sobrevivência global e Kennedy mostrou-se um calmo, ainda que não perfeito, gestor de crises, conseguindo no final o que ele precisava – a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba – a um baixo custo diplomático”, disse Engel.

Kennedy também teve atuação decisiva para a aprovação da Lei dos Direitos Civis, recebendo Luther King Jr. e outros líderes negros na Casa Branca.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

GRUPO MONTY PYTHON VOLTA À CENA APÓS 30 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Fundado em 1969, Monty Python foi um dos pioneiros do moderno humorismo mundial, em que a elaboração dos textos e de situações sutilmente ridículas tem maior destaque do que bordões, imitações satíricas ou trocadilhos de duplo sentido, e que havia inspirado, no Brasil, a melhor fase do grupo Casseta & Planeta.

Depois de 30 anos separado, com seus membros remanescentes atuando em trabalhos solo, o grupo humorístico inglês - que também fazia eventuais performances musicais - volta a se reunir para novos trabalhos. O grupo ainda vai dar uma entrevista coletiva para detalhar a nova fase.

Grupo Monty Python volta à cena de novo após 30 anos

Da Agência EFE

Os humoristas do veterano grupo comediante Monty Python se reunirão em Londres na quinta-feira para apresentar seus "novos planos de futuro", nos quais trabalharão juntos após 30 anos de silêncio artístico, informou nesta terça-feira um porta-voz.

John Cleese, de 74 anos, Terry Gilliam, de 72, Eric Idle, de 70 anos, Terry Jones, de 71 e Michael Palin, de 70, anunciarão seus planos em entrevista coletiva na capital britânica, embora o porta-voz não quis especificar se o grupo voltará à cena com uma apresentação ao vivo, um especial de televisão ou um filme.

Os responsáveis de "A vida de Brian", com exceção de Graham Chapman que morreu de câncer em 1989, estão há meses trabalhando em segredo neste novo projeto.

"Só restam três dias para a entrevista coletiva de Python. Pedimos que os admiradores de Python estejam em alerta perante a próxima grande notícia", publicou Idle em seu perfil da rede social Twitter.

Este grupo de humor surrealista, fundado no Reino Unido no final dos anos 60, alcançou um grande êxito televisivo com a série "O circo voador de Monty Python", transmitida pela rede britânica "BBC" pela primeira vez em 5 de outubro de 1969 e que levou o grupo a fazer excursões, filmes e musicais.

Depois que a série deixou de ser produzida em 1974, Monty Python se aventurou no cinema com filmes que alcançaram grandes bilheterias e que hoje seguem contando muitos seguidores, como "Os Cavaleiros da Távola Redonda", de 1975, ou "A vida de Brian", de 1979, um êxito que segue sendo transmitido a cada Semana Santa.

Seu último filme, "O sentido da vida", estreou nos Estados Unidos em março de 1983 e foi o último projeto no qual os cômicos de Monty Python trabalharam juntos.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

MORRE ATOR E COMEDIANTE JORGE DÓRIA AOS 92 ANOS NO RIO DE JANEIRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O Brasil perdeu hoje o grande ator Jorge Dória, que há tempos estava doente e afastado de suas atividades. Um de seus últimos trabalhos foi no programa Zorra Total, da Rede Globo, onde integrava o elenco fazendo várias esquetes, entre elas a do personagem Maurício, que vivia complexado por ter um filho homossexual. Dória era mais conhecido por personagens cômicos, mas se destacou também ao fazer um papel dramático, de um jornalista no filme 'O Assalto ao Trem Pagador', de Roberto Farias.

Morre ator e comediante Jorge Dória aos 92 anos no Rio de Janeiro

Do Portal Terra

Morreu nesta quarta-feira (6) aos 92 anos o ator e comediante carioca Jorge Dória. Ele estava internado no Hospital Barra D'or, na zona oeste do Rio de Janeiro, desde 27 de setembro. O ator passou os últimos nove anos recluso, de cama, devido a um derrame sofrido em 2006. De acordo com a assessoria do hospital, a morte aconteceu às 15h05 por complicações cardiorrespiratórias e renais. O velório será realizado nesta quinta-feiras (7), a partir das 11h, na sala 1 do Memorial do Carmo, e a cremação às 16h do mesmo dia.

Nascido Jorge Pires Ferreira, no Rio de Janeiro, Jorge Dória tem uma carreira vasta no teatro, cinema e televisão. Iniciou a carreira de ator no longa-metragem A Mãe (1947), dirigido por Theofilo de Barros Filho. No cinema, também se destacou em Assalto ao Trem Pagador (1962), A Dama do Cine Shanghai (1987) e O Homem do Ano (2003), entre outros.

Quem deu o nome Jorge Dória foi um costureiro que estava fazendo sua roupa para o filme Mãe.

No teatro, recebeu uma única premiação: o Mambembe, em 1984, com Escola de Mulheres, de Molière. A estreia nos palcos aconteceu em 1942 com a peça As Pernas da Herdeira, na Companhia Eva Todor, onde permaneceu por quase dez anos. Na década de 60, seu trabalho mais marcante foi na peça Procura-se uma Rosa, escrita por Vinicius de Moraes, Pedro Bloch e Gláucio Gill, dirigida por Léo Jusi.

A partir da década de 70, começou a protagonizar e produzir os espetáculos. Com exceção de Dr. Fausto da Silva (1973), dirigido por Flávio Rangel, Jorge Dória atuou sempre sob a direção de João Bethencourt: Plaza Suíte, de Neil Simon (1970); Chicago 1930 (1971), de Ben Hecht e Charles Mac Arthur; Freud Explica, Explica (1973), de João Bethencourt; A Gaiola das Loucas (1974), de Jean Poiret; Sodoma, o Último a Sair Apague a Luz (1978), de João Bethencourt; O Senhor É Quem? (1980), de João Bethencourt.

Nos anos 80, trabalha com Domingos de Oliveira nos espetáculos: Amor Vagabundo (ou Eternamente Nunca) (1982), de Felipe Wagner; Belas Figuras (1983), de Ziraldo; Escola de Mulheres (1984), de Molière; A Morte do Caixeiro Viajante (1986), de Arthur Miller; Os Prazeres da Vida (1987), de Domingos de Oliveira; Tributo (1987), de Bernard Slade; Os Prazeres da Vida Segundo Jorge Dória (1987) e A Presidenta (1988), de Bricaire e Lasaygues.

Na TV, Jorge Dória trabalhou em diversas novelas como Que Rei Sou Eu? (1989), Meu Bem, Meu Mal (1990), Deus Nos Acuda (1993) e Zazá (1997). Na década de 70, participou do seriado A Grande Família.

domingo, 27 de outubro de 2013

AOS 71 ANOS, MORRE LOU REED, LÍDER DO VELVET UNDERGROUND


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um dos maiores nomes do rock dos anos 60, subestimado na época, o cantor, letrista e guitarrista Lou Reed, faleceu hoje aos 71 anos.  Ele, um dos fundadores do Velvet Underground, era o contraponto de Bob Dylan no sentido que, embora seja notável letrista do cotidiano como o outro, Lou se dedicava mais ao submundo e seus hábitos sombrios.

Lou também influenciou o pós-punk dos anos 70 e 80 sobretudo pela atitude modernista de sua banda e das associações com o espírito arrojado de Andy Wahrol, falecido artista plástico que havia empresariado o grupo. Portanto, Lou Reed deixa uma grande lacuna na história do rock. Ele deixa viúva a cantora, tecladista e performática Laurie Anderson.

Aos 71 anos, morre guitarrista Lou Reed, líder do Velvet Underground

Do Portal Terra

Morreu neste domingo (27), aos 71 anos, o guitarrista e compositor norte-americano Lou Reed, de acordo com informações da revista Rolling Stone. A causa da morte ainda não foi divulgada, mas o músico se submeteu a um transplante de fígado em maio deste ano.

Em março, Laurie Anderson, mulher do músico, falou sobre a condição de saúde do marido. "É tão sério quanto parece. Ele estava morrendo. Você não quer isso como diversão", afirmou.

"Não acho que ele vá se recuperar totalmente disso, mas certamente ele estará fazendo as coisas dele em breve", completou.

Um dos maiores nomes do rock, Reed foi um dos líderes do Velvet Underground e já foi considerando um dos melhores guitarristas de todos os tempos pela Rolling Stone, alcançando a 81ª posição no ranking.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

AUTOR DE "ANDANÇA", PAULINHO TAPAJÓS MORRE AOS 68 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O cantor, músico e compositor Paulinho Tapajós, filho do já falecido compositor Paulo Tapajós (um dos primeiros parceiros de Vinícius de Moraes), faleceu depois de seis anos lutando contra um câncer.

Paulinho havia sido consagrado com a música "Andança", gravada em 1968 por Beth Carvalho e Golden Boys, e era considerado um dos mais prestigiados da fase 60-70 da MPB, que hoje vive uma crise por conta das posturas intolerantes de alguns artistas reunidos no movimento Procure Saber. A situação da MPB fica ainda pior quando morrem seus melhores artistas.

Autor de 'Andança', Paulinho Tapajós morre aos 68 anos

Do Portal Terra

O cantor e compositor Paulinho Tapajós, autor de Andança, morreu nesta sexta-feira (25) aos 68 anos. De acordo com informações publicadas no Facebook do primo do artista, o também músico Tibério Gaspar, ele lutava contra um câncer há pelo menos seis anos e estava internado no Hospital TotalCor, em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro.

“Nesse momento recebi com muito pesar a notícia de falecimento do meu primo e amigo Paulinho Tapajós. Começamos juntos a carreira musical. Paulinho era um poeta de infinita grandeza. Estou muito triste com essa notícia embora soubesse que era inevitável e o melhor pra ele. Paulinho lutou bravamente contra um câncer. Foram uns seis anos de sofrimento intenso. Meus pêsames Heloísa. Querido amigo descanse em paz e até algum dia. Um beijo de luz na sua alma...”

Segundo parentes, o velório será neste sábado (26), a partir das 9h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, onde ocorrerá o sepultamento, às 14h.

O carioca Paulo Tapajós Gomes Filho era filho do compositor, cantor e radialista Paulo Tapajós (1913-1990), que foi nos anos 1940 e 1950 diretor artístico da Rádio Nacional. Também eram músicos os irmãos de Paulinho, o compositor Mauricio Tapajós (1943-1995) e a cantora Dorinha Tapajós (1950-1989).

Durante a infância, Paulinho frequentava o auditório da Nacional, na Praça Mauá, convivendo com artistas como Emilinha Borba, Marlene e Radamés Gnatalli, entre outros. Foi por meio do pai que recebeu as primeiras noções de música. Na adolescência, estudou violão com Léo Soares e Arthur Verocai, que veio a ser seu primeiro parceiro, e mais tarde, aprofundou a técnica com Almir Chediak.

Entre 1968 e 1970, Paulinho Tapajós foi um dos mais premiados compositores nos festivais que mobilizavam o país na época. No 3º Festival Internacional da Canção (FIC), obteve o terceiro lugar com Andança, composta em parceria com Edmundo Souto e Danilo Caymmi e defendida pela cantora Beth Carvalho. A canção contabiliza hoje quase 300 gravações, superando outro sucesso do compositor, Cantiga por Luciana, vencedora do 4º FIC, em 1969, e hoje com mais de 100 gravações em todo o mundo.

Paulinho Tapajós era também produtor musical, escritor e arquiteto, formado em 1971 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Compôs temas para novelas, entre eles Irmãos Coragem, em parceria com Nonato Buzar (1970). Entre 1987 e 1992, foi diretor da União Brasileira de Compositores (UBC).

sábado, 19 de outubro de 2013

EM TEMPOS POLÊMICOS DO "PROCURE SABER", LEMBRAMOS CEM ANOS DE VINÍCIUS DE MORAES



Por Alexandre Figueiredo

A Música Popular Brasileira, pelo menos na sua geração sofisticada de grandes compositores e intérpretes, vive hoje uma grande polêmica em torno do movimento Procure Saber, formado por artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Milton Nascimento e Djavan.

O movimento Procure Saber, articulado pela produtora Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso, defende que a produção de biografias, literárias ou audiovisuais, de personalidades vivas ou mortas, deva ser feita sob autorização dos biografados ou de seus herdeiros legais.

É uma crise de reputação, que no entanto causa o efeito irônico da redescoberta da MPB autêntica. Se os principais cantores e compositores da chamada "elite" da MPB são classificados como "censores" por intelectuais e jornalistas diversos, sua música de excelente qualidade é redescoberta pela curiosidade daqueles que nunca haviam se interessado em ouvi-los para valer.

Antes, o interesse era relativamente tímido, talvez pela própria influência da grande mídia e da blindagem intelectual, para as quais o grande público devia se subordinar ao "popular" estereotipado das canções piegas ou grotescas de funqueiros e os ditos "pagodeiros" e "sertanejos", entre outros.

Até pouco tempo atrás, a MPB autêntica era apreciada pelo grande público de forma secundária, como se fosse uma música estrangeira. Mesmo o sambista Paulinho da Viola - que não integra o Procure Saber, mas integra a geração dos membros envolvidos - , para o público de seu próprio bairro, o subúrbio carioca de Madureira, soa "estrangeiro".

A MPB moderna, da qual veio essa geração que hoje causa muita controvérsia mas desperta curiosidade, teve sua ascensão no meio da década de 60, mais precisamente entre 1965 e 1967 - com alguns surgidos entre 1969 e 1974 - , quando a sofisticação musical da Bossa Nova se fundiu com as pesquisas folclóricas do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes.

Nesses dois caminhos estava um personagem comum, o poeta Vinícius de Moraes. Poeta em atividade desde 1928, aos 15 anos de idade, Vinícius tinha potencial para absorver a influência culturalmente libertária da Semana de Arte Moderna. E fez, quando entrou em contato com intelectuais como Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e tantos outros.

Em 1937, já estava entrosado com o meio intelectual da antiga capital federal, o Rio de Janeiro, quando participou do imenso grupo que colaborou com a concepção do IPHAN, então SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), fundado por Rodrigo Melo Franco de Andrade e Mário de Andrade.

O poeta chegou a ser adepto do Integralismo, mas depois largou essa ideologia de cunho fascista fundada por Plínio Salgado e apoiada por Menotti del Picchia, ambos oriundos do movimento modernista de 1922. Vinícius, além de seguir sua poesia, trabalha também como jornalista e crítico de cinema.

Nos anos 1940 tornou-se diplomata do Itamaraty nos EUA, mas encerra as atividades por causa de seu gosto pela boemia e pelo convívio com os amigos da classe intelectual e artística. Apesar disso, ele teve um desempenho satisfatório no posto.

Conhecido ativista cultural, ele só ganharia a fama entre o grande público depois do sucesso da peça Orfeu da Conceição, uma adaptação que ele fez da tragédia grega Orfeu e Eurídice para o subúrbio carioca.

A peça seria musicada pelo maestro Oswaldo Gogliano, o Vadico, que havia sido parceiro de muitas canções compostas por Noel Rosa. No entanto, ele não tinha disponibilidade, na época em que foi convidado, por volta de 1955, para fazer a trilha sonora. Vinícius, então, procurou um outro músco e viu num pianista da noite, Antônio Carlos Jobim, o parceiro ideal.

A trilha sonora então foi trabalhada e, entre as canções incluídas, destaca-se "Se Todos Fossem Iguais a Você", lançada no ano da peça, 1956, e que prenunciava o tipo de canção romântica que caraterizaria boa parte do repertório da Bossa Nova.

Ao longo de sua carreira, que ganhou a consagração definitiva com a música "Garota de Ipanema", mas também apoiou o CPC da UNE, e ainda deu à entidade estudantil um hino composto com Carlos Lyra,bossanovista integrado ao movimento cepecista. Vinícius teve vários parceiros, de Antônio Maria a Toquinho, e sempre militou em favor da cultura brasileira.

Falecido em 1980, Vinícius de Moraes, se vivo fosse, estaria preocupado com o zelo extremo dos membros do Procure Saber. Amante da liberdade, ele provavelmente seria favorável à produção de biografias não-autorizadas, que poderiam somar às biografias oficiais.

Evidentemente ele não apoiaria o sensacionalismo, mas não iria também exigir que biógrafos sempre peçam autorização de biografados para produzir seus documentos. Como homem de cultura, Vinícius seria favorável à abrangente produção do conhecimento tão cara para a expressão e renovação dos valores sócio-culturais que constituem patrimônio em nosso país.

FONTES: G1, Portal Terra, Diário do Centro do Mundo.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

AOS 78 ANOS, MORRE A ATRIZ NORMA BENGELL NO RIO DE JANEIRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Uma das musas mais prestigiadas de sua geração, atriz produtiva e envolvida com as vanguardas culturais - como a Bossa Nova e o Cinema Novo - , a atriz Norma Bengell encerrou a vida injustiçada, num país de memória curta em que as únicas notícias dadas sobre a atriz se limitam aos escândalos causados pelas acusações de corrupção envolvendo o filme dela, "O Guarani". Grande injustiça. E além disso ela ainda esbanjou talento num de seus últimos trabalhos, a sitcom 'Toma Lá Dá Cá", da Rede Globo.

Aos 78 anos, morre a atriz Norma Bengell no Rio de Janeiro

Do Portal Terra

A atriz Norma Bengell morreu na madrugada desta quarta-feira (9), vítima de complicações decorrentes de um câncer de pulmão.

Ela foi internada no último sábado (5) no Hospital Rio Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, e morreu por volta das 3h, segundo informações de parentes.

O corpo da atriz será velado ainda hoje no Cemitério São João Batista, em Botafogo, a partir das 18h . A cremação está marcada para às 14h da quinta-feira (10) no Cemitério do Caju.

Carreira

Nascida no Rio de Janeiro, no dia 21 de fevereiro de 1935, Norma Aparecida Almeira Pinto Guimarães d'Áurea Bengell teve um carreira sólida no cinema, mas também se aventurou na música e na televisão.

Foi imortalizada por ser a primeira atriz brasileira a apresentar uma cena de nu frontal, no filme Os Cafajestes (1962). Começou sua carreira em 1959, no longa O Homem do Sputnik, estrelado por Oscarito, em que encantou os espectadores com todo a sua sensualidade, em uma paródia bem sucedida da atriz Brigitte Bardot.

Depois, estrelou uma sequência de filmes, como Conceição (1960), Mulheres e Milhões (1961) e o renomado O Pagador de Promessas, dirigido por Ancelmo Duarte e baseado na peça homônima de Dias Gomes. Também esteve em algumas produções italianas como Una bella grinta (1965), de Giuliano Montaldo, e I cuori infranti (1963), de Victorio Caprioli e Giano Puccini. Em toda sua carreira, foram mais de 50 filmes.

A atriz também se aventurou como diretora. Sua primeira produção foi Eternamente Pagu (1988), mas a de mais destaque foi O Guarani (1996), baseada no romance de José de Alencar e estrelado por Márcio Garcia, Tatiana Issa, Glória Pires, Herson Capri, José de Abreu, entre outros.

Em 2008, entrou para o casting da TV Globo, onde estrelou Deise Coturno no seriado Toma Lá, Dá Cá, de Miguel Falabella. Antes disso, já tinha participado das atrações Alta Estação (2006), Partido Alto (1984), entre outros.

Norma Bengell esteve presente também no mundo da música. Os primeiros sucessos foram A Lua de Mel na Lua  e E Se Tens Coração, que estava na trilha sonora de Mulheres e Milhões. Em 1959, lançou seu primeiro LP, Oooooh! Norma. O segundo viria apenas em 1977, Norma canta Mulheres.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

OSCAR CASTRO NEVES E O ENVELHECIMENTO DA MPB


Por Alexandre Figueiredo

Pobre MPB. A MPB autêntica, não a suposta "verdadeira MPB" que combina, numa só equação, plateias lotadas e uma cosmética de pompa e luxo que se observa sobretudo nos neo-bregas, está em crise, estagnada num envelhecimento que faz perder nossos mestres a cada temporada.

No último fim de semana, foi a vez do compositor, violonista e arranjador Oscar Castro Neves, um nome da Bossa Nova tão importante quanto Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Johnny Alf e Billy Blanco, Carlos Lyra e Roberto Menescal.

Oscar - figura tão simbólica dos Anos Dourados brasileiros quanto seu xará Oscar Niemeyer - faleceu aos 73 anos de câncer, na última sexta-feira. É mais um grande nome da Bossa Nova, um músico empenhado no abrasileiramento do jazz em uma obra peculiar, que nos deixa e deixa a MPB órfã e a cada dia mais acéfala.

Oscar Castro Neves estava em atividade até pouco tempo atrás. Seu último disco individual foi em 2006. Ele faleceu em Los Angeles, EUA, país mais receptivo à Bossa Nova que o Brasil cada vez mergulhado em tendências brega-popularescas, sob uma blindagem de uma geração de intelectuais supostamente "progressista" que parece fazer free lance para a ditadura midiática.

A Bossa Nova anda muito injustiçada no Brasil. Por vezes parasitada por breguinhas em busca de algum lugar ao Sol, ou empastelada por covers politicamente corretas de sucessos qualquer nota, e por outras atacada duramente, a BN chegou a ser símbolo de sofisticação musical brasileira, de verdadeira cultura jovem e urbana no nosso país.

A Bossa Nova havia, juntamente com a música de raiz resgatada pelo movimento cepecista (leia-se Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes - CPC da UNE), fornecido os elementos musicais para uma geração de jovens universitários nos anos 60 estabelecer as bases do que hoje se considera a moderna MPB.

Nessa época, MPB era uma sigla de um movimento cultural de resistência contra os arbítrios da ditadura militar e contra as pressões da crescente indústria cultural, que no Brasil foi muito favorecida já que a grande mídia e a indústria fonográfica, em boa parte mas salvo exceções, apoiaram o regime militar.

Hoje a MPB vive o dilema de se tornar uma Academia Brasileira de Letras musical ou uma "casa da mãe Joana", no primeiro caso restrita ao mais rijo elitismo, no outro aberta à mais escancarada cafonice. Nos dois extremos, a cultura brasileira sai seriamente prejudicada.

E hoje, então, a MPB autêntica, que reúne qualidade artístico-cultural e visibilidade, está ficando muito velha. Oscar Castro Neves era apenas dois anos mais velho que os mestres remanescentes da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola e Milton Nascimento.

Isso é grave, porque os grandes nomes da MPB autêntica - não a "verdadeira MPB" que vive tão somente de lotar plateias - são idosos, muitos com idade para receber aposentadoria do INSS. Por sorte, vários deles têm saúde, disposição e fôlego para criar novas grandes canções, tocar nos palcos e dar entrevistas lúcidas e substanciais. Mas, até quando?

Enquanto isso, temos o crescimento gangrenoso da breguice musical, que dos pastiches de rocks e boleros dos anos 60-70 se desdobrou em caricaturas de sambas, merengues, modinhas, xaxados e até do funk autêntico eletrônico de Afrika Bambataa.

Criam-se ídolos brega-popularescos como se criam automóveis. Se a intelectualidade - a verdadeira, não a "farofa-feira" - derruba um ídolo, outro é colocado no seu lugar, enquanto o ídolo derrubado ganha tempo no ostracismo para depois criar sua choradeira nos meios intelectuais.

Para piorar, vários deles agora fazem pastiches de MPB, mais preocupados com a marca dos ternos e a posição dos holofotes de luz nos palcos do que com a música que não sabem fazer. Contratam até arranjadores de luxo, enquanto aderem à fórmula preguiçosa de gravar covers de gente como Wilson Simona, Renato Teixeira e Lupicínio Rodrigues só para enganar a rapaziada.

Fácil gravar covers de MPB. É como o mau aluno que, quando faz um trabalho escolar, copia textos inteiros de livros, ou talvez uma colagem de parágrafos copiados de diferentes textos, para depois fingir para a professora que escreveu tudo aquilo. Criar MPB, mesmo, no duro, é que é uma tarefa difícil que nem arranjadores alheios conseguem ajudar.

Afinal, reduzir ídolos neo-bregas a crooners de uma cosmética musical que apenas parece, na forma, com a MPB mais manjada, mas cujo conteúdo continua tão brega quanto antes, em nada contribui para a renovação ou melhoria da Música Popular Brasileira.

Pelo contrário, até piora. Não se produzem Oscar Castro Neves nas rodas de "pagode romântico" ou nas reuniões de "sertanejo romântico". A forma aparente não justifica o conteúdo, e o que vemos é uma MPB autêntica envelhecida que corre o risco de perecer e cair no esquecimento, e que já é deixada de lado pela "MPB de mentirinha" de bregas veteranos.

Ainda existe muita MPB nova por aí. Mas ela não tem espaço no mercado e na mídia. E nem todo mundo faz a linha "MPB obediente" - que agrada muito a gente como os blogueiros do Farofa-fá - a aceitar de forma cordeirinha a breguice dominante e ser coadjuvante ou figurante do espetáculo da cafonice escancarada.

A crise da música brasileira existe, mas infelizmente, não é notada. Muitos pensam que a crise só existe quando falta dinheiro. Ainda pensa-se o Brasil apenas de forma economista, e isso é mal. Em nome do desenvolvimento, sacrifica-se até a cidadania. E muita coisa digna dos tempos do general Médici hoje é relançada sob o rótulo de "progressista", por causa dessa visão.

E aí perdemos Oscar Castro Neves, um dos símbolos de um Brasil que queria mesmo crescer, se debatia, se reavaliava, se construía. Não era um Brasil de hoje que se imbeciliza por dinheiro, que faz masoquismo em prol de mais verbas. Com Oscar Castro Neves, morre um pouco daquele Brasil desenvolvimentista e verdadeiro.

domingo, 29 de setembro de 2013

AOS 73 ANOS, MORRE O ATOR CLÁUDIO CAVALCANTI NO RIO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Hoje mesmo o ator Cláudio Cavalcanti aparecia nos anúncios publicitários da série Sessão de Terapia, como se vê na foto acima, na qual começou a participar na sua nova temporada. Foi o último trabalho do ator, que faleceu hoje, cuja carreira bastante produtiva incluiu novelas notáveis como Roque Santeiro e Irmãos Coragem, além de outras atividades e uma breve mas discreta e digna carreira política.

Aos 73 anos, morre o ator Cláudio Cavalcanti no Rio

Do Portal Terra
 
Cláudio Cavalcanti morreu neste domingo (29). O ator, que também era Secretário de Proteção e Defesa dos Animais, estava internado no hospita Pró Cardíaco desde o dia 16 deste mês.

Em seu Facebook, a jornalista Cora Ronai lamentou a perda do artista, que ultimamente estava mais dedicado em sua carreira política. "Lamento muito a sua morte. Sempre gostei dele. Não há muita gente neste país disposta a sair da sua zona de conforto e vir a público para travar a batalha intransigente que ele sempre travou pelos animais", disse.

O também ator José de Abreu se despediu do amigo. "RIP Claudio, grande ser humano, salvou milhares de animais".  A autora Gloria Perez também foi ao Twitter: "Domingo triste: Perdemos Claudio Cavalcanti".

O ator deu entrada na instituição para uma cirurgia na coluna cervical, mas teve complicações cardíacas.

O ator como Otávio, na série 'Sessão de Terapia', do GNT Foto: Divulgação O ator como Otávio, na série 'Sessão de Terapia', do GNT Foto: Divulgação

Nascido Cláudio Murillo Cavalcanti no dia 24 de fevereiro de 1940, teve carreira como ator, diretor de TV, produtor teatral escritor, tradutor, cantor, dublador e radialista. Nos últimos anos desenvolveu uma empreitada maior na política, principalmente em defesa dos animais.

Na TV, seu papel mais recente era de Otávio, na série Sessão de Terapia, do canal pago GNT, que ainda estreará no dia 7/10, além de papéis em novelas do SBT (Amor e Revolução - 2011) e Record (Roda da Vida - 2001). Na Globo, esteve nas novelas Irmãos Coragem (Jerônimo Coragem), Mulheres de Areia, Explode Coração, Rainha da Sucata, A Viagem (Dr. Alberto) e Roque Santeiro (Padre Albano).

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

LUTHER KING E O RACISMO NOS EUA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Martin Luther King, covardemente assassinado em 1968, era um dos maiores ativistas negros dos EUA, e um dos grandes defensores dos direitos humanos. Ele havia feito, em 1963, um discurso histórico, que muitos comparam ao Sermão da Montanha de Jesus Cristo, pelo seu conteúdo humanista.

Luther King e o racismo nos EUA

Por Altamiro Borges  - Blog do Miro

Na quarta-feira passada, um grande ato celebrou os 50 anos da Marcha sobre Washington, quando o pastor Martin Luther King (1929-68) fez o seu famoso discurso contra o racismo nos EUA. O evento reuniu milhares de pessoas em frente ao Memorial de Lincoln. Muitos oradores ressaltaram os avanços na luta contra a discriminação racial no país, principalmente com a conquista da lei de 1965 que proibiu a segregação em locais públicos e privados e garantiu o direito ao voto aos negros. Mas também houve duras críticas à manutenção das desigualdades nos EUA, inclusive do filho de Martin Luther King.

Como lembra Raul Juste Lores, correspondente da Folha, “o ocupante da Casa Branca é, desde 2009, Barack Obama” e muitos negros estão em postos de destaques nos espaços públicos e no comando de empresas privadas. Mas “apesar do salto econômico, político e cultural da minoria negra, a disparidade com a maioria branca (63% da população) continua grande”. A discriminação está presente nas empresas, nas escolas e na Justiça. “Proporcionalmente, o número de presos negros é seis vezes maior que o de brancos”. Pesquisas apontam que 46% dos negros ainda acham que há muito racismo nos EUA.

A própria chegada de Obama à Casa Branca – o palácio dos brancos construído por escravos negros, como escreveu Eduardo Galeano - não correspondeu às esperanças de combate às desigualdades. “Obama é considerado uma frustração por muitos negros e defensores dos direitos civis, já que, após quase cinco anos, muito pouco melhorou no terreno da igualdade racial e do respeito aos direitos civis em comparação com a situação anterior”, lembra Carlos Eduardo Lins da Silva. Ao comemorar os 50 anos da Marcha sobre Washington, o discurso de Martin Luther King, proferido em agosto de 1963, ainda é atual:

*****

Eu tenho um sonho

Estou feliz em me unir a vocês hoje naquela que ficará para a história como a maior manifestação pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, em cuja sombra simbólica nos encontramos hoje, assinou a proclamação da emancipação [dos escravos]. Este decreto momentoso chegou como grande farol de esperança para milhões de escravos negros queimados nas chamas da injustiça abrasadora. Chegou como o raiar de um dia de alegria, pondo fim à longa noite de cativeiro.

Mas, cem anos mais tarde, o negro ainda não está livre. Cem anos mais tarde, a vida do negro ainda é duramente tolhida pelas algemas da segregação e os grilhões da discriminação. Cem anos mais tarde, o negro habita uma ilha solitária de pobreza, em meio ao vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o negro continua a mofar nos cantos da sociedade americana, como exilado em sua própria terra. Então viemos aqui hoje para dramatizar uma situação hedionda.

Em certo sentido, viemos à capital de nossa nação para sacar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república redigiram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência, assinaram uma nota promissória de que todo americano seria herdeiro. Essa nota era a promessa de que todos os homens, negros ou brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à busca pela felicidade.

É evidente hoje que a América não pagou esta nota promissória no que diz respeito a seus cidadãos de cor. Em lugar de honrar essa obrigação sagrada, a América deu ao povo negro um cheque que voltou marcado "sem fundos".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o Banco da Justiça esteja falido. Nos recusamos a acreditar que não haja fundos suficientes nos grandes depósitos de oportunidade desta nação. Por isso voltamos aqui para cobrar este cheque --um cheque que nos garantirá, a pedido, as riquezas da liberdade e a segurança da justiça.

Também viemos para este lugar santificado para lembrar à América da urgência ferrenha do agora. Não é hora de se dar ao luxo de esfriar os ânimos ou tomar a droga tranquilizante do gradualismo. Agora é a hora de fazermos promessas reais de democracia. Agora é a hora de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o caminho ensolarado da justiça racial. É hora de arrancar nossa nação da areia movediça da injustiça racial e levá-la para a rocha sólida da fraternidade. Agora é a hora de fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação passar por cima da urgência do momento e subestimar a determinação do negro. Este verão sufocante da insatisfação legítima do negro não passará enquanto não chegar um outono revigorante de liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo.

Os que esperam que o negro precisasse apenas extravasar e agora ficará contente terão um despertar rude se a nação voltar à normalidade de sempre. Não haverá descanso nem tranquilidade na América até que o negro receba seus direitos de cidadania. Os turbilhões da revolta continuarão a abalar as fundações de nossa nação até raiar o dia iluminado da justiça.

Mas há algo que preciso dizer a meu povo posicionado no morno limiar que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso lugar de direito, não devemos ser culpados de atos errados. Não tentemos saciar nossa sede de liberdade bebendo do cálice da amargura e do ódio.

Temos de conduzir nossa luta para sempre no alto plano da dignidade e da disciplina. Não devemos deixar nosso protesto criativo degenerar em violência física. Precisamos nos erguer sempre e mais uma vez à altura majestosa de combater a força física com a força da alma.

A nova e maravilhosa militância que tomou conta da comunidade negra não deve nos levar a suspeitar de todas as pessoas brancas, pois muitos de nossos irmãos, conforme evidenciado por sua presença aqui hoje, acabaram por entender que seu destino está vinculado ao nosso destino e que a liberdade deles está vinculada indissociavelmente à nossa liberdade.

Não poderemos caminhar sozinhos.

E, enquanto caminhamos, precisamos fazer a promessa de que caminharemos para frente. Não poderemos retroceder. Há quem esteja perguntando aos devotos dos direitos civis: Quando vocês ficarão satisfeitos?'. Jamais estaremos satisfeitos enquanto o negro continuar sendo vítima dos desprezíveis horrores da brutalidade policial.

Jamais estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados da fadiga de viagem, não puderem hospedar-se nos hotéis de beira de estrada e nos hotéis das cidades. Não estaremos satisfeitos enquanto a mobilidade básica do negro for apenas de um gueto menor para um maior. Jamais estaremos satisfeitos enquanto nossas crianças tiverem suas individualidades e dignidades roubadas por cartazes que dizem exclusivo para brancos'.

Jamais estaremos satisfeitos enquanto um negro no Mississippi não puder votar e um negro em Nova York acreditar que não tem nada em que votar.

Não, não estamos satisfeitos e só ficaremos satisfeitos quando a justiça rolar como água e a retidão correr como um rio poderoso.

Sei que alguns de vocês aqui estão, vindos de grandes provações e atribulações. Alguns vieram diretamente de celas estreitas. Alguns vieram de áreas onde sua busca pela liberdade os deixou feridos pelas tempestades da perseguição e marcados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês têm sido os veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que o sofrimento imerecido é redentor.

Voltem ao Mississippi, voltem ao Alabama, voltem à Carolina do Sul, voltem à Geórgia, voltem à Louisiana, voltem aos guetos e favelas de nossas cidades do norte, cientes de que de alguma maneira a situação pode ser mudada e o será. Não nos deixemos atolar no vale do desespero.

Digo a vocês hoje, meus amigos, que, apesar das dificuldades de hoje e de amanhã, ainda tenho um sonho.

É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e corresponderá em realidade o verdadeiro significado de seu credo: Consideramos essas verdades manifestas: que todos os homens são criados iguais'.

Tenho um sonho de que um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos de ex-escravos e os filhos de ex-donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da irmandade.

Tenho um sonho de que um dia até o Estado do Mississippi, um Estado desértico que sufoca no calor da injustiça e da opressão, será transformado em um oásis de liberdade e de justiça.

Tenho um sonho de que meus quatro filhos viverão um dia em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo teor de seu caráter.

Tenho um sonho hoje.

Tenho um sonho de que um dia o Estado do Alabama, cujo governador hoje tem os lábios pingando palavras de rejeição e anulação, será transformado numa situação em que meninos negros e meninas negras poderão dar as mãos a meninos brancos e meninas brancas e caminharem juntos, como irmãs e irmãos.

Tenho um sonho hoje.

Tenho um sonho de que um dia cada vale será elevado, cada colina e montanha será nivelada, os lugares acidentados serão aplainados, os lugares tortos serão endireitados, a glória do Senhor será revelada e todos os seres a enxergarão juntos.

Essa é nossa esperança. Essa é a fé com a qual retorno ao Sul. Com esta fé poderemos talhar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar os acordes dissonantes de nossa nação numa bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé podemos trabalhar juntos, orar juntos, lutar juntos, ir à cadeia juntos, defender a liberdade juntos, conscientes de que seremos livres um dia.

Esse será o dia em que todos os filhos de Deus poderão cantar com novo significado:"["Meu país, é de ti, doce terra da liberdade, é de ti que canto. Terra em que morreram meus pais, terra do orgulho do peregrino, que a liberdade ressoe de cada encosta de montanha".

E, se quisermos que a América seja uma grande nação, isso precisa se tornar realidade.

Então que a liberdade ressoe dos prodigiosos picos de New Hampshire.

Que a liberdade ecoe das majestosas montanhas de Nova York!

Que a liberdade ecoe dos elevados Alleghenies da Pensilvânia!

Que a liberdade ecoe das Nevadas Rochosas do Colorado!

Que a liberdade ecoe das suaves encostas da Califórnia!

Mas não só isso --que a liberdade ecoe da Montanha de Pedra da Geórgia!

Que a liberdade ecoe da Montanha Sentinela do Tennessee!

Que a liberdade ecoe de cada monte e montículo do Mississippi. De cada encosta de montanha, que a liberdade ecoe.

E quando isso acontecer, quando deixarmos a liberdade ecoar, quando a deixarmos ressoar em cada vila e vilarejo, em cada Estado e cada cidade, poderemos trazer para mais perto o dia que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestante e católicos, poderão se dar as mãos e cantar, nas palavras da velha canção negra, "livres, enfim! Livres, enfim! "Louvado seja Deus Todo-Poderoso. Estamos livres, enfim!"

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

EYDIE GORMÉ OU NEM TODO BOLERO É BREGA


Por Alexandre Figueiredo

O brega não se carateriza necessariamente por boleros. Nem todo bolero é brega. Brega é muito mais uma atitude ligada à domesticação sócio-cultural e a uma adesão aos modismos depois de seu fim do que a uma cópia de latinidade.

Falecida no último dia 10, a seis dias de completar 85 anos, Eydie Gormé era uma atriz norte-americana e também cantora de muito sucesso. Era casada com o também ator e cantor Steve Lawrence e com ele gravou discos, duetos e números humorísticos.

Eydie se chamava Edith Gormenzano e nasceu no Bronx, bairro popular de Nova York, e iniciou sua carreira como cantora da orquestra de jazz do maestro Tex Beneke, músico que havia feito parte da orquestra original de Glenn Miller. Eydie gravou mais de 40 discos, tendo sido a produção mais intensa na década de 1960.

Em 1988, Eydie gravou dueto com o cantor Roberto Carlos, na versão em espanhol de "Sentado à Beira do Caminho", para o LP 'De Corazon a Corazon'. A canção foi intitulada "Sentado a la Vera del Caminho".

Mas Eydie tornou-se mais conhecida pela parceria que teve com o Trio Los Panchos. E que essa parceria se destacou sobretudo por um disco lançado em 1964, em plena ascensão da beatlemania, quando os Beatles fizeram sua primeira excursão pelos EUA.

Intitulado Amor, o disco mostra Eydie com uma roupa tipicamente moderna para a época, com figurinos e penteados popularizados por Audrey Hepburn desde Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, 1961), com um suéter azul escuro combinado com um fundo azul marinho e a cantora simplesmente sorrindo numa alegre e discreta simpatia.

Eydie havia feito sucesso, no ano anterior, com o disco Blame it on the Bossa Nova, um disco de canções pop tradicionais, mas puxado pela faixa título, uma composição da letrista Cynthia Weill e seu marido, o músico Barry Mann, ambos famosos pelas composições pop feitas para outros artistas. A canção foi feita em homenagem a Bossa Nova, que estava em moda nos EUA.

Já no álbum 'Amor', nota-se a desenvoltura de Eydie com a língua espanhola e sua performance à vontade com os boleros ao lado dos integrantes do Trio Los Panchos, com arranjos bastante sofisticados. É um trabalho comparável ao do cantor Nat King Cole em suas gravações em espanhol, onde o artista originalmente vinculado ao jazz também expressou impressionante desenvoltura.

Eydie e Trio Los Panchos gravaram outros discos. Mas foi o disco de 1964, pela projeção que teve e pela experiência que estreou, que mostrou que o bolero não é sinônimo de cafonice, mas apenas uma linguagem musical diferente daquela que os brasileiros estão acostumados a fazer.

Eydie e Steve tiveram dois filhos. Um deles, Michael, morreu em 1986 devido a uma grave doença no coração. Já outro filho, David Nessim Lawrence, hoje é compositor de trilhas sonoras de vários filmes, como as comédias American Pie e High School Musical.

sábado, 27 de julho de 2013

CANTOR E COMPOSITOR JJ CALE MORRE AOS 74 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Músico pouco badalado pela mídia, o cantor e guitarrista JJ Cale (nascido John Weldon Cale), era um nome significativo para o rock clássico e, norte-americano, foi um grande amigo do inglês Eric Clapton, que gravou duas músicas suas, "Cocaine" (cuja versão foi um grande sucesso nas rádios) e "After Midnight").

No Brasil, JJ Cale tocou em rádios como a Eldo Pop FM e a Fluminense FM, que chegou a ter um programa Módulo Especial (que ia às 13 horas e durava cerca de meia-hora) dedicado ao músico, que faleceu ontem de ataque cardíaco. É menos uma referência para o hoje injustiçado rock clássico.

Outros nomes da música, como o grupo Lynyrd Skynyrd e Johnny Cash também gravaram canções do compositor e guitarrista.

Cantor e compositor JJ Cale morre de ataque cardíaco aos 74 anos

Por Greg McCune - Agência Reuters, reproduzido do Portal Terra

Vencedor de um Grammy e um dos músicos mais versáteis de sua era, tendo ido do rock ao blues e ao jazz, o cantor e compositor JJ Cale morreu após sofrer um ataque cardíaco, informou seu site oficial neste sábado.

Cale, que tinha 74 anos, conquistou um Grammy em 2008 pelo disco "The Road to Escondido", que gravou com o bluesman Eric Clapton.

Nascido na cidade de Oklahoma, Cale mudou-se para Los Angeles nos anos 1960 e floresceu. Neil Young, lenda vida do rock, certa vez descreveu Cale como o melhor guitarrista que já viu depois de Jimmy Hendrix.

O site oficial de Cale disse que ele morreu na noite de sexta-feira no Hospital Scripps, em La Jolla, na Califórnia. Não havia planos imediatos para um funeral, segundo o site.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

MICK JAGGER: UM GAROTÃO DE 70 ANOS



Por Alexandre Figueiredo

Mick Jagger chega aos 70 anos de idade em boa fase. Sua banda, The Rolling Stones, está bem à vontade no palco e suas apresentações atraem públicos de várias gerações com essa verdadeira lição de rock'n'roll feita por músicos de larga experiência.

Ele faz aniversário hoje, 26 de julho, dia do idoso, e no entanto Mick dá uma grande lição de jovialidade não somente pelo senso de humor e pela repectividade que ele tem aos jovens, mas pela sua surpreendente energia como cantor e intérprete, andando e dançando nos palcos da mesma forma que fazia na década de 60, até com mais desenvoltura que no começo da carreira.

Afinal, Mick era mais "comportado" do que hoje, e olha que os Rolling Stones tinham "má fama" por conta de seu rock mais cru e pelo jeito rebelde que os fazia "rivais" dos Beatles. O que era puro mito, porque os Beatles eram tão rebeldes quanto os Stones, ambos negociavam para não se "atropelarem" no lançamento de compactos e na segunda fase dos Fab Four, o entrosamento com os Stones se tornou mais evidente.

O rock tem para Mick Jagger um compromisso de gratidão, afinal Mick tornou-se um dos mais dinâmicos artistas na sua performance ao vivo, e se os Beatles inspiraram muitos jovens do mundo inteiro a formar bandas de rock, os Rolling Stones eram o grande exemplo de como deve ser uma banda de rock ao vivo.

Os próprios Beatles também valorizaram os concertos ao vivo, tanto que, não podendo mais tocar diante dos gritos histéricos das fãs, abandonaram os palcos e viraram banda de estúdio, criando muitas experimentações. Mas os Stones continuaram se apresentando ao vivo, sendo um contraponto e um excelente complemento à banda de Liverpool nas preciosas lições do rock.

Mick Jagger até causou escândalos, polêmicas etc.. Mas, quando é para fazer música, Mick dava conta de seu recado, como cantor e compositor, além do talento de interpretar também canções alheias, sejam as de Buddy Holly ou de Robert Johnson. Ou mesmo "I Wanna Be Your Man", dos "inimigos" Beatles.

Portanto, numa época em que a cultura rock, pelo menos no Brasil, sucumbe a um pragmatismo caricato e forçado, um "rock" mais preocupado com poses, caras e bocas do que com a cultura musical e o estado de espírito, o exemplo de Mick e seus 51 anos à frente dos Rolling Stones faz muitas bandinhas novas ficarem constrangidas consigo mesmas.

Além do mais, ver que o lançamento em disco do concerto no Hyde Park em Londres, este ano, tornou-se sucesso absoluto no iTunes, um dia após chegar às lojas, é um grande desafio para aqueles que acreditam que rock é só grunge e poser metal.

Portanto, longa vida a Mick Jagger, muita saúde e sucesso para esse garotão de 70 anos.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

SEM DOMINGUINHOS, BAIÃO PERDE A ALMA


Por Alexandre Figueiredo

Ontem à noite, faleceu Dominguinhos, aos 72 anos, um dos músicos remanescentes dos tempos áureos do baião, quando a música nordestina tinha seu destaque como manifestação cultural autêntica que escapava do controle mercantilista do coronelismo midiático que se desenvolveu sobretudo depois de 1964.

José Domingos de Moraes era o herdeiro artístico de Luiz Gonzaga, tinha 50 anos de carreira e mais de 40 discos gravados e lutava há meses contra um câncer no pulmão. Sua família não tinha dinheiro para parte do tratamento da doença e chegou-se a cogitar um evento musical para arrecadar dinheiro para financiamento. Mas o músico faleceu ontem, horas depois de chegar à UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Teve vários sucessos e era um produtivo compositor. Entre os sucessos, está "De Volta pro Aconchego", em parceria com Nando Cordel, gravada pela cantora Elba Ramalho e que fez parte da trilha sonora da novela Roque Santeiro, da Globo. Também foi co-autor, com a cantora de baião Anastácia, da música "Eu Só Quero um Xodó", gravada há quarenta anos por Gilberto Gil e com boa execução em rádios até hoje.

É MUITO DIFÍCIL FAZER BAIÃO E OUTROS RITMOS NORDESTINOS

Dominguinhos conheceu Gonzagão aos nove anos de idade e surgiu uma grande amizade, que resultou também em parcerias e num aprendizado artístico que fez Dominguinhos o "filho artístico" do Rei do Baião, uma vez que Luiz Gonzaga Jr., o Gonzaguinha, seguiu um outro caminho musical, mais influenciado pela música intelectualizada dos CPCs da UNE. Sem Dominguinhos, o baião praticamente perdeu a alma, porque o músico foi um dos poucos a trabalhar o ritmo nordestino com emoção.

Não é muito fácil fazer baião, maxixe e outros ritmos constitutivos do chamado "forró". Pelo contrário, é muito, muito difícil. Não basta ter um acordeon e uma ideia na cabeça e trabalhá-la em festas juninas. Mesmo em trabalhos encomendados para festas juninas, casamentos e batizados, músicos como Luiz Gonzaga, Mário Zan e Dominguinhos, entre outros dessa época áurea, trabalhavam os ritmos nordestinos com emoção e espontaneidade.

Hoje tudo é técnica. Daí que um grupo como Falamansa, por exemplo, não tenha deixado grande marca. O grupo até escapa daquela deturpação grotesca do que se chama de "novo forró" - também conhecido como "forró eletrônico", "oxente-music" e forró-brega - , mas seu baião apenas é trabalhado numa técnica correta, mas sem a emoção natural de Gonzagão e cia.. O grupo é bem intencionado, mas soa por demais burocrático no som e nas composições.

Não bastasse a grande dificuldade de se produzir baiões, maxixes, xaxados e outros ritmos com a emoção necessária para não apenas reproduzir suas linguagens como senti-las e absorver seu estado de espírito, há também a deturpação grosseira que o termo "forró" se associou nos últimos anos.

O que se conhece oficialmente como "forró" tornou-se um engodo, uma "lavagem" tirada de "restos" do cardápio radiofônico que inclui country music, disco music, merengues, salsas e outros ritmos caribenhos. A falta de "nordestinidade" e de regionalidade, notada em grupos como Calcinha Preta, Mastruz Com Leite, Caviar com Rapadura, Aviões do Forró e Saia Rodada, cujas estéticas reproduzem até mesmo cabarés texanos, é tão gritante que até mesmo o som de sanfona é inspirado não na música nordestina, mas na música gaúcha.

O forró-brega tornou-se um mercado hegemônico, predatório e monopolista, além de se valer da precarização do mercado de trabalho, da exploração do trabalho dos compositores e da violação de qualquer processo de direitos autorais que a turma intelectualoide do "copyleft" faz vista grossa ou até mesmo apoia, por um simples ódio cego ao ECAD.

O mercado do forró-brega é tão nocivo que inclui até mesmo disputas de qual grupo vai gravar primeiro a música de algum compositor, e a coisa é tão feia que houve até caso de dançarina assassinada por outra na disputa de um posto num grupo de forró-brega do Espírito Santo (!), Estado da região Sudeste.

Não fosse isso suficiente, há também as temáticas que destoam completamente da poesia original do verdadeiro som nordestino. O forró-brega se ancora em letras de ódio conjugal, temas pornográficos e exaltação à bebedeira. Há até mesmo um sucesso, "Zuar e Beber", que defende a embriaguez de pessoas que vão dirigir um carro (no caso, uma Van). Imoralidades que só a intelectualidade dominante de hoje, com seu relativismo ético - valores retrógrados tornam-se "positivos" quando associados às "periferias" - acham normais.

Só a intelectualidade dominante, que não aponta diferenças entre forró-brega e o mangue beat (este sim, um movimento de renovação do som nordestino), acha o "novo forró" maravilhoso. Mas nem mesmo os nordestinos, como pernambucanos e cearenses, aguentam mais esse som. E, além do mais, seu monopólio chega mesmo a alimentar a corrupção de políticos conservadores, latifundiários e barões regionais da mídia associados.

ARTE HUMANISTA

Isso nada tinha a ver com a arte humanista da qual Dominguinhos foi um dos remanescentes. É verdade que o som nordestino associado a ele, Gonzagão, Mário Zan, Trio Nordestino, Genival Lacerda e outros remetem ainda a um Brasil rural, a tempos em que adolescentes ainda faziam brincadeiras de crianças.

Daí outra dificuldade. Afinal, o baião não é apenas um som, não é uma música com acordeon que fale de saudades e remeta a danças populares, mas um estado de espírito de um tempo que não existe mais. Da mesma forma, a Bossa Nova, como estado de espírito, também remete a um outro tempo, e o difícil é reproduzir essa "alma" cultural para os tempos de hoje.

Os impasses que a atualização desse estado de espírito encontra hoje, numa sociedade midiatizada e massificada, tragada pela mediocrização cultural galopante, é que faz com que a simples reprodução musical soe postiça e forçada, mesmo quando bem intencionada. É que, na falta de um "clima" e um "sentimento", essa reprodução se limita a técnica e, como tal, vulnerável a clichês e, na pior das hipóteses, em caricaturas.

Daí, por exemplo, fazer um samba como se faz um Grupo Revelação, meramente técnico, embora o grupo, do contrário do Falamansa, não está fora do contexto do "pagode romântico" dos deturpadores violentos do gênero. Ou no caso do Sambô, outro que está dentro desse contexto, misturando o sambrega do Exaltasamba com o "rock farofa" bem ao gosto da rádio 89 FM, em que o aprimoramento técnico - tanto do Sambô quanto do Revelação - não significam aprimoramento artístico.

Copiar é fácil. Há "bons solos" de guitarra até nas músicas melosas de Zezé di Camargo & Luciano. Em tempos de Internet, qualquer idiota sabe que, por exemplo, o punk rock teve os Sex Pistols. O neo-brega dos anos 90 chegou ao estágio em que seus ídolos hoje fazem um arremedo de MPB, com "lindos" arranjos acústicos e orquestrais que não resolvem o problema da mediocrização artística.

Isso porque não há estado de espírito. A técnica apenas reproduz na forma o que, no conteúdo, soa forçado e sem emoção. Por mais que grupos como Sambô e Revelação "caprichem" na sonoridade sambista, eles mantém sempre a atitude brega que marca seus colegas menos espertos como Grupo Molejo, Katinguelê e Os Morenos e que também não foge dos ambiciosos Alexandre Pires e Belo, estes mergulhados numa pseudo-MPB para turista ouvir.

Daí que a coisa se agrava. Hoje os mais antigos grupos de forró-brega tentam cortejar a "música de raiz", tocando baiões e sobretudo sucessos de Gonzagão e cia.. Muito fácil gravar covers, se alimentar de repertório alheio e passar por "arte de qualidade". É como um aluno ruim que, para fazer um trabalho de aula, copia fragmentos de livros de grandes autores para "montar" um trabalho "bem feito", no qual o aluno não esboçou qualquer tipo de criação, por pior que esta seja.

Neste sentido, Dominguinhos, com sua arte humanista, fará muita falta. Ele era uma referência para as gerações atuais de um som nordestino feito com alma e emoção. Ele foi muito mais do que um sanfoneiro animando festas, mas um criador que sentia o que fazia.

Nos tempos tecnicistas de hoje, há dúvidas se haverá um sucessor que reúna o carisma, a visibilidade e o talento de Dominguinhos, numa época em que "som nordestino" tem muito pouco a ver com a realidade musical própria do Nordeste, mais parecendo uma paródia de rincões porto-riquenhos e mexicanos da Flórida.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

HÁ 45 ANOS, A PASSEATA DOS CEM MIL


Por Alexandre Figueiredo

Com a volta dos grandes protestos populares este mês, não custa lembrar do breve período de mobilização que aconteceu no Brasil há 45 anos atrás e que, por muito pouco, não terminou com a ditadura militar que havia sido instaurada em 1964.

A Passeata dos Cem Mil, realizada no dia 26 de junho de 1968 no Rio de Janeiro, no entorno da Av. Rio Branco e na Praça Floriano, na Cinelândia, foi o ápice de um período de dois anos de protestos contra a ditadura militar.

Há dúvidas se realmente foram cem mil pessoas que compareceram à manifestação - do contrário de um número muitas vezes maior nos protestos de hoje - , mas a mobilização repercutiu bem na imprensa nacional e estrangeira da época, apesar da censura do regime. Na época, acreditava-se que a passeata poderia estimular os militares a encerrar a ditadura e voltar à democracia civil.

A origem dos protestos que culminaram nessa passeata se deu em 1966, quando o ex-reitor da antiga Universidade do Paraná (atual UFPR), Flávio Suplicy de Lacerda, ao ser nomeado pelo general presidente Humberto Castello Branco, decidiu fazer um plano de reformulação da Educação que em diversos pontos irritou a juventude brasileira.

A ditadura militar, que se anunciava como "provisória" em 1964 - ela havia surgido na crise política do governo João Goulart, através de um golpe que o depôs em primeiro de abril - , foi considerada definitiva em 1965, eliminando qualquer hipótese de haver as esperadas eleições presidenciais para as quais há muito os candidatos potenciais, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, se preparavam.

Em 1966, Kubitschek e Lacerda, respectivamente o ex-presidente e ex-governador mineiro e o jornalista e ex-governador da Guanabara (estado então constituído da cidade do Rio de Janeiro), antigos e ferrenhos rivais políticos, se reuniram em Lisboa para um entendimento político que os levou à surpreendente aliança para o movimento pela redemocratização chamado Frente Ampla.

Era a época em que Flávio Suplicy de Lacerda iniciou um plano para a Educação que incluiu reduzir a natureza do ensino aos objetivos profissionalizantes, e isso incluiu a promessa de que iria privatizar as universidades públicas, que além disso tiveram decretado o fim de sua autonomia.

Junto a isso, Suplicy de Lacerda havia planejado a criação de uma entidade de representação estudantil para substituir a União Nacional dos Estudantes, que, oficialmente extinta em 1964 por ordem dos militares, continuava agindo na ilegalidade. A nova instituição seria um órgão vinculado ao governo militar, através do Ministério da Educação e Cultura.

Isso provocou revolta na juventude brasileira, que, realizando passeatas, enfrentavam a repressão policial, que agia de forma bastante violenta. Logo em 23 de setembro daquele ano, policiais invadiram a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, depois que foram informados de uma manifestação iniciada no dia 22, o "Dia Nacional de combate à ditadura militar".

No episódio, mais de 600 pessoas foram agredidas, depois de um confronto com os policiais que ordenavam aos alunos e professores a abandonar a faculdade, que seria ocupada pela polícia militar. O episódio, embora não tenha tido um saldo trágico conhecido, é historicamente conhecido como o Massacre da Praia Vermelha.

Outros protestos aconteciam, e era comum a correria pelos vários cantos das cidades. O momento mais dramático foi durante um almoço no restaurante Calabouço, que oferecia refeições a preços baratos no centro do Rio de Janeiro, em 28 de março de 1968.

Policiais entraram no restaurante para prender estudantes que faziam uma manifestação contra a ditadura, e estes reagiram com paus e pedras. Os policiais atiravam à queima-roupa e foram atingidos os estudantes Edson Luís de Lima Souto e Bernardo Frazão Dutra, além de outros feridos. Edson faleceu na ocasião e Bernardo morreu depois de internado no Hospital Sousa Aguiar.

Edson, por ter morrido na hora do confronto, foi escolhido pelo movimento estudantil como o símbolo das manifestações contra a ditadura. Apesar disso, Edson, que era um humilde paraense de 19 anos que trabalhava no Calabouço para pagar os estudos e a própria vida, nunca se envolveu em qualquer atividade de liderança ou mobilização política estudantil.

Os estudantes se mobilizaram para evitar que os policiais sumissem com o corpo de Edson no Instituto Médico Legal (IML) e decidiram levar o corpo do jovem para a Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara, no prédio do Palácio Tiradentes, onde hoje fica a ALERJ. Lá o corpo de Edson foi velado e depois levado para o cemitério São João Batista, onde foi enterrado.

Devido à morte de Edson, os protestos aumentaram, e as tensões políticas também. Os protestos eram duramente reprimidos pela polícia. Celebridades, artistas, intelectuais e políticos de oposição expressaram solidariedade aos estudantes.

Aparentemente, a ditadura militar parecia, momentaneamente, disposta ao diálogo. No decorrer de junho de 1968, um grupo de intelectuais e artistas procurou negociar com o governo a realização de uma ampla passeata, que seria realizada sem atos violentos e sob a garantia de que não houvesse a repressão policial.

No dia 28 daquele mês, foi realizada a manifestação, tendo a Cinelândia como ponto de partida. A princípio, cerca de 50 mil pessoas estavam presentes, e o número teria se dobrado segundo dados oficiais. O número de cem mil causa controvérsias, mas parece fazer sentido naqueles tempos de manifestações contra a ditadura.

A repercussão da manifestação, poucos dias depois, dava a crer que a ditadura militar poderia chegar ao fim. O general presidente Artur da Costa e Silva recebeu os estudantes Marcos Medeiros e Franklin Martins (atualmente, conhecido jornalista brasileiro) para negociar o fim da censura e a redemocratização do país.

O problema é que os ânimos se exaltaram em incidentes posteriores. Na Rua Maria Antônia, em São Paulo, estudantes de extrema-direita da Universidade Mackenzie (entre eles estava o hoje também jornalista Bóris Casoy) promoveram um conflito contra os estudantes da Universidade de São Paulo (Faculdade de Filosofia), causando um tiroteio que matou o secundarista José Guimarães, que apenas observava o ocorrido, em 03 de outubro.

Mas foi a repercussão de um discurso feito em razão do 07 de setembro que criou as condições para o endurecimento da ditadura. Foi o jornalista e deputado federal pelo MDB da Guanabara, Márcio Moreira Alves, então conhecido por sua atividade no então combativo Correio da Manhã, que fez um discurso provocativo contra a ditadura militar.

Irritado, Marcito, como foi conhecido o jornalista (falecido em 2009), disse para as brasileiras se recusarem a dançar com os cadetes militares, entre outros comentários irônicos feitos em protesto contra o regime militar.

A solidariedade dos parlamentares com Márcio, reagindo contra a possibilidade de cassação de seu mandato, fez o presidente Costa e Silva se reunir com seu ministério e decidir pela criação de um quinto Ato Institucional que tornasse rígida a censura e a repressão e abolisse o habeas-corpus. A ditadura teve que continuar por muitos anos, e só o desgaste a fez encerrar-se em 1985.

OUTRAS MANIFESTAÇÕES

Em 1973 houve uma pequena passeata no centro de São Paulo, em que pessoas marchavam em silêncio exibindo faixas em branco, num ato irônico contra o cenário político de repressão e censura na época, um ato pacífico num tempo em que alguns opositores da ditadura militar se envolviam em guerrilhas armadas, entre eles a hoje presidenta da República Dilma Rousseff, que chegou a ser presa e torturada.

Em 1977 voltaram os movimentos estudantis, de forma mais tímida em relação a 1968, reivindicando o fim da ditadura militar e a anistia política, além de protestar contra o "pacote de abril" do general Ernesto Geisel que, entre outras coisas, criava a figura do "senador biônico" (nomeado pela ditadura).

Em 1983 e 1984, manifestações populares eram realizadas pedindo a volta das eleições diretas para presidente da República, depois de conquistada a volta do voto direto para governadores e deputados federais. Embora aprovada a volta do voto direto para presidente, ela foi reservada para 1989.

Com a redemocratização, manifestações pontuais de vários segmentos da sociedade passaram a ocorrer. Em 1992, protestos estudantis ocorreram em reação à corrupção política do governo do então presidente Fernando Collor, depois condenado ao impedimento político de oito anos.

No entanto, nesses 45 anos não havia tido manifestações com a espontaneidade e a diversidade social que ocorreram em 1968, já que em boa parte das manifestações eram feitas em épocas de repressão ou por alguma prévia organização sindical ou de grupos político-partidários. Somente neste ano vieram manifestações que se comparam, em suas caraterísticas, a 1968, sobretudo a histórica Passeata dos Cem Mil.