domingo, 30 de dezembro de 2012

HÁ 50 ANOS, ROBERTO CARLOS SÓ LANÇOU COMPACTOS


Por Alexandre Figueiredo

O cantor Roberto Carlos faz hoje sucesso através de um compacto (embora tenha lançado, este ano, um álbum de sua apresentação ao vivo em Jerusalém), seu primeiro disco de inéditas depois de vários discos ao vivo. Mas, em 1962, o cantor havia também se tornado conhecido apenas por compactos, no caso dois, que inauguraram sua carreira como intérprete e compositor.

Não que ele não havia lançado discos antes. Ele lançou compactos desde 1959, e havia lançado seu primeiro LP, Louco Por Você, em 1961, aparentemente sem relançamento até hoje por razões misteriosas. Digitalizado sem autorização, o disco já circula no comércio pirata e em sítios de gravação na Internet.

A razão provável era de que o disco, que não teve canções de autoria de Roberto, foi feito mais sob a orientação do seu agente, o compositor e produtor Carlos Imperial. Mesmo assim, o disco surpreende pelo frescor artístico que havia feito o cantor um dos ídolos mais populares do país, principalmente quando o ídolo juvenil da época, Sérgio Murilo, abriu uma "brecha" se concentrando na turnê no exterior.

Foram lançados em 1962 dois compactos, o primeiro com a música "Fim de Amor", na verdade versão de um conhecido sucesso do rock de 1961, "Run Around Sue", de Dion & The Belmonts - que as gerações mais recentes só conhecem pela sampleagem do Jive Bunny, com a voz de Dion DiMucci junto a um coro masculino. A música, de Dion com Ernest Mareska, teve versão em português de Beto Ruschel.

No lado B desse compacto, teve a música "Malena", que também não era de autoria do cantor capixaba, mas de Rossini Pinto, depois um dos principais versionistas e compositores da Jovem Guarda, que fez a música junto com Fernando Costa.

O segundo compacto de 1962 é que marca a gravação da lavra autoral de Roberto Carlos. "Susie", da mesma forma que "Esse Cara Sou Eu", é de autoria apenas do cantor, tendo sido a primeira composição dele gravada em disco.

No entanto, a música do Lado B, "Triste e Abandonado", não foi feita por Roberto, mas por Carlos Imperial. No entanto, o disco de 1962 é considerado o marco inicial da carreira do "Rei", preparando o "estouro" em 1963 com Splish Splash (o primeiro LP que incluiu canções de Roberto) e já trilhando seu caminho próprio e sua trajetória de ídolo prestigiado até os dias de hoje.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O QUASE SILÊNCIO SOBRE JOE STRUMMER


Por Alexandre Figueiredo

Admito que deixei ocorrer uma semana de atraso para lembrar dos dez anos de falecimento do músico Joe Strummer, um dos fundadores do grupo punk The Clash, uma das mais importantes bandas do gênero. Mas a minha "agenda" estava sobrecarregada, entre compromissos particulares e uma sobrecarga de assuntos nos meus blogues que fizeram o assunto ser adiado.

Portanto, não foi por omissão. Eu havia me lembrado do falecimento e da falta que faz essa grande figura, um músico criativo e um ativista sócio-cultural como poucos, diante da acomodação que o punk rock já sofria em 2002 e que sucumbiria ao roquinho emo dos últimos anos.

Mas desde os anos 90 o punk rock se acomodou. Se nos anos 80 tínhamos os punks de butique, nos anos 90 tivemos os poppy punks. Músicas sobre caras legais e garotas saradas, ou, quando muito, de leves molecagens de colegas ao mesmo tempo gozadores e encrencados da linha do Stifler de American Pie. Se havia uma letra falando de manobras de skate, já seria um alívio.

Pois, anos antes, naqueles idos de 1976-1977, o jovem cantor e guitarrista do grupo de psychobilly 101ers, cidadão britânico nascido na Turquia e filho de diplomata, John Graham Mellor, nome de batismo do músico, sentiu o entusiasmo daquela rebelião juvenil da Londres daqueles tempos, e decidiu encerrar o grupo e formar outra banda, o conhecido grupo The Clash.

A formação sempre contou com Joe Strummer, e na maior parte do tempo seus parceiros foram Mick Jones, também vocalista e guitarrista, e Paul Simonon, vocalista e baixista. Da formação clássica, teve dois bateristas, Terry Chimes e Topper Headon. O grupo durou de 1976 a 1986, sendo que com a formação clássica se encerrou em 1983.

O mérito do grupo esteve acima de qualquer controvérsia. Afinal, o Clash causou estranheza entre os punks radicais por assinar contrato com a Epic Records e, com o tempo, assimilar influências de reggae, funk autêntico e disco music. A princípio, o Clash poderia muito bem parecer um traidor do movimento punk, mas não foi.

Afinal, o Clash se destacou brilhantemente e havia sido essencialmente muito mais punk do que se imaginava. O grupo tornou-se criativo, buscando aventuras sonoras com o mesmo apetite que vimos nos Beatles em 1967, o que fez a banda se destacar não se aprisionando a uma estética punk que, banalizada, acabou se esvaziando na essência.

Foram seis álbuns fundamentais, um deles em vinil duplo e CD simples (London Calling, de 1979) e outro em vinil triplo e CD duplo (Sandinista, de 1980). Os dois álbuns desafiaram a fama dos punks de viverem de discos compactos, mas mostraram também o vigor criativo da banda, que com o tempo se estendeu em dois principais projetos derivados, o Big Audio Dynamite de Mick Jones e Joe Strummer & The Mescaleros.

A acomodação do punk rock nos anos 90 não só abriu caminho para o tal poppy punk - ponte entre os punks de butique mais antigos e os atuais emos - , mas mesmo o punk autêntico raramente saiu imune. As letras acabaram sendo de uma rebeldia vaga, com críticas sem destinatários, causas sem propostas, um discurso raivoso sem conteúdo.

Para quem não entende, é como se eles dissessem: "Vamos agir diante da ameaça que nos cerca", sem dizer de que ameaça se trata. Ou então: "Sai da frente, panaca, que queremos passar e você é um idiota", sem dizer a quem a letra se dirige. Isso é o que restou da contestação punk nos anos 90, na maioria das vezes.

Joe Strummer faleceu quando passeava de manhã perto de sua casa. Tinha apenas 50 anos e dois meses. Ele sentiu-se mal e sofreu parada cardíaca, falecendo quando estava em casa. A morte dele acabou com qualquer esperança de volta do Clash, já que ele e Mick Jones voltaram a se entender dois anos antes.

Isso mexeu muito no meio punk, e até que alguns grupos que faziam letras "críticas" sobre nada, ninguém e coisa nenhuma passaram a fazer letras sobre críticas políticas. Até mesmo o Good Charlotte, um grupo de poppy punk, teve que fazer críticas até ao feminicídio conjugal (quando machistas exterminam suas próprias esposas ou namoradas).

Com o tempo, até o Green Day passou a ser quase um "novo Clash" em termos de atitude punk. Mas isso lá fora, no exterior. Aqui os dez anos de falecimento de Joe Strummer foram praticamente passados em branco, quando muito houve lamentos dos roqueiros brasileiros, músicos e admiradores em geral, que sentem sincera falta do ex-líder do Clash.

Fora isso, só as "lágrimas de crocodilo" da "rádio rock" 89 FM, que prefere se comover com o falecimento dos piadistas Mamonas Assassinas do que com a perda de figuras importantes como Renato Russo, Chico Science, Redson (do Cólera) e, entre os estrangeiros, figuras como Ronnie James Dio, Adam Yauch e Joe Strummer.

O que dizer então do saudoso Sky Saxon, do grupo psicodélico The Seeds, para os "mãos-de-vaca" da UOL 89 FM, que fingem sentir total receptividade ao rock alternativo, mas nunca vão além de tosqueiras tipo Marilyn Manson ou do feijão-com-arroz do Flaming Lips? Mas "Pushin' Too Hard" dos Seeds entrar na trilha no próximo blockbuster com Tom Cruise, quem sabe role na UOL 89 FM? Só nessas condições.

O falecimento de Joe Strummer nos faz pensar num tempo em que a rebelião juvenil poderia ter lá seus defeitos e exageros, mas expressava vida, intensidade, espontaneidade e idealismo. 1976 e 1977 foram dois anos históricos, de um movimento juvenil que quebrou de vez a sisudez do mundo adulto, que tentava de recompor depois da rebelião hippie, psicodélica e beatnik dos anos 60.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A LIÇÃO DE ROCK'N'ROLL DOS ROLLING STONES


Por Alexandre Figueiredo

Os Rolling Stones encerraram sua turnê comemorativa dos 50 anos de surgimento em Newark, Nova Jersey, EUA, em concerto transmitido no Brasil pelo canal Multishow. E quem viu percebeu o quanto de energia os quatro veteranos músicos da banda inglesa têm de sobra.

O repertório, que além dos maiores clássicos do grupo (de "The Last Time" a "Start It Up"), incluiu canções pouco conhecidas como "Before They Make Me Run" (de Some Girls) e "I'm Going Down" (música que originalmente foi sobra das sessões que resultaram no Let It Bleed, de 1969, e que teve John Mayer e Gary Clark Jr. como convidados na ocasião), foi tocado de forma brilhante pelos músicos, bastante entrosados.

A turnê mostrou que a banda voltou mais "crua" no seu som, com a bateria ágil do discreto Charlie Watts dando o ritmo às canções, junto com o vigoroso diálogo das guitarras de Keith Richards, por sinal aniversariante de hoje, e Ronnie Wood, mais a incrível jovialidade de Mick Jagger e sua natural desenvoltura no palco e seu excelente vocal.

Atualizados tecnicamente, os dois guitarristas usaram guitarras sem fio, o que os permitia ficarem soltos no palco - embora Keith tenha preferido ficar posicionado entre Charlie e o baixista Darryl Jones, músico acompanhante que também se mostra bastante familiar com o som da banda. E Keith havia cantado duas músicas, "Before They Make Me Run" e "Happy" (esta de Exile On Main Street, considerado pela crítica o melhor disco da banda).

Até mesmo a cantora pop Lady Gaga, geralmente vinculada a um pop dançante mais convencional, conseguiu se adequar ao astral da banda, dando conta do recado no dueto com Mick em "Gimme Shelter", mantendo a energia que nos remete ao final dos anos 60.

O grupo também tocou duas novas músicas, "Doom and Gloom" e "One More Shot", ambas incluídas na coletânea Grrrr!, lançada recentemente. A apresentação que encerrou a turnê não teve a participação de Bill Wyman, mas ele já participou de duas apresentações em Londres, fazendo as pazes com os ex-parceiros.

E os demais convidados, o guitarrista Mick Taylor - que havia substituído Brian Jones entre 1969 e 1974, antes de passar o posto a Ron Wood - , que tocou com os ex-colegas em "Midnight Rambler" (de Let It Bleed) e Bruce Springteeen, que tocou e cantou junto ao grupo em "Tumbling Dice" (de Exile On Main Street).

Ainda houve um coral, com muitas gatas estonteantes, fazendo o acompanhamento em "You Can't Always Get What You Want" (também de Let It Bleed), numa surpresa dada ao público no bis, depois que a banda fez que se retirou.

O grupo ainda tocou "Satisfaction", o maior sucesso do grupo, de 1965, consagrando a longevidade artística do grupo que havia feito mistério antes de iniciar esta turnê, para depois presentear os fãs com a excelente excursão com os músicos em plena forma e bastante inspirados.

Portanto, foi uma grande lição de rock'n'roll para as gerações mais recentes que não conseguem compreender bem o que é realmente esse estilo. Tomados de gororobas recentes misturando posers e emos com grunge e nu metal, para não dizer aqueles que creditam como "rock" misturebas que incluem reggae, tecno e hip hop, as gerações mais recentes não sabem o que realmente é um clássico do rock.

E os Rolling Stones estão aí para isso. E já se fala que eles poderão tocar no festival Coachella. Nada está confirmado ainda, mas em todo caso vamos desejar longa vida para a banda, agradecidos pelos excelentes músicos e suas grandes canções. Valeu, rapazes!!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

MORRE NOS EUA, AOS 92 ANOS, O MÚSICO INDIANO RAVI SHANKAR


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ravi Shankar, que há poucos meses esteve no Brasil para apresentações misturando meditação e música, faleceu ontem, aos 92 anos, depois de uma prestigiada carreira que se tornou mundialmente conhecida nos anos 60, sobretudo pela amizade que o músico teve com o beatle George Harrison, para o qual ensinou a tocar cítara.

Ravi também é pai das cantoras, compositoras e musicistas Norah Jones - que atualmente está em turnê pelo Brasil - e Anoushka Shankar, ambas conhecidas pela sua sofisticação artística. O mestre se foi, num ano em que várias pessoas importantes nos deixam, mas suas filhas seguem as lições dele com personalidade e talento.

Morre nos EUA, aos 92 anos, o músico indiano Ravi Shankar

Do Portal Terra

 O músico indiano Ravi Shankar morreu nesta terça-feira no condado de San Diego, no sul da Califórnia, aos 92 anos de idade, segundo um comunicado conjunto da fundação que leva seu nome e do seu selo fonográfico, o East Meets West Music.

Shankar, pai da cantora Norah Jones, padecia desde o último ano de problemas respiratórios e cardíacos, uma condição que o levou a submeter-se na quinta-feira passada a uma intervenção cirúrgica para substituir uma válvula cardíaca no Scripps Memorial Hospital.

"Embora a operação tenha sido bem-sucedida, a recuperação acabou sendo difícil demais para o músico de 92 anos", diz a nota de imprensa. O artista, que morava no sul da Califórnia, era casado com Sukanya Rajan e tinha duas filhas - Norah Jones e Anoushka Shankar Wright -, três netos e quatro bisnetos.   
"Infelizmente, apesar dos esforços dos cirurgiões e dos médicos que cuidaram dele, seu corpo não foi capaz de suportar o esforço da operação. Estivemos ao seu lado quando morreu", declararam a mulher e a filha Anoushka.   

A família ainda não anunciou os planos para cerimônias póstumas e solicitou que todas as flores e doações sejam destinadas à Fundação Ravi Shankar e feitas por meio do site JustGive.org. O gabinete do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, confirmou a morte e o classificou como um "tesouro nacional".  

Apesar das doenças de que padecia, Ravi Shankar continuou apresentando-se nos últimos meses e realizou seu último show no dia 4 de novembro em Long Beach, no condado de Los Angeles, ao lado de Anoushka Shankar.

Seu álbum The Living Room Sessions Part 1 foi indicado à próxima edição do Grammy na semana passada, e o músico soube da notícia antes de sua operação. 

Ravi Shankar nasceu em Varanasi, no Estado indiano de Utar Pradesh, em 7 de abril de 1920. Seu pai, V. Lakshinarayana, era professor de violino em seu país, o que contribuiu para que Shankar começasse a tocar esse instrumento quando tinha 5 anos.  

Uma década depois, deixou a Índia para viajar a Paris com a companhia de dança do seu irmão Uday. Em 1936, começou a estudar a sitar, instrumento tradicional indiano, sob a direção de Ustad Allauddin Khan, e pouco depois começou a fazer excursões por Europa e EUA.  

Alcançou a fama no Ocidente graças a sua amizade com o beatle George Harrison, de quem foi professor após conhecê-lo em 1966. No ano seguinte, realizou seu primeiro dueto com o violinista Yehudi Menuhin, com o qual posteriormente colaborou em várias ocasiões.  

Em 1969, viajou aos EUA com a intenção de aprofundar-se na música do Ocidente e, ao mesmo tempo, popularizar a música hindu. Dois anos mais tarde, a pedido da London Symphony, compôs um concerto que estreou no Royal Festival Hall, na capital inglesa.  

Em 1976, começou a colaborar com o guitarrista John McLaughlin, com quem fundou o grupo Shakti, trabalhou na One Truth Band e gravou o álbum Touch me there, sob a direção de Frank Zappa.  

A atividade musical de Ravi Shankar foi intensa, tendo destaque também como compositor. É autor de dois concertos para sitar e orquestra, além de músicas para balés e trilhas sonoras para filmes.  

O músico indiano protagonizou o filme Raga, centrado em sua vida, e em 1978 publicou o livro autobiográfico My life, my music. Seu primeiro casamento, com a filha do músico Ustad Allauddin Khan, Annapurna, terminou em divórcio em 1982, após anos de separação nos quais manteve relações sentimentais com Kamala Chakravarty e Sue Jones, mãe de Norah Jones.

Por fim, se casou em 1989 com Sukanya Rajan, com quem viveu desde então entre San Diego e Nova Délhi. Em 1992, seu filho Shubho, também sitarista, morreu repentinamente aos 50 anos.
 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

AOS 104 ANOS, MORRE O MESTRE DA ARQUITETURA OSCAR NIEMEYER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Faleceu Oscar Niemeyer, um dos últimos remanescentes da geração de intelectuais que, influenciada pela Semana de Arte Moderna de 1922, se consolidou na década de 1930.

Niemeyer, além de notável arquiteto, discípulo do modernista Le Corbusier, com inúmeras obras como o Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, o Museu de Arte Contemporânea, de Niterói, o edifício-sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York e a cidade de Brasília (e, depois, o traçado original da Universidade de Brasília), Niemeyer participou de inúmeras atividades intelectuais, incluindo a fundação do IPHAN.

Ele faria 105 anos este mês, mas não resistiu à insuficiência respiratória, falecendo na noite de hoje. Fica aqui nossa imensa gratidão a essa figura humana de incontáveis lições de vida. Valeu, Oscar!

Aos 104 anos, morre o mestre da arquitetura Oscar Niemeyer

Do Portal R7

O arquiteto Oscar Niemeyer de 104 anos, morreu por volta das 21h55 desta quarta-feira (5) no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Ele estava internado na unidade desde o dia dois de novembro.

Niemeyer estava internado na unidade coronariana e respirava sem a ajuda de aparelhos. Na terça-feira (4), o arquiteto apresentou piora nos exames laboratoriais. O último boletim médico divulgado na tarde desta quarta-feira informou que o estado de saúde do arquiteto passava a ser considerado grave.

Segundo o médico Fernando Gjorup, Niemeyer morreu por insuficiência respiratória.

— Ele estava conciente na manhã de hoje [quarta-feira], mas o quadro foi se complicando. Ele precisou ser sedado e entubado, mas não resistiu.

Niemeyer havia passado duas semanas internado no mês passado, após dar entrada no hospital com quadro de desidratação. Em maio, Niemeyer esteve internado no mesmo hospital por mais de 15 dias com um quadro de desidratação e pneumonia. Em abril do ano passado, ele já havia passado 12 dias internado no Hospital Samaritano com infecção urinária. Dois anos antes, também no Samaritano, ele passou por duas cirurgias: uma para retirada de pedra da vesícula e outra para retirar tumor do intestino.

Símbolo da vanguarda e da crítica ao conservadorismo de ideias e projetos, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho é apontado como um dos mais influentes na arquitetura moderna mundial. Os traços livres e rápidos criaram um novo movimento na arquitetura.

Entre as mais importantes obras do arquiteto, destacam-se o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte; o Edifício Copan, em São Paulo; a construção de Brasília; a Universidade de Constantine e a Mesquita de Argel, na Argélia; a Feira Internacional e Permanente do Líbano; o Centro Cultural de Le Havre-Le Volcan, na França; o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba; os centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e a Passarela do Samba, no Rio de Janeiro; o Memorial da América Latina e o Parque Ibirapuera, em São Paulo; e o Caminho Niemeyer, em Niterói, Rio de Janeiro; além do Porto da Música, na Argentina.

MORRE AOS 91 ANOS A LENDA DO JAZZ DAVE BRUBECK


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Dave Brubeck foi um dos remanescentes do jazz moderno, assim como do jazz em geral, que havia perdido grandes mestres. E ele é um dos meus jazzistas favoritos, pelo grande talento que ele representou numa época em que o jazz era muito inspirado e ousado em sua expressão artística.

O jazz fica cada vez mais órfão, e dificilmente temos gerações recentes com a mesma compreensão jazzística dos antigos músicos e apreciadores, sobretudo quando vemos que o jazz era marcado por grandes músicos e até mesmo por orquestras (chamadas de "grandes bandas"), e hoje as gerações mais novas estão mais acostumadas a apreciar DJs e grupos de cantores-dançarinos.

Neste sentido, é uma pena quando morre algum grande nome do jazz, é como se uma das bases de sustentação do gênero se rompesse. Mas, em todo caso, fica nossa gratidão ao trabalho produtivo e altamente criativo do pianista e maestro da fase mais experimental de jazz, Dave Brubeck.

Morre aos 91 anos a lenda do jazz Dave Brubeck

Do JB On Line

O pianista de jazz Dave Brubeck, famoso por gravações como Take five e Blue rondo a la Turk, morreu na manhã desta quarta-feira (5) no Norwalk Hospital, nos Estados Unidos, aos 91 anos de idade. As informações são do jornal Chicago Tribune.

Brubeck, que completaria 92 anos nesta quinta-feira, teve uma falência cardíaca, segundo a publicação. Russell Gloyd, produtor e empresário do músico, afirmou que ele estava em tratamento regular com seu cardiologista.

Lenda do jazz

Nascido em 6 de dezembro de 1920, Brubeck é considerado um dos maiores músicos do gênero principalmente em função de sua técnica ao piano e grande capacidade de improviso ao vivo.

O pianista teve seu primeiro contato com o instrumento que o acompanharia o restante de sua vida aos 4 anos de idade. Inicialmente não se interessou pela técnica e pelos estudos musicais, por isso sempre rejeitou a leitura de partituras.

Foi em 1942 que se formou na University of the Pacific, na Califórnia, e logo depois ingressou no exército, onde conheceu Paul Desmond, com quem mais tarde formaria o Dave Brubeck Quartet, que ainda contava com Joe Dodge e Bob Bates.

Take five, escrita por Desmond, se tornou a melodia mais famosa do quarteto quando foi lançada, em 1959. Sua métrica ímpar tornou o disco referência entre os standards do jazz.

Time Out

Escrita por Paul Desmond, Take five está no disco Time out, do Dave Brubeck Quartet, lançado em 1959. O álbum foi gravado em Nova York nos dias 25 de junho, 1º de julho e 18 de agosto daquele ano. Take out ficou famoso por suas melodias distintas e principalmente por alternar suas métricas, fato que não era inédito no jazz, mas fugiu dos padrões musicais e mesmo assim teve grande relevância no mercado ao atingir um grande público e valor comercial.

No lado A, o vinil tem as canções Blue rondo a la Turk, Strange meadow lark e Take five. No seu lado oposto estão Three to Get Ready, Kathy's Waltz, Everybody's Jumpin e Pick Up Sticks.

Discografia

1949: Brubeck Trio with Cal Tjader (Fantasy)

1952: Jazz at the Blackhawk [live] (Fantasy)

1952: Jazz at Storyville [live] (Fantasy)

1953: Jazz at the College of the Pacific [live] (Fantasy/OJC)

1954: Jazz Goes to College [live] (Columbia)

1957: Jazz Goes to Junior College [live] (Columbia)

1959: Gone With the Wind (Columbia/Legacy)

1959: Time Out (Columbia/Legacy)

1961: Time Further Out (Columbia/Legacy)

1962: Countdown: Time in Outer Space (Columbia)

1963: N.Y.C., Carnegie Hall, February 22, 1963 [live](Columbia)

1963: The Dave Brubeck Quartet at Carnegie Hall [live] (Sony)

1967: Compadres (Columbia)

1967: The Last Time We Saw Paris [live] (Columbia)

1969: The Gates of Justice (Decca)

1970: Live at the Berlin Philharmonie (Columbia/Legacy)

1975: Brubeck & Desmond: Duets (1975) (A&M)

1975: 1975: The Duets (Horizon)

1981: Paper Moon (Concord Jazz)

1996: A Dave Brubeck Christmas (Telarc Jazz)

2003: Park Avenue South [live] (Telarc)

2003: Brubeck in Chattanooga (Choral Arts Society of Chattanooga)

2004: Private Brubeck Remembers (Telarc)

2005: London Flat, London Sharp (Telarc)

domingo, 2 de dezembro de 2012

POETA DÉCIO PIGNATARI MORRE AOS 85 ANOS, EM SÃO PAULO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O poeta Décio Pignatari faleceu deixando uma trajetória não só de poeta concretista, mas também de um notável professor universitário, da USP, e que traduziu livros de Marshall McLuhan e até integrou banda de rock. Um brilhante nome da boa fase pós-modernista dos anos 50-60, quase um precursor do Tropicalismo.

POETA DÉCIO PIGNATARI MORRE AOS 85 ANOS, EM SÃO PAULO

Do Portal Terra

Morreu neste domingo (2), aos 85 anos, o poeta Décio Pignatari, um dos mais expoentes representantes do concretismo brasileiro. Pignatari sofria de Mal de Alzheimer e estava internado desde a última sexta-feira (30), no Hospital Universitário em São Paulo. Ele morreu de insuficiência respiratória por volta das 9h, segundo confirmou o hospital.

Pignatari nasceu em Jundiaí, cidade do interior de São Paulo, em 1927, e teve suas primeiras poesias publicadas em revistas no ano de 1949. Seu livro de estreia, Carrossel, foi lançado em 1950.

Desde os anos 1950, Pignatari realizava experiências com a linguagem poética, incorporando recursos visuais e a fragmentação das palavras, o que culminou no Concretismo, movimento estético que fundou junto com Augusto e Haroldo de Campos. Juntos eles também editaram as revistas Noigandres e Invenção, e publicaram a Teoria da Poesia Concreta (1965).

Como teórico da comunicação, ajudou a fundar a Associação Brasileira de Semiótica, nos anos 1970, traduziu obras de Marshall McLuhan, publicou o ensaio Informação, Linguagem e Comunicação (1968) e traduções de Dante Alighieri, Goethe e Shakespeare, entre outros, reunidas em Retrato do Amor quando Jovem (1990) e 231 poemas.

Publicou também o volume de contos O Rosto da Memória (1988) e o romance Panteros (1992), além de uma obra para o teatro, Céu de Lona.

Ainda de acordo com informações do hospital, a família não vai realizar velório e o enterro está marcado para esta segunda-feira (3), às 12h, no cemitério do Morumbi, em São Paulo.