JORNALISTA JOELMIR BETING MORRE AOS 75 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O jornalismo perdeu uma importante figura que foi o jornalista Joelmir Beting, especializado em economia e política, mas que, na sua experiência no jornalismo esportivo, inventou a expressão "gol de placa", em 1961, o que tornou-se um marco no jargão esportivo.

Até pouco tempo atrás, ele era comentarista da TV Bandeirantes e apresentador ou participante de outros jornalísticos do Grupo Bandeirantes. Também passou por jornais como Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. O falecimento ocorreu em consequência de um acidente vascular ocorrido no último domingo, que se agravou nos últimos dias.

Jornalista Joelmir Beting morre aos 75 anos

Do Portal Terra

Morreu, à 0h55 desta quinta-feira, aos 75 anos, o jornalista Joelmir Beting, apresentador e mediador do dominical Canal Livre e comentarista do Jornal da Band, em São Paulo. No domingo (25), ele sofreu um AVE (Acidente Vascular Encefálico) no Hospital Israelita Albert Einstein, na zona sul da capital paulista, onde estava internado desde o dia 22 de outubro, devido a uma doença autoimune que tinha nos rins.

O corpo de Beting será velado a partir das 8h desta quinta-feira, no Cemitério do Morumbi. Às 14h, os familiares se encaminharão para o Cemitério e Crematório Horto da Paz.

A morte foi comunicada pelo filho de Joelmir, o também jornalista Mauro Beting, que entrou ao vivo na Rádio Bandeirantes durante a madrugada e leu uma carta de homenagem ao pai. Na TV Bandeirantes, Bóris Casoy, apresentador do Jornal da Noite, demonstrou abatimento ao transmitir a notícia.

Nascido na cidade de Tambaú, interior de São Paulo, no dia 21 de dezembro de 1936, Beting começou a trabalhar cedo, mas sem nunca largar mão dos estudos. Aos 7 anos, já ajudava a família humilde como boia fria. No pequeno município, atualmente com população pouco superior a 20 mil habitantes, ficou até 1955, quando o padre Donizetti Tavares, a quem classificava como guru espiritual e profissional, o orientou a prestar faculdade de sociologia na USP, para depois se dedicar à carreira jornalística.

Ainda na universidade, Beting iniciou-se no jornalismo, em 1957, trabalhando especialmente com futebol nos jornais O Esporte e Diário Popular e na rádio Panamericana - atual Jovem Pan. Na contramão dos jornalistas que costumam fazer mistérios pelos times que torcem, Beting nunca escondeu sua paixão pelo Palmeiras. Cinco anos depois, migrou para o jornalismo econômico.


Em 1968, após lançar a bem-sucedida editoria de Automóveis no caderno de Classificados da Folha de S. Paulo, foi contratado para ser editor de Economia do jornal. Dois anos depois, passou a assinar sua própria coluna, publicada em diversos periódicos brasileiros. Em 1991, foi para o O Estado de S. Paulo.

Beting foi um dos responsáveis pela introdução do jornalismo econômico no rádio, ainda nos anos 1970, e na televisão, na década seguinte. Além disso, lançou livros como Na Prática a Teoria é Outra e Os Juros Subversivos, procurando, assim, clarear o entendimento do tema para leigos. Também assinou ensaios e artigos para as principais revistas semanais do País.

Jornalista respeitado, Beting afirmava trabalhar e estudar, desde a infância, cerca de 15 horas por dia, e dizia realizar no mínimo oito palestras mensais em convenções, congressos e seminários.

Casado desde 1963 com Lucila, Joelmir teve dois filhos: o publicitário e webmaster Giangranco e o comentarista e apresentador esportivo Mauro. Ele também é tio de outro conhecido jornalista, Erich Beting.

Nos últimos anos, Beting foi editor e comentarista econômico do Jornal da Band, além de comentarista de Jornal Gente e Jornal Três Tempos, da Rádio Bandeirantes, do Beting&Beting, exibido pelo Band Sports, e do Primeiro Jornal, Jornal da Noite e do canal fechado Band News. Aos domingos, apresentava e mediava debates sobre política e economia no Canal Livre, da TV Bandeirantes.

Joelmir Beting é o criador do "gol de placa" e da placa do gol

Joelmir Beting, que morreu aos 75 anos na madrugada desta quinta-feira (29), marcou seu nome na história ao criar a expressão "gol de placa", após uma partida entre Santos e Fluminense, no Maracanã (Rio de Janeiro), no dia 5 de março de 1961. A quatro minutos do final do jogo, vencido pelos santistas por 3 a 1, Pelé dominou a bola no campo de defesa e driblou seis adversários antes de mandar para o gol. Joelmir trabalhava no jornal O Esporte e ficou tão impressionado que mandou fazer uma placa de bronze para colocar no saguão do estádio, com os dizeres: "neste estádio, Pelé marcou no dia 5 de março de 1961 o tento mais bonito da história do Maracanã".

A partir de então, os jornalistas de rádio começaram a usar a expressão "gol de placa" sempre que achavam que o feito de um jogador era um gol merecedor de aplausos.

Em agosto de 2011, em entrevista ao programa Jogo Aberto, da Band, o jornalista explicou o acontecido: "eu não sou o autor da expressão 'gol de placa' no futebol, eu sou o autor da placa do gol, e o Pelé o autor do gol que ganhou a placa. Eu que tive a ideia, eu que fiz a placa e paguei com o dinheiro do meu bolso. Em nome do meu jornal, fui ao Maracanã, e a instalei. A partir daquele dia, todo o pessoal dos jornais de rádio começou a dizer: 'este gol também merece uma placa. Parece um gol de placa'. Daí veio a expressão 'gol de placa', que hoje é do vocabulário comum. Virou uma expressão popular não só para falar de futebol. Quando completou 50 anos do 'gol de placa', o Pelé me deu uma placa de acrílico. Eu fiz a de bronze e ele me devolveu a de acrílico com outro texto: 'gratidão eterna ao Joelmir Beting. Gratidão eterna do autor do gol de placa ao autor da placa do gol'.

Comentários