segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A MORTE DE ERIC HOBSBAWM


Por Alexandre Figueiredo

Passei boa parte do tempo, no ano passado, lendo o livro A Era dos Extremos - O Breve Século XX (1914-1991), do historiador britânico nascido no Egito, Eric Hobsbawm.

Lia em livrarias e bibliotecas, onde houvesse um exemplar do livro, editado pela Companhia das Letras, seguindo a sequência das páginas lidas aos poucos.

O livro tem muitas páginas e é necessário ter muita atenção e dedicação para lê-lo, mas vale a pena. É um bom livro de ciência política, além de ser um excelente livro sobre história mundial, incluindo várias citações sobre o Brasil.

Foi um importante pensador de esquerda do mundo inteiro, e Eric faleceu aos 95 anos, no Royal Free Hospital, em Londres, hoje de manhã. Era um pensador bastante ponderado e crítico, não sendo um esquerdista sectário nem sonhador, mas um analista objetivo da geopolítica mundial, observando de forma imparcial as experiências dos países tanto capitalistas quanto socialistas, e os países do Oriente Médio e da América Latina.

Era de família judaica, cresceu na Alemanha, mas teve que fugir para a Inglaterra, onde passou o resto de sua vida, por causa da ascensão do nazismo. Tornou-se professor universitário e pesquisador, lançou diversos livros como A Era das Revoluções, A Era do Capital, A Era dos Impérios, o citado A Era dos Extremos, A História Social do Jazz, A História do Marxismo e A Invenção das Tradições.

Membro da Academia Britânica, Hobsbawm lançou seu último livro no ano passado, intitulado Como mudar o mundo - Marx e o marxismo 1840-2011. Hobsbawm pode não ter tido o tom contundente das análises de Noam Chomsky, mas creio que é apenas uma forma diferente de pensar a política, igualmente válida e coerente em muitos sentidos, enriquecedora para o debate.

Hobsbawm não abriu mão de seu esquerdismo, mas admitiu que o comunismo do Leste Europeu se deu longe dos princípios marxistas e que o stalinismo influiu decisivamente na decadência dos regimes comunistas, sobretudo pelo autoritarismo do Estado. Também foi crítico das tradições, não as tradições sócio-culturais em si, mas aquelas determinadas oficialmente pelas elites nacionais, o que ele define como "tradições inventadas" não pelos laços sociais, mas pelos interesses dominantes de cada nação.

Em conversa com o historiador e colega Simon Schama, Eric Hobsbawm declarou seu desejo de ser lembrado, na posteridade, como "alguém que não apenas manteve a bandeira tremulando, mas quem mostrou que ao balançá-la pode alcançar alguma coisa, ao menos por meio de bons livros".

Vale a pena dedicar algumas horas para a leitura atenciosa dos livros de Eric Hobsbawm. É o melhor legado que ele deixa para nós.

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