sexta-feira, 26 de outubro de 2012

TV TUPI FEZ PRIMEIRA ADAPTAÇÃO DE 'GABRIELA, CRAVO E CANELA'


Por Alexandre Figueiredo

Hoje se encerra a terceira adaptação televisiva do livro de Jorge Amado, Gabriela Cravo e Canela, realizada pela mesma emissora que fez a segunda adaptação, a Rede Globo de Televisão, de 1975, com Sônia Braga no papel título.

A terceira adaptação teve Juliana Paes, uma das musas da atualidade, e, embora seja inevitável a comparação com a adaptação anterior, sobretudo pelo aproveitamento da trilha sonora original, com o mesmo tema "Modinha para Gabriela", de Dorival Caymmi, gravado por Gal Costa em 1975.

Mas houve uma primeira adaptação do famoso livro do escritor baiano, publicado em 1958, feita três anos depois. Trata-se de Gabriela Cravo e Canela, lançada pela TV Tupi em 1961 e que foi uma das primeiras novelas gravadas em videoteipe na televisão brasileira. Infelizmente, as imagens não sobreviveram aos nossos dias.

A novela foi supervisionada pelo próprio Jorge Amado, que naquele ano era consagrado imortal da Academia Brasileira de Letras, onde ficaria por 40 anos e seria depois sucedido na cadeira da ABL por sua viúva Zélia Gattai até a morte desta. Houve uma seleção entre várias candidatas, incluindo várias atrizes em evidência na época, e no entanto a que foi aprovava destoava até mesmo do visual moreno da personagem.

A escolhida foi a pouco conhecida Janette Vollu, niteroiense de 21 anos, que estudava como normalista e trabalhava como corista em peças de teatro de revista de Carlos Machado. Branquela e de olhos azuis, ela no entanto foi aprovada para o papel, que exigia poucas falas e um maior apelo sensual. Ela viajou para Salvador e Ilhéus antes de assumir o papel.

A novela foi dirigida por Maurício Sherman, que hoje dirige o humorístico Zorra Total da Rede Globo. Teve no elenco atores como Paulo Autran, Renato Consorte, Átila Iório, Grande Otelo, Glauce Rocha, Jardel Filho, Sadi Cabral, Suely Franco e Íris Bruzzi. O próprio Maurício Sherman atuou como o personagem Bentinho.

Janette Vollu não era atriz destacada e sua personagem foi seu único papel para a televisão. Namorava um arquiteto, com quem se casaria pouco depois. Ciumento, ele não gostava de ver a esposa atuando na televisão. Neste sentido, podemos dizer que o marido de Juliana Paes, hoje em dia, está mais flexível.

A novela foi produzida pela TV Tupi do Rio de Janeiro, numa época em que a televisão iniciava suas redes através de linques de transmissão de sucessivas antenas situadas entre as várias afiliadas. Não havia a transmissão por satélite. A televisão começava a se popularizar, mas os aparelhos eram muito caros e ainda havia os televizinhos e as televisitas que iam assistir à televisão na casa de algum felizardo.

Janette Vollu faleceu aos 34 anos. A novela não deixou imagens, e mesmo os registros sobre a novela são muito recentes. Por conta de informações vagas e genéricas, o Internet Movie Database (IMDb), portal de cinema e televisão na Internet, creditou a novela a um ano antes, 1960. Eu mesmo resolvi solicitar a correção do crédito da data.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

CARTUNISTA ZIRALDO COMPLETA HOJE 80 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Cartunista, escritor de histórias infantis e intelectual, tendo sido um dos colaboradores da revista O Pif Paf, de brevíssima duração, e um dos fundadores do jornal O Pasquim, em plena vigência do AI-5 da ditadura militar.

Mineiro radicado no Rio de Janeiro, Ziraldo também foi ilustrador e cartunista da revista O Cruzeiro, e se mantém em plena atividade até hoje, sendo também um militante na defesa do hábito da leitura de bons livros.

Cartunista Ziraldo completa hoje 80 anos

Do JB On Line

Formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o cartunista Ziraldo completa hoje (24) 80 anos. Nascido em Caratinga, em Minas Gerais, Ziraldo Alves Pinto é o criador de personagens famosos, como o Menino Maluquinho. Atualmente, é um dos mais conhecidos e aclamados escritores infantis do Brasil.

Começou a trabalhar no Jornal Folha de Minas, de Belo Horizonte, em 1954, com uma coluna dedicada ao humor. Ganhou notoriedade nacional ao se estabelecer na revista O Cruzeiro em 1957 e posteriormente, no Jornal do Brasil, em 1963.

Seus personagens (entre eles Jeremias, o Bom; a Supermãe e o Mirinho) conquistaram os leitores. Ziraldo foi fundador e posteriormente diretor do periódico O Pasquim, tabloide de oposição ao regime militar, uma das prováveis razões de sua prisão, ocorrida um dia após a promulgação do AI-5.

Em 1980, lançou o livro O Menino Maluquinho, seu maior sucesso editorial, o qual foi mais tarde adaptado na televisão e no cinema. Incansável, Ziraldo ainda hoje colabora em diversas publicações, e está sempre envolvido em novas iniciativas.

Uma das mais recentes foi a Revista Bundas, uma publicação de humor sobre o cotidiano que faz uma brincadeira com a revista Caras, voltada para o dia a dia de festas de artistas e da elite brasileira.

domingo, 21 de outubro de 2012

APÓS PARADA CARDÍACA, MORRE A EX-MISS BRASIL VERA MARIA BRAUNER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um dos inúmeros fatos inusitados no ainda subestimado ano de 1961 foi a desistência da vencedora do concurso Miss Brasil daquele ano, a mineira de Caratinga Stäel Maria Abelha, que tinha um noivo ciumento que a fez abandonar o desejo de disputar o concurso de Miss Universo e se casar com ele.

Com a desistência, a vice-campeã, a gaúcha Vera Maria Brauner de Menezes, foi coroada vencedora. Vera Brauner faleceu ontem, depois de sofrer uma parada cardíaca, aos 70 anos.

Após parada cardíaca morre a ex-Miss Brasil Vera Maria Brauner 

Do JB On Line

Morreu aos 70 anos, neste sábado, 20, na cidade gaúcha de Pelotas, a ex-Miss Brasil Vera Maria Brauner Menezes, coroada no concurso de 1961, em decorrência a uma parada cardíaca, informou o jornal gaúcho Zero Hora.

Vera foi a segunda gaúcha a conquistar o primeiro lugar do maior concurso de beleza do país. Ela foi coroada Miss Brasil após a vencedora, a mineira Staël Maria da Rocha Abelha, renunciar ao posto. Segundo o jornal, a ex- Miss morreu em casa e seu corpo está sendo velado na capela A1 do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paulo. Seu corpo será cremado em São Leopoldo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

MORRE SÍLVIA KRISTEL, FAMOSA ATRIZ DE 'EMMANUELLE'


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Quem viveu os anos 70 pôde se informar do filme sensual Emmanuelle, que fez a atriz holandesa Sylvia Kristel se tornar uma das mais desejadas do mundo. Mas o tempo passou e ela até tentou levar sua carreira adiante, com outros trabalhos, mas sempre ficou marcada pelo papel-título do filme. Ultimamente ela havia lutado contra o câncer, batalha que foi perdida na noite de ontem.

Morre Sylvia Kristel, famosa atriz de 'Emmanuelle'

Da Agência France Press

A atriz holandesa Sylvia Kristel, 60 anos, famosa em todo o mundo como a protagonista do filme erótico Emmanuelle, de 1974, morreu durante a noite da última quarta-feira (17), vítima de um câncer, segundo informou a agência Features Creative Management, que administrava sua carreira. 

"Ela morreu durante o sono", disse Marieke Verharen, representante da atriz. Verharen afirmou também que Kristel faleceu "em consequência de um câncer".
A atriz vinha fazendo tratamento contra um tumor de garganta há dez anos, mas precisou interromper o processo nos últimos dias devido a seu estado delicado. Ela estava hospitalizada desde julho, após um AVC em casa. 

Carreira

Sylvia começou a carreira como modelo, aos 17 anos, tendo ganho em 1973 o concurso Miss TV Europe. Mas, se tornou famosa no ano seguinte, quando protagonizou Emmanuelle, longa erótico francês, de Just Jaeckin, com música de Pierre Bachelet. O trabalho foi um sucesso, não só em França mas em todo o mundo. 


Ela entrou ainda em uma adaptação de O Amante de Lady Chaterley (1981) e Mata Hari (1985), aumentando ainda mais a sua imagem sensual. Também viria a interpretar, embora com menos sucesso, as sequências Emmanuelle 2 (1975), Goodbye Emmanuelle (1977) e Emmanuelle 4 (1984). 

Em abril de 2011, Sylvia disse em entrevista que gostaria ter um pequeno papel na versão 3D que está sendo feita do filme que a tornou famosa, e afirmou ainda que desejava continuar na carreira de produtora, após ter dirigido, em 2008, o curta-metragem de animação Topor Et Moi. 

Filmografia (parcial)

The Swing Girls (2010)
Two Sunny Days (2010)
Bank (2002)
Sexy Boys (2001)
An Amsterdam Tale (1999)
Film 1 (1999)
Harry Rents a Room (1999)
Gaston's War (1997)
Die Sexfalle (1997) (TV)
Emmanuelle au 7ème ciel (1993)
Le secret d'Emmanuelle
Beauty School (1993)
Le parfum d'Emmanuelle (1993)
Magique Emmanuelle (1993)
L'amour d'Emmanuelle (1993)
Emmanuelle à Venise (1993)
La revanche d'Emmanuelle (1993)
Éternelle Emmanuelle (1993)
Hot Blood (1990)
In the Shadow of the Sandcastle (1990)
Dracula's Widow (1988)
The Arrogant (1988)
Casanova (1987) (TV)
Red Heat (1985)
The Big Bet (1985)
Emmanuelle IV (1984)
Private School (1983)
Private Lessons (1981)
Lady Chatterley's Lover (1981)
The Million Dollar Face (1981)
Un amore in prima classe (1980)
The Nude Bomb (1980)
The Concorde ... Airport '79 (1979)
The Fifth Musketeer (1979)
Letti selvaggi (1979)
Mysteries (1978)
Pastorale 1943 (1978)
Goodbye Emmanuelle (1977)
René la canne (1977)
Alice ou la dernière fugue (1977)
La marge (1976)
Une femme fidèle (1976)
Emmanuelle: L'antivierge (1975)
Un linceul n'a pas de poches (1974)
Der Liebesschüler (1974)
Emmanuelle (1974)
Because of the Cats (1973)
Frank en Eva (1973)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A MORTE DE ERIC HOBSBAWM


Por Alexandre Figueiredo

Passei boa parte do tempo, no ano passado, lendo o livro A Era dos Extremos - O Breve Século XX (1914-1991), do historiador britânico nascido no Egito, Eric Hobsbawm.

Lia em livrarias e bibliotecas, onde houvesse um exemplar do livro, editado pela Companhia das Letras, seguindo a sequência das páginas lidas aos poucos.

O livro tem muitas páginas e é necessário ter muita atenção e dedicação para lê-lo, mas vale a pena. É um bom livro de ciência política, além de ser um excelente livro sobre história mundial, incluindo várias citações sobre o Brasil.

Foi um importante pensador de esquerda do mundo inteiro, e Eric faleceu aos 95 anos, no Royal Free Hospital, em Londres, hoje de manhã. Era um pensador bastante ponderado e crítico, não sendo um esquerdista sectário nem sonhador, mas um analista objetivo da geopolítica mundial, observando de forma imparcial as experiências dos países tanto capitalistas quanto socialistas, e os países do Oriente Médio e da América Latina.

Era de família judaica, cresceu na Alemanha, mas teve que fugir para a Inglaterra, onde passou o resto de sua vida, por causa da ascensão do nazismo. Tornou-se professor universitário e pesquisador, lançou diversos livros como A Era das Revoluções, A Era do Capital, A Era dos Impérios, o citado A Era dos Extremos, A História Social do Jazz, A História do Marxismo e A Invenção das Tradições.

Membro da Academia Britânica, Hobsbawm lançou seu último livro no ano passado, intitulado Como mudar o mundo - Marx e o marxismo 1840-2011. Hobsbawm pode não ter tido o tom contundente das análises de Noam Chomsky, mas creio que é apenas uma forma diferente de pensar a política, igualmente válida e coerente em muitos sentidos, enriquecedora para o debate.

Hobsbawm não abriu mão de seu esquerdismo, mas admitiu que o comunismo do Leste Europeu se deu longe dos princípios marxistas e que o stalinismo influiu decisivamente na decadência dos regimes comunistas, sobretudo pelo autoritarismo do Estado. Também foi crítico das tradições, não as tradições sócio-culturais em si, mas aquelas determinadas oficialmente pelas elites nacionais, o que ele define como "tradições inventadas" não pelos laços sociais, mas pelos interesses dominantes de cada nação.

Em conversa com o historiador e colega Simon Schama, Eric Hobsbawm declarou seu desejo de ser lembrado, na posteridade, como "alguém que não apenas manteve a bandeira tremulando, mas quem mostrou que ao balançá-la pode alcançar alguma coisa, ao menos por meio de bons livros".

Vale a pena dedicar algumas horas para a leitura atenciosa dos livros de Eric Hobsbawm. É o melhor legado que ele deixa para nós.