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NELSON RODRIGUES E O TEATRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Autor de frases de efeito como "Toda unanimidade é burra" - lançada quando da repercussão negativa de uma de suas peças de teatro - , Nelson Rodrigues também era notável por narrar as tragédias humanas nas suas obras para teatro. Certamente, há um equívoco dos seguidores de Nelson Rodrigues - que sucumbem à tal unanimidade rejeitada pelo autor falecido em 1980 - que acaba glamourizando essas tragédias, como se fosse uma "Bossa Nova noir".

É preferível que se analise criticamente o que Nelson escrevia em suas obras do que poetizar e mitificar. É por isso que eventualmente ocorrem violências terríveis dentro de nossas elites, sobretudo os feminicídios conjugais e os homicídios de ricos pelos próprios herdeiros, por influência, em boa parte, da "má digestão" da obra de Nelson.

Rodrigues, Nelson (1912 - 1980)

Do Portal Itaú Cultural

Biografia
Nelson Falcão Rodrigues (Recife PE 1912 - Rio de Janeiro RJ 1980). Autor. Ao longo de sua trajetória artística, Nelson Rodrigues é alvo de uma polêmica que o faz conhecer tanto o sucesso absoluto, como em Vestido de Noiva, 1943, cuja encenação por Ziembinski marca o surgimento do teatro moderno no Brasil, quanto a total execração, como em Anjo Negro, 1948, ousada montagem para a época pelo Teatro Popular de Arte. Distante de qualquer modismo, tendência ou movimento, cria um estilo próprio e é hoje considerado um dos maiores dramaturgos brasileiros.

A primeira peça de Nelson já traz uma evidente carga psicológica, em que o jogo neurótico invade e transforma as relações. O que move a ação de A Mulher sem Pecado é o ciúme, doença aceita nos extratos mais recatados da sociedade. A narrativa se mantém dentro do comportamento social, só permitindo ao espectador acesso ao mundo interior das personagens através desse filtro. Na encenação do texto pela bem comportada companhia Comédia Brasileira, em 1942, o que é o latente estilo rodriguiano passa despercebido.

Em Vestido de Noiva, Nelson cria um artifício dividindo a ação em três planos - da memória, alucinação e realidade - permitindo ao espectador acessar toda a complexidade da psique da personagem central. O texto sugere insuspeitas perversões psicológicas, mas a temática não ultrapassa a traição entre irmãs e o apelo da vida mundana sobre a fantasia feminina. A encenação realizada por Ziembinski com o grupo Os Comediantes, em 1943, torna-se um marco histórico. A peça passa por várias montagens no decorrer das próximas décadas.

Em Álbum de Família, texto seguinte, escrito em 1945, Nelson elabora um mergulho radical na inconsciência primitiva de suas personagens, que se tornam arquétipos, trabalhando sua narrativa sobre as verdades profundas e inimagináveis do ser humano a partir da célula da família. Aqui o tema se aloja em um dos maiores tabus sociais - o incesto em todas as direções, entre irmãos, mãe e filho, pai e filha. O autor nomeia seu estilo de "teatro desagradável" e reconhece que este teatro, que se inicia a partir de Álbum de Família, inviabiliza a repetição do sucesso de Vestido de Noiva, porque "são obras pestilentas, fétidas, capazes, por si só, de produzir o tifo e a malária na platéia".1

A rejeição à obra de Nelson Rodrigues, de motivação eminentemente moral, começa com a censura a algumas de suas peças. Álbum de Família, de 1945, só virá a ser encenada 22 anos depois de escrita. Anjo Negro, de 1946, sofre tentativas de censura religiosa, mas consegue ir à cena dois anos depois, polêmica montagem, novamente encenada por Ziembinski, pelo Teatro Popular de Arte, encabeçados por Maria Della Costa e Sandro Polloni.

Nelson volta mais uma vez a ser encenado por Ziembinski em 1950, com Dorotéia. A encenação e o texto, da intitulada "farsa irresponsável" pelo autor, não são compreendidos pelo público, saindo rapidamente de cartaz. Em 1951 é a vez de Valsa Nº 6, um monólogo em que uma jovem de 15 anos, golpeada mortalmente, recupera, em estado de choque, o mundo a sua volta. A peça é escrita para ser interpretada por Dulce Rodrigues, irmã do autor, e é dirigida por Henriette Morineau.

Em 1953, A Falecida, primeira tragédia carioca de Nelson retratando a peculiaridade da Zona Norte do Rio de Janeiro, é encenada por José Maria Monteiro, com a Companhia Dramática Nacional - CDN, tendo Sônia Oiticica e Sergio Cardoso como protagonistas. Na seqüência, surge Senhora dos Afogados, escrito antes de Dorotéia e Valsa Nº 6, em 1947. A montagem que, inicialmente estrearia no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, tem seu curso interrompido após meses de ensaios, sendo retomada em 1954 pela CDN, com direção de Bibi Ferreira. Ao final da estréia, ao subir, em uma extremidade do palco, o autor, e, na outra, a diretora, o público vira-se na direção dele e vaia, volta-se para ela e aplaude, exaltando o espetáculo para repudiar o texto. A causa do horror do público é outra vez a relação incestuosa, o amor da filha pelo pai, que faz com que a mãe se vingue traindo o marido com o noivo da filha, motivando assassinatos entre os membros da família.

Perdoa-me por me Traíres

, a história de uma órfã adolescente que vive sob a repressão de um tio. A peça causa escândalo na cena carioca em 1957. Sendo produzida pelo ator e autor Glaucio Gill, o elenco traz o próprio Nelson Rodrigues e Abdias do Nascimento, líder do Teatro Experimental do Negro - TEN.

Ainda em 1957, Nelson escreve Viúva, porém Honesta, outra "farsa irresponsável", sátira violenta tendo como alvo os jornalistas e a crítica especializada. Menos de dois meses após o lançamento de Perdoa-me, a produção de Viúva, com direção do alemão Willy Keller e cenários e figurinos de Fernando Pamplona, vem a ser a resposta do autor à má recepção da opinião pública à peça anterior.

Em 1958, a Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso retoma Vestido de Noiva, numa versão renovada, bem distinta da primeira de Ziembinski, merecendo elogios dos jornais.

Os Sete Gatinhos

, "a divina comédia", retoma o tema de família suburbana carioca, agora se decompondo drasticamente a partir da revelação de que a filha caçula, Silene,  frusta as expectativas da família ao ser seduzida pelo malandro Bibelot. A peça tem novamente Willy Keller na encenação, e é produzida pelo irmão de Nelson, Milton Rodrigues.

Em 1961, José Renato, fundador do Teatro de Arena, encena, no Teatro Nacional de Comédia - TNC, a próxima peça de Nelson, Boca de Ouro, escrita em 1959, e que, em 1969, tivera uma estréia mal-sucedida na mão de Ziembinski, que cismara em interpretar o papel-título. As várias faces de Boca de Ouro, o bicheiro cafajeste da Zona Norte, que surgem a partir de depoimentos de Dona Guigui, após a sua morte, ganham brilho e verossimilhança na interpretação de Milton Moraes.

O Beijo no Asfalto é escrita sob encomenda de Fernanda Montenegro a Nelson. Em 21 dias, o autor apresenta mais uma de suas tragédias cariocas, agora abordando a sordidez não só da imprensa, mas também da polícia, numa trama forjada que destrói a reputação de um homem, acusado de homicida e homossexual. O Teatro dos Sete estréia o espetáculo em 1961, sob a direção de Fernando Torres, com cenografia de Gianni Ratto, contando com Fernanda, Sergio Britto, Oswaldo Loureiro, Ítalo Rossi, entre outros.

Martim Gonçalves, animador do Teatro Novo, monta em 1962 Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária. A trama gira em torno das hesitações de um humilde contínuo, entre casar-se com a filha de um magnata e vítima de um estupro bárbaro, ou manter-se fiel a seus sentimentos por uma prostituta pobre que sustenta a mãe louca e as três irmãs, papel reservado a Tereza Raquel, que se destaca no conjunto.

Em 1965, Ziembinski retoma a parceria com Nelson, para lançar Toda Nudez Será Castigada, a história de um homem conservador que se apaixona por uma prostituta, que acaba por traí-lo com o próprio filho. Ela suicida-se após a fuga do rapaz com um outro homem, e deixa uma gravação revelando toda a verdade ao marido. Para incorporar a protagonista Geni, muitas atrizes são consultadas, mas recusam o papel, que é tomado com paixão por Cleyde Yáconis.

Tendo encenado cinco peças de Nelson Rodrigues, Ziembinski é aquele que, entre os diretores que realizam as primeiras encenações do autor, não se limita a montar o texto mas se serve dele para construir uma linguagem própria, na maioria das vezes em busca de um expressionismo que, em vez de situar a ação em ambientes decorativos, cria, com auxílio primordial da cenografia de Tomás Santa Rosa e da iluminação, espaços a serem utilizados pela marcação cênica.

Em 1967, é a vez de subir a cena a terceira peça de Nelson, Álbum de Família, escrita em 1945 e logo proibida pelos censores, liberada somente 20 anos depois. O Teatro Jovem, de Kleber Santos, assume a montagem, tendo Vanda Lacerda, José Wilker e Thelma Reston, entre outros, no elenco.

Os compromissos jornalísticos, a decepção com a receptividade de suas peças e os problemas de saúde fazem com que Nelson deixe de escrever para o teatro durante oito anos. Seu penúltimo texto dramático é Anti-Nelson Rodrigues, de 1973, e, ao contrário das anteriores, dá um final feliz aos protagonistas da trama. Neila Tavares, responsável por convencer o dramaturgo a escrever para ela, incorpora a personagem Joice, sob a direção de Paulo César Pereio.

A última peça de Nelson Rodrigues, A Serpente, é escrita em 1978. Duas irmãs casam-se no mesmo dia, uma é feliz no casamento e a outra não consegue sequer perder a virgindade em sua lua-de-mel. A bem-sucedida empresta o marido à irmã, trazendo paixão, ciúmes e morte para a relação fraternal. Sobre a peça paira um certo rótulo de "maldita", superstição conhecida dentro da classe teatral, tendo, no mínimo, três expectativas de montagem frustradas. O espetáculo acaba por estrear em 1980, dirigida por Marcos Flaksman, no Teatro do BNH, no Rio de Janeiro, casa de espetáculos que ganha o nome de Teatro Nelson Rodrigues, após a morte do autor.

Os textos de Nelson Rodrigues ganham dezenas de remontagens ao longo das próximas décadas. Léo Jusi, Ivan de Albuquerque, Osmar Rodrigues Cruz, Roberto Lage, Eduardo Tolentino de Araújo, Emílio Di Biasi, Antunes Filho, Antônio Abujamra, Antônio Pedro Borges, Paulo Betti, Gabriel Villela, Moacyr Góes, Luiz Arthur Nunes, Marco Antonio Braz, Hebe Alves, Hugo Rodas e Paulo de Moraes são alguns diretores que encenam as obras de Nelson, às vezes até adaptando seus romances, contos e crônicas jornalísticas para o teatro.

Nelson Rodrigues tem vinte de suas histórias transpostas para a tela do cinema, algumas em duas versões, como Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, 1962, e de Walter Avancini, 1990, e Bonitinha, mas Ordinária, de R. P. de Carvalho, 1963, e de Braz Chediak, 1980. Algumas das realizações mais bem-sucedidas são A Falecida, de Leon Hirszman, 1965, e O Casamento, de Arnaldo Jabor, 1975. Suas crônicas para O Jornal, sob o pseudônimo de Suzana Flag, são publicadas em livros, como Meu Destino é Pecar, As Escravas do Amor e O Homem Proibido. Escreve também para os periódicos Última Hora, Flan, Correio da Manhã, O Globo e Manchete Esportiva. Assinando artigos sobre esporte, não priva o leitor de seu estilo dramático, atendo-se muitas vezes ao sentido da rivalidade, ao significado do gol, ao efeito do suor sobre a subjetividade da platéia brasileira.

Na maioria das obras do autor, a realidade tem apenas o papel de situar a ação, que se concentra de fato sobre o universo interior das personagens. O jogo entre a verdade interior - nem sempre psíquica - e a máscara social é outro elemento recorrente em sua dramaturgia. As personagens podem se desmascarar ao longo da narrativa - como em Beijo no Asfalto ou Toda Nudez Será Castigada - ou estarem francamente libertos de qualquer censura interna ou externa como em Álbum de Família - e, nesse caso, a supressão das leis da conveniência que permite o convívio termina em tragédia absoluta, restando pouca vida ao final da narrativa. A morte, como em toda a tragédia, ronda as tramas do autor e, via de regra múltipla, marca o último ato. Com exceção de Viúva, porém Honesta e Anti-Nelson Rodrigues, a morte, nas demais 15 peças, atinge as personagens centrais e toda a narrativa se desenha em torno da inevitabilidade desse destino.

Sobre a assimilação e receptividade da obra rodriguiana na cena nacional, escreve seu maior estudioso, o crítico Sábato Magaldi: "Nelson Rodrigues tornou-se desde a sua morte, em 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos de idade (ele nasceu em 23 de agosto de 1912), o dramaturgo brasileiro mais representado - não só o clássico da nossa literatura teatral moderna, hoje unanimidade nacional. Enquanto a maioria dos autores passa por uma espécie de purgatório, para renascer uma ou duas gerações mais tarde, Nelson Rodrigues conheceu de imediato a glória do paraíso, e como por milagre desapareceram as reservas que, às vezes, teimavam em circunscrever sua obra no território do sensacionalismo, da melodramaticidade, da morbidez ou da exploração sexual.

Parece que, superado o ardor polêmico, restava apenas a adesão irrestrita. As propostas vanguardistas, que a princípio chocaram, finalmente eram assimiláveis por um público maduro para acolhê-las. Ninguém, antes de Nelson, havia apreendido tão profundamente o caráter do país. E desvendado, sem nenhum véu mistificador, a essência da própria natureza do homem. O retrato sem retoques do indivíduo, ainda que assuste em pormenores, é o fascínio que assegura a perenidade da dramaturgia rodrigueana".2

Notas
1. RODRIGUES, Nelson. Teatro desagradável. Dionysos, Rio de Janeiro, out. 1949.

2. MAGALDI, Sábato. Moderna Dramaturgia Brasileira. São Paulo, Ed. Perspectiva, 1998, p. 23.

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