sábado, 25 de agosto de 2012

NEIL ARMSTRONG, PRIMEIRO HOMEM A PISAR NA LUA, MORRE AOS 82 ANOS NOS EUA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Faleceu um dos astronautas que realizaram a viagem à Lua, em 1969. Neil Armstrong, que tinha 82 anos, foi o primeiro a pisar o território lunar, numa operação que até hoje rende polêmicas, mas que era promessa até do presidente John Kennedy em 1961.

Neil também tornou-se célebre pelo comentário que fez na ocasião de sua visita à Lua: "Este é um pequeno passo para um homem e um gigantesco passo para a humanidade".

Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, morre aos 82 anos nos EUA

Do Último Segundo, com base nas informações da Reuters e agências internacionais

O ex-astronauta norte-americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua, morreu aos 82 anos neste sábado, em Ohio, nos Estados Unidos. Armstrong tinha sido submetido a uma cirurgia no coração no começo deste mês para desobstruir artérias. Segundo a própria família do ex-astronauta, Armstrong morreu após complicações da cirurgia.

"Estamos de coração partido por compartilhar a notícia de que Neil Armstrong morreu devido a complicações após a cirurgia cardíaca", disse a família de Armstrong em comunicado obtido pela rede de televisão americana CNN.

Como comandante da missão Apollo 11, Armstrong se tornou o primeiro ser humano a pisar na Lua, em 20 de julho de 1969. Foi ele quem proferiu a histórica frase: "Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade”.

Ela era o comandante da primeira missão lunar, na Apolo 11, ao lado dos astronautas Buzz Aldrin e Michael Collins. Em 21 de julho de 1969, a cápsula lunar Eagle pousou sobre a superfície lunar e Armstrong - como havia sido planejado - foi o primeiro homem a caminhar sobre a Lua.

Piloto da Marinha

O comandante nasceu no dia 5 de agosto de 1930. Ele foi piloto da Marinha dos Estados Unidos entre 1949 e 1952 e lutou na Guerra da Coreia. Formou-se em 1955 em engenharia aeronáutica pela Universidade de Purdue e atuou como piloto civil da agência que deu origem à Nasa, a Naca (Conselho Nacional de Aeronáutica).

Em uma rara entrevista em maio deste ano , Neil Armstrong disse que os astronautas do histórico voo Apolo 11 calculavam em apenas 50% as possibilidades de pousar sobre a superfície do satélite. "Pensava que eram de 90% as possibilidades de retornar sãos e salvos à Terra depois do voo, mas apenas 50% de possibilidades de pousar sobre a Lua nesta primeira tentativa", disse Armstrong na ocasião.

A entrevista causou extrema surpresa, já que o veterano astronauta praticamente não fez declarações públicas nos últimos anos. Mas ele decidiu romper o silêncio em uma entrevista à  Associação Australiana de Peritos Contábeis Certificados. Segundo o presidente da entidade, o ex-astronauta decidiu oferecer a longa entrevista porque seu pai foi um contador público.

Relembre: Neil Armstrong afirma que havia apenas 50% de chance de pousar na Lua

 (Rara entrevista dada por ele na Austrália)



Agência France Press - 25 de abril de 2012

Os astronautas do histórico voo Apolo 11, que chegou à Lua em 1969 calculavam em apenas 50% as possibilidades de pousar sobre a superfície do satélite, afirmou Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, em uma rara entrevista concedida à Associação Australiana de Peritos Contábeis Certificados.

"Pensava que eram de 90% as possibilidades de retornar sãos e salvos à Terra depois do voo, mas apenas 50% de possibilidades de pousar sobre a Lua nesta primeira tentativa", disse Armstrong, de 82 anos e primeiro homem a pisar na superfície lunar.

De acordo com o famoso astronauta americano, "um mês antes do lançamento da Apolo 11, havíamos chegado à conclusão de que estávamos suficientemente preparados para tentar descer à superfície da Lua".

Armstrong era o comandante da primeira missão lunar na Apolo 11, ao lado dos astronautas Buzz Aldrin e Michael Collins. Em 21 de julho de 1969, a cápsula lunar Eagle pousou sobre a superfície lunar e Armstrong - como havia sido planejado - foi o primeiro homem a caminhar sobre a Lua.

A entrevista de Armstrong causou extrema surpresa, já que o veterano astronauta praticamente não fez declarações públicas nos últimos anos. Mas ele decidiu romper o silêncio em uma entrevista à associação australiana.

Segundo o presidente da entidade, Armstrong decidiu oferecer a longa entrevista porque seu pai foi um contador público.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

ATRIZ TÔNIA CARRERO COMPLETA 90 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A atriz Tônia Carrero completa hoje 90 anos, tendo sido um grande nome do teatro e do cinema brasileiros, tendo integrado a fase sofisticada do teatro nos anos 50, que culminou com o grupo teatral formado com Paulo Autran e o italiano Adolfo Celi. Mas ela também se abriu para o polêmico Plínio Marcos, fazendo uma prostituta em "Navalha na Carne", nos anos 60.

Ultimamente ela anda reclusa, por causa de um comprometimento dos nervos que fazem a ligação das pernas, o que dificulta sua locomoção. Mas fica aqui a nossa homenagem à mulher marcada pela beleza e pelo talento.

Atriz Tonia Carrero completa 90 anos, com uma história de talento e personalidade

Por Roberta Pennafort - Portal Estadão.Com.Br

Pense numa mulher feliz: acarinhada pela família - filho, quatro netos, cinco bisnetos - e os amigos da vida toda, com uma carreira gloriosa de seis décadas, trabalhos memoráveis no teatro, na TV e no cinema. É Tonia Carrero, que recebe hoje à tarde para uma festa por seus 90 anos em casa, no Leblon.

A data é quinta-feira, dia 23. Diferentemente da maioria dos que chegam a essa idade, Tonia quis a celebração, a casa cheia, o cabeleireiro em domicílio. Não é uma mulher comum. Mais: nunca houve uma mulher como Tonia. "Ela sempre gostou de festa. Está animada e bem-humorada, mesmo com as limitações que a vida trouxe: tem dificuldade de falar e andar. A cabeça é exemplar", conta Cecil Thiré, o filho único que penou por ter a mãe mais bonita do Brasil.

Entre os convidados, Nathalia Timberg, Jacqueline Laurence, Eva Wilma, Eva Todor, Camila Amado, atrizes com quem ela dividiu momentos que fazem parte da vida do brasileiro adulto. Fãs que se apaixonaram pelos cabelos dourados e os olhos "espantosamente azuis", como um dia escreveu Ronaldo Bôscoli, mas também pelo talento dramático, a dignidade como caminho, a transparência.

Quando fez 80, admitiu que se ver no espelho era "uma tristeza". "O fato de nenhum homem me achar atraente a esta altura da vida é muito duro", reconheceu, sem autopiedade. Assim como admitiu casos extraconjugais com Paulo Autran, o amigo maior, e Rubem Braga, quando era casada com Carlos Thiré, que também a traía.

Combinação de beleza, talento e personalidade - para quem acompanha sua trajetória, está aí a razão do sucesso de Maria Antonietta Portocarrero Thedim, nascida Mariinha, com cabeleira castanha, "nariz chatinho, a boca pequenininha". O registro carinhoso e detalhado do livro do bebê abre Tonia Carrero - Movida Pela Paixão, de Tânia Carvalho, lançado há três anos. "Não disfarço mais nada. Não quero que me achem linda ou brilhante. Hoje, estou acima do bem e do mal", ela afirmou à época.

Na festa de hoje, cada um dos presentes levará um exemplar do livro O Monstro de Olhos Azuis, memórias que Tonia lançou em 1986 e Cecil mandou reimprimir agora, levado pela efeméride.

A última das 54 peças que encenou foi Um Barco para o Sono, em 2007, que teve a direção do neto Carlos Thiré. Na TV, fez uma participação na novela Senhora do Destino, no ano seguinte. No cinema - onde estreou, em 1947, vinda de cursos de formação em Paris -, interpretou uma senhora com problemas de memória em Chega de Saudade, em 2008.

A memória de Tonia é traiçoeira há algum tempo, trazendo dificuldade para decorar textos e a impossibilitando de dar entrevistas. Ela fala através das lembranças dos amigos.

"Tonia sempre foi assustadoramente franca e tem um caráter afetivo imenso. Nunca foi narcisa, é de uma beleza que enxerga o outro", diz Camila Amado. Para ela, perdeu um Molière, em 1967. "Tonia fazia Navalha da Carne e eu, De Brecht a Stanislaw. Tivemos a mesma votação, mas o prêmio foi para ela por sua história. Tonia merece tudo."

A montagem de Navalha foi um marco também para o então diretor iniciante Fauzi Arap, chamado por Plínio Marcos para a tarefa. Fauzi e Tonia se estranharam de início, mas logo ele estaria deslumbrado: a mulher de imagem ultrassofisticada fez uma Neusa Sueli inesquecível, desglamourizada como não se poderia supor.

E, graças a Tonia, a peça enganou a censura. "Já com muito prestígio, ela foi lá e disse que faria a personagem, e, portanto, não poderia ser nada pornográfico", ele diz. "Lembro dela chegando como se fosse A Visita da Velha Senhora e saindo com a liberação. Quando estreou, a plateia não respirava."

NELSON RODRIGUES E O TEATRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Autor de frases de efeito como "Toda unanimidade é burra" - lançada quando da repercussão negativa de uma de suas peças de teatro - , Nelson Rodrigues também era notável por narrar as tragédias humanas nas suas obras para teatro. Certamente, há um equívoco dos seguidores de Nelson Rodrigues - que sucumbem à tal unanimidade rejeitada pelo autor falecido em 1980 - que acaba glamourizando essas tragédias, como se fosse uma "Bossa Nova noir".

É preferível que se analise criticamente o que Nelson escrevia em suas obras do que poetizar e mitificar. É por isso que eventualmente ocorrem violências terríveis dentro de nossas elites, sobretudo os feminicídios conjugais e os homicídios de ricos pelos próprios herdeiros, por influência, em boa parte, da "má digestão" da obra de Nelson.

Rodrigues, Nelson (1912 - 1980)

Do Portal Itaú Cultural

Biografia
Nelson Falcão Rodrigues (Recife PE 1912 - Rio de Janeiro RJ 1980). Autor. Ao longo de sua trajetória artística, Nelson Rodrigues é alvo de uma polêmica que o faz conhecer tanto o sucesso absoluto, como em Vestido de Noiva, 1943, cuja encenação por Ziembinski marca o surgimento do teatro moderno no Brasil, quanto a total execração, como em Anjo Negro, 1948, ousada montagem para a época pelo Teatro Popular de Arte. Distante de qualquer modismo, tendência ou movimento, cria um estilo próprio e é hoje considerado um dos maiores dramaturgos brasileiros.

A primeira peça de Nelson já traz uma evidente carga psicológica, em que o jogo neurótico invade e transforma as relações. O que move a ação de A Mulher sem Pecado é o ciúme, doença aceita nos extratos mais recatados da sociedade. A narrativa se mantém dentro do comportamento social, só permitindo ao espectador acesso ao mundo interior das personagens através desse filtro. Na encenação do texto pela bem comportada companhia Comédia Brasileira, em 1942, o que é o latente estilo rodriguiano passa despercebido.

Em Vestido de Noiva, Nelson cria um artifício dividindo a ação em três planos - da memória, alucinação e realidade - permitindo ao espectador acessar toda a complexidade da psique da personagem central. O texto sugere insuspeitas perversões psicológicas, mas a temática não ultrapassa a traição entre irmãs e o apelo da vida mundana sobre a fantasia feminina. A encenação realizada por Ziembinski com o grupo Os Comediantes, em 1943, torna-se um marco histórico. A peça passa por várias montagens no decorrer das próximas décadas.

Em Álbum de Família, texto seguinte, escrito em 1945, Nelson elabora um mergulho radical na inconsciência primitiva de suas personagens, que se tornam arquétipos, trabalhando sua narrativa sobre as verdades profundas e inimagináveis do ser humano a partir da célula da família. Aqui o tema se aloja em um dos maiores tabus sociais - o incesto em todas as direções, entre irmãos, mãe e filho, pai e filha. O autor nomeia seu estilo de "teatro desagradável" e reconhece que este teatro, que se inicia a partir de Álbum de Família, inviabiliza a repetição do sucesso de Vestido de Noiva, porque "são obras pestilentas, fétidas, capazes, por si só, de produzir o tifo e a malária na platéia".1

A rejeição à obra de Nelson Rodrigues, de motivação eminentemente moral, começa com a censura a algumas de suas peças. Álbum de Família, de 1945, só virá a ser encenada 22 anos depois de escrita. Anjo Negro, de 1946, sofre tentativas de censura religiosa, mas consegue ir à cena dois anos depois, polêmica montagem, novamente encenada por Ziembinski, pelo Teatro Popular de Arte, encabeçados por Maria Della Costa e Sandro Polloni.

Nelson volta mais uma vez a ser encenado por Ziembinski em 1950, com Dorotéia. A encenação e o texto, da intitulada "farsa irresponsável" pelo autor, não são compreendidos pelo público, saindo rapidamente de cartaz. Em 1951 é a vez de Valsa Nº 6, um monólogo em que uma jovem de 15 anos, golpeada mortalmente, recupera, em estado de choque, o mundo a sua volta. A peça é escrita para ser interpretada por Dulce Rodrigues, irmã do autor, e é dirigida por Henriette Morineau.

Em 1953, A Falecida, primeira tragédia carioca de Nelson retratando a peculiaridade da Zona Norte do Rio de Janeiro, é encenada por José Maria Monteiro, com a Companhia Dramática Nacional - CDN, tendo Sônia Oiticica e Sergio Cardoso como protagonistas. Na seqüência, surge Senhora dos Afogados, escrito antes de Dorotéia e Valsa Nº 6, em 1947. A montagem que, inicialmente estrearia no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, tem seu curso interrompido após meses de ensaios, sendo retomada em 1954 pela CDN, com direção de Bibi Ferreira. Ao final da estréia, ao subir, em uma extremidade do palco, o autor, e, na outra, a diretora, o público vira-se na direção dele e vaia, volta-se para ela e aplaude, exaltando o espetáculo para repudiar o texto. A causa do horror do público é outra vez a relação incestuosa, o amor da filha pelo pai, que faz com que a mãe se vingue traindo o marido com o noivo da filha, motivando assassinatos entre os membros da família.

Perdoa-me por me Traíres

, a história de uma órfã adolescente que vive sob a repressão de um tio. A peça causa escândalo na cena carioca em 1957. Sendo produzida pelo ator e autor Glaucio Gill, o elenco traz o próprio Nelson Rodrigues e Abdias do Nascimento, líder do Teatro Experimental do Negro - TEN.

Ainda em 1957, Nelson escreve Viúva, porém Honesta, outra "farsa irresponsável", sátira violenta tendo como alvo os jornalistas e a crítica especializada. Menos de dois meses após o lançamento de Perdoa-me, a produção de Viúva, com direção do alemão Willy Keller e cenários e figurinos de Fernando Pamplona, vem a ser a resposta do autor à má recepção da opinião pública à peça anterior.

Em 1958, a Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso retoma Vestido de Noiva, numa versão renovada, bem distinta da primeira de Ziembinski, merecendo elogios dos jornais.

Os Sete Gatinhos

, "a divina comédia", retoma o tema de família suburbana carioca, agora se decompondo drasticamente a partir da revelação de que a filha caçula, Silene,  frusta as expectativas da família ao ser seduzida pelo malandro Bibelot. A peça tem novamente Willy Keller na encenação, e é produzida pelo irmão de Nelson, Milton Rodrigues.

Em 1961, José Renato, fundador do Teatro de Arena, encena, no Teatro Nacional de Comédia - TNC, a próxima peça de Nelson, Boca de Ouro, escrita em 1959, e que, em 1969, tivera uma estréia mal-sucedida na mão de Ziembinski, que cismara em interpretar o papel-título. As várias faces de Boca de Ouro, o bicheiro cafajeste da Zona Norte, que surgem a partir de depoimentos de Dona Guigui, após a sua morte, ganham brilho e verossimilhança na interpretação de Milton Moraes.

O Beijo no Asfalto é escrita sob encomenda de Fernanda Montenegro a Nelson. Em 21 dias, o autor apresenta mais uma de suas tragédias cariocas, agora abordando a sordidez não só da imprensa, mas também da polícia, numa trama forjada que destrói a reputação de um homem, acusado de homicida e homossexual. O Teatro dos Sete estréia o espetáculo em 1961, sob a direção de Fernando Torres, com cenografia de Gianni Ratto, contando com Fernanda, Sergio Britto, Oswaldo Loureiro, Ítalo Rossi, entre outros.

Martim Gonçalves, animador do Teatro Novo, monta em 1962 Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária. A trama gira em torno das hesitações de um humilde contínuo, entre casar-se com a filha de um magnata e vítima de um estupro bárbaro, ou manter-se fiel a seus sentimentos por uma prostituta pobre que sustenta a mãe louca e as três irmãs, papel reservado a Tereza Raquel, que se destaca no conjunto.

Em 1965, Ziembinski retoma a parceria com Nelson, para lançar Toda Nudez Será Castigada, a história de um homem conservador que se apaixona por uma prostituta, que acaba por traí-lo com o próprio filho. Ela suicida-se após a fuga do rapaz com um outro homem, e deixa uma gravação revelando toda a verdade ao marido. Para incorporar a protagonista Geni, muitas atrizes são consultadas, mas recusam o papel, que é tomado com paixão por Cleyde Yáconis.

Tendo encenado cinco peças de Nelson Rodrigues, Ziembinski é aquele que, entre os diretores que realizam as primeiras encenações do autor, não se limita a montar o texto mas se serve dele para construir uma linguagem própria, na maioria das vezes em busca de um expressionismo que, em vez de situar a ação em ambientes decorativos, cria, com auxílio primordial da cenografia de Tomás Santa Rosa e da iluminação, espaços a serem utilizados pela marcação cênica.

Em 1967, é a vez de subir a cena a terceira peça de Nelson, Álbum de Família, escrita em 1945 e logo proibida pelos censores, liberada somente 20 anos depois. O Teatro Jovem, de Kleber Santos, assume a montagem, tendo Vanda Lacerda, José Wilker e Thelma Reston, entre outros, no elenco.

Os compromissos jornalísticos, a decepção com a receptividade de suas peças e os problemas de saúde fazem com que Nelson deixe de escrever para o teatro durante oito anos. Seu penúltimo texto dramático é Anti-Nelson Rodrigues, de 1973, e, ao contrário das anteriores, dá um final feliz aos protagonistas da trama. Neila Tavares, responsável por convencer o dramaturgo a escrever para ela, incorpora a personagem Joice, sob a direção de Paulo César Pereio.

A última peça de Nelson Rodrigues, A Serpente, é escrita em 1978. Duas irmãs casam-se no mesmo dia, uma é feliz no casamento e a outra não consegue sequer perder a virgindade em sua lua-de-mel. A bem-sucedida empresta o marido à irmã, trazendo paixão, ciúmes e morte para a relação fraternal. Sobre a peça paira um certo rótulo de "maldita", superstição conhecida dentro da classe teatral, tendo, no mínimo, três expectativas de montagem frustradas. O espetáculo acaba por estrear em 1980, dirigida por Marcos Flaksman, no Teatro do BNH, no Rio de Janeiro, casa de espetáculos que ganha o nome de Teatro Nelson Rodrigues, após a morte do autor.

Os textos de Nelson Rodrigues ganham dezenas de remontagens ao longo das próximas décadas. Léo Jusi, Ivan de Albuquerque, Osmar Rodrigues Cruz, Roberto Lage, Eduardo Tolentino de Araújo, Emílio Di Biasi, Antunes Filho, Antônio Abujamra, Antônio Pedro Borges, Paulo Betti, Gabriel Villela, Moacyr Góes, Luiz Arthur Nunes, Marco Antonio Braz, Hebe Alves, Hugo Rodas e Paulo de Moraes são alguns diretores que encenam as obras de Nelson, às vezes até adaptando seus romances, contos e crônicas jornalísticas para o teatro.

Nelson Rodrigues tem vinte de suas histórias transpostas para a tela do cinema, algumas em duas versões, como Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, 1962, e de Walter Avancini, 1990, e Bonitinha, mas Ordinária, de R. P. de Carvalho, 1963, e de Braz Chediak, 1980. Algumas das realizações mais bem-sucedidas são A Falecida, de Leon Hirszman, 1965, e O Casamento, de Arnaldo Jabor, 1975. Suas crônicas para O Jornal, sob o pseudônimo de Suzana Flag, são publicadas em livros, como Meu Destino é Pecar, As Escravas do Amor e O Homem Proibido. Escreve também para os periódicos Última Hora, Flan, Correio da Manhã, O Globo e Manchete Esportiva. Assinando artigos sobre esporte, não priva o leitor de seu estilo dramático, atendo-se muitas vezes ao sentido da rivalidade, ao significado do gol, ao efeito do suor sobre a subjetividade da platéia brasileira.

Na maioria das obras do autor, a realidade tem apenas o papel de situar a ação, que se concentra de fato sobre o universo interior das personagens. O jogo entre a verdade interior - nem sempre psíquica - e a máscara social é outro elemento recorrente em sua dramaturgia. As personagens podem se desmascarar ao longo da narrativa - como em Beijo no Asfalto ou Toda Nudez Será Castigada - ou estarem francamente libertos de qualquer censura interna ou externa como em Álbum de Família - e, nesse caso, a supressão das leis da conveniência que permite o convívio termina em tragédia absoluta, restando pouca vida ao final da narrativa. A morte, como em toda a tragédia, ronda as tramas do autor e, via de regra múltipla, marca o último ato. Com exceção de Viúva, porém Honesta e Anti-Nelson Rodrigues, a morte, nas demais 15 peças, atinge as personagens centrais e toda a narrativa se desenha em torno da inevitabilidade desse destino.

Sobre a assimilação e receptividade da obra rodriguiana na cena nacional, escreve seu maior estudioso, o crítico Sábato Magaldi: "Nelson Rodrigues tornou-se desde a sua morte, em 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos de idade (ele nasceu em 23 de agosto de 1912), o dramaturgo brasileiro mais representado - não só o clássico da nossa literatura teatral moderna, hoje unanimidade nacional. Enquanto a maioria dos autores passa por uma espécie de purgatório, para renascer uma ou duas gerações mais tarde, Nelson Rodrigues conheceu de imediato a glória do paraíso, e como por milagre desapareceram as reservas que, às vezes, teimavam em circunscrever sua obra no território do sensacionalismo, da melodramaticidade, da morbidez ou da exploração sexual.

Parece que, superado o ardor polêmico, restava apenas a adesão irrestrita. As propostas vanguardistas, que a princípio chocaram, finalmente eram assimiláveis por um público maduro para acolhê-las. Ninguém, antes de Nelson, havia apreendido tão profundamente o caráter do país. E desvendado, sem nenhum véu mistificador, a essência da própria natureza do homem. O retrato sem retoques do indivíduo, ainda que assuste em pormenores, é o fascínio que assegura a perenidade da dramaturgia rodrigueana".2

Notas
1. RODRIGUES, Nelson. Teatro desagradável. Dionysos, Rio de Janeiro, out. 1949.

2. MAGALDI, Sábato. Moderna Dramaturgia Brasileira. São Paulo, Ed. Perspectiva, 1998, p. 23.

NELSON RODRIGUES E O FUTEBOL


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um dos mais controversos e originais dramaturgos brasileiros, Nelson Rodrigues, teria feito hoje 100 anos. Sua trajetória foi marcante, polêmica e bastante rica que dividimos a homenagem em dois tópicos, um falando sobre o teatro, outro sobre as crônicas esportivas. Comecemos por esta.

Nelson Rodrigues, míope do Maracanã, gênio do futebol 

Por Ruy Carlos Ostermann - Jornal Zero Hora

Texto publicado na edição de 11 de outubro de 1997 de ZH, republicado em 23 de agosto de 2012, quando se completam 100 anos do nascimento de Nelson Rodrigues.

A miopia é casta, escreveu Vladimir Nabokov, mestre da literatura, da ironia e também da frase feita.

Escreveu porque não conhecia Nelson Rodrigues, afinal um escritor em língua nem um pouco universal.

Nelson não enxergava um palmo à frente do nariz, sem exagero é possível que nunca tenha observado com nitidez o magnífico episódio humano da grande área. Mas ia ao Maracanã ao menos todos os domingos. Sentava nas cadeiras, encolhido, sempre com alguém do lado. Conversava o tempo todo. Muitas vezes sentei perto antes de começar o jogo para ouvir o que se diziam, ele e seus amigos jornalistas, o João Saldanha, o Scassa e tantos outros. Eram trivialidades, brincadeiras datadas e nomeadas numa intimidade inalcançável.

Era um truque ficar com amigos nas cadeiras do Maracanã,. Começava o jogo e Nelson estava perguntando o que foi, quem é, onde foram, é mesmo? Ouvia o radinho de pilhas do companheiro ao lado, espichava o ouvido, às vezes abria os braços, inúteis óculos de fundo de garrafa, boca aberta, salivar, e esbravejava um palavrão.

Nunca viu um jogo de futebol, sempre o ouviu pelos outros. Mas fez uma literatura maravilhosa, delirante e comprometida, pela ordem: com o Fluminense, com os outros que eram adversários dilacerantes e espasmódicos, e com o escrete. Escreveu sempre assim, escrete, palavrinha tirada do inglês, scratch, que significa seleção.

Esta impossibilidade dos olhos é que explica em grande parte a caudalosa imaginação que pôs a serviço de um texto genial, exclamativo, surpreendente e escatológico _ um pouco menos no futebol, que sempre registrou como tragicamente patético na necessidade épica ou ridícula de seus heróis.

Escreveu crônicas de futebol (como esta que publicamos), de costumes ridicularizando ao estase a mediocridade da pequena classe média, a que pertencia, e escreveu muitas peças de teatro. A arte consumada do diálogo e a exemplaridade suburbana de seus personagens, fizeram dele o autor decisivo da dramaturgia brasileira.

E o futebol sempre há de lhe agradecer a paixão talentosa.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SÍMBOLO DA ERA HIPPIE, CANTOR SCOTT MCKENZIE MORRE AOS 73 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Scott McKenzie era um cantor de folk e amigo dos integrantes do grupo Mamas and The Papas, cujo cantor John Phillips, já falecido e produtor do Festival de Monterey (1967), deu a Scott, lançado pelo festival, a música "San Francisco (Be Sure to Wear Some Flowers in Your Hair)", seu maior sucesso. No entanto, Scott também era compositor e havia participado de algumas bandas, e recentemente havia integrado uma formação recente dos Mamas and The Papas.

Doente, Scott McKenzie havia pedido para ser liberado do hospital, mesmo sentindo seus sinais de vida se esgotarem, porque seu desejo era morrer em sua casa em Los Angeles, o que ocorreu no último sábado, mas a notícia só foi dada hoje.

Símbolo da era hippie, cantor Scott McKenzie morre aos 73 anos

Por Jill Serjeant - Agência Reuters, reproduzido do Portal Terra

LOS ANGELES, 20 Ago (Reuters) - O cantor Scott McKenzie, que ajudou a dar cara ao movimento hippie com sua gravação de "San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair)", em 1967, morreu no sábado aos 73 anos em sua casa em Los Angeles.

O site oficial do cantor disse que ele sofria da síndrome de Guillain-Barre, que afeta o sistema nervoso.

"San Francisco", de autoria do falecido John Phillips, da banda californiana The Mamas and The Papas, se tornou um hit mundial em 1967, estimulando milhares de jovens a rumar para a cidade atrás do amor livre e do "power flower".

McKenzie disse no site que a música "não era tanto sobre a cidade e sim sobre uma ideia, tinha mais a ver com o Festival Pop de Monterey".

Depois da música, o próprio McKenzie rompeu com a sociedade convencional e passou dez anos morando na Virgínia. Nas décadas de 1980 e 1990 participou do The Mamas and the Papas até a dissolução da banda.

Desde 2010, por causa da doença, ele teve sucessivas internações, e em 18 de agosto pediu para ter alta e morrer em casa, segundo seu site.

TV PAULISTA: ADVOGADOS TENTAM APRESSAR JULGAMENTO CONTRA A TV GLOBO E OS HERDEIROS DE ROBERTO MARINHO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Quem é mais jovem não viveu a fase em que, antes da TV Globo de São Paulo, o canal 5 era da TV paulista, originalmente uma propriedade do deputado federal Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro, político com passagens pelo PTB, PST, ARENA e PDS. Foi vendida para as Organizações Victor Costa, nome do ex-diretor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro que foi empresariar rádios e concessões de TV no eixo Rio-São Paulo.

Morrendo Victor Costa em 1959, seus herdeiros começaram a arrendar e vender emissoras - a Rádio Mundial do Rio de Janeiro foi arrendada para o fundador da LBV, Alziro Zarur - e, em 1966, vendem o espólio restante para as Organizações Globo, fazendo com que a TV Paulista virasse TV Globo (e é por isso que eu pude ver Sílvio Santos, um dos ex-astros da TV Paulista, na tela da Globo, coisa que hoje soaria estranha).

Os herdeiros de Ortiz Monteiro - ou Junqueira Ortiz, como também era conhecido - nunca aceitaram essa transação, que afirmam ter sido cheia de irregularidades e há muito tempo tentam processar os herdeiros de Roberto Marinho no sentido de retomarem a propriedade e ressuscitarem a TV Paulista, que este ano completaria seis décadas de fundação.

Em tempo: a TV Globo de São Paulo é responsável por alguns programas da Rede Globo, como Jornal Hoje, Mais Você, Programa do Jô, Globo Cidadania, Globo Rural e o quadro das previsões do tempo do Jornal Nacional, além de noticiosos locais.
  
Advogados tentam apressar julgamento contra a TV Globo e os herdeiros de Roberto Marinho

Por Carlos Newton - Tribuna da Imprensa

Como representante dos herdeiros dos antigos donos da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo e responsável por 50% do faturamento da Rede Globo), o escritório Luiz Nogueira Advogados Associados  enviou requerimento ao ministro Celso de Mello, relator de um recurso ao Supremo que visa à retomada da propriedade da emissora.

Os advogados inicialmente externam preocupação com uma notícia publicada pela “Folha de S. Paulo”, no último dia 16, informando a prematura aposentadoria do ministro Celso de Mello, razão pela qual reiteram o apelo para que seja apreciado pedido de preferência, na pauta da 2ª Turma do Supremo, do recurso extraordinário com agravo 665.065, do interesse não somente dos antigos proprietários, mas também das famílias dos demais 670 ex-acionistas da então Rádio Televisão Paulista S/A (depois TV Globo de São Paulo S/A e hoje Globo Comunicação e Participações S/A), que foram lesados por Roberto Marinho.

A questão a ser resolvida pelo Supremo é constitucional (artigo 109, I, da CF), porque a Justiça estadual não pode ser competente para julgar processo em que o interesse da União é patente, como ocorreu nesta questão na Justiça do Rio, que deu como existente, por meio de documentos anacrônicos e falsos, a transferência da outorga de concessão da TV Paulista para Roberto Marinho.

O curioso é que o fechamento de tal negócio fora expressamente negado nos autos pelos advogados de Roberto Marinho. Porém, na ânsia de agradar à Organização Globo, a Justiça do Estado do Rio acabou declarando existente o negócio que o próprio Marinho desmentia e que, na forma da lei, jamais poderia ser fechado sem a prévia e indispensável aprovação da administração federal, que nem foi chamada a participar do processo.

Se o negócio entre Roberto Marinho e os antigos donos realmente ocorreu para transferir a concessão da TV para Marinho, como reconheceu o Poder Judiciário em todas as suas instâncias, consequentemente fica demonstrada a incompetência absoluta da Justiça Estadual para julgar a causa, podendo ser decretada, a qualquer tempo, a nulidade do julgamento que favoreceu a família Marinho.

Assim, argumentam os advogados que, se o negócio se consumou à revelia da União Federal, em matéria de seu especial interesse (concessão de uma TV), deve então ser reconhecida a competência absoluta da Justiça Federal para decidir sobre a matéria, e por isso pedem preferência para o julgamento.

A ser verdadeira a decisão judicial que reconheceu a existência do negócio entre os antigos donos e Roberto Marinho (possibilidade negada em juízo pelos advogados do próprio Marinho, repita-se), o fundador da Rede Globo teria comprado a TV Paulista por míseros Cr$ 60.396,00 (sessenta mil, trezentos e noventa e seis cruzeiros), ou melhor, apenas US$ 35,00 (trinta e cinco dólares, à época).

Fica difícil acreditar que um negócio tamanho foi fechado a este valor, mas a Justiça do Rio disse que sim, para atender aos interesses da família Marinho. Parece brincadeira, mas é a realidade.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

FAMA E CONSPIRAÇÃO: MORTE DE ELVIS PRESLEY COMPLETA 35 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Elvis Presley foi o cantor que popularizou o rock'n'roll que havia surgido nos anos 50. E foi a partir de um compacto sem maiores pretensões, que o jovem caminhoneiro Elvis Aaron Presley gravou para presentear à sua mãe.

Só que os executivos da Sun Records se impressionaram, e muito, com o potencial do rapaz, e aí surgiu a carreira de um grandioso artista, dotado de uma excelente desenvoltura nos palcos e de um grande carisma entre seus fãs, que perdura até hoje, mesmo entre aqueles que nunca o conheceram enquanto era vivo.

No entanto, Elvis teve a carreira abalada pelas pressões do empresário Colonel Tom Parker, que o forçou a tomar muitos remédios para manter o pique das apresentações, mas que contribuiu para o prematuro falecimento aos 42 anos de idade.

Fama e conspiração: morte de Elvis Presley completa 35 anos; relembre

Do Portal Terra

Nesta quinta-feira (16) a morte de Elvis Presley completa 35 anos e a cena promete se repetir - como nas últimas três décadas: milhares de fãs desembarcam em Memphis, no Estado do Tennessee, para, de alguma forma, prestigiar o Rei do Rock.

Para marcar a data, foi criada a Elvis Week, uma semana dedicada a eventos e homenagens a Elvis, que começou na última sexta-feira (10) e só termina no sábado (18), com a estimativa de reunir mais 75 mil pessoas. Entre as atrações está um concurso de sósias e um tributo ao cantor, este que será realizado em um grande estádio de Memphis, com a presença de Priscilla e Lisa Marie Presley - viúva e filha de Elvis, respectivamente.

Trajetória

Nascido em 8 de janeiro de 1935, Elvis Aaron foi o único sobrevivente de dois filhos gêmeos do casal Vernon Elvis Presley e Gladys Love Smith Presley, nascido na cidade East Tupelo no estado do Mississippi.

Na época de seu nascimento, os Estados Unidos viviam uma série de conflitos raciais, e o Mississippi era considerado o epicentro das confusões entre negros e brancos. Em 1936, um furacão devastou a cidade e pessoas de todas as raças se uniram para reconstruir a região.

Em meio à pobreza e dificuldades da vida de Elvis, seu pai foi preso quando ele tinha apenas dois anos, por estelionato. Sua família foi despejada e Gladys e Elvis foram morar com os pais de Vermon.

Desde pequeno frequentou os cultos da Assembleia de Deus, o que influenciou em sua formação musical. O resultado começou a aparecer quando Elvis tinha 10 anos e ficou em segundo lugar de um concurso de novos talentos. Aos 11 anos ganhou um violão, que se tornou seu "parceiro" durante todo o dia - inclusive enquanto estava na escola.

Em 1948, a família Presley se mudou para o Tennessee em busca de melhores condições de vida e foi lá que Elvis trabalhou como lanterninha de cinema e motorista de caminhão. Tamanho esforço valeu a pena e ele conseguiu se formar em 1953, mesmo ano em que pagou US$ 4 para gravar de presente para sua mãe duas músicas: My Happiness e That's When Your Heartaches Begin.

Sucesso

Sua carreira profissional começou em julho de 1954, ano considerado o "marco zero" do rock 'n' roll, quando decidiu entrar em estúdio para gravar algumas faixas - foi nessa época que That's All Right, Mama encantou o dono da Sun Records. Dias depois, e após algumas gravações, duas músicas de Elvis começaram a tocar nas rádios de Memphis e se tornaram sucesso imediato. Dez dias depois fez seu primeiro show na cidade.

Não demorou muito e Elvis emendou diversos programas de rádios, aparições em programas de TV e, consequentemente, veio o sucesso. Mystery Trai chegou em 11ª colocação na parada da Billboard, Baby, Let's Play House chega ao 5º lugar e I Forgot To Remember To Forget chegou, finalmente, ao topo da parada.

Em 1956 não tinha mais jeito: Elvis Presley havia se tornado um fenômeno, com um estilo que misturava os mais diversos tipos de influência musical e suas apresentações sensuais e empolgantes, que quebravam os pré-conceitos de uma sociedade norte-americana preconceituosa e conservadora.

Elvis e Priscilla

Em 1959, enquanto servia o Exército dos Estados Unidos e uma base militar na Alemanha, conheceu Priscilla Beaulieu, filha do capitão. Na época, ela tinha 14 anos e, Elvis, 25 anos. Mantiveram um relacionamento por dois anos, quando Elvis voltou para a América, continuando em contato com a namorada por cartas e telefone, até 1962, quando ela deixou a Europa para morar na mansão do cantor.

Nesta época, Elvis se dedicava muito à carreira cinematográfica e seus filmes eram sucesso absoluto. Entre os destaques estavam Flaming Star, Follow That Dream, Fun in Acapulco e Viva Las Vegas, este último com Ann-Margret, uma sueca por quem se apaixonou. Os rumores de uma provável traição abalaram a relação com Priscilla.

Apesar das "crises", em 1966 ele pediu a namorada em casamento, oficializando a união em maio de 1967. Nove meses depois, o casal teve uma filha, Lisa Marie, com quem Elvis mantinha um vínculo muito forte, que permaneceu até sua morte. Elvis e Priscilla se separaram em 1972, por não suportar a ausência do marido e os rumores de traição.

Auge

Em 1969, após oito anos, Elvis retornou aos palcos e manteve o ritmo de shows - e o sucesso de público e crítica - até 1977. Durante esse período, chegou ao cume de sua carreira, com mais de mil show realizados, uma performance mais madura e com muitas gravações produtivas, como Suspicious Minds e In The Ghetto.

Na década de 70 fez shows com recorde de público, lançou um documentário de sucesso, foi recebido na Casa Branca pelo então presidente Richard Nixon, voltou ao topo das paradas musicais de todo o mundo e recebeu diversos prêmios, incluindo seu segundo Grammy.

Já solteiro, em 1972, conheceu a Miss Tennessee Linda Thompson. O romance deu um ânimo à vida e carreira de Elvis - que considerava o divórcio com Priscilla o segundo maior "baque" após a morte de sua mãe. Em 1974 começou a dar sinais de cansaço e sofria com os problemas de saúde.

Apesar da vontade de diminuir o ritmo, Elvis fez turnês muito intensas em 1975 - e chegou a ser hospitalizado duas vezes. Em 1976 se separou de Linda e há duas versões para o rompimento: uma é que Elvis não teria gostado de fotos que ela fez dentro de sua mansão e vendido para uma revista; a segunda é que Linda não aguentava o ritmo frenético da vida de Elvis e seu vício em remédios de venda controlada.

Pouco depois conheceu Ginger Alden, com quem namorou até o dia de sua morte. Em 1977, mais magro (muitos apostavam que o motivo seria o novo relacionamento), Elvis realizou shows regularmente, apesar dos problemas de saúde. No dia 26 de junho daquele ano, ele fez o último show de sua carreira, em Indianápolis, antes de tirar alguns dias para descansar, enquanto preparar sua próxima turnê, que começaria no dia 18 de agosto.

A morte

Sempre trocando o dia pela noite, Elvis Presley foi ao dentista às 23h do dia 15 de agosto. Voltou realizou algumas atividades em sua mansão, antes de se deitar por volta das 4h. Na época, Ginger Alden contou que ele se levantou às 10h para ir ao banheiro e lá ficou até às 14h, quando ela o encontrou caído no chão.

Ela pediu ajuda, mas era tarde demais. Mesmo assim, uma ambulância foi chamada ao local, na tentativa de ressuscitá-lo. A filha Lisa, na época com nove anos, ficou em estado de choque com toda a cena e telefonou para a ex-namorada de Elvis, Linda Thompson. "Ela repetia sem parar: 'meu pai morreu, meu pai morreu!'", contou ela em diversas entrevistas, sempre emocionada.

Às 15h30 Elvis foi declarado oficialmente morto. O motivo teria sido um colapso fulminante, decorrente de um problema cardíaco - a necrópsia também apontou a ingestão de oito ou mais drogas (incluindo morfina). A notícia causou comoção mundial e, nos Estados Unidos, muitos transtornos, como linhas telefônicas congestionadas, estoque de flores esgotado em todo o país e caos nos aeroportos, com voos lotados vindos de todos os Estados.

Elvis não morreu

Como todo grande mito da cultura pop dos Estados Unidos - como Marilyn Monroe, James Dean e Michael Jackson -, as teorias conspiratórias caminham lado a lado com a ideia de marca que esses ícones carregam mesmo depois de sua morte. Com Elvis não foi diferente: há os que acreditam e os que garantem terem provas de que ele está mais vivo que nunca!

Alguns defendem a ideia de que ele era um agente que investigava o tráfico nos Estados Unidos e a encenação de sua morte aconteceu para que ele continuasse em segurança com uma nova identidade, depois de prender um poderoso chefe da máfia.

Outra coisa que levantou suspeitas é que a certidão de nascimento do Rei do Rock está escrito Elvis Aron Presley e em seu túmulo o nome do meio tem uma diferença: Elvis Aaron Presley.

Alguns dizem que o funeral foi feito com um boneco de cera e outros se espantam que seu seguro de vida nunca foi ativado para recebimento.

Outra teoria é que logo após sua morte, um homem que dizia se chamar John Burrows - e muito parecido com Elvis - foi visto comprando passagens para Buenos Aires. Esse seria um pseudônimo que ele usava em viagens, como em uma operação do FBI, em que ele se ofereceu para ser informante sobre o comportamento ilegal de pessoas famosas. Um site publicou, inclusive, a suposta foto de Elvis na Argentina.

Verdade ou não, fato é que muitos se recusam a aceitar a morte de seu ídolo ou preferem achar uma maneira de mantê-lo vivo. Enquanto teorias (re)aparecem, não há como negar a importância da figura de Elvis Presley - que chocou uma geração conservadora e reacionária, uniu negros e brancos e é considerado por muitos historiadores como um dos maiores nomes da chamada "última grande revolução cultural". Teorias, fatos ou boatos, não restam dúvidas: Elvis ainda vive.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

FLAUTISTA ALTAMIRO CARRILHO MORRE AOS 87 ANOS NO RIO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O flautista Altamiro Carrilho, também compositor e arranjador, era considerado um dos maiores representantes do choro brasileiro que estavam ativos até pouco tempo atrás. No entanto, Altamiro também gravou baiões, maxixes e até mesmo cantigas infantis, tendo colaborado, como músico e arranjador, até mesmo em discos do palhaço Carequinha.

Altamiro foi um dos grandiosos músicos brasileiros, tendo sido um dos mais dedicados ao desenvolvimento da linguagem musical, com colaborações de notável valor.

Tendo gravado mais de cem discos, ele também compôs mais de duzentas canções, sozinho ou acompanhado. Ultimamente, ele estava ligado ao grupo Altamiro Carrilho e Sua Bandinha. Resolvemos reproduzir duas notícias para melhor apresentar o músico para os iniciantes.

Flautista Altamiro Carrilho morre aos 87 anos no Rio

Do portal Último Segundo

O flautista Altamiro Carrilho, um dos maiores músicos da história do choro, morreu na manhã desta quarta-feira (15) no Rio de Janeiro. Ele sofria de câncer no pulmão e estava internado desde o início da semana em uma clínica do bairro de Laranjeiras.

Nascido em 21 de dezembro de 1924, Carrilho foi revelado no programa de calouros de Ary Barroso, no início da década de 1940. Em 1949, gravou seu primeiro choro, "Flauteando na Chacrinha".

Em toda a sua carreira, gravou mais de cem discos, entre LPs e compactos. Também compôs cerca de 200 canções, incluindo clássicos como o maxixe "Rio Antigo".

A partir dos anos 1960, Carrilho tornou-se conhecido fora do Brasil e se apresentou em países como Estados Unidos, França, Inglaterra, União Soviética e México, país onde morou por quase um ano.
Também participou de concertos de música erudita, interpretando obras de Mozart e Villa-Lobos. 

Entre seus discos mais importantes, estão "Clássicos do Choro" (1979), "Clássicos do Choro Volume 2" (1980) e "Flauta Maravilhosa" (1996).

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Morre o flautista Altamiro Carrilho

Do Jornal do Brasil On Line

Morreu na manhã desta quarta-feira (15), no Rio de Janeiro, o flautista Altamiro Carrilho, de 87 anos. O músico e compositor esteva internado cerca de um mês no Hospital São Lucas, na Zona Sul, mas voltou para casa.

Na segunda-feira (13) ele passou mal e foi levado para uma clínica particular em Laranjeiras.

Altamiro gravou mais de cem discos, compôs cerca de duzentas canções e se apresentou em mais de quarenta países difundindo o choro brasileiro.


Altamiro gravou mais de cem discos e  compôs cerca de duzentas canções Altamiro gravou mais de cem discos e  compôs cerca de duzentas canções

O primeiro disco de Altamiro foi "A bordo do Vera Cruz", de 1949. Nos anos seguintes, gravou trabalhos como "Choros imortais" (1964), "Clássicos do choro" (1979) e "Pixinguinha de novo" (1998). Em 1938, foi membro da Banda Lira de Arion, na qual tocava caixa. Quando passou a tocar flauta, foi destaque do programa de calouros de Ary Barroso.

Além da música, atuou como farmacêutico e comprou uma flauta usada, com a qual começou a ganhar fama entre os apreciadores do choro.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

JORGE AMADO: OS 100 ANOS DO MAIS POPULAR FICCIONISTA BRASILEIRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O escritor Jorge Amado foi importante por mostrar um lado popular do Brasil que contribuiu com a ruptura do monopólio da visão urbana do Sudeste, mostrando aspectos da Bahia rural, suburbana e até urbana, mas através de episódios envolvendo as classes populares.

É bom lembrar que, até 1969, a Bahia pertencia à antiga região Leste, que incluiu também Sergipe e o atual Sudeste (mais o Distrito Federal/Guanabara do município do Rio de Janeiro) excluindo São Paulo, que era Estado sulista), só nos últimos 43 anos é que virou um Estado nordestino. Mas o Nordeste já era lembrado, nos tempos de Amado, através de outros autores, como Guimarães Rosa e o ainda vivo Ariano Suassuna.

Jorge Amado: os 100 anos do mais popular ficcionista brasileiro

Por Milton Ribeiro - Portal Sul 21

Porto Alegre – Faz tempo que Jorge Amado (1912-2001) foi praticamente abandonado pela academia, que parece considerá-lo um escritor inferior, popularesco, regional ou meramente folclórico. Nos últimos anos, porém, houve algum movimento no sentido de recuperar a obra do escritor baiano. A Flip homenageou-o em 2006 e, em 2012 —  ano dedicado à Drummond — , ocorreram eventos oficiais e paralelos onde se discutiu a obra do baiano. Por outro lado, nesta sexta-feira, dia 10 de agosto, quando Jorge Amado completou 100 anos de nascimento, a academia foi acompanhada pelos principais jornais brasileiros, que publicaram poucos e tímidos artigos, ao menos no papel.

Jorge Amado foi o mais popular dos escritores brasileiros, sendo também o mais conhecido e lido no exterior em sua época. Hoje, este posto é ocupado por Paulo Coelho, mas ainda seria de Jorge Amado se nos limitássemos à literatura de ficção. Em sua época, Amado dividiu o posto de “escritor mais lido do Brasil” com Erico Verissimo (1905-1975). Eram outros tempos, tempos em que o escritor era ouvido sobre os mais diversos assuntos e ocupava uma posição de consciência ética do país.

Houve um processo silencioso em todos estes anos: a importância do escritor dentro da sociedade foi levada para uma posição secundária, ele foi deslocado pouco a pouco para a periferia. Amado e Erico participaram ou opinaram sobre todos os assuntos fundamentais da vida nacional. Ambos testemunharam e participaram dos principais fatos de suas épocas. Se Erico falou e escreveu muito contra a ditadura militar (1964-1985), Amado foi deputado constituinte em 1945 pelo PCB e, em função de suas atividades extraliterárias, viveu exilado na Argentina e no Uruguai (1941 a 1942), em Paris (1948 a 1950) e em Praga (1951 a 1952). É difícil imaginar algum ficcionista ou autor de auto-ajuda brasileiro indo para o exílio, na hipótese demencial da implantação de uma ditadura militar hoje no país.

Após o período como deputado, Jorge Amado viveu exclusivamente dos direitos autorais de seus livros. Aliás, mesmo durante o período como deputado, ele doava 80% de seu salário para o Partidão.

Sua obra transcendeu os limites do regionalismo modernista a que foi ligada num primeiro momento. Como escritor, pode-se dizer que houve dois Amados: a separação entre ambos seria Gabriela Cravo e Canela (1958). O primeiro Amado dedicava-se mais aos romances de costumes e à  crítica social e o segundo dava mais atenção ao humor popular, ao sincretismo religioso e à sensualidade. Tal fronteira não é rígida, mas não deixa de ser verdadeira. Em comum entre as fases está um narrador envolvente e extremamente hábil ao construir personagens e tramas. E também o fato de as duas fases apresentarem grandes romances.

A fase pré-1958, por exemplo, tem romances como o excelente Capitães da Areia (1937). Dentro de uma divertida trama baseada na vida de menores abandonados de Salvador, o romance expõe as diferenças de classe, a concentração de renda e os efeitos da marginalidade nos jovens. E pasmem, o romance, hoje lido sem maiores sustos, teve mil exemplares queimados em praça pública pelo governo da Bahia sob a acusação de ser uma obra “comunista” e “nociva à sociedade”. O livro também teve cópias apreendidas em outros estados. Outro imenso romance da primeira fase foi Terras do sem-fim (1943) que conta uma história sobre fazendeiros-coronéis, jagunços e sobre lutas pela posse de terras para desmatar e plantar cacau.

Nestes livros, há a revelação de uma sociedade injusta, baseada na lei do mais rico ou armado, nas mentiras sociais e na hipocrisia geral. Pensando que foram escritos num período nada democrático, às portas do Estado Novo, Jorge Amado demonstra coragem ao criar personagens tão verossímeis, violentos e dispostos ao diálogo quanto quaisquer ditadores.

Em 1951, Amado escreveu O Mundo da Paz. É um livro de viagens que depois foi  renegado pelo autor. É compreensível; afinal, há trechos como aquele onde ele afirma que Stálin é “mestre, guia e pai, o maior cientista do mundo de hoje, o maior estadista, o maior general, aquilo que de melhor a humanidade produziu”. Em entrevista para Geneton Moraes Neto, nos anos 90, durante o colapso do comunismo nos países do leste europeu, Amado confessou: “Eu me desorientei – e muito – quando descobri que Stálin não era o pai dos povos, ao contrário do que sempre pensei. Aquele foi um processo doloroso, difícil, cruel e demorado. A maioria das causas dos acontecimentos atuais talvez já fossem claras para mim. Mas os acontecimentos são de uma rapidez imensa”.

Os livros da primeira fase, assim como os da segunda, são romances de estruturas semelhantes e para serem lidos com disposição pantagruélica: engole-se com o maior dos interesses a história contada e esquece-se dos expedientes de linguagem. Funcionam muito bem desta forma. Em Jorge Amado, a forma contribui para contar a história da forma mais eficiente possível e, de resto, esconde-se.

A fase pós-1958 marca seus maiores sucessos: o citado Gabriela, cravo e canela, Dona Flor e seus dois maridos (1966), Teresa Batista cansada de guerra (1972), Tieta do Agreste (1977) e Tocaia Grande (1984). A popularidade do escritor pode ser medida pelo simples fato de todos os livros citados neste parágrafo terem se tornado novelas de TV, seja na Rede Globo ou na extinta TV Manchete. Há também os filmes. Basta dizer que Dona Flor e seus dois maridos foi por 34 anos o recordista de público no cinema brasileiro: foram 10 milhões de espectadores, até ser ultrapassado por Tropa de Elite 2 em 2010.

Um livro especialmente interessante são suas memórias em Navegação de cabotagem (1992). No texto são desfiados diversos casos e fatos, narrados com delicioso humor e fora de ordem cronológica. Fica a comprovação de que Jorge Amado testemunhou grandes acontecimentos do século XX e que, em sua trajetória pessoal, desempenhou um papel central na cultura brasileira. Por outro lado, é o mais despretensioso dos livros de memórias, abrangendo desorganizadamente o longo período entre meados da década de 20, do qual Jorge Amado recorda o ciclo do cacau e o movimento da Academia dos Rebeldes (grupo literário do qual fez parte na juventude), e o começo dos anos 90.

Na leitura dos livros de Jorge Amado, sempre é bom manter a disciplina da leitura. As primeiras páginas são dedicadas a uma balzaquiana apresentação de personagens e da trama. Após este obstáculo, a leitura envolve e emociona. Quando perguntado sobre como gostaria de ser lembrado, Jorge Amado respondia:  “Como um baiano romântico e sensual. Eu me pareço com meus personagens – às vezes, também com as mulheres”. Amado costumava fazer pouco de sua importância. Em 1991, disse: “Quando eu morrer, vou passar uns vinte anos esquecido”.

DIRETOR DE 'A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE' MORRE AOS 83 ANOS

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O filme A Fantástica Fábrica de Chocolate, de 1971, pode ter sido um fracasso comercial em seu tempo, mas sua temática, aparentemente infantil, nos alerta sobre as armadilhas que estão por trás de certas ilusões.

Seu diretor, Mel Stuart, no entanto, também foi conhecido por documentários e outras produções. Ele faleceu ontem, devido ao câncer.

Diretor de 'A Fantástica Fábrica de Chocolate' morre aos 83 anos.

Do Portal Terra

Mel Stuart, diretor do longa A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971), morreu aos 83 anos, informou o jornal Associeted Press. O cineasta lutava contra um câncer e morreu na última quinta-feira (9), em casa, na Califórnia. Ele deixa três filhos, Madeline, Andrew e Peter, que também é cineasta

Durante sua carreira, dirigiu mais de 48 títulos, entre filmes, programas de TV e documentários. O seu trabalho de maior destaque foi A Fantástica Fábrica de Chocolate, que foi um fracasso comercial aos olhos da Paramount. Em 2005, seu longa foi refilmado e estrelado por Johnny Depp.
O trabalho como documentarista também foi muito aplaudido. Com Four Days in September, foi indicado ao Oscar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

CAETANO VELOSO E SEU FAMOSO PROTESTO


Por Alexandre Figueiredo

Caetano Veloso faz 70 anos hoje. Figura polêmica, ele de fato é um grande artista, mesmo quando aposta no oportunismo de embarcar em qualquer tendência musical. Tem-se, no entanto, a ressalva de que ele procura estar informado das coisas, e se esforça em não soar deslocado, seja cantando música italiana, seja rock ou samba enredo.

No âmbito político-ideológico, ele é mais conservador (apesar de ser, em compensação, bastante jovial) e isso tornou-se evidente nos últimos vinte anos, depois de tanto tempo numa posição "ambígua" que deslumbrou os intelectuais de então.

Condescendente com o brega-popularesco - que, na visão dele, concretiza na prática as utopias do cantor baiano com a chamada "cultura de massa" e que resultou na despolitização da tese de "geléia geral" inicialmente lançada ao debate pelo Tropicalismo - , Caetano Veloso está há pelo menos 35 anos no establishment da música brasileira.

Muito se falou sobre a crise da MPB agravada pela acomodação dos tropicalistas. E as controvérsias que envolviam Caetano Veloso e a crítica musical. Hoje Caetano não é visto com tanta unanimidade pela intelectualidade média como há 35 anos atrás, mas alguns cientistas sociais e críticos musicais que hoje defendem a ideologia brega - inspirados sobretudo pelo dueto de Caetano com Odair José - são tidos como "unanimidades" do mesmo jeito que Caetano num passado recente.

Aqui vamos mostrar um pouco do Caetano Veloso mais ousado, quando ele estava na vauguarda da música brasileira, causando polêmica por ser moderno e não por ser conivente com o "estabelecido", no famoso episódio no Teatro da Universidade Católica (Tuca), em São Paulo, em 15 de setembro de 1968, no III Festival Internacional da Canção (TV Globo), quando foi vaiado enquanto apresentava, ao lado dos Mutantes (Rita Lee e os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista), a música "É Proibido Proibir".

Caetano vestia uma roupa de plástico de alusão futurista e, irritado, interrompeu bruscamente a canção para fazer o famoso discurso contra a plateia mais voltada à MPB cepecista. Com todo o mérito de Caetano na ocasião, o episódio, associado ao posterior dueto com Odair, faz as gerações intelectuais de hoje distorcerem as abordagens, confundindo os contextos e criando situações esquisitas como uma parcela da intelectualidade dita "de esquerda" esculhambando a MPB esquerdista, enquanto dá preferência para bregas claramente de direita (o próprio Odair e Waldick Soriano). Vá entender.

Primeiro vamos ver aqui a letra de "É Proibido Proibir", que Caetano compôs sozinho, e depois o discurso que ele fez contra a plateia que o vaiou. Tirem suas próprias conclusões, leitores, e boa sorte.

É proibido proibir

Caetano Veloso

A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
E estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta
Há o porteiro, sim…

E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças
Livros, sim…

E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estátuas, as estantes
As vidraças, louças
Livros, sim…

E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

DISCURSO DE CAETANO VELOSO DURANTE APRESENTAÇÃO DA MÚSICA "É PROIBIDO PROIBIR"

"Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês tem coragem de aplaudir este ano uma música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado; são a mesma juventude que vai sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada , absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa! Eu hoje vim dizer aqui que quem teve coragem de assumir a estrutura do festival, não com o medo que sr. Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê-la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa, que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém! Vocês são iguais sabe a quem? São iguais sabe a quem? - tem som no microfone? - Àqueles que foram ao Roda Viva e espancaram os atores. Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada! E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha -me comprometido em dar esse ?viva? aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira! O Maranhão apresentou esse ano uma música com arranjo de charleston, sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar, por ser americana. Mas eu e Gil abrimos o caminho, o que é que vocês querem? Eu vim aqui pra acabar com isso. Eu quero dizer ao juri: me desclassifique! Eu não tenho nada a ver com isso! Nada a ver com isso! Gilberto Gil! Gilberto Gil está comigo pra acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com isso tudo de uma vez! Nós só entramos em festival pra isso, não é Gil? Não fingimos, não fingimos que desconhecemos o que seja festival, não. Nínguém nunca me ouviu falar assim. Sabe como é? Nos, eu e ele, tivemos a coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas, e vocês? E vocês? Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com Gil! Junto com ele, tá entendendo. O juri é muito simpático mas é incompetente. Deus está solto! (Canta trecho de É proibido Proibir) Fora do tom, sem melodia. Como é juri? Não aceitaram? Desqualificaram a melodia de Gilberto Gil e ficaram por fora! Juro que o Gil fundiu a cuca de vocês. Chega!?"

domingo, 5 de agosto de 2012

MARILYN MONROE MORREU HÁ 50 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um dos maiores símbolos da sensualidade feminina do século XX, a atriz norte-americana Marilyn Monroe, teve uma breve e tumultuada vida.

Mas Marilyn, que na verdade era uma doce ruivinha chamada Norma Jean que tingiu os cabelos de louro, era muito talentosa e inteligente, e no fundo era uma moça simples, bastante graciosa e de uma beleza deslumbrante.

E havia feito um último filme completo, Os Desajustados (The Misfitis), de 1961, que mostrava que ela tinha tudo pela frente para mostrar o seu talento. Mas, infelizmente, isso não foi possível. Fica a nossa lembrança pela sua triste partida.

Marilyn Monroe morreu há 50 anos


Do Jornal de Notícias


Marilyn Monroe, um dos maiores símbolos produzidos pela indústria cinematográfica norte-americana, morreu há 50 anos, mas a história de vida da loira mais desejada de Hollywood continua a fascinar muitas pessoas em todo o mundo.

Norma Jean Baker Mortenson, o nome verdadeiro de Marilyn Monroe, foi encontrada sem vida aos 36 anos na cama da sua casa em Brentwood, um bairro de elite de Los Angeles, no dia 5 de agosto de 1962.

As entidades oficiais divulgaram que a causa da morte foi uma 'overdose' por ingestão de medicamentos, mas cinco décadas depois o acontecimento continua a gerar controvérsia e inúmeras teorias de conspiração. 

Recentemente, a agência norte-americana Associated Press (AP), por ocasião do 50.º aniversário da morte da atriz e ao abrigo da lei da liberdade de informação, contactou o Federal Bureau of Investigation (FBI), a polícia federal norte-americana, para ter acesso a todos os ficheiros relacionados com Marilyn Monroe. 

Nove meses depois, e após vários pedidos e apelos, a AP relatou que os ficheiros originais relacionados com Monroe já não estão na posse do FBI. 

A agência noticiosa avançou ainda que o Arquivo Nacional - o destino normal deste tipo de documentos -, também não está na posse dos ficheiros. 

Uma versão mais recente dos ficheiros, alvo de uma profunda revisão, está disponível no site do FBI, numa área intitulada "The Vault", onde a organização publica regularmente documentos relacionados com casos emblemáticos. 

Os primeiros ficheiros relacionados com Monroe remontam a 1955 e a maioria está focada nas viagens e nos relacionamentos da atriz, incluindo o casamento com o dramaturgo Arthur Miller, procurando sinais de uma eventual ligação a ideais comunistas. 

Os ficheiros continuam até alguns meses antes da morte da estrela norte-americana que terá mantido relações, até hoje não esclarecidas, com o então Presidente norte-americano John F.Kennedy e com seu irmão Robert. 

Na memória universal ficará para sempre o famoso "Happy Birthday Mr.President", canção que a atriz dedicou a John Kennedy a 12 de maio de 1962. 

Norma Jean nasceu no dia 01 de julho de 1926 no Los Angeles County Hospital, tendo vivido parte da infância em orfanatos. Aos 16 anos, casou-se pela primeira vez com James Dougherty. 

Em 1945, um fotógrafo captou a imagem de uma morena deslumbrante e, em poucos meses, despertou a atenção das revistas e conseguiu um teste para cinema na 20th Century Fox. Em finais de 1946, Norma Jean transforma-se em Marilyn Monroe e adotava a sua imagem de marca: o loiro platinado.

Depois do divórcio com James Dougherty, a atriz casou-se pela segunda vez com o então famoso ex-jogador de basebol Joe Di Maggio.

"Os Homens Preferem as Louras" (1953), "O Pecado Mora ao Lado" (1955) e "Quanto Mais Quente Melhor" (1959) são os seus filmes mais emblemáticos.

Cinco décadas depois, a atriz continua a ter fãs em todo o mundo e os seus objetos pessoais são adquiridos por vários milhões.

Em 2011, o esvoaçante vestido branco que a atriz usou no filme "O Pecado Mora ao Lado" foi vendido por 4,6 milhões de dólares (3,7 milhões de euros) em Los Angeles. Ainda no mesmo ano, um outro vestido que usou no 'western' "Rio sem Regresso" (1954) foi adquirido por 516.600 dólares (423 milhões de euros) em Macau.

Para assinalar a efeméride, várias instituições internacionais organizaram iniciativas para recordar uma das maiores estrelas de Hollywood.

A edição deste ano do Festival de Cannes dedicou o cartaz oficial do certame à atriz, que um dia afirmou: "Se fizer rir uma rapariga, conseguirá que ela faça tudo".

Outro exemplo é uma exposição de cerca de quatro mil fotografias da atriz norte-americana, algumas inéditas, em Varsóvia, Polónia.

As imagens, que serão posteriormente leiloadas, serão exibidas entre 06 de agosto e 06 de setembro. As fotografias, da autoria de um amigo de Monroe, o fotógrafo Milton Green, pertencem atualmente ao Tesouro do Estado polaco.

sábado, 4 de agosto de 2012

ÁFRICA DO SUL LEMBRA OS 50 ANOS DA PRISÃO DE NELSON MANDELA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Nelson Mandela, a grande figura humanista na luta contra a segregação racial, teve que adotar a guerrilha, uma medida nem sempre aprovada, para reagir ao regime injusto do apartheid na África do Sul, regime promovido por simpatizantes do nazismo. Mandela foi preso, e assim ficou por quase 30 anos a partir de 05 de agosto de 1962. Uma grande campanha, na década de 80, permitiu que ele fosse libertado e Mandela se tornou o primeiro presidente eleito da África do Sul pós-segregação. Atualmente ele é um político aposentado, já muito idoso, mas sempre homenageado e admirado no mundo inteiro.

África do Sul lembra os 50 anos da prisão de Nelson Mandela

Do Portal Terra

A África do Sul inaugurou neste sábado o mais novo monumento de Nelson Mandela, localizado em uma estrada rural, no lugar exato onde Mandela foi preso há 50 anos, por sua luta contra a dominação dos brancos. Mandela, agora com 94 anos, foi preso no dia 5 de agosto de 1962, próximo à cidade de Howick, pouco depois de fundar o braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA).

A escultura, feita com 50 barras de aço de entre 5 e 10 metros de altura, supera um modesto monumento construído neste mesmo lugar em 1996. "A parte frontal da escultura é um retrato de Mandela com barras verticais que representam sua prisão", disse o idealizador do monumento Marco Cianfanelli.

"Quando alguém caminha ao longo da escultura, esta irradia um raio de luz, o que simboliza o levante político de muitas pessoas e a solidariedade", acrescentou. Nas árvores que delimitam o caminho de 35 metros que conduz ao monumento, estão inscritas palavras como "negociador", "valente" "homem de Estado", "líder", "camarada preso" e "caráter".

O presidente sul-africano Jacob Zuma inaugurou a escultura em meio aos aplausos da multidão. "Devemos incentivar as novas gerações a visitar este lugar porque os que o visitarem se sentirão inspirados", disse Zuma. Os 50 anos da prisão de Nelson Mandela "lembram o país do longo caminho que este percorreu", disse Verne Harris, do Centro da Memória de Nelson Mandela.

Mandela "vive agora na África do Sul democrática, enquanto há 50 anos teve que lutar pela liberdade. Apesar de ainda termos muitos desafios e a realidade de muitos sul-africanos continuar sendo difícil, já percorremos um longo caminho".

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

MORRE O MAESTRO PERNAMBUCANO SEVERINO ARAÚJO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Severino Araújo esteve à frente de uma das mais atuantes orquestras do Brasil, a Orquestra Tabajara, a nossa big band, surgida na Paraíba, que toca jazz mas também ritmos regionais brasileiros. Severino já havia passado a condução da banda para o irmão Jaime, e a orquestra vai bem em sua trajetória. Mas a perda de seu mestre comove, pelo trabalho e pela figura humana que representou.

Morre o maestro pernambucano Severino Araújo

Por José Teles - Jornal do Commercio (Recife)

Maestro da mais longeva orquestra de bailes do País, a Tabajara, o pernambucano Severino Araújo, 95 anos, morreu na noite desta sexta (3), no Rio, vítima de falência múltipla de órgãos. Ele estava internado no hospital Ipanema Inn há 15 dias e afastado do comando da banda há cinco anos, por problemas de saúde que foram se agravando. Filho de um mestre de banda de Limoeiro, no Agreste, Araújo aprendeu música durante a infância, inicialmente como clarinetista, e assumiu o comando da Orquestra Tabajara em 1938, aos 21 anos, quatro anos após sua criação, em João Pessoa.

Severino transformou o grupo de jazz tradicional em um conjunto brasileiro com linguagem própria, interpretando sambas, valsas e choros. Ao longo de sete décadas, gravaram mais de 100 discos e continuam na estrada. Liderou por quase seis décadas o conjunto, até que um problema na perna o deixou com dificuldades de locomoção e o fez passar o comando para seu irmão Jaime Araújo.

Severino Araújo era casado com Neuza Monteiro, 85, sua segunda mulher, e deixa quatro filhos: Tânia, Ronaldo, Francisco e Ieda – os dois últimos, de seu primeiro casamento. O corpo do maestro será sepultado este sábado (4), ao meio dia, no cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio.

Em 15 de junho de 2010, a TV Cultura levou ao ar, no programa Mosaicos, o especial A arte de Severino Araújo e Orquestra Tabajara, um documentário musical narrado por Rolando Boldrin, que resgata a história e a obra dos homenageados. Dirigido por Nico Prado, o programa recupera imagens históricas do artista. Também promove o encontro inédito de Jaime Araújo, Spok e Proveta, da Banda Mantiqueira. Eles falam sobre a importância de Severino para a música brasileira e interpretam três clássicos de autoria do maestro pernambucano: Relembrando o norte, Espinha de bacalhau e Chorinho em Aldeia.

O maestro Severino Araújo tinha dez anos a menos do que o frevo. Há 74, ele estava à frente da Orquestra Tabajara, uma lenda na música brasileira – ambos, o maestro e a orquestra. Aos 90 anos, convalescente de uma operação no joelho, ele alterou uma rotina iniciada no final dos anos 30.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

PRIMO DE AL GORE E IRMÃO DE JACKIE KENNEDY, GORE VIDAL MORRE AOS 86


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um dos mais prestigiados intelectuais dos EUA, o escritor Gore Vidal, um dos críticos da política norte-americana e um produtivo escritor e roteirista de cinema, faleceu na noite de ontem, devido a complicações causadas pela pneumonia.

Primo de Al Gore e irmão de Jackie Kennedy, escritor morre aos 86


Da Agência EFE

O americano Gore Vidal, escritor, romancista, ensaísta e roteirista de cinema, morreu nesta terça-feira em sua casa em Los Angeles (Estados Unidos), aos 86 anos de idade, informou a imprensa local.

Vidal faleceu devido às complicações geradas por uma pneumonia, segundo indicaram vários meios da imprensa americana, que citam fontes familiares do autor de Juliano, Apóstata e Hollywood, entre outras diversas obras.

Como roteirista de cinema, Vidal escreveu os textos de Calígula (1979) e Paris Está em Chamas? (1966), tendo muito sucesso também como autor de peças de teatro. Candidato eterno ao Nobel da Literatura, Vidal era primo de Al Gore e meio-irmão de Jacqueline Kennedy.

Gore Vidal era considerado um dos intelectuais americanos mais críticos à política oficial de seu país, junto a Susan Sontag, Noam Chomsky e Norman Mailer. Ao lado de Mailer e Truman Capote, também era tido como um dos melhores escritores e pensadores dos Estados Unidos.

Vidal foi um ávido escritor e frustrado político cuja produção literária girou em torno do romance histórico, da sátira sobre o estilo de vida dos americanos e da ficção científica.

Em 1993, obteve o Prêmio Nacional do Livro dos Estados Unidos por seu ensaio "United States Essays, 1952-1992".

No campo da política, Vidal não conseguiu o mesmo sucesso. Nos anos 60, teve um papel muito ativo dentro das fileiras mais liberais do Partido Democrata e se apresentou sem sucesso para o posto de congressista pelo estado de Nova York.

Entre 1970 e 1972, presidiu o People''s Party (de tendência liberal), e em 1982 se apresentou como senador pela Califórnia e ficou perto de conquistar uma cadeira no Congresso ao obter mais de 500 mil votos.