FLÁVIO CAVALCANTI CRITICA TV NORTE-AMERICANA EM 1961


Por Alexandre Figueiredo

Até parece uma crítica à televisão brasileira nos dias de hoje, descontados algumas diferenças de citações e contextos. Mas o apresentador e jornalista Flávio Cavalcanti, em 1961, havia escrito um texto sobre a TV dos EUA, tomada por uma mentalidade extremamente comercial.

Crítico exigente, Flávio Cavalcanti, falecido em 1986 após passar mal durante a apresentação de seu programa no SBT, era famoso também por suas críticas refinadas e polêmicas à música brasileira. Tornou-se célebre também pelo bordão "Um instante, maestro".

Segue aqui o comentário de Flávio, resultado de sua viagem aos EUA, publicado no jornal Correio da Manhã daquela época (março de 1961). Nota-se que as críticas a Elvis Presley se dão sobretudo aos filmes ingênuos estrelados pelo cantor. Os parágrafos foram separados por mim para facilitar a leitura:

FALHAS DA TV AMERICANA

Por Flávio Cavalcanti - 1961


(...) mas como eu ia dizendo, domingo último, há falhas na TV americana. Uma delas é a tal concessão que lá também fazem ao chamado sucesso comercial. Ao gênero de espetáculo que "vende mais". Daí Elvis Presley. Daí filmes de mocinho, os mais calhordas, em quantidade assustadora. Chega-se ao cúmulo de passar o mesmo filme duas, três vezes na mesma semana, em estações diferentes. 

Daí, os tais programas de prêmios. Uma lástima. Principalmente porque é o fim do escritor de TV. Sem nenhum critério seletivo de importância, sem nenhum mérito, o espectador, porque derruba um pauzinho, ou porque tem seu nome sorteado em brincadeiras bobocas de auditório, leva para casa Chevrolet 1961, iates, joias e não sei mais que. Os prêmios fabulosos dão fabulosas audiências a este tipo de programa.


Mas onde o espírito? Onde a inteligência e o poder de criação? Onde o estímulo ao produtor? Nada. Estimula-se, dando preferência a essa programação, o disparate (...). Mas um dos diretores de uma estação me confessou que os programas de filmes de bang-bang e os programas de distribuição espalhafatosa de prêmios espalhafatosos são mais fáceis de serem vendidos, são mais comerciais...

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