terça-feira, 26 de junho de 2012

GILBERTO GIL NOS PRIMÓRDIOS DE CARREIRA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Gilberto Gil faz hoje 70 anos de idade, bastante ativo e produtivo. Sua fase tropicalista é bastante conhecida, assim como o que veio depois, com músicas sendo tocadas regularmente nas rádios de todo o país.

Mas Gilberto Gil começou antes da Tropicália (movimento que fundou com Caetano Veloso e outros artistas baianos quando estavam em São Paulo, em 1967), gravando jingles e compactos a partir de 1962, quando era mais conhecido como um emergente cantor baiano, que no Teatro Vila Velha, em Salvador, entrava em contato com artistas simpatizantes dos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes.

O disco comentado pelo jornalista musical Mauro Ferreira, Retirante, é uma coletânea dessa fase, na qual Gil não só era influenciado pelas raízes baianas estimuladas pelo movimento cepecista como também era apaixonado por baião, música de sua infância, e pela Bossa Nova. E já começava a se apaixonar, também, pela guitarra elétrica, uma paixão que ele manteve mesmo fazendo a "passeata contra as guitarras" (que ele fez só para agradar Elis Regina, por quem ele era fascinado e a quem, mais tarde, ofereceu canções como "Ladeira da Preguiça" e "Se Eu Quiser Falar Com Deus").

'Retirante' conta pré-história de Gil em disco

Por Mauro Ferreira - Blog do Mauro Ferreira

No início de 1966, procurando se estabelecer como compositor em São Paulo (SP), Gilberto Gil gravou fita demo de voz e violão na editora musical Arlequim com 18 músicas, algumas compostas ainda na Bahia. O registro desse repertório seminal - que inclui músicas até hoje inéditas como o sambossa A Última Coisa Bonita (1963), Retirante (1964), o samba Me Diga, Moço (1964) e Rancho da Boa Vinda (1966) - chega pela primeira vez ao disco no álbum duplo Retirante, idealizado por Marcelo Fróes - sob a supervisão de Gilberto Gil - e editado neste mês de agosto de 2010 pelo selo Discobertas. Retirante reúne em dois CDs 31 gravações feitas por Gil entre 1962 e 1966 antes de sua explosão nacional com o LP Louvação, editado em 1967 no rastro da semente tropicalista que já começava a se espalhar pelo mundo da música naquele ano. Além da fita demo da Arlequim, a compilação reapresenta as oito gravações feitas por Gil em Salvador (BA), entre 1962 e 1963, na gravadora JS Discos. 


Embora tenham alto valor documental, estas oito gravações já foram disponibilizadas em CD em 2002 na coletânea Salvador, 1962 - 1963, incluída na caixa Palco e posteriormente editada de forma avulsa. Para quem desconhece tais registros, Gil debutou em disco como cantor num 78 rotações por minuto de 1962 que trazia dois temas de Everaldo Guedes. Povo Petroleiro é hilário jingle da Petrobrás, empresa da qual Guedes era funcionário. 

No labo B, havia a marchinha Coça, Coça, Lacerdinha. Na sequência, já em 1963, a JS Discos editou compacto duplo do cantor, Gilberto Gil, sua Música, sua Interpretação - cuja capa (vista acima) foi reaproveitada em Retirante. Compõe este naipe de músicas autorais Serenata do Teleco-Teco (tentativa curiosa de juntar o balanço do samba ao universo da seresta), a sofrida Maria Tristeza, o samba sincopado Vontade de Amar e a seresteira Meu Luar, Minhas Canções. No encarte de 16 coloridas páginas, Marcelo Fróes reconstitui os primeiros passos de Gilberto Gil na música, todos repisados nesta coletânea dupla que reconta a pré-história fonográfica do artista.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

OS 70 ANOS DE PAUL MCCARTNEY E DE BRIAN WILSON



Hoje é o aniversário de 70 anos de Paul McCartney. Daqui a dois dias, será a vez de Brian Wilson chegar às sete décadas de vida.

O que os dois baixistas, um nascido na cidade inglesa de Liverpool, outro em Hawthorne, Califórnia, nos EUA, têm em comum, além do fato de serem músicos de rock famosos na primeira metade dos anos 60, é uma relação de "permuta" que não só estabeleceu as relações entre os Beatles e os Beach Boys como contribuiu para a renovação do cenário e da linguagem do rock no século XX.

Dois dias separam os nascimentos dos dois músicos. As duas bandas têm três primeiras letras em comum. Eram grupos com vocalistas surgidos no seio de um cenário predominantemente instrumental, quando os Shadows eram a principal banda britânica e os Ventures a principal estadunidense. Surgiram logo no começo dos anos 60, os Beatles em 1960 e os Beach Boys em 1961.

Mas a ligação dos dois se deu quando Brian Wilson, ciente da visita dos Beatles aos EUA, em 1964, começou a ficar por dentro do que os ingleses faziam. Até aí, nada demais, mas em 1965 os Beatles lançaram o álbum Rubber Soul, cujo repertório musical deixou o baixista dos Beach Boys impressionado.

O disco, o sexto dos "quatro fabulosos", inclui canções como "Drive My Car", "Norwegian Wood", "In My Life", "Girl", "Michelle", "Nowhere Man" e "If You Needed Someone" e foi o primeiro disco em que os Beatles se preocuparam mais com as letras e com a sofisticação melódica, e foi nessa época que os quatro começaram a rever suas posturas em relação a suas carreiras, que depois resultaria até mesmo no encerramento das apresentações ao vivo, incomodados que estavam com as gritarias das fãs.

A imprensa até forjou uma "rivalidade" além-mar entre os Beatles e os Beach Boys, a exemplo do que a mídia britânica fazia com o grupo de Liverpool e os Rolling Stones. Mas se a "inimizade" dos dois principais grupos da British Invasion não passava de mito, já que seus integrantes no fundo eram amigos - ao ponto de, recentemente, Paul McCartney e Keith Richards terem se encontrado para uma conversa de grandes amigos - , também era factoide a "rivalidade" dos californianos e dos britânicos.

Sensacionalismos à parte, a obsessão de Brian Wilson em buscar a canção perfeita o fez largar temporariamente os Beach Boys, que escalou Bruce Johnstone, cantor e pianista que hoje está na atual formação da banda, para substitui-lo nas turnês. Brian se isolou em sua casa para compor as músicas que depois fariam parte do álbum Pet Sounds (que, além da formação original, teve também Johnstone participando do coro).

Com a repercussão de Pet Sounds, que mostra os Beach Boys não mais ao lado de carrões e pranchas, mas ao lado de animais de zoológico - não necessariamente domésticos, como sugere o termo em inglês pet, mas vale a tirada irônica - , em trajes de outono e com o atlético Mike Love barbudo, foi a vez dos Beatles se sentirem impressionados com o disco do grupo californiano.

E qual o Beatle que mais se impressionou com o disco? Justamente Paul. E, apresentando o disco aos colegas e ao produtor George Martin, os ingleses, que já haviam largado os palcos para se concentrar nas pesquisas de estúdio, resolveram elaborar as canções, os arranjos e até mesmo os efeitos de estúdio para um novo álbum, incluindo sons que só podem ser ouvidos por cães.

O disco tornou-se conhecido como Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band, um álbum que já tem sua história própria e está inserido no contexto dos grandes discos lançados em 1966 e 1967 que marcaram um período ímpar na história do rock mundial. E representou o reconhecimento dos Beatles pela história do rock, assim como Pet Sounds foi para os Beach Boys.

Paul e Brian até chegaram, recentemente, a gravar juntos, e ao longo dos anos seguiram suas carreiras aperfeiçoando as melodias no rock. Hoje Paul McCartney segue em carreira solo, com sua banda de apoio. Brian, por sua vez, reativou os Beach Boys, fazendo as pazes com Mike Love e chamando os outrora suplentes Bruce Johnstone e David Marks para ocupar os postos dos falecidos irmãos de Brian, Dennis e Carl.

Os mestres do rock, idosos, não perdem o espírito juvenil, e hoje mostram suas lições de musicalidade para as gerações mais novas, que hoje sofrem com a hegemonia de ídolos pop medíocres mais preocupados em se promover com escândalos do que fazer boa música. Mas esses ídolos pop, apesar de sua insistência à superexposição, não serão lembrados na posteridade.

Já nomes como Beatles e Beach Boys serão sempre lembrados, pela sua missão de fazer música de excelente qualidade, com uma experiência de mais de 50 anos de muita batalha e muitas canções. Sobretudo através da criatividade de Paul e Brian.

Portanto, desejamos parabéns e longa vida a esses dois grandes músicos do rock.

sábado, 9 de junho de 2012

MORRE EM LONDRES O JORNALISTA E ESCRITOR IVAN LESSA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Pouco depois de Millôr Fernandes, mais um da geração de intelectuais do Pasquim faleceu, que foi o jornalista Ivan Lessa, filho dos escritores Orígenes Lessa e Elsie Lessa. Ele vivia em Londres.

Numa época de mediocrização cultural em que vive o Brasil, é mais uma das grandes vozes da imprensa brasileira que se silencia diante da memória curta de muitos. E, por sinal, a memória curta foi criticada pelo próprio Ivan Lessa, quando disse "A cada 15 anos o brasileiro esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos".

Morre em Londres o jornalista e escritor Ivan Lessa 

Do Jornal do Brasil


Morreu em Londres, aos 73 anos, o jornalista e escritor Ivan Lessa. Segundo a GloboNews ele tinha enfisema pulmonar.


Ivan foi editor e um dos principais colaboradores do jornal O Pasquim, onde assinava as seções Gip-Gip-Nheco-Nheco, Fotonovelas e os Diários de Londres. Lessa publicou três livros: Garotos da Fuzarca (contos, 1986), Ivan Vê o Mundo (crônicas, 1999) e O Luar e a Rainha (crônicas, 2005). Ivan Lessa morava  em Londres e escrevia crônicas três vezes por semana para a BBC Brasil.


Ivan Lessa também escreveu em 2003, a apresentação para o livro "A sangue frio" (1965), de Truman Capote, que em nova edição no ano de 2009, integrou a "Coleção jornalismo literário", junto de outros livros renomados, como "Berlim" de Joseph Roth, e "Hiroshima", de John Hersey.