quinta-feira, 31 de maio de 2012

MÚSICO NELSON JACOBINA MORRE NO RIO DE JANEIRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O músico Nelson Jacobina foi uma figura pouco divulgada da nossa MPB, mas, desde muito jovem, já fazia sucesso como compositor, sendo co-autor, com Jorge Mautner, da música "Maracatu Atômico", canção gravada em 1973 por Gilberto Gil e também gravada, nos anos 90, por Chico Science & Nação Zumbi. Ele fez parte da MPB alternativa dos anos 70 e, nos últimos anos, tocou na Orquestra Imperial. Mas, doente, faleceu ainda precocemente, aos 58 anos.

Músico Nelson Jacobina morre no Rio de Janeiro

Do Portal Último Segundo

O músico Nelson Jacobina, parceiro de Jorge Mautner em composições como "Maracatu Atômico" e "Lágrimas Negras", morreu na manhã desta quinta-feira (31), aos 58 anos. Ele sofria de câncer.

Jacobina foi internado no domingo (dia 27) no Instituto Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, e desde então estava respirando com ajuda de aparelhos.

O sepultamento está inicialmente marcado para as 17h desta quinta, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro - o velório também ocorrerá no local.

Há 15 anos, o músico foi diagnosticado com câncer na parótida, uma das três glândulas salivares. Após passar por vários tratamentos, foi dado como curado.

Há dois anos, o tumor voltou, se espalhou e chegou a outros órgãos, afetando principalmente o pulmão.

Ao ser internado, no domingo, o músico reclamava de dificuldades para respirar.

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Jacobina ficou conhecido nos anos 1970, graças a suas parcerias com o cantor e compositor Jorge Mautner. A partir de 2000, também passou a integrar a Orquestra Imperial.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

BIBI FERREIRA E O BRASIL 60


Por Alexandre Figueiredo

Com 90 anos de idade, a versátil atriz, bailarina e cantora Bibi Ferreira, filha e discípula do mestre do teatro Procópio Ferreira - que eu vi no filme Titio Não é Sopa, de 1960 - tem uma larga experiência, mas uma delas, de grande importância para a TV brasileira, não chega a ser bem divulgada.

Trata-se do programa Brasil 60, da TV Excelsior (canal 9 em São Paulo, canal 2 no Rio de Janeiro). Não é Brasil 1960 nem MPB 60, como certas fontes dizem, mas Brasil 60, mesmo.

O programa, a princípio, seria apenas um musical, com Bibi anunciando as atrações. Mas a longa duração do programa fez com que a direção de programação, do mestre Álvaro de Moya, e a produção, a cargo do hoje autor de novelas Manoel Carlos, mudassem o plano e o transformassem num programa de variedades que tenha como objetivo mostrar os valores do Brasil.

Dessa forma, em 31 de julho de 1960, surgiu o programa dominical Brasil 60, que incluía entrevistas com personalidades diversas, do esporte à televisão, passando pelo cinema, literatura, teatro e rádio, e entre um convidado e outro havia também entrevistas com nomes da música brasileira que depois mostraram seus números musicais.

E Bibi Ferreira foi escolhida porque Álvaro de Moya queria alguém diferente dos que já trabalhavam na televisão, e a escolha foi acertada, tamanho o dinamismo e a desenvoltura da apresentadora e atriz.

O programa mudava de nome conforme o ano. Foi Brasil 60 em 1960, tendo sido Brasil 61 no ano seguinte e por aí vai. Uma curiosidade sobre o Brasil 61 é que, uma semana antes de estrear, na rival TV Tupi, o seriado Vigilante Rodoviário, o protagonista Carlos Miranda (depois um vigilante rodoviário na vida real e hoje aposentado) e seu cachorro Lobo apareceram para divulgarem a atração no programa.

O programa de uma hora de duração teve tanto sucesso que, depois, Bibi ganhou um novo programa, Bibi Sempre aos Domingos, com oito horas de duração, que chegou a superar a audiência do Programa Sílvio Santos, várias vezes.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

MORRE AOS 62 ANOS ROBIN GIBB, INTEGRANTE DOS BEE GEES


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Depois da morte de Donna Summer, os anos 70 perderam outro grande ídolo, o integrante dos Bee Gees, Robin Gibb, fazendo com que o antigo trio, na verdade parte de uma banda australiana surgida no final dos anos 50 com este nome, se limitasse hoje ao cantor Barry Gibb.

O grupo surgiu fazendo uma sonoridade mais rock, até assumir uma postura mais romântica com "Words" e "I Started a Joke", a partir de 1968, e depois aderir à onda disco nos anos 70 e prosseguir na linha do pop romântico. Outro integrante da banda, Maurice Gibb, já havia falecido em 2003. Os Bee Gees já haviam perdido o irmão Andy Gibb, que não integrava o grupo, em 1989.

Morre aos 62 anos Robin Gibb, integrante do Bee Gees

Do Portal Terra

O cantor Robin Gibb, do trio musical Bee Gees, morreu neste domingo (20), aos 62 anos. O músico estava internado em uma clínica particular de Londres. Ele conseguiu se recuperar de um câncer diagnosticado em 2010, mas recentemente teve de ser submetido a uma operação no intestino e descobriu um segundo câncer.

A notícia foi divulgada por seu representante. "A família de Robin Gibb, do Bee Gees, anuncia com grande tristeza que Robin morreu depois de sua longa batalha contra o câncer e uma cirurgia no intestino. A família pede que sua privacidade seja respeitada neste momento de grande dificuldade", escreveu.

Em 2011, o músico fora submetido a uma cirurgia para corrigir uma obstrução intestinal, o mesmo problema que em 2003 provocou a morte de seu irmão gêmeo, Maurice, também integrante do Bee Gees.

Porém, depois de anunciar que estava curado, o músico descobriu um câncer no cólon e no fígado, que rapidamente se desenvolveu. Agravado por uma pneumonia, Gibbs entrou em coma em abril, acordando 12 dias depois sem conseguir falar e se movimentar.

Biografia
Nascido na ilha de Man e tendo pais ingleses, Robin Gibb morou com a família alguns anos em Manchester, na Inglaterra. Ainda criança, ele se mudou para Brisbane, na Austrália. Começou a cantar com os irmãos Barry e Maurice aos 6 anos. Sua primeira apresentação aconteceu em 1957, quando tinha 8 anos. Nessa época, o grupo já se chamava Bee Gees. Nos primeiros anos da banda, destacava-se Barry Gibb, seu irmão mais velho, na composição das canções e nos vocais. Entretanto, com a banda trilhando o caminho do rock psicodélico, Robin ganhou mais espaço, passando a compor canções e a ser o vocalista principal.

Em 1969, Robin queria ainda mais espaço dentro do grupo, o que resultou numa briga e uma consequente separação da banda. Ele decidiu, então, começar sua carreira solo e, em 1969, lançou o single Saved by the Bell, que chegou ao topo de várias paradas de sucesso, especialmente na Europa, e proporcionou a gravação de seu primeiro álbum solo, Robin's Reign, lançado em 1970. Em meados da década, no entanto, os Bee Gees se reconciliaram. Foi nessa época que as músicas Stayin' Alive, More Than A Woman, How Deep Is Your Love e Night Fever alcançaram o primeiro lugar em vários países do mundo.

Na década de 1980, os Bee Gees deixaram a carreira como cantores um pouco de lado e investiram na produção de discos para outros artistas. Foi então que Robin decidiu investir novamente na sua carreira solo. Lançou três álbuns: How Old Are You?, do hit mundial Juliet; Secret Agent, famoso pelo sucesso pop Boys Do Fall in Love; e Walls Have Eyes, que emplacou a canção Like a Fool em alguns países.

Depois de Walls Have Eyes, aconteceu a segunda volta do Bee Gees. Eles se juntaram novamente e ficaram juntos até 2002. Quando o quinto álbum de Robin seria lançado, morreu Maurice, seu irmão gêmeo. Mesmo assim, Magnet foi lançado para o público apenas uma semana depois do trágico acontecimento.

De 2004 a 2006, Robin fez uma turnê com a orquestra Neue Philharmonie Frankfurt. Neste meio tempo, lançou parcerias com outros cantores, como Alistair Griffin, G4 e US5. Após o fim da turnê, Robin lançou seu sexto disco, My Favourite Christmas Carols, que tem canções de Natal. O último álbum foi um tributo ao Titanic.

Bee Gees
Passando por diversos ritmos musicais, do rock psicodélico às baladas, do country à música disco, pelo R&B, da música romântica ao pop rock moderno, o Bee Gees vendeu ao todo mais de 250 milhões de discos. Foram incluídos no Hall da Fama do Rock and Roll e ganharam nove prêmios Grammy. O álbum Saturday Night Fever (trilha sonora do filme Embalos De Sábado À Noite) é uma das trilhas sonoras mais vendidas de todos os tempos.

Vida pessoal
Robin casou-se com Molly Hullis em 1968. Eles tiveram dois filhos - Spencer (1972) e Melissa (1974) - mas se separaram em 1982. Casou-se depois com a escritora Dwina Murphy, em 1985, com quem teve um filho: Robin John (1983). Em 2008, foi novamente pai, dessa vez de um relacionamento extraconjugal. A governanta de sua casa, Claire Yang, deu à luz Snow Evelyn Robin Juliet Gibb.

domingo, 20 de maio de 2012

SENHOR: UMA SENHORA REVISTA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Por uma interessante coincidência, ando nas últimas semanas pesquisando sobre a revolucionária revista Senhor, que, ao lado de Realidade, estabeleceram as diretrizes do moderno jornalismo brasileiro. Bons tempos aqueles em que a cultura brasileira era feita de peito erguido, e a intelectualidade discutia cultura, em vez de ficar justificando os valores estabelecidos de hoje, muitos de credibilidade e valor duvidosos.

Uma senhora revista

Por Ruy Castro - Especial para a Folha de São Paulo

RESUMO Edição que a Imprensa Oficial paulista lança em junho recupera excelência intelectual e gráfica da revista "Senhor", editada no Rio por Nahum Sirotsky e Paulo Francis, de 1959 a 1964. Ao veicular o melhor das nossas letras e artes, a publicação fundou um sofisticado modelo brasileiro de jornalismo cultural

FOI UMA ESPÉCIE de realeza da imprensa brasileira, com toda a nobiliarquia, as sucessões dinásticas e o cartório de mordomias, rapapés e fidalguias que fazem o cardápio da realeza. E, como esta, depois de um período de opulência e fartura, viu-se também em chinelos, com mais contas a pagar do que as armas e os brasões em seu escudo. "Senhor" (nos primeiros 12 números, chamada de "Sr. - A Revista do Senhor") foi a última de uma grande tradição de revistas românticas brasileiras. Anos depois, as revistas mensais que a sucederam trocaram sua superioridade majestática e seu olímpico desprezo pelos fatos por uma espécie de urgência republicana e um excessivo apego à atualidade.

O curioso é que, ao surgir, em março de 1959, nada podia parecer tão moderno e "de vanguarda" quanto "Senhor". Em pouco tempo, ela faria parte de uma nova estética que incluía Brasília, o concretismo, a bossa nova, a revolução gráfica do "Jornal do Brasil", os anúncios da Volkswagen e do Banco Nacional, as capas dos discos da gravadora Elenco, os móveis de linhas retas -uma estética de formas claras, enxutas, essenciais.

O homem (e a mulher) a quem essa estética se dirigia era o adulto consciente, responsável e lúcido; em política, liberal e progressista; de preferência, solteiro (e, se casado, com uma mulher parecida com ele); próspero o suficiente para ter um carro novo e certas modernidades domésticas, como uma TV ou um estéreo, mas sem deslumbramentos; gourmet, viajado, à vontade em aviões; atento a novidades, mas sem muita pressa para adotá-las; bem-humorado, bem vestido, bebedor equilibrado; e, finalmente, leitor de livros, fã de João Gilberto e Tom Jobim e dos filmes italianos e franceses.

Acima de tudo, adulto -eis a palavra (por isso, ele era um "senhor", não um imaturo espremedor de espinhas). Ou tudo isso seria pedir muito de um brasileiro? Mas, se "Senhor" e aquela estética existiam, por que não esse leitor?

RECEITA "Senhor" se enquadrava em tal espírito e estética não tanto pelo que apresentou de novidades gráficas em seus (ainda desajeitados) primeiros números, mas pelo que rapidamente se tornaria. O importante é que sua receita editorial já surgiu pronta no nº 1. Talvez pela qualidade dos cozinheiros.

Basta consultar o expediente para se ver como, desde sua estreia, "Senhor" continha quase todos os nomes que seriam importantes em sua trajetória editorial, gráfica e comercial. Daí que os homens que se sucederam na sua condução pelos cinco anos de existência da revista puderam fazê-lo sem traumas -todos sabiam do que "Senhor" se tratava. Nahum Sirotsky, 33 anos em 1959, fundador e primeiro editor e redator-chefe, formou sua equipe com Paulo Francis, 28, como editor-assistente e Luiz Lobo, 25, como editor-assistente-executivo.

Devia significar que Francis estava mais próximo de Nahum na discussão da pauta, enquanto Lobo tinha de efetivamente meter a mão na massa, produzindo títulos, legendas e textos avulsos não assinados, além das matérias que levavam sua inconfundível chancela.

Não que não se percebesse a presença de Francis em muitas notas da seção "Sr. & Cia.", mas era Lobo que parecia onipresente na revista. De sua máquina de escrever saíram brilhantes textos sobre etiqueta, gravatas, ressaca, guarda-chuva, bermudas, banho de mar, camisas, sapatos, chapéus, omeletes, uísques -enfim, toda a futura receita das revistas masculinas brasileiras, até hoje. O fato de, disfarçadamente, haver um anúncio do produto nas vizinhanças desses textos não os invalidava.

O consagrado artista plástico Carlos Scliar, 38 -sem muita experiência no ramo editorial, mas com ideias frescas e arrojadas-, era o diretor do departamento de arte, já assistido desde o nº 1 por um promissor Glauco Rodrigues, 29, e pelo já completo cartunista Jaguar, 26 -que, além de contribuir com nove cartuns no primeiro número, tinha de desenhar também uma quantidade de vinhetas não assinadas para ilustrar pequenos tópicos e cobrir eventuais buracos.

Clarice Lispector, que, no futuro, tornar-se-ia uma marca da revista -e quase exclusiva, porque estava longe de ser ferozmente disputada pelo mercado-, também já comparecia no nº 1 como colaboradora. Assim como dois homens que, idem, um dia assumiriam a direção de "Senhor": Odylo Costa, filho, e Reynaldo Jardim -nenhuma coincidência nisso, eram apenas dois nomes em evidência suficiente para colaborar numa nova revista.

FÓRMULA A fórmula era um compósito do sumário de diversas revistas americanas e europeias que Nahum gostava de ler: artigos, análises, humor, entrevistas, uma ou outra reportagem, ensaios fotográficos, serviços, ficção, cartuns e um rico picadinho composto de "Sr. & Cia.", "Sr. na Tecnologia", "Sr. & Política", "Sr. & Economia" -nem todas as notas dessas seções parecendo desinteressadamente escritas (algumas, às vezes, resvalavam pela matéria paga).

No quesito ensaio fotográfico, Salomão Scliar, Armando Rozario, Flávio Damm e Fulvio Roiter -quatro dos maiores fotógrafos do país- revezavam-se na tarefa de fotografar tanto os utensílios citados nas matérias de serviços quanto a "garota do mês" (que não tinha esse nome, mas era como se tivesse), antes de Richard Sasso quase monopolizar as câmaras a partir do nº 18.

No primeiro número, "Senhor" teve apenas oito páginas de publicidade, sendo duas de matéria paga e uma, a da contracapa, um anúncio do dicionário Caldas Aulete, da própria Delta-Larousse (ou seja, um "calhau"; era como se não valesse), num total de 108 páginas de revista. Donde o milagre não foi a saída deste primeiro número, mas a do nº 2.

"Senhor" só se realizaria publicitariamente a partir do nº 9, com a chegada do experiente Ivan Meira (com direito a nome em negrito no expediente) para chefiar o departamento comercial. Com ele, a revista sairia por bastante tempo com uma média de 20 a 30 páginas de anúncios para cerca de cem de editorial -média muito boa e que, se mantida, permitiria a "Senhor" circular para sempre.

Além disso, as principais agências de propaganda do país -Standard, Norton, J. W. Thompson, Interamericana, McCann-Erickson, Lintas- adoravam a revista. Entre outros motivos, porque ela as incitava a criar os anúncios mais "modernos" e diferentes possíveis (o que fizeram repetidamente).

Às vezes, para mostrar o que e como queriam, Luiz Lobo e Jaguar se aventuravam eles próprios na produção de anúncios (os chamados "diretos"), nem sempre contando com a compreensão do cliente. Mas é fascinante como, tantas vezes, as páginas de publicidade em "Senhor" se confundiram com as do editorial.

No departamento de arte, Scliar admitiu dois novos assistentes: Caio Mourão, no nº 8; Bea Feitler, no nº 9. Ivan Lessa foi contratado como tradutor e redator para assuntos gerais no nº 3 e comicamente demitido no nº 10, mas continuou amigo de todo mundo e a colaborar esporadicamente. Em seu lugar, entrou Newton Carlos, que ficou por pouco tempo e foi substituído por Jayme Negreiros.

OSCILAÇÃO No nº 17, um novo e importante cargo foi criado -o de editor de política e economia-, para acomodar a contratação do experiente Newton Rodrigues. Com isso, pelos números seguintes, "Senhor" oscilaria entre as pautas divertidas e informativas de Luiz Lobo (cujo texto caracterizava a revista, quase sempre se dirigindo ao leitor como "o Sr.") e as graves análises da conjuntura nacional por Newton Rodrigues.

Com a saída de Lobo, no nº 20, o caminho se abriu para Newton, que ameaçou tornar "Senhor" uma revista mais pesada e sisuda. Mas Paulo Francis, com sua autoridade de editor-assistente, reequilibrava o jogo, com artigos sobre literatura, teatro e cinema. (Sete anos depois, em 1966, Newton Rodrigues e Paulo Francis se reencontrariam no "Correio da Manhã", em papéis trocados: Newton como seu severo redator-chefe, e Francis, como editorialista, ou seja, seu subordinado -e sofrendo o rigor do chefe.)

FICÇÃO Um dos fortes era a ficção, sempre decidida por Francis. Com sua amizade e ligação com Ênio Silveira, sócio-proprietário da (em breve) influente editora Civilização Brasileira, era natural que publicasse em "Senhor" contos e novelas de F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, D. H. Lawrence e Graham Greene, ou um trecho do novo e escandaloso romance "Lolita", de Vladimir Nabokov, todos autores da Civilização.

Outros super-escritores (nem todos famosos no Brasil) que ele deu na revista foram William Faulkner, George Orwell, Truman Capote, Isaac Bábel, Aldous Huxley, Thomas Mann, Albert Camus, Ionesco, James Baldwin, Jorge Luis Borges e Kafka (a maioria, em tradução de Ivo Barroso).

E quem, além de Francis, em 1959/60, se lembraria de Dorothy Parker e James Thurber, autores americanos cujo "wit" os separava do grande público? Sem falar na ficção nacional: Marques Rebelo, Campos de Carvalho, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, muito de Clarice, tantos mais, e duas obras-primas escritas especialmente para "Senhor": as novelas "Meu Tio, o Iauaretê", de Guimarães Rosa, e "A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água", de Jorge Amado.

No nº 13, de março de 1960, primeiro aniversário da revista, "Sr." tornou-se "Senhor" -concessão aos jornaleiros, que, acredite, até então não sabiam como chamá-la. Mas, a partir do número seguinte, Scliar, numa medida quase suicida, ousou abolir as chamadas de capa -e logo em "Senhor", que tinha tantos nomes a "chamar". Atraído por novos desafios, Scliar deixou a revista no nº 18 e foi sucedido com naturalidade por Glauco Rodrigues na chefia do departamento de arte. E, já no número seguinte, as chamadas de capa voltaram -a sugerir um choque entre Scliar e Glauco por causa delas.

Infelizmente, naquele número os nomes de Jaguar, Bea Feitler e Caio Mourão também saíram do expediente. Mas tanto Bea (então namorada de Paulo Francis) quanto Jaguar continuaram a colaborar com ilustrações, cartuns e eventuais capas. O diretor de arte Michel Burton surgiu em cena e já fez a capa do nº 19. Glauco, por sua vez, deixou "Senhor" no nº 25, comemorativo do segundo aniversário, e cedeu o lugar a Burton, mas continuou a colaborar e produzir capas. Ou seja, os que saíam passavam o bastão aos sucessores e não se acusavam abalos.

ADMINISTRAÇÃO O mesmo não se pode dizer das súbitas mudanças administrativas que a revista sofreu naquele período. No nº 25, de março de 1961, o nome de Sergio Waissman desapareceu do expediente como diretor-gerente da Editora Senhor. No nº 27, de maio, Ivan Meira deixou a chefia do comercial. E, finalmente, no nº 30, de agosto, Nahum Sirotsky transmitiu o cargo de editor-redator-chefe a Odylo Costa, filho. Com a saída de Nahum, era o pai se separando do filho, a mão se separando do braço. E por quê?

Nahum despediu-se dos leitores com um editorial explicando que, como a revista fora vendida a "outro grupo", queria deixar o caminho livre para a orientação dos novos proprietários -por mais que o tivessem "instado a continuar". O "outro grupo" era a LTB, Listas Telefônicas Brasileiras, controlada por Gilberto Huber, dono também da AGGS, gráfica que editava a revista e que, na prática, se tornava a proprietária da Editora Senhor.

Aos íntimos, Nahum dizia que só teria permanecido nas mesmas condições de liberdade e independência que lhe eram garantidas pelos irmãos Waissman -e, segundo ele, esse não parecia ser o caso com Huber. Seja como for, se houve alguma mudança política ou editorial na linha da revista, ela não ficou clara -mesmo porque Paulo Francis e Newton Rodrigues continuaram a assinar como editores, só que agora sob Odylo. O que houve foi uma queda constante da publicidade, provocada mais pela instabilidade da vida política brasileira do que por uma queda de qualidade da revista.

Essa instabilidade se iniciou com a renúncia do presidente Jânio Quadros naquele mesmo agosto de 1961, prosseguiu com as incertezas em torno da posse do vice-presidente João Goulart, com o curto e opaco período do regime parlamentarista, e culminou na explosiva volta do presidencialismo, em que o país começou a ser sacudido pela intensa agitação nos sindicatos e no campo. Com o país à sombra de uma possível guerra civil, a ideia de uma revista tão cara e requintada parecia realmente fora de lugar. A saída de Ivan Meira também contribuiu para a queda da publicidade.

O nº 36, de fevereiro de 1962, tinha uma linda capa ("Ele vem aí", referindo-se ao Carnaval), mas apenas três páginas de anúncios. A situação era crítica. E quase toda a revista, cada vez mais magrinha, saía agora em preto e branco. "Senhor" parecia terminal. No mês seguinte -março, terceiro aniversário de "Senhor", Odylo caiu. Seu reinado durou apenas sete meses. Foi substituído pelo poeta e artista gráfico Reynaldo Jardim (ex-"Suplemento Dominical" do "JB") como diretor responsável.

Paulo Francis e Newton Rodrigues continuaram como editores, mas, com Reynaldo à testa, não havia lugar para um diretor de arte, donde Michel Burton também saiu. Em abril, Jaguar foi convidado a concentrar cartuns, artigos e "faits-divers" de humor numa seção dentro da revista, "O Jacaré".

Em maio, "Senhor" voltou a ter cores, mas a publicidade continuou inexpressiva. Numa quase apelação, as moças que a revista fotografava começaram a se despir um pouco mais -nem tanto como as "Certinhas do Lalau", na "Última Hora", mas já se vislumbravam alguns seios. Até que, em julho, a AGGS repassou a revista e a editora (de graça, mas com todas as dívidas) a uma corajosa dupla que se dispôs a assumi-las: o próprio Reynaldo Jardim e seu velho amigo, o bem-sucedido publicitário Edeson Coelho. E, com o prestígio de Edeson no meio, os anúncios voltaram em alto estilo.

Paulo Francis e Newton Rodrigues se afastaram no número seguinte, o 43, de setembro de 1962, e, com a saída de Francis, "Senhor" perdeu o último membro de seu núcleo inicial.

GRANDE FASE Foi, de novo, uma grande fase para a revista, com média de 30 a 40 colaboradores por mês, mais de 20 páginas de publicidade e alguns números memoráveis, como o gordo 50-51, datado de abril-maio de 1963, com 28 páginas de textos (contra e a favor) sobre a bossa nova.

Mas os prejuízos acumulados eram muitos, e aquele foi também o último número composto e impresso na AGGS -como se nem ela, uma gráfica "amiga", continuasse disposta a bancar as dificuldades da revista. O fato de Edeson e Reynaldo serem obrigados a juntar dois números em um só revela um quadro de dívidas não saldadas, fornecedores impacientes e papagaios levantados junto a banqueiros lenientes, suficientes para rodar a revista mais uma vez. Era, de novo, a ameaça do fim.

RISCO E assim "Senhor" se arrastou até o último número, o 59, de janeiro de 1964. O Brasil de 1963/64 não era um cenário que estimulasse empreitadas de risco -e nada mais arriscado que uma revista, com seus compromissos fixos (papel, tinta, impostos, colaboradores) e receita flutuante (anúncios e venda avulsa). O país inteiro se tornara um risco -todo mundo sabia. Quando os militares tomaram o poder, a 31 de março de 1964, "Senhor" já não estava ali para testemunhar.

E, nos anos imediatamente seguintes, os senhores de colarinho branco que compunham o seu público viram-se engolfados pelo processo de juvenilização galopante que tomou o planeta, com o iê-iê-iê, os hippies, os cabelos sobre a gola e, depois, sobre os ombros. De certa maneira, "Senhor" acabou ao mesmo tempo que seu próprio mundo.

Vista de hoje, seus defeitos ficaram tão aparentes quanto suas qualidades. E os primeiros são mais de produção gráfica -a maioria de seus responsáveis eram homens de grande criatividade plástica, mas com pouca tarimba em revistas. Em busca da originalidade, cometiam-se pecadilhos impensáveis, digamos, na já estabelecida revista "Manchete", como títulos na página errada, ilustrações que pareciam ter saltado para fora do texto, algum desacerto na tipologia e, o pior de todos, às vezes páginas e páginas com uma massa de texto.

PALAVRA Mas aquele ainda era o mundo da palavra, é bom lembrar. Os leitores não recuavam diante de uma página de texto apertado, fosse no jornal ou na revista. Na verdade, quando se encontrou, "Senhor" (assim como o novo "Jornal do Brasil", comandado por Janio de Freitas) tornou-se justamente um dos veículos que vieram para oxigenar a imprensa, com o uso generoso da fotografia e do espaço em branco.

A fórmula gráfica de "Senhor" variou de acordo com a oscilação comercial da revista. Em certa fase, as capas estilo obra de arte (muitas a cargo de Glauco Rodrigues) foram trocadas por capas mais fotográficas, algumas destacando uma mulher seminua. Era o desespero de tentar recuperar na venda avulsa o que estava faltando na publicidade. Mas aquele não era o público de "Senhor" e, eventualmente, ela voltou à sua antiga e gloriosa sofisticação.

Sofisticação esta que nunca foi deixada de lado em matéria de textos -e de que o livro "O Melhor da Senhor" oferece robusta amostra. Amostra que não se pretende única -outros livros como este, equivalentes em quantidade e qualidade do material, seriam possíveis, se se tivessem conseguido todas as autorizações desejadas.

Por diferentes motivos, não pudemos ter Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues ou James Thurber. Mas temos Jorge Amado, Vinicius de Moraes, Clarice Lispector e muitos dos outros que tornaram "Senhor" uma sra. revista. E nunca se fez outra igual.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

CANTORA DISCO DONNA SUMMER MORRE AOS 63 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A disco music, como derivada da soul music, vive da sina ingrata de seus muitos obituários. E só nos últimos três anos faleceram três ídolos de maior referência para o gênero, sobretudo relacionados ao hit-parade mais conhecido e apreciado pelas gerações mais recentes. Dessa forma, causam sério impacto as mortes de Michael Jackson, Whitney Houston e, hoje, a cantora Donna Summer, vítima de câncer no pulmão, aos 63 anos (faria 64 no final deste ano). E, de certa forma, Michael e Whitney estiveram associados ao mesmo universo disco do qual Donna foi a rainha suprema.

Cantora disco Donna Summer morre aos 63 anos

Do Portal UOL Entretenimento

LOS ANGELES, 17 Mai 2012 (AFP) -A cantora americana Donna Summer, "rainha da música disco" e famosa por sucessos como "Love To Love You Baby" e "Hot Stuff", morreu de câncer nesta quinta-feira aos 63 anos.

"Esta manhã, perdemos Donna Summer Sudano, uma mulher cheia de talento, sendo que o maior deles era a sua fé", afirmou sua família em comunicado.

"Enquanto lamentamos sua morte, estamos em paz celebrando a sua extraordinária vida e seu legado permanente. Palavras realmente não podem expressar o quanto nós apreciamos suas orações e seu amor para a nossa família neste momento difícil."

Segundo o site especializado em celebridades TMZ, a diva nascida em 1948 morreu de câncer no pulmão. O site citou fontes segundo as quais a cantora ficou doente por ter inalado partículas tóxicas após os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York.

Summer, que também se tornou uma espécie de ícone da comunidade gay, alcançou a fama durante a era da disco music na década de 1970. Em sua canção de 1975 "Love to Love You Baby", uma das primeiras da música disco a ter sucesso, há gemidos eróticos.

A estrela de lábios carnudos e de sorriso largo, que tinha como produtor outro famoso nome da música disco, Giorgio Moroder, ganhou cinco prêmios Grammy durante sua carreira espetacular, incluindo o de melhor cantora em 1980 e o de melhor gravação dance, em 1997, com "Carry On".

"Depois desse sucesso não sabia o que fazer. Nada tinha sentido. Eu me sentia desesperada e deprimida. Comecei a tomar medicamentos", contou a cantora, anos depois, na televisão.

Foi com orações que ela recuperou o gosto pela vida, disse nessa mesma entrevista.

"Quando estou em uma pista de dança, quero ouvir algo que me permita esquecer todos os pensamentos negativos e todo o trabalho da semana passada para pensar em apenas uma coisa: ser livre por um minuto", disse ao jornal Newsday em 2008.

O anúncio de sua morte provocou diversas reações no Twitter, em que seu falecimento se tornou um dos temas principais.

"RIP Donna Summer! Você foi verdadeiramente uma inovadora!!!", escreveu no Twitter a cantora Mary J. Blige, enquanto a atriz Roseanne Barr disse "RIP Donna Summer, morta aos 63, "She Works Hard for the Money" era minha música favorita".

La Toya Jackson, irmã do falecido rei do pop Michael Jackson, cuja carreira decolou com os Jackson Five ao mesmo tempo que a de Summer, ressaltou: "Meus pêsames à família de Donna Summer e a seus entes queridos. Sentimos muito a falta dela".

"Ela era realmente a Rainha da Disco!", acrescentou.

A diva nasceu com o nome de LaDonna Adrian Gaines em uma grande família de Boston, e começou a cantar na igreja local antes de atuar em sua adolescência em uma série de grupos influenciados pelo estilo de música soul Motown Sound.

Acolheu seu nome artístico depois de se casar com o ator austríaco Helmuth Sommer em 1972, com quem teve uma filha, Mimi Sommer. Após se divorciar dele, a cantora, dona de um alemão fluente, escreveu seu nome na versão inglesa.

Summer é detentora do recorde de álbuns duplos consecutivos no topo do ranking da Billboard -três-, e foi a primeira mulher com quatro singles na primeira posição em um período de 12 meses, três sozinha e um com Barbra Streisand, de acordo com o site IMDb.

O TMZ indicou que a cantora lutou contra a sua doença de forma silenciosa, e que não parecia tão debilitada até algumas semanas atrás. Segundo as fontes citadas pelo site, a também compositora tinha se dedicado a terminar um novo álbum no qual estava trabalhando.

Summer se casou com o cantor Bruce Sudano em 1980, com quem teve duas filhas, acrescentou o TMZ.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

MORRE EM SÃO PAULO, AOS 91 ANOS, O CANTOR SERTANEJO TINOCO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Faleceu o remanescente da dupla Tonico e Tinoco, considerada um dos maiores referenciais da música caipira autêntica do século XX. Gênero considerado em extinção, tamanhas as diluições e deturpações, meramente comerciais e sem compromisso cultural - apesar de investidas tendenciosas nos "tributos" ao cancioneiro caipira dos atuais breganejos -  , a autêntica música de raiz é hoje incompreendida por muitos, na medida em que a percepção meramente urbanística, midiática e globalizada de muitas pessoas não consegue discernir o que era realmente a nossa música rural e as deturpações que nos últimos 35 anos surgiram sob o rótulo de "sertanejo".

Na década de 1960, a dupla Tonico e Tinoco produziu mais discos em sua carreira, com 83 discos gravados, entre álbuns e compactos.

Morre em São Paulo, aos 91 anos, o cantor sertanejo Tinoco


Do Portal Terra


O cantor sertanejo Tinoco, da dupla Tonico & Tinoco, morreu na madrugada desta sexta-feira, à 1h42, na cidade de São Paulo, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do município. José Peres, 91 anos, estava internado no Hospital Municipal Ignácio de Proença de Gouvêa, na Mooca, e morreu de insuficiência respiratória.


O velório está previsto para começar a partir das 10h no Cemitério da Quarta Parada, no Belém, na zona leste de São Paulo. O enterro está programado para às 17h no Cemitério da Vila Alpina, também na zona leste. O cantor tinha apresentação marcada para a Virada Cultural em São Paulo neste final de semana; a assessoria de imprensa do evento ainda não sabe se algum artista substituirá o cantor.


Carreira


Tinoco formou uma das duplas sertanejas mais famosas e respeitadas do País ao lado do irmão mais novo João Salvador Peres, o Tonico, ainda nos anos 30.


Com a paixão pela música herdada dos avós maternos, Olegário e Izabel, Tonico e Tinoco começaram a carreira em 1930, quando moravam em Botucatu, no interior de São Paulo. A primeira apresentação profissional aconteceu cinco anos mais tarde, junto com um primo, em show em uma quermesse local.
Em 1941 a família se mudou para a capital paulista e, devido às dificuldades financeiras, começaram a fazer apresentações aos finais de semana, ao lado de Raul Torres Florêncio, como o trio Os Três Batutas do Sertão.


Increveram-se em um programa de calouros na Rádio Emissora de Piratininga, chegando à final do concurso, quando foram aplaudidos de pé pelo público. Outros violeiros da competição também se emocionaram e cumprimentaram a dupla que já dava sinais de sucesso.


A partir daí começaram a colher os frutos e, no início da década de 50, já eram considerados um dos maiores nomes da música sertaneja no País. Nos anos 60, realizaram quase mil gravações, dividas em 83 álbuns. A dupla teve fim com a morte de Tonico, em 1994.