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PAULO CÉSAR SARACENI MORRE NO RIO DE JANEIRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Paulo César Saraceni era um dos mais empenhados cineastas dos primeiros anos do Cinema Novo, uma geração de novos cineastas que pensavam o cinema em geral de forma crítica e abrangente. Em tempos de TeleCine Cult, quando qualquer bobagem comercial do cinema norte-americano é considerada "cinema alternativo" (?!), é um mestre a menos aqui na Terra.

Só uma curiosidade: quanto à história do cinema brasileiro, Saraceni havia tido uma polêmica, anos atrás, com o já falecido cineasta e ator Anselmo Duarte, outro grande talento do nosso cinema, embora não tenha feito parte do movimento cinemanovista.

Paulo Cesar Saraceni morre no Rio de Janeiro

Cineasta estava internado no Hospital da Lagoa. Ele vai ser velado amanhã no Parque Lage

Do Portal da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro


Morreu, neste sábado, aos 79 anos, o cineasta, roteirista, ator e produtor carioca Paulo César Saraceni.  Ele sofreu um AVC em outubro do ano passado e, desde então, estava internado no Hospital da Lagoa, Jardim Botânico. Saraceni morreu de disfunção múltipla dos órgãos. O corpo do cineasta será velado neste domingo na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Descendente de italianos, ele foi um dos precursores do Cinema Novo, ao lado de Nelson Pereira dos Santos e Cacá Diegues. Ao longo de sua carreira, Saraceni recebeu diversos prêmios, entre eles o de Melhor Filme para A casa assassinada (1970), no Festival de Brasília, e Prêmio Especial Júri, no Festival de Cinema Brasileiro em Miami, por O viajante (1998). Desde muito cedo, seu talento conquistou o público e a crítica. Seu curta-metragem de estreia, Arraial do Cabo (1959), acumulou sete prêmios em festivais europeus. O último trabalho, como diretor e roteirista, foi no filme O gerente (2011), baseado em um conto de Carlos Drummond de Andrade.

“O cinema brasileiro perde um de seus artistas mais arrojados e provocadores, um pioneiro e um rebelde eternamente indomado”, lamentou a Secretária de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, Adriana Rattes.

Antes de ingressar na carreira de cineasta chegou a tentar  a sorte nos esportes. Nos anos 50, jogou no time juvenil do Fluminense, além de praticar natação e pólo aquático.

Durante sua internação, Saraceni recebeu visita de amigos como Beth Carvalho e Ney Latorraca.


BIOGRAFIA - CPDOC - FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, COM ADAPTAÇÕES


Cineasta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1933 e aí morreu em 2012. Começou a fazer crítica cinematográfica em 1954 e tornou-se ator e assistente de direção em teatro de 1955 a 1958. Paralelamente faz contatos com os mestres da crítica paulista, Almeida Salles e Paulo Emílio, participa das atividades cineclubistas na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Mam-RJ), Rio de Janeiro, onde descobriu os filmes de Chaplin, Eisenstein e do neo-realismo, e assina o manifesto "Cinema – Cinema", no Suplemento Cultural do Jornal do Brasil.

Fez seu primeiro exercício cinematográfico em 16 mm, com o curta Caminhos (1957). Em seguida realiza, com Mário Carneiro, o documentário Arraial do Cabo (1959). Seu primeiro curta é premiado com bolsa para o Centro Experimental de Cinema de Roma (1960-61), onde conhece Gustavo Dahl, Glauco Mirko Laurelli e o mineiro Geraldo Magalhães, tendo sido colega de turma de Bernardo Bertolucci, Marco Bellochio e Guido Cosulich.

Novamente no Rio de Janeiro, em 1962 iniciou o movimento do Cinema Novo, junto com Glauber Rocha, Gustavo Dahl, Nelson Pereira dos Santos, Alex Viany, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Carlos Diegues, Ruy Guerra, Roberto Faria, entre outros. É elaborado o "Manifesto Cinemanovista", em suas palavras "uma proposta diferente de Hollywood, da chanchada da Atlântida e do cinema da Vera Cruz, mais próxima do neo-realismo, com planos longos, influenciado pelo cinema russo".

Seu primeiro filme, Porto das Caixas, foi baseado em argumento de Lúcio Cardoso e é um dos primeiros longa-metragens do Cinema Novo. A seguir faz O Desafio em apenas treze dias, com orçamento baixo e muitos improvisos, todo de câmera na mão. Segundo declaração de Glauber Rocha, Saraceni é o verdadeiro autor da frase: "Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão". Posteriormente adapta para as telas sua versão pessoal do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. Capitu, segundo Saraceni, "é um filme sobre a cultura brasileira, na sua linha feminista".

Fez ainda outros longas, entre eles A Casa Assassinada, adaptação do romance de Lúcio Cardoso e O Viajante, respectivamente segunda e terceira partes da chamada "trilogia das paixões", que começou com Porto das Caixas. O Viajante também foi baseado no romance homônimo de Lúcio Cardoso, organizado pelo escritor Octavio de Faria depois da morte do autor. Um de seus últimos filmes, Banda de Ipanema (2001), foi realizado em homenagem ao amigo Albino Pinheiro.

Saraceni publicou o livro "Por Dentro do Cinema Novo - Minha Viagem".

Filmografia (Fonte: Wikipedia)

    2011 - O Gerente - direção e roteiro
    2003 - Banda de Ipanema - Folia de Albino — direção e roteiro
    1998 - O Viajante — direção e roteiro
    1996 - Bahia de todos os sambas — direção
    1988 - Natal da Portela — direção, interpretação
    1983 - Quadro a quadro, Newton Cavalcanti
    1981 - Ao sul do meu corpo — direção e roteiro
    1977 - Anchieta, José do Brasil — direção, produção e roteiro
    1972 - Amor, carnaval e sonhos — direção, interpretação e roteiro
    1970 - A casa assassinada — direção, produção e roteiro
    1967 - Capitu — direção, produção e roteiro
    1965 - O desafio — direção, produção e roteiro
    1964 - Integração racial — direção
    1962 - Porto das Caixas — direção e roteiro
    1960 - Arraial do Cabo (curta-metragem) — direção
    1957 - Caminhos (curta-metragem)

Premiações

    Candango de Melhor Filme, no Festival de Brasília, por "A Casa Assassinada" (1970).
    Candango de Melhor Diretor, no Festival de Brasília, por "A Casa Assassinada" (1970).
    Prêmio Especial do Júri, no Festival de Brasília, por "O Viajante" (1998).
    Candango de Melhor Roteiro, no Festival de Brasília, por "Capitu" (1967).
    Prêmio Especial do Júri, no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, por "O Viajante" (1998).
    Prêmio FIPRESCI, no Festival de Moscou, por "O Viajante" (1998).

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