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ESCRITOR MILLÔR FERNANDES MORRE AOS 87 ANOS NO RIO DE JANEIRO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Depois de Chico Anysio, outro grande humorista faleceu, deixando órfã a cultura de nosso país. Sobretudo uma mente lúcida como Millôr Fernandes, um grande ativista do humor, da mesma geração de Chico Anysio - que vivia um grande clima de coleguismo sobretudo nos bares da vida - , e que estava por trás da coluna Pif Paf, de O Cruzeiro, da revista do mesmo nome e do histórico Pasquim, jornal de humor lançado em plena vigência do AI-5 da ditadura militar.

Millôr, do contrário que muito intelectualzinho festejado de hoje em dia, não acreditava nesse papo de "ruptura de preconceitos" que serve de apologia para a mediocridade cultural de nossos dias.

Millôr escrevia para Veja, mas se desiludiu com ela. E se foi, depois de ter ficado seriamente doente.

Escritor Millôr Fernandes morre aos 87 anos no Rio de Janeiro

Do Portal Terra

Millôr Fernandes morreu aos 87 anos de falência múltipla dos órgãos na noite da última terça-feira (27), segundo informou o Cemitério Memorial do Carmo, no bairro do Caju, Rio de Janeiro. Millôr Fernandes nasceu no Rio de Janeiro, no dia 16 de agosto de 1923, contudo foi registrado em 27 de maio de 1924. Por isso, em diversos lugares, o ano de nascimento aparece como 1924.

A Capela 2 do cemitério estará disponível para o velório do escritor a partir das 18h desta quarta-feira (28) e ficará reservada até as 15h da quinta-feira, quando a cerimônia deve ser encerrada.

Ainda não há informações sobre o horário em que a família de Millôr vai levar o corpo para ser velado e nem se após as homenagens ele será sepultado ou cremado.

No perfil oficial do escritor no Twitter, uma mensagem postada nesta quarta diz: "o mestre foi... Nosso eterno carinho". Já em outro perfil, a ex-editora do escritor, a L&PM, lamentou o fato: "que dia triste! O grande Millôr Fernandes morreu esta manhã, aos 88 anos".

Biografia
Millôr Fernandes nasceu no Rio de Janeiro, no dia 16 de agosto de 1923, contudo foi registrado em 27 de maio de 1924. Por isso, em diversos lugares, o ano de nascimento aparece como 1924. Perdeu o pai dois anos após seu nascimento e a mãe cerca de seis anos depois. "Tive a sensação da injustiça da vida e concluí que Deus em absoluto não existia", escreveu sobre a infância na capital carioca.

Em 1938, deu início a sua carreira de jornalista, como repaginador da revista O Cruzeiro. No mesmo ano, escreveu o conto A Cigarra, ganhou um concurso da revista e foi promovido para o arquivo. Mais tarde, assinava a coluna Poste Escrito, sob o pseudônimo de Vão Gogo. Dirigiu também a revista em quadrinhos O Guri e Detetive, de contos policiais.

Em 1940, começou a colaborar com com seção As garotas do Alceu, como colorista. Em 1942, fez sua primeira tradução literária, do romance A estirpe do dragão, da americana Pearl S.Buck. Em 1946, lançou Eva sem costela - Um livro em defesa do homem, sob o pseudônimo de Adão Júnior. No nao seguinte, sua participação na revista O Cruzeiro já atingia a marca de dez seções por semana. Em alta, encontrou-se com Walt Disney, Vinicius de Moraes, César Lates e Carmen Miranda nos Estados Unidos, em 1948.

No ano seguinte, assinou seu primeiro roteiro para o cinema, com Modelo 19, filme que ganhou cinco prêmios Governador do Estado de São Paulo, entre eles Melhores diálogos para Millôr. Em 1951, lançou a revista Voga, que não fez sucesso. Em 1955, dividiu com o desenhista americano Saul Steinberg o primeiro lugar da Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires, na Argentina. Nesse ano escreveu as peças Bonito como um Deus, Um elefante no caos, que lhe rendeu um prêmio de Melhor Autor pela Comissão Municipal de Teatro, e Pigmaleoa.

Em 1962, na edição de 10 de março de O Cruzeiro, passou a assinar como Millôr. Em 1969, foi um dos fundadores do jornal O Pasquim. Um ano depois, deixa a revista e começa a trabalhar no jornal Correio da Manhã. Em 1974, lançou a revista Pif-Paf, que fechou em seu oitavo número, por problemas financeiros. No ano seguinte, escreveu para Fernanda Montenegro a peça É..., que se tornou o seu grande sucesso teatral.

Em 1996, passou a colaborar com os jornais O Dia, O Estado de São Paulo e Correio Braziliense. Ao longo se sua carreira, escreveu mais de 30 livros em prosa, três de poesia, além de mais de quinze peças para teatro. Depois de colaborar com os principais jornais brasileiros, passou a escrever para a revista Veja em setembro de 2004. Ele deixou a revista em 2009.

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