sexta-feira, 23 de março de 2012

CHICO ANYSIO, 1931-2012



Por Alexandre Figueiredo

Não houve jeito. Depois de tantos comediantes da Escolinha do Professor Raimundo terem falecido, é a vez de seu professor deixar de cena.

E era, de fato, um professor de humor e de atuação. Francisco Anysio de Paula, conhecido como Chico Anysio, o humorista de diversos papéis, não aguentou mais o sofrimento de sua saúde frágil e extremamente problemática que o atormentava desde 22 de dezembro passado.

Chico Anysio foi o primeiro comediante a usar o vídeoteipe na televisão brasileira, para permitir a interação de mais de um personagem seu no Chico Anysio Show da TV Rio, a partir de 1960. Seus primeiros personagens, lançados entre 1957 e 1960, foram Santelmo, Quem-Quem, Coronel Limoeiro - que apareceu num comercial da Ford em 1960 - e Urubulino. A estes seguiram-se Salomé, Justo Veríssimo, Popó, Coalhada, Jovem, além do já citado professor Raimundo Nonato, entre muitos outros.

Sua trajetória de mais de 50 anos incluiu até mesmo uma hilária paródia dos Novos Baianos e dos tropicalistas, o grupo Baiano e os Novos Caetanos, com o já falecido Arnaud Rodrigues.

Chico já foi repórter esportivo no início de carreira, trabalhou muito no rádio, foi roteirista de filmes da Atlântida, compositor musical. Sua estreia na televisão foi no programa Noite de Gala, na TV Rio. Na mesma emissora, fez também Tintim por Tantan, Só Tem Tantã e o famoso Chico Anysio Show, cujo formato se seguiu por vários nomes e várias emissoras, mais recentemente na Rede Globo de Televisão.

Difícil dizer a trajetória de Chico em poucas linhas. Foi uma carreira muito rica, e muito produtiva. Até papéis não necessariamente cômicos ele fez, enquanto não havia um espaço para ele na programação humorística. Ele foi um grande mestre do humor, versátil na criação de seus personagens e na elaboração de textos humorísticos.

Um dos papéis que Chico interpretou nos últimos anos foi o de um candidato político, bem naquele estereótipo do velho demagogo, no episódio "Eleições" do seriado Cilada, do seu filho Bruno Mazzeo, que foi também colaborador de textos do pai. Um especial de fim de ano da Rede Globo foi lançado em 2011, Chico e Amigos, o último humorístico de sua carreira. E, nos últimos anos, ainda divulgava seus trabalhos como pintor.

Ele fará falta, mas sua lição permanece para as futuras gerações, sobretudo numa época em que o humorismo brasileiro está em crise e em processo de reavaliação.

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