sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

MORRE, AOS 73 ANOS, CANTORA ETTA JAMES, LENDA DO R&B E DO JAZZ



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ela gravou baladas orquestradas, músicas de blues e de soul, além de canções jazzísticas. Etta James, uma das grandes damas da música dos anos 50 e 60, faleceu depois de uma difícil luta contra o câncer, que a deixou internada durante anos. É mais um grande nome da música que se vai, para ficar na História, deixando a lição de sua trajetória.

Morre, aos 73 anos, cantora Etta James, lenda do R&B e do Jazz

Do Portal Terra

A cantora Etta James, 73 anos, que estava internada desde o dia 24 de dezembro de 2011 e respirando com ajuda de aparelhos, morreu nesta sexta-feira (20) nos Estados Unidos. Etta sofria de câncer e teve complicações devido à leucemia, informou o site do canal CNN.

Lupe De Leon, agente da cantora, lamentou sua morte. "É uma perda enorme para a família, amigos e fãs pelo mundo", disse ela, que completou: "ela era um talento original, que podia cantar qualquer coisa".

A cantora Etta James, 73 anos, que estava internada desde o dia 24 de dezembro de 2011 e respirando com ajuda de aparelhos, morreu nesta sexta-feira (20). Etta sofria de câncer terminal e teve complicações devido à leucemia, informou o site do canal CNN.

Segundo a publicação, no momento em que morreu, Etta estava ao lado do marido, Artis Mills, e dos filhos. Além da leucemia, ela foi diagnosticada com hepatite C e demência. A cantora foi internada no Hospital Riverside, na Califórnia.

Etta, que inspirava muitos, foi retratada no cinema por Beyoncé no filme Cadillac Records (2008). Além disso, foi homenageada pela cantora, que fez um cover de sua canção At Last em um dos eventos do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Nascida em 25 de janeiro de 1938 em Los Angeles, a cantora iria completar 74 anos na próxima quarta-feira.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A LEMBRANÇA DE ELIS REGINA



Por Alexandre Figueiredo

Há 30 anos, Elis Regina faleceu, por causa de uma combinação excessiva de cocaína e bebida alcoólica, cerca de dois meses antes de completar 37 anos, que teria sido em 17 de março. Elis tinha pouco mais de 20 anos de carreira musical e seu reconhecimento público era coisa de pouco mais de 15 anos.

Gaúcha da capital, Porto Alegre, Elis já se apresentou, criança, na Rádio Farroupilha, integrando o elenco do programa Clube do Guri, da Rádio Farroupilha, na segunda metade da década de 1950.

Sua carreira musical, no entanto, começaria oficialmente em 1960, quando passou a viajar para o Rio de Janeiro. Na ponte aérea Rio-Porto Alegre, Elis gravou, em 1961, com apenas 16 anos, o primeiro disco, Viva a Brotolândia, mais próximo do som adolescente que se fazia na época e cujo símbolo maior foi Cely Campello.

Mas Elis não tardou a conhecer a Bossa Nova, por um lado, e a MPB cepecista - influenciada pelo engajamento sócio-político e pela cultura de raiz difundidos dos Centros Populares de Cultura da UNE - por outro. A Bossa Nova ela conheceu quando foi levada pelo baterista Dom Um Romão para conhecer o Beco das Garrafas, um dos redutos do gênero em Copacabana, Rio de Janeiro. É apresentado ao coreógrafo norte-americano Lennie Dale, que a ensina lições de performance no palco, que depois se tornariam célebres.

Nesse tempo, Elis ingressa na televisão como participante do programa Noite de Gala, da TV Rio. Com Jair Rodrigues, apresentou, entre 1965 e 1967, o programa Fino da Bossa, cuja linha musical traçou as caraterísticas do que hoje conhecemos como a Música Popular Brasileira, ou simplesmente MPB.

Em 1965, revela-se em sua performance através da apresentação de "Arrastão", música de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, no Festival de Música Popular Brasileira. A partir daí, torna-se uma cantora destacada e prestigiada, uma reputação que continua valendo até os dias de hoje, décadas depois de falecida.

Em 1967, casa-se com o jornalista e letrista de Bossa Nova, Ronaldo Bôscoli, e em 17 de junho de 1968 nasce o filho João Marcelo Bôscoli, hoje músico, produtor e empresário fonográfico (é sócio da Trama Discos). O casamento dura até 1972, quando ocorre o divórcio. Em 1974, Elis inicia seu segundo casamento, com César Camargo Mariano (que tocava com Wilson Simonal), gerando o filho Pedro Mariano, hoje cantor, em 18 de abril de 1975. Em 09 de setembro de 1977, era a vez da caçula Maria Rita Mariano, hoje cantora, nascer. Elis e César se separaram em 1981.

Elis fez, com suas interpretações, vários compositores se tornarem famosos, como João Bosco e Aldir Blanc e Belchior. Deste, a cantora tornou célebre a composição "Como Nossos Pais", num arranjo levemente inspirado em blues, e cuja letra falava da geração juvenil dos anos 60.

Elis também gravou "Se Eu Quiser Falar Com Deus", de Gilberto Gil, artista baiano tão fascinado pela cantora gaúcha que, amante entusiasmado das guitarras elétricas, o tropicalista no entanto participou da passeata contra a guitarra, em São Paulo, em 1967, só para tentar agradá-la. Outro compositor que teve composições consagradar por Elis foi Milton Nascimento, sobretudo por "Maria, Maria" e "Canção da América".

Elis também foi conhecida pelos duetos históricos com Tom Jobim, através de "Águas de Março", em 1973, e do LP Elis & Tom, de 1974 (que contem uma regravação da citada música do famoso maestro da Bossa Nova). Também se entrosou com o samba paulistano de Adoniran Barbosa, gravando "Tiro ao Álvaro", em 1980.

É nesse ano que Elis gravou participação no especial Mulher 80, ao lado de outras cantoras da Música Popular Brasileira. Elis parecia ter um grande futuro pela frente, gravou "Aprendendo a Jogar", do cantor e tecladista Guilherme Arantes, com quem teve um breve romance, e seu último sucesso, "Alô Alô Marciano", de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Em 1981, Elis iniciava uma grande amizade com a ex-mutante.

Tudo parecia promissor, mas Elis acabou falecendo de overdose de cocaína misturada com álcool, em 19 de janeiro de 1982, interrompendo uma carreira respeitável. A cantora deixou uma grande lacuna, por conta de seu estilo de cantar, agir no palco e na seleção de compositores e composições que adotava para seu repertório.

Mas os frutos de sua breve trajetória, de uma forma ou de outra, renderam. O envolvimento de Elis com Jair Rodrigues e César Camargo Mariano, que por sua vez era ligado a Wilson Simonal, refletiu no círculo social de seus filhos, já que João Marcelo, Pedro Mariano e Maria Rita são muito amigos de Wilson Simoninha e Max de Castro (filhos de Simonal) e Jairzinho Oliveira e Luciana Mello, filhos de Jair Rodrigues. Jair e César continuam até hoje em atividade.

Comparada a Elis Regina, Maria Rita Mariano, que só conviveu pouco tempo com a mãe, no entanto tem fortes influências dela. Evidentemente, Maria Rita possui estilo próprio, mas em muitos aspectos ela atualiza os referenciais culturais da mãe, gravando até mesmo músicas de autores que Elis havia gravado, como Rita Lee e Milton Nascimento (este também um grande amigo da cantora gaúcha). Maria Rita prepara um tributo para a mãe, este ano.

Num tempo de mediocridade cultural, em que a MPB autêntica é esnobada por críticos e intelectuais que preferem exaltar a música brega-popularesca que lota plateias com facilidade, é uma sorte que Elis Regina tenha se livrado do fardo do esquecimento, num país de memória curta.

Diante da mesmice de cantoras "ecléticas" da MPB de hoje ou de cantoras popularescas - sobretudo as de axé-music, que se apropriam de qualquer estilo de forma pedante e pretensiosa, sem conhecimento de causa - , a lição de Elis e de sua breve, mas rica e produtiva carreira, vem à tona para as novas gerações.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

MORRE CARMINHA MASCARENHAS, AVÓ DE MARIANA BELÉM



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: No começo dos anos 60, Carminha Mascarenhas era uma das mais populares e prestigiadas cantoras do país e estrela do rádio. Ultimamente ela andava esquecida, neste país sem memória, mas quem pesquisasse as revistas e jornais da época saberia melhor quem foi Carminha, cujo nome de batismo era Carmina Alegretti.

Morre Carminha Mascarenhas, avó de Mariana Belém

Do Portal R7

Cantora estava morando no Retiro dos Artistas, onde será realizado o velório

Morreu nesta segunda-feira (16), aos 82 anos, Carminha Mascarenhas, mãe de Raul Mascarenhas e avó de Mariana Belém e Rafael Mascarenhas, filho de Cissa Guimarães morto em 2010 em um acidente no Rio de Janeiro.

A cantora estava morando há 1 ano e 8 meses no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, e foi internada no hospital Cardoso Fontes na última semana. Segundo o próprio Retiro, a morte ocorreu às 6 horas da manhã.

O velório será na capela do local ainda nesta segunda, e o sepultamento está marcado para terça (17), às 10 horas, no cemitério de Pechincha, em Jacarepaguá.

Ao R7, uma funcionária do Retiro informou que Carminha recebia com frequência a visita do filho Raul. O saxofonista, inclusive, já estava a caminho do Rio para participar do velório e enterro da mãe.

Mariana, que deu à luz Laura no final do ano, deixou uma mensagem de carinho em seu Twitter. Infelizmente, Carminha não chegou a conhecer a filha de Mariana. A cantora ainda fez referência ao irmão, Rafael Mascarenhas, morto em um acidente no Rio em 2010.

- Que os anjos recebam, ao lado do nosso anjo Rafa, a minha amada avó Carminha Mascarenhas no céu... Descansa, guerreira, a dor acabou. Te amo.

Fafá de Belém, mãe de Mariana, se solidarizou com a situação e também fez seu registro no microblog.

- Morre Carminha Mascarenhas. Grande expressão da Rádio Nacional, grande figura humana e avó de minha filha @MarianaBelem. A música está triste.

Julinho do Carmo, cabeleireiro e amigo de Carminha, lamentou a perda em conversa com o R7 e destacou a vontade da veterana em conhecer a pequena Laura.

- É uma perda grande também para a nossa cultura. O último desejo dela, que sabia que não ia ser comprida, era pegar a neta dela no colo. Era o último desejo dela. Ela até comprou presentes para a netinha e pediu para que eu os entregasse.

Segundo Julinho, Carminha tinha muita admiração pelo filho, e estava tranquila com as dificuldades.

- Há uns 10 dias, ela me disse que o clico da vida é esse mesmo: a gente nasce , a gente vive e a gente morre. Ela amava muito o filho dela, até o último dia. Era uma mulher sábia, era um gênio da sabedoria.

Carreira

A música entrou na vida de Carminha muito cedo. Quando começou a trabalhar como crooner em um grupo, ela conheceu o pianista Raul Mascarenhas. Da união, nasceu Raul Mascarenhas Jr.

Seu primeiro disco foi lançado em 1953, e dois anos depois, Carminha foi contratada pela Rádio Nacional.

A sua trajetória traz parcerias com grandes nomes da música brasileira. Em 1959, Carminha gravou seu primeiro LP solo que continha a faixa Eu Não Existo Sem Você, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.