domingo, 30 de dezembro de 2012

HÁ 50 ANOS, ROBERTO CARLOS SÓ LANÇOU COMPACTOS


Por Alexandre Figueiredo

O cantor Roberto Carlos faz hoje sucesso através de um compacto (embora tenha lançado, este ano, um álbum de sua apresentação ao vivo em Jerusalém), seu primeiro disco de inéditas depois de vários discos ao vivo. Mas, em 1962, o cantor havia também se tornado conhecido apenas por compactos, no caso dois, que inauguraram sua carreira como intérprete e compositor.

Não que ele não havia lançado discos antes. Ele lançou compactos desde 1959, e havia lançado seu primeiro LP, Louco Por Você, em 1961, aparentemente sem relançamento até hoje por razões misteriosas. Digitalizado sem autorização, o disco já circula no comércio pirata e em sítios de gravação na Internet.

A razão provável era de que o disco, que não teve canções de autoria de Roberto, foi feito mais sob a orientação do seu agente, o compositor e produtor Carlos Imperial. Mesmo assim, o disco surpreende pelo frescor artístico que havia feito o cantor um dos ídolos mais populares do país, principalmente quando o ídolo juvenil da época, Sérgio Murilo, abriu uma "brecha" se concentrando na turnê no exterior.

Foram lançados em 1962 dois compactos, o primeiro com a música "Fim de Amor", na verdade versão de um conhecido sucesso do rock de 1961, "Run Around Sue", de Dion & The Belmonts - que as gerações mais recentes só conhecem pela sampleagem do Jive Bunny, com a voz de Dion DiMucci junto a um coro masculino. A música, de Dion com Ernest Mareska, teve versão em português de Beto Ruschel.

No lado B desse compacto, teve a música "Malena", que também não era de autoria do cantor capixaba, mas de Rossini Pinto, depois um dos principais versionistas e compositores da Jovem Guarda, que fez a música junto com Fernando Costa.

O segundo compacto de 1962 é que marca a gravação da lavra autoral de Roberto Carlos. "Susie", da mesma forma que "Esse Cara Sou Eu", é de autoria apenas do cantor, tendo sido a primeira composição dele gravada em disco.

No entanto, a música do Lado B, "Triste e Abandonado", não foi feita por Roberto, mas por Carlos Imperial. No entanto, o disco de 1962 é considerado o marco inicial da carreira do "Rei", preparando o "estouro" em 1963 com Splish Splash (o primeiro LP que incluiu canções de Roberto) e já trilhando seu caminho próprio e sua trajetória de ídolo prestigiado até os dias de hoje.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O QUASE SILÊNCIO SOBRE JOE STRUMMER


Por Alexandre Figueiredo

Admito que deixei ocorrer uma semana de atraso para lembrar dos dez anos de falecimento do músico Joe Strummer, um dos fundadores do grupo punk The Clash, uma das mais importantes bandas do gênero. Mas a minha "agenda" estava sobrecarregada, entre compromissos particulares e uma sobrecarga de assuntos nos meus blogues que fizeram o assunto ser adiado.

Portanto, não foi por omissão. Eu havia me lembrado do falecimento e da falta que faz essa grande figura, um músico criativo e um ativista sócio-cultural como poucos, diante da acomodação que o punk rock já sofria em 2002 e que sucumbiria ao roquinho emo dos últimos anos.

Mas desde os anos 90 o punk rock se acomodou. Se nos anos 80 tínhamos os punks de butique, nos anos 90 tivemos os poppy punks. Músicas sobre caras legais e garotas saradas, ou, quando muito, de leves molecagens de colegas ao mesmo tempo gozadores e encrencados da linha do Stifler de American Pie. Se havia uma letra falando de manobras de skate, já seria um alívio.

Pois, anos antes, naqueles idos de 1976-1977, o jovem cantor e guitarrista do grupo de psychobilly 101ers, cidadão britânico nascido na Turquia e filho de diplomata, John Graham Mellor, nome de batismo do músico, sentiu o entusiasmo daquela rebelião juvenil da Londres daqueles tempos, e decidiu encerrar o grupo e formar outra banda, o conhecido grupo The Clash.

A formação sempre contou com Joe Strummer, e na maior parte do tempo seus parceiros foram Mick Jones, também vocalista e guitarrista, e Paul Simonon, vocalista e baixista. Da formação clássica, teve dois bateristas, Terry Chimes e Topper Headon. O grupo durou de 1976 a 1986, sendo que com a formação clássica se encerrou em 1983.

O mérito do grupo esteve acima de qualquer controvérsia. Afinal, o Clash causou estranheza entre os punks radicais por assinar contrato com a Epic Records e, com o tempo, assimilar influências de reggae, funk autêntico e disco music. A princípio, o Clash poderia muito bem parecer um traidor do movimento punk, mas não foi.

Afinal, o Clash se destacou brilhantemente e havia sido essencialmente muito mais punk do que se imaginava. O grupo tornou-se criativo, buscando aventuras sonoras com o mesmo apetite que vimos nos Beatles em 1967, o que fez a banda se destacar não se aprisionando a uma estética punk que, banalizada, acabou se esvaziando na essência.

Foram seis álbuns fundamentais, um deles em vinil duplo e CD simples (London Calling, de 1979) e outro em vinil triplo e CD duplo (Sandinista, de 1980). Os dois álbuns desafiaram a fama dos punks de viverem de discos compactos, mas mostraram também o vigor criativo da banda, que com o tempo se estendeu em dois principais projetos derivados, o Big Audio Dynamite de Mick Jones e Joe Strummer & The Mescaleros.

A acomodação do punk rock nos anos 90 não só abriu caminho para o tal poppy punk - ponte entre os punks de butique mais antigos e os atuais emos - , mas mesmo o punk autêntico raramente saiu imune. As letras acabaram sendo de uma rebeldia vaga, com críticas sem destinatários, causas sem propostas, um discurso raivoso sem conteúdo.

Para quem não entende, é como se eles dissessem: "Vamos agir diante da ameaça que nos cerca", sem dizer de que ameaça se trata. Ou então: "Sai da frente, panaca, que queremos passar e você é um idiota", sem dizer a quem a letra se dirige. Isso é o que restou da contestação punk nos anos 90, na maioria das vezes.

Joe Strummer faleceu quando passeava de manhã perto de sua casa. Tinha apenas 50 anos e dois meses. Ele sentiu-se mal e sofreu parada cardíaca, falecendo quando estava em casa. A morte dele acabou com qualquer esperança de volta do Clash, já que ele e Mick Jones voltaram a se entender dois anos antes.

Isso mexeu muito no meio punk, e até que alguns grupos que faziam letras "críticas" sobre nada, ninguém e coisa nenhuma passaram a fazer letras sobre críticas políticas. Até mesmo o Good Charlotte, um grupo de poppy punk, teve que fazer críticas até ao feminicídio conjugal (quando machistas exterminam suas próprias esposas ou namoradas).

Com o tempo, até o Green Day passou a ser quase um "novo Clash" em termos de atitude punk. Mas isso lá fora, no exterior. Aqui os dez anos de falecimento de Joe Strummer foram praticamente passados em branco, quando muito houve lamentos dos roqueiros brasileiros, músicos e admiradores em geral, que sentem sincera falta do ex-líder do Clash.

Fora isso, só as "lágrimas de crocodilo" da "rádio rock" 89 FM, que prefere se comover com o falecimento dos piadistas Mamonas Assassinas do que com a perda de figuras importantes como Renato Russo, Chico Science, Redson (do Cólera) e, entre os estrangeiros, figuras como Ronnie James Dio, Adam Yauch e Joe Strummer.

O que dizer então do saudoso Sky Saxon, do grupo psicodélico The Seeds, para os "mãos-de-vaca" da UOL 89 FM, que fingem sentir total receptividade ao rock alternativo, mas nunca vão além de tosqueiras tipo Marilyn Manson ou do feijão-com-arroz do Flaming Lips? Mas "Pushin' Too Hard" dos Seeds entrar na trilha no próximo blockbuster com Tom Cruise, quem sabe role na UOL 89 FM? Só nessas condições.

O falecimento de Joe Strummer nos faz pensar num tempo em que a rebelião juvenil poderia ter lá seus defeitos e exageros, mas expressava vida, intensidade, espontaneidade e idealismo. 1976 e 1977 foram dois anos históricos, de um movimento juvenil que quebrou de vez a sisudez do mundo adulto, que tentava de recompor depois da rebelião hippie, psicodélica e beatnik dos anos 60.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A LIÇÃO DE ROCK'N'ROLL DOS ROLLING STONES


Por Alexandre Figueiredo

Os Rolling Stones encerraram sua turnê comemorativa dos 50 anos de surgimento em Newark, Nova Jersey, EUA, em concerto transmitido no Brasil pelo canal Multishow. E quem viu percebeu o quanto de energia os quatro veteranos músicos da banda inglesa têm de sobra.

O repertório, que além dos maiores clássicos do grupo (de "The Last Time" a "Start It Up"), incluiu canções pouco conhecidas como "Before They Make Me Run" (de Some Girls) e "I'm Going Down" (música que originalmente foi sobra das sessões que resultaram no Let It Bleed, de 1969, e que teve John Mayer e Gary Clark Jr. como convidados na ocasião), foi tocado de forma brilhante pelos músicos, bastante entrosados.

A turnê mostrou que a banda voltou mais "crua" no seu som, com a bateria ágil do discreto Charlie Watts dando o ritmo às canções, junto com o vigoroso diálogo das guitarras de Keith Richards, por sinal aniversariante de hoje, e Ronnie Wood, mais a incrível jovialidade de Mick Jagger e sua natural desenvoltura no palco e seu excelente vocal.

Atualizados tecnicamente, os dois guitarristas usaram guitarras sem fio, o que os permitia ficarem soltos no palco - embora Keith tenha preferido ficar posicionado entre Charlie e o baixista Darryl Jones, músico acompanhante que também se mostra bastante familiar com o som da banda. E Keith havia cantado duas músicas, "Before They Make Me Run" e "Happy" (esta de Exile On Main Street, considerado pela crítica o melhor disco da banda).

Até mesmo a cantora pop Lady Gaga, geralmente vinculada a um pop dançante mais convencional, conseguiu se adequar ao astral da banda, dando conta do recado no dueto com Mick em "Gimme Shelter", mantendo a energia que nos remete ao final dos anos 60.

O grupo também tocou duas novas músicas, "Doom and Gloom" e "One More Shot", ambas incluídas na coletânea Grrrr!, lançada recentemente. A apresentação que encerrou a turnê não teve a participação de Bill Wyman, mas ele já participou de duas apresentações em Londres, fazendo as pazes com os ex-parceiros.

E os demais convidados, o guitarrista Mick Taylor - que havia substituído Brian Jones entre 1969 e 1974, antes de passar o posto a Ron Wood - , que tocou com os ex-colegas em "Midnight Rambler" (de Let It Bleed) e Bruce Springteeen, que tocou e cantou junto ao grupo em "Tumbling Dice" (de Exile On Main Street).

Ainda houve um coral, com muitas gatas estonteantes, fazendo o acompanhamento em "You Can't Always Get What You Want" (também de Let It Bleed), numa surpresa dada ao público no bis, depois que a banda fez que se retirou.

O grupo ainda tocou "Satisfaction", o maior sucesso do grupo, de 1965, consagrando a longevidade artística do grupo que havia feito mistério antes de iniciar esta turnê, para depois presentear os fãs com a excelente excursão com os músicos em plena forma e bastante inspirados.

Portanto, foi uma grande lição de rock'n'roll para as gerações mais recentes que não conseguem compreender bem o que é realmente esse estilo. Tomados de gororobas recentes misturando posers e emos com grunge e nu metal, para não dizer aqueles que creditam como "rock" misturebas que incluem reggae, tecno e hip hop, as gerações mais recentes não sabem o que realmente é um clássico do rock.

E os Rolling Stones estão aí para isso. E já se fala que eles poderão tocar no festival Coachella. Nada está confirmado ainda, mas em todo caso vamos desejar longa vida para a banda, agradecidos pelos excelentes músicos e suas grandes canções. Valeu, rapazes!!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

MORRE NOS EUA, AOS 92 ANOS, O MÚSICO INDIANO RAVI SHANKAR


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ravi Shankar, que há poucos meses esteve no Brasil para apresentações misturando meditação e música, faleceu ontem, aos 92 anos, depois de uma prestigiada carreira que se tornou mundialmente conhecida nos anos 60, sobretudo pela amizade que o músico teve com o beatle George Harrison, para o qual ensinou a tocar cítara.

Ravi também é pai das cantoras, compositoras e musicistas Norah Jones - que atualmente está em turnê pelo Brasil - e Anoushka Shankar, ambas conhecidas pela sua sofisticação artística. O mestre se foi, num ano em que várias pessoas importantes nos deixam, mas suas filhas seguem as lições dele com personalidade e talento.

Morre nos EUA, aos 92 anos, o músico indiano Ravi Shankar

Do Portal Terra

 O músico indiano Ravi Shankar morreu nesta terça-feira no condado de San Diego, no sul da Califórnia, aos 92 anos de idade, segundo um comunicado conjunto da fundação que leva seu nome e do seu selo fonográfico, o East Meets West Music.

Shankar, pai da cantora Norah Jones, padecia desde o último ano de problemas respiratórios e cardíacos, uma condição que o levou a submeter-se na quinta-feira passada a uma intervenção cirúrgica para substituir uma válvula cardíaca no Scripps Memorial Hospital.

"Embora a operação tenha sido bem-sucedida, a recuperação acabou sendo difícil demais para o músico de 92 anos", diz a nota de imprensa. O artista, que morava no sul da Califórnia, era casado com Sukanya Rajan e tinha duas filhas - Norah Jones e Anoushka Shankar Wright -, três netos e quatro bisnetos.   
"Infelizmente, apesar dos esforços dos cirurgiões e dos médicos que cuidaram dele, seu corpo não foi capaz de suportar o esforço da operação. Estivemos ao seu lado quando morreu", declararam a mulher e a filha Anoushka.   

A família ainda não anunciou os planos para cerimônias póstumas e solicitou que todas as flores e doações sejam destinadas à Fundação Ravi Shankar e feitas por meio do site JustGive.org. O gabinete do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, confirmou a morte e o classificou como um "tesouro nacional".  

Apesar das doenças de que padecia, Ravi Shankar continuou apresentando-se nos últimos meses e realizou seu último show no dia 4 de novembro em Long Beach, no condado de Los Angeles, ao lado de Anoushka Shankar.

Seu álbum The Living Room Sessions Part 1 foi indicado à próxima edição do Grammy na semana passada, e o músico soube da notícia antes de sua operação. 

Ravi Shankar nasceu em Varanasi, no Estado indiano de Utar Pradesh, em 7 de abril de 1920. Seu pai, V. Lakshinarayana, era professor de violino em seu país, o que contribuiu para que Shankar começasse a tocar esse instrumento quando tinha 5 anos.  

Uma década depois, deixou a Índia para viajar a Paris com a companhia de dança do seu irmão Uday. Em 1936, começou a estudar a sitar, instrumento tradicional indiano, sob a direção de Ustad Allauddin Khan, e pouco depois começou a fazer excursões por Europa e EUA.  

Alcançou a fama no Ocidente graças a sua amizade com o beatle George Harrison, de quem foi professor após conhecê-lo em 1966. No ano seguinte, realizou seu primeiro dueto com o violinista Yehudi Menuhin, com o qual posteriormente colaborou em várias ocasiões.  

Em 1969, viajou aos EUA com a intenção de aprofundar-se na música do Ocidente e, ao mesmo tempo, popularizar a música hindu. Dois anos mais tarde, a pedido da London Symphony, compôs um concerto que estreou no Royal Festival Hall, na capital inglesa.  

Em 1976, começou a colaborar com o guitarrista John McLaughlin, com quem fundou o grupo Shakti, trabalhou na One Truth Band e gravou o álbum Touch me there, sob a direção de Frank Zappa.  

A atividade musical de Ravi Shankar foi intensa, tendo destaque também como compositor. É autor de dois concertos para sitar e orquestra, além de músicas para balés e trilhas sonoras para filmes.  

O músico indiano protagonizou o filme Raga, centrado em sua vida, e em 1978 publicou o livro autobiográfico My life, my music. Seu primeiro casamento, com a filha do músico Ustad Allauddin Khan, Annapurna, terminou em divórcio em 1982, após anos de separação nos quais manteve relações sentimentais com Kamala Chakravarty e Sue Jones, mãe de Norah Jones.

Por fim, se casou em 1989 com Sukanya Rajan, com quem viveu desde então entre San Diego e Nova Délhi. Em 1992, seu filho Shubho, também sitarista, morreu repentinamente aos 50 anos.
 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

AOS 104 ANOS, MORRE O MESTRE DA ARQUITETURA OSCAR NIEMEYER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Faleceu Oscar Niemeyer, um dos últimos remanescentes da geração de intelectuais que, influenciada pela Semana de Arte Moderna de 1922, se consolidou na década de 1930.

Niemeyer, além de notável arquiteto, discípulo do modernista Le Corbusier, com inúmeras obras como o Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, o Museu de Arte Contemporânea, de Niterói, o edifício-sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York e a cidade de Brasília (e, depois, o traçado original da Universidade de Brasília), Niemeyer participou de inúmeras atividades intelectuais, incluindo a fundação do IPHAN.

Ele faria 105 anos este mês, mas não resistiu à insuficiência respiratória, falecendo na noite de hoje. Fica aqui nossa imensa gratidão a essa figura humana de incontáveis lições de vida. Valeu, Oscar!

Aos 104 anos, morre o mestre da arquitetura Oscar Niemeyer

Do Portal R7

O arquiteto Oscar Niemeyer de 104 anos, morreu por volta das 21h55 desta quarta-feira (5) no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Ele estava internado na unidade desde o dia dois de novembro.

Niemeyer estava internado na unidade coronariana e respirava sem a ajuda de aparelhos. Na terça-feira (4), o arquiteto apresentou piora nos exames laboratoriais. O último boletim médico divulgado na tarde desta quarta-feira informou que o estado de saúde do arquiteto passava a ser considerado grave.

Segundo o médico Fernando Gjorup, Niemeyer morreu por insuficiência respiratória.

— Ele estava conciente na manhã de hoje [quarta-feira], mas o quadro foi se complicando. Ele precisou ser sedado e entubado, mas não resistiu.

Niemeyer havia passado duas semanas internado no mês passado, após dar entrada no hospital com quadro de desidratação. Em maio, Niemeyer esteve internado no mesmo hospital por mais de 15 dias com um quadro de desidratação e pneumonia. Em abril do ano passado, ele já havia passado 12 dias internado no Hospital Samaritano com infecção urinária. Dois anos antes, também no Samaritano, ele passou por duas cirurgias: uma para retirada de pedra da vesícula e outra para retirar tumor do intestino.

Símbolo da vanguarda e da crítica ao conservadorismo de ideias e projetos, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho é apontado como um dos mais influentes na arquitetura moderna mundial. Os traços livres e rápidos criaram um novo movimento na arquitetura.

Entre as mais importantes obras do arquiteto, destacam-se o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte; o Edifício Copan, em São Paulo; a construção de Brasília; a Universidade de Constantine e a Mesquita de Argel, na Argélia; a Feira Internacional e Permanente do Líbano; o Centro Cultural de Le Havre-Le Volcan, na França; o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba; os centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e a Passarela do Samba, no Rio de Janeiro; o Memorial da América Latina e o Parque Ibirapuera, em São Paulo; e o Caminho Niemeyer, em Niterói, Rio de Janeiro; além do Porto da Música, na Argentina.

MORRE AOS 91 ANOS A LENDA DO JAZZ DAVE BRUBECK


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Dave Brubeck foi um dos remanescentes do jazz moderno, assim como do jazz em geral, que havia perdido grandes mestres. E ele é um dos meus jazzistas favoritos, pelo grande talento que ele representou numa época em que o jazz era muito inspirado e ousado em sua expressão artística.

O jazz fica cada vez mais órfão, e dificilmente temos gerações recentes com a mesma compreensão jazzística dos antigos músicos e apreciadores, sobretudo quando vemos que o jazz era marcado por grandes músicos e até mesmo por orquestras (chamadas de "grandes bandas"), e hoje as gerações mais novas estão mais acostumadas a apreciar DJs e grupos de cantores-dançarinos.

Neste sentido, é uma pena quando morre algum grande nome do jazz, é como se uma das bases de sustentação do gênero se rompesse. Mas, em todo caso, fica nossa gratidão ao trabalho produtivo e altamente criativo do pianista e maestro da fase mais experimental de jazz, Dave Brubeck.

Morre aos 91 anos a lenda do jazz Dave Brubeck

Do JB On Line

O pianista de jazz Dave Brubeck, famoso por gravações como Take five e Blue rondo a la Turk, morreu na manhã desta quarta-feira (5) no Norwalk Hospital, nos Estados Unidos, aos 91 anos de idade. As informações são do jornal Chicago Tribune.

Brubeck, que completaria 92 anos nesta quinta-feira, teve uma falência cardíaca, segundo a publicação. Russell Gloyd, produtor e empresário do músico, afirmou que ele estava em tratamento regular com seu cardiologista.

Lenda do jazz

Nascido em 6 de dezembro de 1920, Brubeck é considerado um dos maiores músicos do gênero principalmente em função de sua técnica ao piano e grande capacidade de improviso ao vivo.

O pianista teve seu primeiro contato com o instrumento que o acompanharia o restante de sua vida aos 4 anos de idade. Inicialmente não se interessou pela técnica e pelos estudos musicais, por isso sempre rejeitou a leitura de partituras.

Foi em 1942 que se formou na University of the Pacific, na Califórnia, e logo depois ingressou no exército, onde conheceu Paul Desmond, com quem mais tarde formaria o Dave Brubeck Quartet, que ainda contava com Joe Dodge e Bob Bates.

Take five, escrita por Desmond, se tornou a melodia mais famosa do quarteto quando foi lançada, em 1959. Sua métrica ímpar tornou o disco referência entre os standards do jazz.

Time Out

Escrita por Paul Desmond, Take five está no disco Time out, do Dave Brubeck Quartet, lançado em 1959. O álbum foi gravado em Nova York nos dias 25 de junho, 1º de julho e 18 de agosto daquele ano. Take out ficou famoso por suas melodias distintas e principalmente por alternar suas métricas, fato que não era inédito no jazz, mas fugiu dos padrões musicais e mesmo assim teve grande relevância no mercado ao atingir um grande público e valor comercial.

No lado A, o vinil tem as canções Blue rondo a la Turk, Strange meadow lark e Take five. No seu lado oposto estão Three to Get Ready, Kathy's Waltz, Everybody's Jumpin e Pick Up Sticks.

Discografia

1949: Brubeck Trio with Cal Tjader (Fantasy)

1952: Jazz at the Blackhawk [live] (Fantasy)

1952: Jazz at Storyville [live] (Fantasy)

1953: Jazz at the College of the Pacific [live] (Fantasy/OJC)

1954: Jazz Goes to College [live] (Columbia)

1957: Jazz Goes to Junior College [live] (Columbia)

1959: Gone With the Wind (Columbia/Legacy)

1959: Time Out (Columbia/Legacy)

1961: Time Further Out (Columbia/Legacy)

1962: Countdown: Time in Outer Space (Columbia)

1963: N.Y.C., Carnegie Hall, February 22, 1963 [live](Columbia)

1963: The Dave Brubeck Quartet at Carnegie Hall [live] (Sony)

1967: Compadres (Columbia)

1967: The Last Time We Saw Paris [live] (Columbia)

1969: The Gates of Justice (Decca)

1970: Live at the Berlin Philharmonie (Columbia/Legacy)

1975: Brubeck & Desmond: Duets (1975) (A&M)

1975: 1975: The Duets (Horizon)

1981: Paper Moon (Concord Jazz)

1996: A Dave Brubeck Christmas (Telarc Jazz)

2003: Park Avenue South [live] (Telarc)

2003: Brubeck in Chattanooga (Choral Arts Society of Chattanooga)

2004: Private Brubeck Remembers (Telarc)

2005: London Flat, London Sharp (Telarc)

domingo, 2 de dezembro de 2012

POETA DÉCIO PIGNATARI MORRE AOS 85 ANOS, EM SÃO PAULO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O poeta Décio Pignatari faleceu deixando uma trajetória não só de poeta concretista, mas também de um notável professor universitário, da USP, e que traduziu livros de Marshall McLuhan e até integrou banda de rock. Um brilhante nome da boa fase pós-modernista dos anos 50-60, quase um precursor do Tropicalismo.

POETA DÉCIO PIGNATARI MORRE AOS 85 ANOS, EM SÃO PAULO

Do Portal Terra

Morreu neste domingo (2), aos 85 anos, o poeta Décio Pignatari, um dos mais expoentes representantes do concretismo brasileiro. Pignatari sofria de Mal de Alzheimer e estava internado desde a última sexta-feira (30), no Hospital Universitário em São Paulo. Ele morreu de insuficiência respiratória por volta das 9h, segundo confirmou o hospital.

Pignatari nasceu em Jundiaí, cidade do interior de São Paulo, em 1927, e teve suas primeiras poesias publicadas em revistas no ano de 1949. Seu livro de estreia, Carrossel, foi lançado em 1950.

Desde os anos 1950, Pignatari realizava experiências com a linguagem poética, incorporando recursos visuais e a fragmentação das palavras, o que culminou no Concretismo, movimento estético que fundou junto com Augusto e Haroldo de Campos. Juntos eles também editaram as revistas Noigandres e Invenção, e publicaram a Teoria da Poesia Concreta (1965).

Como teórico da comunicação, ajudou a fundar a Associação Brasileira de Semiótica, nos anos 1970, traduziu obras de Marshall McLuhan, publicou o ensaio Informação, Linguagem e Comunicação (1968) e traduções de Dante Alighieri, Goethe e Shakespeare, entre outros, reunidas em Retrato do Amor quando Jovem (1990) e 231 poemas.

Publicou também o volume de contos O Rosto da Memória (1988) e o romance Panteros (1992), além de uma obra para o teatro, Céu de Lona.

Ainda de acordo com informações do hospital, a família não vai realizar velório e o enterro está marcado para esta segunda-feira (3), às 12h, no cemitério do Morumbi, em São Paulo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

JORNALISTA JOELMIR BETING MORRE AOS 75 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O jornalismo perdeu uma importante figura que foi o jornalista Joelmir Beting, especializado em economia e política, mas que, na sua experiência no jornalismo esportivo, inventou a expressão "gol de placa", em 1961, o que tornou-se um marco no jargão esportivo.

Até pouco tempo atrás, ele era comentarista da TV Bandeirantes e apresentador ou participante de outros jornalísticos do Grupo Bandeirantes. Também passou por jornais como Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. O falecimento ocorreu em consequência de um acidente vascular ocorrido no último domingo, que se agravou nos últimos dias.

Jornalista Joelmir Beting morre aos 75 anos

Do Portal Terra

Morreu, à 0h55 desta quinta-feira, aos 75 anos, o jornalista Joelmir Beting, apresentador e mediador do dominical Canal Livre e comentarista do Jornal da Band, em São Paulo. No domingo (25), ele sofreu um AVE (Acidente Vascular Encefálico) no Hospital Israelita Albert Einstein, na zona sul da capital paulista, onde estava internado desde o dia 22 de outubro, devido a uma doença autoimune que tinha nos rins.

O corpo de Beting será velado a partir das 8h desta quinta-feira, no Cemitério do Morumbi. Às 14h, os familiares se encaminharão para o Cemitério e Crematório Horto da Paz.

A morte foi comunicada pelo filho de Joelmir, o também jornalista Mauro Beting, que entrou ao vivo na Rádio Bandeirantes durante a madrugada e leu uma carta de homenagem ao pai. Na TV Bandeirantes, Bóris Casoy, apresentador do Jornal da Noite, demonstrou abatimento ao transmitir a notícia.

Nascido na cidade de Tambaú, interior de São Paulo, no dia 21 de dezembro de 1936, Beting começou a trabalhar cedo, mas sem nunca largar mão dos estudos. Aos 7 anos, já ajudava a família humilde como boia fria. No pequeno município, atualmente com população pouco superior a 20 mil habitantes, ficou até 1955, quando o padre Donizetti Tavares, a quem classificava como guru espiritual e profissional, o orientou a prestar faculdade de sociologia na USP, para depois se dedicar à carreira jornalística.

Ainda na universidade, Beting iniciou-se no jornalismo, em 1957, trabalhando especialmente com futebol nos jornais O Esporte e Diário Popular e na rádio Panamericana - atual Jovem Pan. Na contramão dos jornalistas que costumam fazer mistérios pelos times que torcem, Beting nunca escondeu sua paixão pelo Palmeiras. Cinco anos depois, migrou para o jornalismo econômico.


Em 1968, após lançar a bem-sucedida editoria de Automóveis no caderno de Classificados da Folha de S. Paulo, foi contratado para ser editor de Economia do jornal. Dois anos depois, passou a assinar sua própria coluna, publicada em diversos periódicos brasileiros. Em 1991, foi para o O Estado de S. Paulo.

Beting foi um dos responsáveis pela introdução do jornalismo econômico no rádio, ainda nos anos 1970, e na televisão, na década seguinte. Além disso, lançou livros como Na Prática a Teoria é Outra e Os Juros Subversivos, procurando, assim, clarear o entendimento do tema para leigos. Também assinou ensaios e artigos para as principais revistas semanais do País.

Jornalista respeitado, Beting afirmava trabalhar e estudar, desde a infância, cerca de 15 horas por dia, e dizia realizar no mínimo oito palestras mensais em convenções, congressos e seminários.

Casado desde 1963 com Lucila, Joelmir teve dois filhos: o publicitário e webmaster Giangranco e o comentarista e apresentador esportivo Mauro. Ele também é tio de outro conhecido jornalista, Erich Beting.

Nos últimos anos, Beting foi editor e comentarista econômico do Jornal da Band, além de comentarista de Jornal Gente e Jornal Três Tempos, da Rádio Bandeirantes, do Beting&Beting, exibido pelo Band Sports, e do Primeiro Jornal, Jornal da Noite e do canal fechado Band News. Aos domingos, apresentava e mediava debates sobre política e economia no Canal Livre, da TV Bandeirantes.

Joelmir Beting é o criador do "gol de placa" e da placa do gol

Joelmir Beting, que morreu aos 75 anos na madrugada desta quinta-feira (29), marcou seu nome na história ao criar a expressão "gol de placa", após uma partida entre Santos e Fluminense, no Maracanã (Rio de Janeiro), no dia 5 de março de 1961. A quatro minutos do final do jogo, vencido pelos santistas por 3 a 1, Pelé dominou a bola no campo de defesa e driblou seis adversários antes de mandar para o gol. Joelmir trabalhava no jornal O Esporte e ficou tão impressionado que mandou fazer uma placa de bronze para colocar no saguão do estádio, com os dizeres: "neste estádio, Pelé marcou no dia 5 de março de 1961 o tento mais bonito da história do Maracanã".

A partir de então, os jornalistas de rádio começaram a usar a expressão "gol de placa" sempre que achavam que o feito de um jogador era um gol merecedor de aplausos.

Em agosto de 2011, em entrevista ao programa Jogo Aberto, da Band, o jornalista explicou o acontecido: "eu não sou o autor da expressão 'gol de placa' no futebol, eu sou o autor da placa do gol, e o Pelé o autor do gol que ganhou a placa. Eu que tive a ideia, eu que fiz a placa e paguei com o dinheiro do meu bolso. Em nome do meu jornal, fui ao Maracanã, e a instalei. A partir daquele dia, todo o pessoal dos jornais de rádio começou a dizer: 'este gol também merece uma placa. Parece um gol de placa'. Daí veio a expressão 'gol de placa', que hoje é do vocabulário comum. Virou uma expressão popular não só para falar de futebol. Quando completou 50 anos do 'gol de placa', o Pelé me deu uma placa de acrílico. Eu fiz a de bronze e ele me devolveu a de acrílico com outro texto: 'gratidão eterna ao Joelmir Beting. Gratidão eterna do autor do gol de placa ao autor da placa do gol'.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

AS NOVAS GERAÇÕES DEVERIAM CONHECER MAIS JIMI HENDRIX


Por Alexandre Figueiredo

As novas gerações não conhecem a boa música, "velha" demais para elas. Apenas conhecem aquilo que a grande mídia martela. E isso numa era em que a Internet fornece uma gama maior de informações, mas, sobretudo no Brasil, a mídia faz os jovens irem na contramão dessa abrangência toda.

Sobre o rock, então, nem se fala. O cardápio roqueiro da patota é indigente e indigesto, sobretudo pela falta ou escassez de rádios de rock autênticas, sobretudo nos anos 90, onde, enquanto os especialistas de rock tinham que montar oficinas de consertos de aparelhos de som para sobreviver, garotões que não entendiam bulhufas de rock comandavam os microfones e até mesmo as programações inteiras do que eles acreditavam ser "as rádios rock".

Isso faz com que quem tem menos de 40 anos pouco percebesse a importância de um músico que estaria fazendo 70 anos hoje, e que havia falecido precocemente em 18 de setembro de 1970, meses antes de completar 28 anos, por causa de uma demora no socorro médico.

Jimi Hendrix foi um músico ímpar, e se destacava até mesmo quando era apenas um músico acompanhante de artistas da soul music e rhythm and blues. Levado pelo então baixista dos Animals, conhecida banda britânica, Chaz Chandler, para Londres, que então era considerado um dos polos da moda e do comportamento juvenil dos anos 60, Hendrix iniciou carreira lá.

E a história sabemos. O músico norte-americano formou então o trio inglês Jimi Hendrix Experience, com uma "cozinha" impecável. Depois Hendrix formou a Band of Gypsies e, em seguida, fazia inúmeros ensaios e gravações no estúdio Electric Lady. Tocou várias guitarras e até arriscou ser baixista em algumas de suas canções.

Era excelente cantor e um guitarrista que ia da guitarra base para a solo com uma agilidade incrível. Seu modo de tocar guitarra foi de tal forma tão impactuante que os fabricantes tiveram que fazer adaptações técnicas no instrumento. E o som de Hendrix era uma síntese que envolveu rock, soul, folk, jazz, psicodelia, eletrônica e blues, além de ter antecipado o som heavy.

E o que Jimi Hendrix teria feito se ele não tivesse morrido tão cedo? Não se sabe, exatamente. Sua mente era autocrítica e bastante criativa, e seu compromisso com a música era tão grande que ele poderia investir em grandes surpresas. Ele, de fato, deixou uma grande lacuna para a música, que teria sofrido grandes transformações com o seu legado pós-1970.

Podemos inferir que Jimi Hendrix estaria fazendo jazz rock. Era admirado por Frank Zappa, amigo de Robert Fripp e do grupo Emerson Lake & Palmer. Teria, só nos anos 70, gravado pelo menos uns cinco discos conceituais, e além das canções vocais, faria também grandiosas viagens instrumentais. Mas, sem dúvida alguma, gravaria discos diferentes do que ele gravou, por conta de seu poder criativo.

Hendrix seria hoje um discreto músico veterano, mas sem dúvida alguma dedicado ao seu compromisso com a qualidade musical e a criação. Teria feito grandes mudanças na história do rock, que muito da mediocridade que vemos hoje em dia não teria tanto êxito.

Infelizmente, hoje, vemos jovens se contentando em achar que poser metal é rock clássico, quando eles de forma bastante preconceituosa desprezam e esnobam o verdadeiro classic rock. Com toda a certeza, falta o mestre Jimi Hendrix para dar umas boas lições para essa criançada que só quer brincar de rock com rosas e revólveres...

sábado, 24 de novembro de 2012

MORRE NOS EUA O ATOR LARRY HAGMAN, O 'JR', DE DALLAS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE:  O ator Larry Hagman era uma das figuras mais conhecidas da televisão mundial, a partir de seu estrondoso sucesso no sitcom Jeannie é um Gênio (com roteiro escrito pelo escritor de best sellers Sidney Sheldon), fazendo par romântico com a atriz Barbara Eden, marcada na época pela sua beleza e sensualidade. Mas, depois, Larry tornou-se conhecido também pelo seriado Dallas, que marcou a década de 70 e ganhou uma continuidade recentemente. Pouco antes de falecer, Larry já havia participado da atual temporada do seriado, revivendo o vilão "JR".

Morre nos EUA o ator Larry Hagman, o 'JR', de Dallas

Da Agência France Press

LOS ANGELES, 24 Nov 2012 (AFP) - O ator norte-americano Larry Hagman, que ficou célebre ao interpretar "JR" na série televisiva Dallas, morreu na sexta-feira (local) em consequência de um câncer, informou sua família em um comunicado. "Larry morreu rodiado por seus filhos", declarou a família.

"Foi uma morte serena, como ele desejava", completa a nota. Ainda segunda a família, Hagman morreu na tarde de sexta-feira em um hospital de Dallas, como resultado de complicações de um câncer no fígado.

Hagman foi um dos principais personagens da série Dallas, no papel de John Ross (JR) Ewig, um homem de negócios impiedoso e cruel. A série marcou as noites da televisão norte-americanas de 1978 a 1991 e foi divulgada em todo o mundo a partir dos anos 1980. Vinte anos mais tarde, JR voltou para as telinhas em uma continuação da série junto de parte do elenco original, com sua mulher Sue Ellen (Linda Gray, 71) e o simpático Bobby (Patrick Duffy, 63).

Larry Hagman ficou conhecido em meados da década de 1960 com a comédia televisiva "I Dream of Jeannie" ("Jeannie é um gênio"), na qual interpretava um astronauta da NASA que namorava a charmosa "gênio da lâmpada" Jeannie (Barbara Eden). "Posso dizer honestamente que perdemos não só um grande ator e um ícone da televisão, mas também um elemento da cultura norte-americana", escreveu Eden em sua página do Facebook pouco depois de sua morte.

Nas primeiras horas após o anúncio, dezenas de artistas começaram a se manifestar, como o protagonista de "Star Trek" (Jornada nas estrelas), William Shatner, e o ex-apresentador da CNN, Larry King, que publicou em sua conta no twitter: "Estou surpreso. Ele me ajudou a deixar de fumar. Realmente era uma pessoa muito especial".

Apesar de Hagman viver e trabalhar no sul da Califórnia (oeste dos Estados Unidos), seu nome permanecia indissociável do estado do Texas, cenário de "Dallas". Em 1985, ele apresentou "Lone Star", um documentário sobre a história do Texas divulgado no canal de televisão pública PBS.

Hagman também fez carreira no cinema, interpretando o governador corrupto Picker no filme de Mike Nichols "Primary Colors", com John Travolta e Emma Thompson. Em 2012, vinte anos depois do final de "Dallas", "o canalha" JR retornou às telas pelo canal fechado TNT, em uma continuação da série, e atingiu 7 milhões de telespectadores.

Larry Hagman nasceu em 21 de setembro de 1931 em Fort Worth (Texas). Seus pais se divorciaram em 1936 e ele passou a viver com sua avó, em Los Angeles.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

TV TUPI FEZ PRIMEIRA ADAPTAÇÃO DE 'GABRIELA, CRAVO E CANELA'


Por Alexandre Figueiredo

Hoje se encerra a terceira adaptação televisiva do livro de Jorge Amado, Gabriela Cravo e Canela, realizada pela mesma emissora que fez a segunda adaptação, a Rede Globo de Televisão, de 1975, com Sônia Braga no papel título.

A terceira adaptação teve Juliana Paes, uma das musas da atualidade, e, embora seja inevitável a comparação com a adaptação anterior, sobretudo pelo aproveitamento da trilha sonora original, com o mesmo tema "Modinha para Gabriela", de Dorival Caymmi, gravado por Gal Costa em 1975.

Mas houve uma primeira adaptação do famoso livro do escritor baiano, publicado em 1958, feita três anos depois. Trata-se de Gabriela Cravo e Canela, lançada pela TV Tupi em 1961 e que foi uma das primeiras novelas gravadas em videoteipe na televisão brasileira. Infelizmente, as imagens não sobreviveram aos nossos dias.

A novela foi supervisionada pelo próprio Jorge Amado, que naquele ano era consagrado imortal da Academia Brasileira de Letras, onde ficaria por 40 anos e seria depois sucedido na cadeira da ABL por sua viúva Zélia Gattai até a morte desta. Houve uma seleção entre várias candidatas, incluindo várias atrizes em evidência na época, e no entanto a que foi aprovava destoava até mesmo do visual moreno da personagem.

A escolhida foi a pouco conhecida Janette Vollu, niteroiense de 21 anos, que estudava como normalista e trabalhava como corista em peças de teatro de revista de Carlos Machado. Branquela e de olhos azuis, ela no entanto foi aprovada para o papel, que exigia poucas falas e um maior apelo sensual. Ela viajou para Salvador e Ilhéus antes de assumir o papel.

A novela foi dirigida por Maurício Sherman, que hoje dirige o humorístico Zorra Total da Rede Globo. Teve no elenco atores como Paulo Autran, Renato Consorte, Átila Iório, Grande Otelo, Glauce Rocha, Jardel Filho, Sadi Cabral, Suely Franco e Íris Bruzzi. O próprio Maurício Sherman atuou como o personagem Bentinho.

Janette Vollu não era atriz destacada e sua personagem foi seu único papel para a televisão. Namorava um arquiteto, com quem se casaria pouco depois. Ciumento, ele não gostava de ver a esposa atuando na televisão. Neste sentido, podemos dizer que o marido de Juliana Paes, hoje em dia, está mais flexível.

A novela foi produzida pela TV Tupi do Rio de Janeiro, numa época em que a televisão iniciava suas redes através de linques de transmissão de sucessivas antenas situadas entre as várias afiliadas. Não havia a transmissão por satélite. A televisão começava a se popularizar, mas os aparelhos eram muito caros e ainda havia os televizinhos e as televisitas que iam assistir à televisão na casa de algum felizardo.

Janette Vollu faleceu aos 34 anos. A novela não deixou imagens, e mesmo os registros sobre a novela são muito recentes. Por conta de informações vagas e genéricas, o Internet Movie Database (IMDb), portal de cinema e televisão na Internet, creditou a novela a um ano antes, 1960. Eu mesmo resolvi solicitar a correção do crédito da data.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

CARTUNISTA ZIRALDO COMPLETA HOJE 80 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Cartunista, escritor de histórias infantis e intelectual, tendo sido um dos colaboradores da revista O Pif Paf, de brevíssima duração, e um dos fundadores do jornal O Pasquim, em plena vigência do AI-5 da ditadura militar.

Mineiro radicado no Rio de Janeiro, Ziraldo também foi ilustrador e cartunista da revista O Cruzeiro, e se mantém em plena atividade até hoje, sendo também um militante na defesa do hábito da leitura de bons livros.

Cartunista Ziraldo completa hoje 80 anos

Do JB On Line

Formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o cartunista Ziraldo completa hoje (24) 80 anos. Nascido em Caratinga, em Minas Gerais, Ziraldo Alves Pinto é o criador de personagens famosos, como o Menino Maluquinho. Atualmente, é um dos mais conhecidos e aclamados escritores infantis do Brasil.

Começou a trabalhar no Jornal Folha de Minas, de Belo Horizonte, em 1954, com uma coluna dedicada ao humor. Ganhou notoriedade nacional ao se estabelecer na revista O Cruzeiro em 1957 e posteriormente, no Jornal do Brasil, em 1963.

Seus personagens (entre eles Jeremias, o Bom; a Supermãe e o Mirinho) conquistaram os leitores. Ziraldo foi fundador e posteriormente diretor do periódico O Pasquim, tabloide de oposição ao regime militar, uma das prováveis razões de sua prisão, ocorrida um dia após a promulgação do AI-5.

Em 1980, lançou o livro O Menino Maluquinho, seu maior sucesso editorial, o qual foi mais tarde adaptado na televisão e no cinema. Incansável, Ziraldo ainda hoje colabora em diversas publicações, e está sempre envolvido em novas iniciativas.

Uma das mais recentes foi a Revista Bundas, uma publicação de humor sobre o cotidiano que faz uma brincadeira com a revista Caras, voltada para o dia a dia de festas de artistas e da elite brasileira.

domingo, 21 de outubro de 2012

APÓS PARADA CARDÍACA, MORRE A EX-MISS BRASIL VERA MARIA BRAUNER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um dos inúmeros fatos inusitados no ainda subestimado ano de 1961 foi a desistência da vencedora do concurso Miss Brasil daquele ano, a mineira de Caratinga Stäel Maria Abelha, que tinha um noivo ciumento que a fez abandonar o desejo de disputar o concurso de Miss Universo e se casar com ele.

Com a desistência, a vice-campeã, a gaúcha Vera Maria Brauner de Menezes, foi coroada vencedora. Vera Brauner faleceu ontem, depois de sofrer uma parada cardíaca, aos 70 anos.

Após parada cardíaca morre a ex-Miss Brasil Vera Maria Brauner 

Do JB On Line

Morreu aos 70 anos, neste sábado, 20, na cidade gaúcha de Pelotas, a ex-Miss Brasil Vera Maria Brauner Menezes, coroada no concurso de 1961, em decorrência a uma parada cardíaca, informou o jornal gaúcho Zero Hora.

Vera foi a segunda gaúcha a conquistar o primeiro lugar do maior concurso de beleza do país. Ela foi coroada Miss Brasil após a vencedora, a mineira Staël Maria da Rocha Abelha, renunciar ao posto. Segundo o jornal, a ex- Miss morreu em casa e seu corpo está sendo velado na capela A1 do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paulo. Seu corpo será cremado em São Leopoldo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

MORRE SÍLVIA KRISTEL, FAMOSA ATRIZ DE 'EMMANUELLE'


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Quem viveu os anos 70 pôde se informar do filme sensual Emmanuelle, que fez a atriz holandesa Sylvia Kristel se tornar uma das mais desejadas do mundo. Mas o tempo passou e ela até tentou levar sua carreira adiante, com outros trabalhos, mas sempre ficou marcada pelo papel-título do filme. Ultimamente ela havia lutado contra o câncer, batalha que foi perdida na noite de ontem.

Morre Sylvia Kristel, famosa atriz de 'Emmanuelle'

Da Agência France Press

A atriz holandesa Sylvia Kristel, 60 anos, famosa em todo o mundo como a protagonista do filme erótico Emmanuelle, de 1974, morreu durante a noite da última quarta-feira (17), vítima de um câncer, segundo informou a agência Features Creative Management, que administrava sua carreira. 

"Ela morreu durante o sono", disse Marieke Verharen, representante da atriz. Verharen afirmou também que Kristel faleceu "em consequência de um câncer".
A atriz vinha fazendo tratamento contra um tumor de garganta há dez anos, mas precisou interromper o processo nos últimos dias devido a seu estado delicado. Ela estava hospitalizada desde julho, após um AVC em casa. 

Carreira

Sylvia começou a carreira como modelo, aos 17 anos, tendo ganho em 1973 o concurso Miss TV Europe. Mas, se tornou famosa no ano seguinte, quando protagonizou Emmanuelle, longa erótico francês, de Just Jaeckin, com música de Pierre Bachelet. O trabalho foi um sucesso, não só em França mas em todo o mundo. 


Ela entrou ainda em uma adaptação de O Amante de Lady Chaterley (1981) e Mata Hari (1985), aumentando ainda mais a sua imagem sensual. Também viria a interpretar, embora com menos sucesso, as sequências Emmanuelle 2 (1975), Goodbye Emmanuelle (1977) e Emmanuelle 4 (1984). 

Em abril de 2011, Sylvia disse em entrevista que gostaria ter um pequeno papel na versão 3D que está sendo feita do filme que a tornou famosa, e afirmou ainda que desejava continuar na carreira de produtora, após ter dirigido, em 2008, o curta-metragem de animação Topor Et Moi. 

Filmografia (parcial)

The Swing Girls (2010)
Two Sunny Days (2010)
Bank (2002)
Sexy Boys (2001)
An Amsterdam Tale (1999)
Film 1 (1999)
Harry Rents a Room (1999)
Gaston's War (1997)
Die Sexfalle (1997) (TV)
Emmanuelle au 7ème ciel (1993)
Le secret d'Emmanuelle
Beauty School (1993)
Le parfum d'Emmanuelle (1993)
Magique Emmanuelle (1993)
L'amour d'Emmanuelle (1993)
Emmanuelle à Venise (1993)
La revanche d'Emmanuelle (1993)
Éternelle Emmanuelle (1993)
Hot Blood (1990)
In the Shadow of the Sandcastle (1990)
Dracula's Widow (1988)
The Arrogant (1988)
Casanova (1987) (TV)
Red Heat (1985)
The Big Bet (1985)
Emmanuelle IV (1984)
Private School (1983)
Private Lessons (1981)
Lady Chatterley's Lover (1981)
The Million Dollar Face (1981)
Un amore in prima classe (1980)
The Nude Bomb (1980)
The Concorde ... Airport '79 (1979)
The Fifth Musketeer (1979)
Letti selvaggi (1979)
Mysteries (1978)
Pastorale 1943 (1978)
Goodbye Emmanuelle (1977)
René la canne (1977)
Alice ou la dernière fugue (1977)
La marge (1976)
Une femme fidèle (1976)
Emmanuelle: L'antivierge (1975)
Un linceul n'a pas de poches (1974)
Der Liebesschüler (1974)
Emmanuelle (1974)
Because of the Cats (1973)
Frank en Eva (1973)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A MORTE DE ERIC HOBSBAWM


Por Alexandre Figueiredo

Passei boa parte do tempo, no ano passado, lendo o livro A Era dos Extremos - O Breve Século XX (1914-1991), do historiador britânico nascido no Egito, Eric Hobsbawm.

Lia em livrarias e bibliotecas, onde houvesse um exemplar do livro, editado pela Companhia das Letras, seguindo a sequência das páginas lidas aos poucos.

O livro tem muitas páginas e é necessário ter muita atenção e dedicação para lê-lo, mas vale a pena. É um bom livro de ciência política, além de ser um excelente livro sobre história mundial, incluindo várias citações sobre o Brasil.

Foi um importante pensador de esquerda do mundo inteiro, e Eric faleceu aos 95 anos, no Royal Free Hospital, em Londres, hoje de manhã. Era um pensador bastante ponderado e crítico, não sendo um esquerdista sectário nem sonhador, mas um analista objetivo da geopolítica mundial, observando de forma imparcial as experiências dos países tanto capitalistas quanto socialistas, e os países do Oriente Médio e da América Latina.

Era de família judaica, cresceu na Alemanha, mas teve que fugir para a Inglaterra, onde passou o resto de sua vida, por causa da ascensão do nazismo. Tornou-se professor universitário e pesquisador, lançou diversos livros como A Era das Revoluções, A Era do Capital, A Era dos Impérios, o citado A Era dos Extremos, A História Social do Jazz, A História do Marxismo e A Invenção das Tradições.

Membro da Academia Britânica, Hobsbawm lançou seu último livro no ano passado, intitulado Como mudar o mundo - Marx e o marxismo 1840-2011. Hobsbawm pode não ter tido o tom contundente das análises de Noam Chomsky, mas creio que é apenas uma forma diferente de pensar a política, igualmente válida e coerente em muitos sentidos, enriquecedora para o debate.

Hobsbawm não abriu mão de seu esquerdismo, mas admitiu que o comunismo do Leste Europeu se deu longe dos princípios marxistas e que o stalinismo influiu decisivamente na decadência dos regimes comunistas, sobretudo pelo autoritarismo do Estado. Também foi crítico das tradições, não as tradições sócio-culturais em si, mas aquelas determinadas oficialmente pelas elites nacionais, o que ele define como "tradições inventadas" não pelos laços sociais, mas pelos interesses dominantes de cada nação.

Em conversa com o historiador e colega Simon Schama, Eric Hobsbawm declarou seu desejo de ser lembrado, na posteridade, como "alguém que não apenas manteve a bandeira tremulando, mas quem mostrou que ao balançá-la pode alcançar alguma coisa, ao menos por meio de bons livros".

Vale a pena dedicar algumas horas para a leitura atenciosa dos livros de Eric Hobsbawm. É o melhor legado que ele deixa para nós.

sábado, 29 de setembro de 2012

HEBE CAMARGO MORRE AOS 83 ANOS EM SÃO PAULO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A apresentadora Hebe Camargo, que havia feito parte da história da televisão brasileira desde o começo e havia sido a primeira mulher a apresentar um programa de TV (em 1955), estava para reestrear seu programa no SBT, depois de uma passagem na decadente Rede TV!.

Infelizmente, ela não resistiu a uma parada cardíaca. Ela havia sofrido câncer, contra o qual batalhava nos últimos anos.

Hebe, uma das maiores comunicadoras da televisão brasileira, também era cantora e atriz e havia passado por várias emissoras de TV, como Tupi, Record e Bandeirantes. Também foi uma das estrelas do rádio brasileiro, antes de trabalhar na TV.

Vale também destacar que uma de suas últimas participações foi como garota-propaganda de comerciais por TV por assinatura.

Hebe Camargo morre aos 83 anos em São Paulo

Do Portal r7

Apresentadora faleceu após ter uma parada; informação é confirmada pela assessoria

Hebe Camargo morreu aos 83 anos na madrugada deste sábado (29).

A apresentadora sofreu uma parada cardíaca, enquanto dormia, segundo informações da assessoria de imprensa do SBT.

Recentemente, a loira comemorou a volta para a emissora de Silvio Santos, após um ano de incertezas.

Hebe rescindiu o contrato com a RedeTV!, sua última emissora, e nem chegou a estrear na nova casa.

Segundo amigos próximos, Hebe estava muito feliz em poder voltar a trabalhar com seu amigo e antigo patrão.

O ano de 2012 foi difícil para a apresentadora, que foi internada algumas vezes.

Hebe trava uma luta contra o câncer desde 2010, quando foi diagnosticado um tumor no peritônio (membrana que reveste os órgãos digestivos). Ela passou sessões de quimioterapia durante meses, com um breve período de pausa entre abril e setembro de 2011.

Em março deste ano, a apresentadora também precisou ser operada às pressas. Na ocasião, a cirurgia foi feita com urgência para retirar um tumor que causava obstrução intestinal.

Sua última internação foi em agosto de 2012.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

TIM MAIA FARIA 70 ANOS HOJE


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A soul music foi um gênero cuja força maior se deu nos anos 60 e 70, a partir dos EUA. No Brasil, seu maior representante foi sem qualquer sombra de dúvida o cantor e compositor Tim Maia, que melhor assimilou as caraterísticas musicais do gênero e adaptou brilhantemente para a realidade e a linguagem brasileiras. Tim também foi o precursor do funk (autêntico) brasileiro, expresso em músicas como "Sossego", "Eu e Você, Você e Eu (Juntinhos)" e "Descobridor dos Sete Mares".

Tim era capaz de juntar a esse estilo elementos de baião e samba com natural desenvoltura e o cantor era um dos arranjadores e compositores mais exigentes, chegando a fazer cobranças de desempenho para os músicos de sua banda e orquestra Vitória Régia, uma exigência de qualidade sonora semelhante a de outra figura difícil, João Gilberto. Aliás, entre as últimas gravações de Tim Maia, está um disco de Bossa Nova com a participação de Os Cariocas.

Biografia de Tim Maia

Do Dicionário Cravo Alvim de Música Popular Brasileira


Iniciou sua carreira artística aos 14 anos de idade, integrando, como baterista, o grupo Os Tijucanos do Ritmo, com o qual atuou durante um ano. Em seguida, começou a estudar violão e formou, em 1957, com Roberto e Erasmo Carlos, o grupo Os Sputniks. 

Em 1959, viajou para os Estados Unidos, onde permaneceu durante quatro anos. Estudou inglês e integrou, como vocalista, o conjunto The Ideals. 

Em 1968, gravou seu primeiro disco, um compacto simples contendo suas composições "Meu país" e "Sentimento".

No ano seguinte, destacou-se no cenário artístico com a gravação de "These are the songs", lançada em compacto simples que registrou também a canção "What you want to bet", ambas de sua autoria.

Em 1970, foi convidado para gravar, em dueto com Elis Regina, a faixa "These are the songs", registrada pela cantora no LP "Em pleno verão". Ainda nesse ano, lançou seu primeiro LP "Tim Maia" (Polydor), com destaque para sua composição "Azul da cor do mar", além de "Coroné Antonio Bento" (Luis Wanderley e João do Vale) e "Primavera" (Cassiano). O disco esteve durante 24 semanas nas paradas de sucesso cariocas.

Em 1971, gravou mais um LP contendo canções próprias como "Não quero dinheiro (Só quero amar)" e de outros autores como Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle ("Preciso aprender a ser só"). No ano seguinte, lançou novo LP, registrando "These are the songs" e outras canções de sua autoria como "Idade" e "My little girl".

Em 1973, gravou mais um LP intitulado "Tim Maia", contendo "Réu confesso", de sua autoria, e "Gostava tanto de você", de Édson Trindade, entre outras. Ainda na década de 70, fundou seu próprio selo, inicialmente Seroma e, mais tarde, Vitória Régia Discos.

Em 1975, converteu-se à seita Universo em Desencanto, fato que inspirou o lançamento independente (Seroma) dos dois volumes "Tim Maia Racional".

No ano seguinte, gravou o LP "Tim Maia", contendo sua canção "Dance enquanto é tempo" (c/ Paulo Ricardo) e outras.

Ainda nos anos 1970, lançou mais dois LPs intitulados "Tim Maia", em 1977 e 1978, pela Som Livre, o LP "Tim Maia Disco Club" (1978, Atlantic/Warner), contendo suas canções "Acenda o farol" e "Sossego", e o LP "Reencontro" (1979, EMI-Odeon), com destaque para "Canção para Cristina", de Tibério Gaspar.

Nos anos 1980, lançou os LPs "Tim Maia" (1980, Polydor), "Nuvens" (1982, independente), "O descobridor dos sete mares" (1983, PolyGram), com destaque para a faixa-título (Gilson Mendonça e Michel) e "Me dê motivo" (Paulo Massadas e Michael Sullivan), os LPs "Sufocante" (1984, PolyGram), "Tim Maia" (1985, RCA Victor), "Tim Maia" (1986, Continental), que registrou o sucesso "Do Leme ao Pontal (Tomo guaraná, suco de cajú, goiabada para sobremesa)", e os LPs "Somos América" (1987, Continental) e "Carinhos" (1988, Continental).

Lançou, em 1990, pela Continental, o disco "Dance bem". Nesse ano, lançou, pela sua gravadora Vitória Régia, o LP "Tim Maia interpreta clássicos da bossa nova".

Em 1992, a Warner-Continental registrou o CD "Tim Maia ao vivo".

Descontente com as gravadoras, seus discos seguintes, "Voltou clarear" (1994), "Nova era glacial" (1995), "What a wonderful world" (1997), contendo clássicos do pop e do soul norte-americano das décadas de de 1950 a 1970, "Pro meu grande amor" (1997), "Amigos do rei" (1997, com o grupo vocal Os Cariocas, "Só você - para ouvir e dançar" (1997), "Sorriso de criança" (1997), e "Tim Maia ao vivo II" (1998), foram gravados pela Vitória Régia Discos. Ainda nos anos 1990, fez muito sucesso com a gravação, para um comercial de televisão, de "Como uma onda" (Lulu Santos e Nelson Motta), incluída no CD "Tim Maia", de 1993. Na mesma época, foi homenageado por Jorge Benjor na música "W Brasil".

Teve várias músicas regravadas por artistas mais jovens, como Marisa Monte e os grupos Paralamas do Sucesso e Skank.

Em março de 1998, apresentando-se no Teatro Municipal de Niterói, em show que seria gravado para um especial de televisão, foi acometido de um mal estar que o levou ao hospital, vindo a falecer alguns dias depois.

No ano seguinte, foi homenageado com um show tributo por vários artistas da MPB. O espetáculo gerou um especial de televisão e foi registrado em CD e DVD.

Em 2005, foi lançado o DVD "Tim Maia - Programa Ensaio 1992", pela gravadora Trama em parceria com a TV Cultura e a TeleImage.

Em 2006, seu LP "Tim Maia Racional volume 1", gravado em 1975, e que se tornou um dos mais disputados vinis da música brasileira, recebeu edição oficial em CD pela Trama, com tratamentos de restauração em estúdio a partir de uma cópia, uma vez que as fitas máster foram perdidas. Nesse disco, o cantor e compositor assinou todos os arranjos, além de tocar baixo, bateria, percussão e flauta transversal. Também presentes, os músicos Serginho Trombone (piano), Robson Jorge (órgão elétrico, piano e teclado), Paulinho Guitarra (guitarra, baixo e violão), Beto Cajueiro (baixo), Paulinho Trompete (trompete), Oberdan Magalhães (sax), Robério Rafael (bateria) e Luiz Carlos Batera. O CD ainda incluiu como bônus as gravações originais do LP.

Em 2001, o cantor Fábio publicou o livro "Até parece que foi sonho: meus trinta anos de amizade e trabalho com Tim Maia" (Matrix), em depoimento a Achel Tinoco.

Abrindo as homenagens para o décimo aniversário de seu falecimento, em 2007 foi realizado, no espaço carioca Viva Rio, um show tributo ao compositor e cantor, organizado por pelo jornalista, compositor e produtor Nelson Motta, tendo como banda-base a Orquestra Imperial e a participação de convidados como Rogério Flausino (cantor do jota Quest), Marcelo Camelo, Mariana Aydar e o grupo vocal feminino Chicas, na segunda edição do projeto Accenture Performances. Nesse mesmo ano, foi publicada a biografia “Vale tudo – O som e a fúria de Tim Maia”, de autoria de Nelson Motta

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MORRE TED BOY MARINO, ÍCONE DO TELECATCH NO BRASIL



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Não se pode confundir o telecatch com as lutas de MMA-UFC de hoje. O telecatch eram lutas cênicas, com um certo tom de comédia, e que no Brasil fizeram Ted Boy Marino um astro do gênero. Depois ele passou a fazer parte do grupo humorístico Os Adoráveis Trapalhões, com Renato Aragão, Wanderley Cardoso e Ivon Curi, embrião do que Renato faria com os Trapalhões, com outros parceiros. Esse programa estreou em 1966 na TV Excelsior do Rio de Janeiro.

Ted Boy, que participou também de vários filmes, tinha 73 anos incompletos, era nascido na Itália e nos últimos anos ainda era lembrado por sua carreira, tendo feito depoimentos em programas de televisão e conquistado fãs mais jovens. Mas ele faleceu devido a complicações causadas pela insuficiência vascular aguda, sofrendo parada cardíaca depois de uma cirurgia de emergência num hospital em Botafogo.

RJ: morre Ted Boy Marino, ícone do Telecatch no Brasil

Do Portal Terra

Astro do telecatch brasileiro durante a década de 1960, Mario Marino, mais conhecido como Ted Boy Marino, morreu, aos 72 anos, nesta quinta-feira no Rio de Janeiro. O ex-atleta da luta livre não resistiu a uma cirurgia de emergência realizada no Hospital Pró-Cardíaco, no bairro de Botafogo, e sofreu uma parada cardíaca, logo após o processo. A morte do antigo competidor e ator foi confirmada ao Terra pelo próprio hospital, que registrou o óbito às 19h (de Brasília).

Mario Marino deu entrada no hospital na manhã desta quinta-feira com insuficiência vascular aguda. A gravidade do estado do ex-astro da luta livre brasileira obrigou a equipe médica a iniciar uma cirurgia de emergência. Entretanto, a tentativa de salvá-lo foi em vão, em virtude da parada cardíaca sofrida depois do processo cirúrgico.

Nascido em Fuscaldo Marina, na província italiana da Calábria, Mario Marino deixou a Europa com apenas 12 anos de idade, quando viajou junto aos pais e mais cinco irmãos rumo a Buenos Aires. Na capital argentina, ainda jovem, trabalhou com sapateiro, aproveitando o tempo livre para praticar a luta livre e o halterofilismo. Antes de despontar no Brasil, Ted Boy já participava de programas de Telecatch argentinos e em Montevidéu.

O sucesso fez Marino viajar para o Brasil no ano de 1965. Pouco tempo depois de chegar ao País, o lutador foi contratado pela extinta TV Excelsior. Na emissora, Ted Boy obteve grande sucesso ao derrotar vilões como Aquiles, Rasputim e Barba Negra ao lado de outros personagens como Tigre Paraguaio e Electra. A participação gerou outros convites.

Já consolidado como astro da luta livre, Ted Boy Marino ganhou ainda mais reconhecimento quando passou a protagonizar "Os Adoráveis Trapalhões". Ao lado de Wanderley Cardoso, Ivon Cury e Renato Aragão, o antigo membro do Telecatch comandou um dos programas de maior sucesso das primeiras décadas da televisão brasileira.

A grande repercussão da parceria com Renato Aragão rendeu mais convites para Ted Boy Marino. Em 1968, ele interpretou um lutador no filme "Dois na Lona", em película conhecida pela "final" envolvendo o lutador e Lobo, o ator Roberto Guilherme. Na TV Globo, Marino imediatamente participou de quatro programas: Sessão Zás Trás; Orion IV x Ted Boy Marino; Oh, que Delícia de Show e o já famoso Telecatch, no horário nobre dos sábados.

Apesar de manter-se em evidência durante quase uma década, Marino não se segurou com o declínio do Telecatch. A partir de então, o ex-lutador figurou como coadjuvante do programa "Os Trapalhões", protagonizado pelo amigo Renato Aragão, e "Escolinha de Professor Raimundo".

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

AOS 84 ANOS, MORRE ANDY WILLIAMS, CANTOR DE "MOON RIVER"


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Andy Williams foi um dos mais destacados apresentadores de TV dos EUA e também um cantor, da linha crooner, conforme anunciou o Just Jared. Ele estava doente há um bom tempo, por câncer na bexiga e estava se tratando contra a doença. Seu falecimento se deu antes que ele vivesse para receber a homenagem pelos 75 anos de carreira, numa apresentação no Moon River Theater, em Branson, Missouri, EUA.


Andy foi mundialmente conhecido pela gravação da música "Moon River", de Henry Mancini com letra de Johnny Mercer, que foi tema do filme Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's), de 1961.

Aos 84 anos, morre Andy Williams, cantor de "Moon River"

Do Portal Terra

Foi anunciada pelo site TMZ, nesta quarta-feira (26), a morte do cantor Andy Williams, aos 84 anos, intérprete da música-tema do filme Bonequinha de Luxo, o clássico Moon River.

De acordo com o site, o artista sofreu uma parada cardíaca, na noite de terça-feira (25), em sua casa no Branson (Califórnia), depois de uma longa batalha contra um câncer na bexiga. Williams, que já ganhou nove discos de ouro e cinco de platina, já teve seu próprio show de televisão, o The Andy Williams Show.

O cantor já se apresentou ao lado de grandes nomes da música como Ella Fitzgerald, Judy Garland, Sammy Davis Jr., Dorival Caymmi e Tom Jobim. Nas últimas décadas, Williams - que deixou sua mulher Debbie e os filhos Robert, Noelle, e Christian, era conhecido por seus CDs natalinos.

75 anos de carreira


No fim do ano, Andy seria homenageado pelos seus 75 anos de carreira em um show comemorativo no Moon River Theater, com participações de estrelas como Debbie Reynolds e Frankie Avalon.

Dos álbuns mais recentes aos mais antigos, a discografia de Andy Williams compreende: Sings... (2009), I Don't Remember Ever Growing Up (2007), Andy Williams Live: Christmas Treasures (2001), Branson City Limits (1998), We Need a Little Christmas (1997), Nashville (1991), I Still Believe in Santa Claus (1990), Close Enough for Love (1986), Andy (1976), Other Side of Me (1975), Solitaire (1973), You've Got a Friend (1971), Love Story (1971), Born Free (1967), Shadow of Your Smile (1966), Merry Christmas (1965), Warm and Willing (1962), Under Paris Skies (1961) e Lonely Street (1959).

domingo, 9 de setembro de 2012

SAMBISTA ROBERTO SILVA MORRE AOS 92 ANOS NO RIO DE JANEIRO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O sambista Roberto Silva, um dos grandes nomes do moderno samba brasileiro dos anos 50, faleceu aos 92 anos, sendo mais um nome da música brasileira autêntica a partir. Ele acreditava, segundo depoimento de sua viúva, que novas gerações possam herdar as lições dele, mas deve-se tomar muito cuidado, porque diluições do samba, sobretudo pela forma que é feita pelos "sambregas" da geração anos 90 para cá, não contribuem para o fortalecimento do gênero, mas sim pelo seu enfraquecimento e pelo esquecimento das suas ricas expressões pelos mais jovens.

Sambista Roberto Silva morre aos 92 anos no Rio de Janeiro

Do Portal Terra

O sambista carioca Roberto Silva, conhecido como Príncipe do Samba, morreu na madrugada de hoje (9), em casa, aos 92 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer, segundo parentes. Silva gravou cerca de 20 álbuns, além de dezenas de compactos e centenas de músicas de compositores como Ataulfo Alves, Lamartine Babo e Nelson Cavaquinho.

Entre seus maiores sucessos destacam-se Maria Teresa, Normélia e Jornal da Morte. Nascido no Morro do Cantagalo, na zona sul do Rio de Janeiro, Roberto Napoleão Silva trabalhou como cantor nas rádios Nacional e Tupi.

Segundo a viúva Syone Guimarães da Costa, mesmo aos 92 anos, o Príncipe do Samba ainda fazia apresentações. "Ele adorava fazer o que ele fazia e morreu querendo continuar cantando. Ele gostava muito dessa juventude agora, das pessoas novas que estavam chegando no samba e dizia: 'eles é que vão dar continuidade ao que eu plantei'. Tenho certeza de que ele não será esquecido", disse.

O corpo de Roberto Silva está sendo velado no Cemitério de Inhaúma, na zona norte da cidade, e será enterrado às 16h. Ele deixou sete filhos, além de netos e bisnetos.

domingo, 2 de setembro de 2012

PROGRAMA DA TV ITACOLOMI ANTECIPOU O FANTÁSTICO

FOTOS AO LADO TERIAM FEITO PARTE DO PROGRAMA "A NOITE É DA GUANABARA", DA TV ITACOLOMI. ACERVO CARLOS FABIANO BRAGA

Por Alexandre Figueiredo

Uma curiosidade da televisão brasileira é que o programa que deu origem ao formato de revista eletrônica não foi transmitido no Rio de Janeiro nem em São Paulo, nas em Belo Horizonte.

A capital mineira havia ganho, em 1955, sua primeira emissora de televisão. A TV Itacolomi, ligada aos Diários Associados, já se beneficiava pela experiência técnica brasileira resultante do trabalho da TV Tupi do Rio de Janeiro e de São Paulo e pelo seu equipamento ela já foi conhecida como a emissora de TV mais moderna da América Latina.

Destinada a uma programação voltada para os aspectos culturais de Minas Gerais, a emissora de Belo Horizonte provocou uma grande polêmica entre os mineiros quando passou a se integrar em rede com as duas principais emissoras dos Associados, a Tupi carioca e a paulista.

As redes, é claro, não eram em satélite (isso só ocorreria a partir de 1969), até o videoteipe era uma tecnologia recente, usada por poucas emissoras (em Minas só veio em 1965), e os programas geralmente eram retransmitidos por gravação ou haviam transmissões locais dos mesmos programas. Só um exemplo: o programa infantil Gladys e Seus Bichinhos, da escritora e desenhista Gladys Mesquita Ribeiro, tinha edições feitas na TV Tupi carioca (de onde se originou o programa), na TV Tupi paulista e na TV Itacolomi. A apresentadora teria que viajar com sua equipe e todo o material para fazer seu programa em outras praças.

Pois nem tudo era negativo na "desmineirização" da televisão em Belo Horizonte. De um modo, foi benéfico, porque trouxe novidades na televisão local. Mas evidentemente isso deixou de lado a produção local e a divulgação da cultura mineira, enquanto valores próprios do eixo Rio-São Paulo eram veiculados para os mineiros.

Pois um dos aspectos positivos foi a produção de um programa de variedades, do estilo "revista eletrônica", cujo pioneirismo foi implantado na TV Itacolomi em 1961. Trata-se do programa A Noite é da Guanabara, produzido pela agência Esquire de Fernando Barbosa Lima e Mauro Borja Lopes, este nada menos que o famoso cartunista Borjalo (que as gerações recentes conhecem pelos desenhos da abertura do teleteatro Sai de Baixo da Rede Globo).

Borjalo foi um dos diretores do programa, que apesar do nome assustar, a princípio, os mineiros mais provincianos, correspondia não ao Estado governado por Carlos Lacerda, mas a uma famosa rede local de eletrodomésticos, as Lojas Guanabara, que fez história na capital mineira. Havia até mesmo um imponente prédio no centro da capital mineira. No entanto, a rede foi extinta anos depois.

A Noite é da Guanabara era apresentado pela atriz Elizabeth Gasper, nascida na Alemanha mas radicada no Brasil, e que era uma das musas da época. Mas tinha vários convidados, em diversos quadros. O programa era composto de entrevistas, musicais, notícias, curiosidades e esquetes humorísticas. Tinha um quadro com o compositor Lamartine Babo, onde ele contava estórias e depois cantava. Seu sobrinho, Oswaldo Sargentelli, também tinha um quadro, baseado no seu famoso formato de entrevistas onde ele perguntava com a voz em off (não aparecia na tela).

Conta Fernando Barbosa Lima que certa vez o quadro de Sargentelli teve como convidado o deputado federal petebista, Emílio Carlos, de aparência galântica. Mas aí Sargentelli anunciou, meio hesitante, o nome de um jornalista, com essas palavras: "Deputado Emílio Carlos, pergunta do jornalista Virgílio... Veado".

Emílio, sentado de costas para a câmera, não se conteve em risadas, puxando a gargalhada para a equipe em volta do cenário. Passada a gargalhada, Sargentelli continuou: "Pergunta do jornalista Virgílio Veado. Deputado Emílio Carlos, é verdade que as moças de São Paulo, nas eleições, o achando tão bonito só pensam em beijar o senhor?".

Emílio Carlos, gozador, respondeu: "Seu Veado, como é que, com esse nome, o senhor faz uma pergunta dessas?". Cinco minutos depois o jornalista, que era presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, armado de um revolver, gritou, irritado: "Veado é uma família tradicional de Minas...".

Felizmente, houve acordo e um pedido de desculpas foi formalizado no dia seguinte em mensagem dirigida ao Sindicato dos Jornalistas. Mas, no momento da reação furiosa de Virgílio, Emílio tentou explicar: "Eu não tenho nada com isso, seu Veado. É coisa da equipe do programa". Felizmente o episódio terminou sem tragédia.

O programa A Noite da Guanabara fez sucesso imediato, de tal forma que os astros da televisão paulista e carioca queriam aparecer no programa. Os cinemas deixaram de exibir a última sessão porque as pessoas estavam em casa vendo o programa. E ainda havia os televizinhos e as televisitas, porque televisão custava caro e era artigo de luxo.

O programa também serviu para dois convidados da televisão carioca, o humorista Chico Anysio e a vedete Rose Rondelli - que foi uma das "certinhas" de Stanislaw Ponte Preta - se conhecerem e se apaixonarem. Da relação, nasceu o também comediante Nizo Neto, parceiro do pai em vários quadros humorísticos, como o Ptolomeu, o aluno inteligente, na penúltima versão da Escolinha do Professor Raimundo, da TV Globo, entre 1990 e 1995. Nizo é também conhecido dublador de televisão, tendo feito as vozes de Ferris Bueller (Curtindo a Vida Adoidado) e Stiffler (American Pie 1).

Sendo produção da Esquire, A Noite da Guanabara se beneficiou com a parceria da agência com os Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul (depois vinculados à Varig), que transportava em avião toda a equipe que fazia o programa. No entanto, Lamartine Babo, que tinha medo de avião, preferia ir para a capital mineira de trem ou, quando muito, na carona de carro.

O programa fez história na televisão mineira, em especial na história da TV Itacolomi, e é considerado um dos maiores sucessos do Estado, nesta fase inicial da televisão. A televisão era em preto e branco, feita ao vivo e com poucas pessoas sendo donas de aparelhos de televisão.

Mais tarde, o formato inspiraria programas como Primeiro Plano (que passou pela TV Tupi e chegou a ser transmitido nos primeiros anos da TV Globo do Rio) e, a partir de 1973, se tornou nacionalmente conhecido através do Fantástico, também da TV Globo.

sábado, 1 de setembro de 2012

COMPOSITOR HAL DAVID MORRE AOS 91 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O compositor Hal David encerra sua vida deixando para a história da música muitas letras feitas para vários compositores de melodias, sobretudo seu principal parceiro, o maestro e pianista Burt Bacharach, mas incluindo também Henry Mancini e John Barry, outros que foram especializados nessa geração mais criativa e autoral do easy listening.

Compositor Hal David morre aos 91 anos

Do UOL Entretenimento

 O compositor Hal David morreu aos 91 anos devido a complicações de acidente vascular cerebral na manhã de sábado (1), em Los Angeles, de acordo com Jim Steinblatt, porta-voz da Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores. As informações são do site da revista "Variety"

Hal David escreveu junto com seu parceiro musical, Burt Bacharach, dezenas de canções atemporais para filmes, televisão e uma variedade de artistas na década de 1960. A dupla é responsável por faixas como "Raindrops Keep Fallin 'On My Head",''Close To You" e "That's What Friends Are For".

"Como letrista, Hal era simples, conciso e poético - transportava volumes de significado em poucas palavras possíveis e sempre a serviço da música", disse o atual presidente da ASCAP, o compositor Paul Williams, disse em um comunicado.

"Não é de admirar que muitos de seus versos tornaram-se parte do nosso vocabulário cotidiano e suas canções, o pano de fundo de nossas vidas."

Muitas letras e músicas de Bacharach e David continuam a ressoar na cultura pop, incluindo "Do You Know the Way to San Jose" e "I Say A Little Prayer"  e "What The World Needs Now Is Love".

Suas música foram gravadas por intérpretes como The Beatles, Barbra Streisand, Frank Sinatra, Neil Diamond e sua parceira de longa data Dionne Warwick.

Em maio deste ano, Bacharach e David receberam o Library of Congress Gershwin para Canção Popular, durante um show tributo na Casa Branca que contou com a presença do presidente, Barack Obama.

A mulher de Hal, Eunice David, aceitou em seu nome, já que o marido pôde comparecer, pois se recuperava de um acidente vascular cerebral. Bacharach, 83, agradeceu a Obama, dizendo que este era o prêmio mais importante de sua vida e superava até mesmo o Oscar.

Na ocasião, Obama disse que "os dois ainda estavam com tudo"  e salientou que suas músicas ainda estão sendo gravadas por artistas como Alicia Keys e John Legend.

"Acima de tudo, eles permaneceram fiéis a si mesmos. E com uma autenticidade inconfundível, eles capturaram as emoções das nossas vidas diárias - os bons momentos, os maus momentos, e tudo mais", falou o presidente.

Vida e obra

Nascido em 25 de maio de 1921 em Nova York, David estudou em escolas públicas antes de estudar jornalismo na Universidade de Nova York. Ele serviu o exército durante a Segunda Guerra Mundial como membro de uma unidade de entretenimento no sul do Pacífico. Após a guerra, ele escreveu letras para vários compositores.

David conheceu Bacharach quando ambos trabalhavam no Edifício Brill em Nova York. Eles marcaram o seu primeiro grande sucesso com "Magic Moments", que vendeu um milhão de cópias na voz de Perry Como.

Em 1962, a dupla começou a escrever para Dionne Warwick. O trio criou vários sucessos populares, incluindo "Don't Make Me Over," ''Walk On By", ''I Say a Little Prayer", ''Do You Know the Way to San Jose", ''You'll Never Get to Heaven" e "Always Something There to Remind Me".

Antigo membro da Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores, David atuou como presidente da organização de 1980 a 1986.

Em uma entrevista de 1999, David explicou seu sucesso como letrista: "Tente contar uma narrativa, as músicas devem ser como um pequeno filme, contada em três ou quatro minutos. Tente dizer coisas tão simples quanto possível, o que provavelmente é a coisa mais difícil de fazer. "

A equipe de sucesso se separou após a refilmagem do musical de 1973, "Lost Horizon", massacrado pela crítica. Bacharach ficou deprimido e se tornou recluso em sua casa de férias, recusando-se a trabalhar. Os dois voltaram a compôr juntos em 1992, trabalhando com Dione em "Sunny Weather Lover".

David teve colaborações bem sucedidas com vários outros compositores:  com John Barry ele escreveu a música-título do filme Bond James "Moonraker"; Albert Hammond com "To All the Girls I've Loved Before", dueto de Julio Iglesias e Willie Nelson e  com Henry Mancini com "o maior presente" em "O Retorno da Pantera Cor de Rosa".

Hal David deixa a mulher, Anne Rauchman, com quem se casou em 1947 e dois filhos.

sábado, 25 de agosto de 2012

NEIL ARMSTRONG, PRIMEIRO HOMEM A PISAR NA LUA, MORRE AOS 82 ANOS NOS EUA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Faleceu um dos astronautas que realizaram a viagem à Lua, em 1969. Neil Armstrong, que tinha 82 anos, foi o primeiro a pisar o território lunar, numa operação que até hoje rende polêmicas, mas que era promessa até do presidente John Kennedy em 1961.

Neil também tornou-se célebre pelo comentário que fez na ocasião de sua visita à Lua: "Este é um pequeno passo para um homem e um gigantesco passo para a humanidade".

Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, morre aos 82 anos nos EUA

Do Último Segundo, com base nas informações da Reuters e agências internacionais

O ex-astronauta norte-americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua, morreu aos 82 anos neste sábado, em Ohio, nos Estados Unidos. Armstrong tinha sido submetido a uma cirurgia no coração no começo deste mês para desobstruir artérias. Segundo a própria família do ex-astronauta, Armstrong morreu após complicações da cirurgia.

"Estamos de coração partido por compartilhar a notícia de que Neil Armstrong morreu devido a complicações após a cirurgia cardíaca", disse a família de Armstrong em comunicado obtido pela rede de televisão americana CNN.

Como comandante da missão Apollo 11, Armstrong se tornou o primeiro ser humano a pisar na Lua, em 20 de julho de 1969. Foi ele quem proferiu a histórica frase: "Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade”.

Ela era o comandante da primeira missão lunar, na Apolo 11, ao lado dos astronautas Buzz Aldrin e Michael Collins. Em 21 de julho de 1969, a cápsula lunar Eagle pousou sobre a superfície lunar e Armstrong - como havia sido planejado - foi o primeiro homem a caminhar sobre a Lua.

Piloto da Marinha

O comandante nasceu no dia 5 de agosto de 1930. Ele foi piloto da Marinha dos Estados Unidos entre 1949 e 1952 e lutou na Guerra da Coreia. Formou-se em 1955 em engenharia aeronáutica pela Universidade de Purdue e atuou como piloto civil da agência que deu origem à Nasa, a Naca (Conselho Nacional de Aeronáutica).

Em uma rara entrevista em maio deste ano , Neil Armstrong disse que os astronautas do histórico voo Apolo 11 calculavam em apenas 50% as possibilidades de pousar sobre a superfície do satélite. "Pensava que eram de 90% as possibilidades de retornar sãos e salvos à Terra depois do voo, mas apenas 50% de possibilidades de pousar sobre a Lua nesta primeira tentativa", disse Armstrong na ocasião.

A entrevista causou extrema surpresa, já que o veterano astronauta praticamente não fez declarações públicas nos últimos anos. Mas ele decidiu romper o silêncio em uma entrevista à  Associação Australiana de Peritos Contábeis Certificados. Segundo o presidente da entidade, o ex-astronauta decidiu oferecer a longa entrevista porque seu pai foi um contador público.

Relembre: Neil Armstrong afirma que havia apenas 50% de chance de pousar na Lua

 (Rara entrevista dada por ele na Austrália)



Agência France Press - 25 de abril de 2012

Os astronautas do histórico voo Apolo 11, que chegou à Lua em 1969 calculavam em apenas 50% as possibilidades de pousar sobre a superfície do satélite, afirmou Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, em uma rara entrevista concedida à Associação Australiana de Peritos Contábeis Certificados.

"Pensava que eram de 90% as possibilidades de retornar sãos e salvos à Terra depois do voo, mas apenas 50% de possibilidades de pousar sobre a Lua nesta primeira tentativa", disse Armstrong, de 82 anos e primeiro homem a pisar na superfície lunar.

De acordo com o famoso astronauta americano, "um mês antes do lançamento da Apolo 11, havíamos chegado à conclusão de que estávamos suficientemente preparados para tentar descer à superfície da Lua".

Armstrong era o comandante da primeira missão lunar na Apolo 11, ao lado dos astronautas Buzz Aldrin e Michael Collins. Em 21 de julho de 1969, a cápsula lunar Eagle pousou sobre a superfície lunar e Armstrong - como havia sido planejado - foi o primeiro homem a caminhar sobre a Lua.

A entrevista de Armstrong causou extrema surpresa, já que o veterano astronauta praticamente não fez declarações públicas nos últimos anos. Mas ele decidiu romper o silêncio em uma entrevista à associação australiana.

Segundo o presidente da entidade, Armstrong decidiu oferecer a longa entrevista porque seu pai foi um contador público.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

ATRIZ TÔNIA CARRERO COMPLETA 90 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A atriz Tônia Carrero completa hoje 90 anos, tendo sido um grande nome do teatro e do cinema brasileiros, tendo integrado a fase sofisticada do teatro nos anos 50, que culminou com o grupo teatral formado com Paulo Autran e o italiano Adolfo Celi. Mas ela também se abriu para o polêmico Plínio Marcos, fazendo uma prostituta em "Navalha na Carne", nos anos 60.

Ultimamente ela anda reclusa, por causa de um comprometimento dos nervos que fazem a ligação das pernas, o que dificulta sua locomoção. Mas fica aqui a nossa homenagem à mulher marcada pela beleza e pelo talento.

Atriz Tonia Carrero completa 90 anos, com uma história de talento e personalidade

Por Roberta Pennafort - Portal Estadão.Com.Br

Pense numa mulher feliz: acarinhada pela família - filho, quatro netos, cinco bisnetos - e os amigos da vida toda, com uma carreira gloriosa de seis décadas, trabalhos memoráveis no teatro, na TV e no cinema. É Tonia Carrero, que recebe hoje à tarde para uma festa por seus 90 anos em casa, no Leblon.

A data é quinta-feira, dia 23. Diferentemente da maioria dos que chegam a essa idade, Tonia quis a celebração, a casa cheia, o cabeleireiro em domicílio. Não é uma mulher comum. Mais: nunca houve uma mulher como Tonia. "Ela sempre gostou de festa. Está animada e bem-humorada, mesmo com as limitações que a vida trouxe: tem dificuldade de falar e andar. A cabeça é exemplar", conta Cecil Thiré, o filho único que penou por ter a mãe mais bonita do Brasil.

Entre os convidados, Nathalia Timberg, Jacqueline Laurence, Eva Wilma, Eva Todor, Camila Amado, atrizes com quem ela dividiu momentos que fazem parte da vida do brasileiro adulto. Fãs que se apaixonaram pelos cabelos dourados e os olhos "espantosamente azuis", como um dia escreveu Ronaldo Bôscoli, mas também pelo talento dramático, a dignidade como caminho, a transparência.

Quando fez 80, admitiu que se ver no espelho era "uma tristeza". "O fato de nenhum homem me achar atraente a esta altura da vida é muito duro", reconheceu, sem autopiedade. Assim como admitiu casos extraconjugais com Paulo Autran, o amigo maior, e Rubem Braga, quando era casada com Carlos Thiré, que também a traía.

Combinação de beleza, talento e personalidade - para quem acompanha sua trajetória, está aí a razão do sucesso de Maria Antonietta Portocarrero Thedim, nascida Mariinha, com cabeleira castanha, "nariz chatinho, a boca pequenininha". O registro carinhoso e detalhado do livro do bebê abre Tonia Carrero - Movida Pela Paixão, de Tânia Carvalho, lançado há três anos. "Não disfarço mais nada. Não quero que me achem linda ou brilhante. Hoje, estou acima do bem e do mal", ela afirmou à época.

Na festa de hoje, cada um dos presentes levará um exemplar do livro O Monstro de Olhos Azuis, memórias que Tonia lançou em 1986 e Cecil mandou reimprimir agora, levado pela efeméride.

A última das 54 peças que encenou foi Um Barco para o Sono, em 2007, que teve a direção do neto Carlos Thiré. Na TV, fez uma participação na novela Senhora do Destino, no ano seguinte. No cinema - onde estreou, em 1947, vinda de cursos de formação em Paris -, interpretou uma senhora com problemas de memória em Chega de Saudade, em 2008.

A memória de Tonia é traiçoeira há algum tempo, trazendo dificuldade para decorar textos e a impossibilitando de dar entrevistas. Ela fala através das lembranças dos amigos.

"Tonia sempre foi assustadoramente franca e tem um caráter afetivo imenso. Nunca foi narcisa, é de uma beleza que enxerga o outro", diz Camila Amado. Para ela, perdeu um Molière, em 1967. "Tonia fazia Navalha da Carne e eu, De Brecht a Stanislaw. Tivemos a mesma votação, mas o prêmio foi para ela por sua história. Tonia merece tudo."

A montagem de Navalha foi um marco também para o então diretor iniciante Fauzi Arap, chamado por Plínio Marcos para a tarefa. Fauzi e Tonia se estranharam de início, mas logo ele estaria deslumbrado: a mulher de imagem ultrassofisticada fez uma Neusa Sueli inesquecível, desglamourizada como não se poderia supor.

E, graças a Tonia, a peça enganou a censura. "Já com muito prestígio, ela foi lá e disse que faria a personagem, e, portanto, não poderia ser nada pornográfico", ele diz. "Lembro dela chegando como se fosse A Visita da Velha Senhora e saindo com a liberação. Quando estreou, a plateia não respirava."