sábado, 17 de dezembro de 2011

MORRE NO RIO O ATOR SÉRGIO BRITO AOS 88 ANOS



Morre no Rio o ator Sérgio Britto aos 88 anos

Da Agência Brasil

Morreu na manhã de hoje (17), no Rio de Janeiro, o ator e diretor Sérgio Britto aos 88 anos. Ele estava internado há um mês no Hospital Copa D'Or por causa de problemas cardiorrespiratórios.

Brito foi uma das personalidades mais importantes na história do teatro brasileiro. Atualmente, apresentava na TV Brasil, o programa Arte com Sérgio Britto.

Sérgio Britto foi o criador, diretor e ator do Grande Teatro Tupi, que foi ao ar por mais de dez anos na extinta TV Tupi.

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"O teatro me revigora". Sergio Britto

Do CPDOC - Jornal do Brasil

Sergio Britto, 88 anos, morreu na manhã deste sábado no Hospital Copa D'Or, no Rio de Janeiro, em decorrência de problemas cardiorrespiratórios.

Um ícone da arte dramática brasileira, o carioca Sergio Pedro Correa de Britto nascido em 23 de junho de 1923, foi diretor, ator, apresentador e roteirista. Atuou no teatro, no cinema e na televisão. Foi um dos fundadores do Teatro dos Sete nos anos 1950 e participou ativamente de importantes realizações cênicas dos anos 1960 e 1970. Nos anos 1980, tornou-se um dos sócios do Teatro dos Quatro e, nos 1990, realizou uma série de espetáculos musicados à frente do Teatro Delfim.

A carreira intensa, com mais de 65 anos de dedicação foi documentada na obra O Teatro e Eu, lançada no ano passado.

O ator e diretor foi responsável pela direção de Ilusões Perdidas, primeira telenovela produzida e exibida pela TV Globo. Mas a grande consagração foi com o teatro, onde recebeu diversos prêmios. Em 2010, lançou a autobiografia O Teatro e Eu.

O velório do corpo de Sérgio Britto ocorrerá na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no início da tarde.

TRAGÉDIA DE CIRCO EM NITERÓI É CONTADA EM LIVRO



Por Alexandre Figueiredo

A tragédia que havia comovido o mundo naquele final de 1961 transformou em trevas a "primavera" social que o ano parecia anunciar. O ano que havíamos esquecido e que a redemocratização não o fez recuperar em todo na memória é revelado aos poucos em raros livros, como o 1961 de Paulo Markun e Duda Hamilton (relançado este ano, com algumas reformulações no texto) e este livro, O Espetáculo Mais Triste da Terra, de Mauro Ventura.

1961 também teve suas tragédias. Uma equipe inteira de patinação dos EUA havia morrido em um acidente com um avião de passageiros e havia cancelado a edição de um torneio de patinação naquele ano. A bela e jovem atriz inglesa Belinda Lee, que havia aparecido num pequeno papel em A Doce Vida de Federico Fellini (1960), faleceu em um acidente de carro. O crítico literário Brito Broca morreu atropelado por um ônibus no Rio de Janeiro e o humorista Péricles Maranhão, criador do Amigo da Onça, se matou inalando gás de cozinha, magoado com as gozações que recebia do personagem.

Outra tragédia também estava ligada a Niterói, com a morte, por queimaduras causadas pela explosão de um helicóptero durante um acidente em Petrópolis, do governador do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Silveira - pai do atual prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, que, criança, estava com a família numa casa de férias, na ocasião - e o jornalista do Diário Carioca, Luís Paulistano, que então trabalhava para o governo fluminense.

Mas nenhuma dessas tragédias comoveu tanto quanto a que matou centenas de pessoas - o número é controverso, entre 300 e 500, 323 para certas fontes, 490 ou 499 para outras - quanto a do Gran Circo Norte-Americano, que então exibia seu espetáculo no bairro de São Lourenço, em Niterói, na área da Praça Dez de Novembro, próxima à Avenida Feliciano Sodré.

Mauro Ventura passou dois anos pesquisando sobre o livro, entrevistando remanescentes (inclusive o cirurgião Ivo Pitanguy, que participou do atendimento às vítimas e parentes de gente que já faleceu, como o empresário José Datrino que abriu mão de sua prosperidade sócio-econômica para prestar assistência às vítimas, transformando-se no Profeta Gentileza.

Ventura não se preocupa em trazer uma versão definitiva do episódio, embora não quisesse também deixar as informações "em aberto", preferindo mostrar as mais diversas informações a respeito da ocorrência, no esforço de trazer à memória os detalhes sobre o terrível acontecimento do incêndio que queimou o Gran Circo Norte-Americano, causando centenas de mortos e feridos.

Isso porque, segundo o jornalista, as informações sobre o que causou a tragédia e o número total de mortos são controversas. Oficialmente, a versão é que o incêndio tenha sido criminoso, causado por um ex-funcionário do circo conhecido como Dequinha, depois que, demitido pela família Stevanovitch, discutiu com outro funcionário.

Ele e outros comparsas, conhecidos como Bigode e Pardal, haviam se vingado com um plano de incendiar o circo no espetáculo do dia 17 de dezembro de 1961. As investigações policiais chegaram ao trio criminoso, que foi detido. Em 1973, Dequinha, depois de fugir da prisão, teria sido morto numa troca de tiros.

Mas mesmo a hipótese de um simples acidente, juntando o curto-circuito com a lona inflamável, foi analisada pelo escritor. E o número controverso de mortos poderia também ter sido maior, já que muitos morreram quando levados aos hospitais de suas cidades, além de muitos corpos carbonizados e de muita gente pisoteada na confusão. Até hoje, há até mesmo o relato de uma menina de cerca de oito anos que até hoje nunca foi encontrada.

Niterói ficou 14 anos sem ter um circo no local. E até hoje o espetáculo choca pelo fato de que em 1961 ainda havia uma relativa inocência, apesar da criminalidade estar crescendo. Afinal, em 1960 já houve a "fera da Penha" que, por uma bobagem amorosa, assassinou uma criança, e passear na Av. Beira-Mar à noite já era bastante perigoso. Mas nada que se compare à insegurança de tempos mais recentes.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

NIEMEYER DESAFIA AS LINHAS DO TEMPO E COMPLETA 104 ANOS



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Grande exemplo de intelectual e figura humana, Oscar Niemeyer, remanescente da excelente geração de pensadores que contribuiu para o desenvolvimento cultural do país, segue em mais um ano de vida, ativo e bastante lúcido. Parabéns, Oscar!

Niemeyer desafia as linhas do tempo e completa 104 anos

Do Portal Vermelho

O homem que desafia as linhas retas e o tempo. Oscar Niemeyer completa 104 anos nesta quinta-feira (15). O famoso arquiteto brasileiro produziu mais de 600 obras no mundo inteiro, entre elas Brasília. Para marcar a data, Niemeyer apresentará os projetos que desenhou para a sede da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) em uma nova edição da revista que edita.

"Como sempre a comemoração será limitada a seus amigos mais íntimos, em casa, mas, para não deixar o dia passar em branco, Niemeyer fez coincidir o aniversário com o lançamento da 11ª edição da (revista) Nosso Caminho", disse Luiz Otavio Barreto Leite, um de seus colaboradores.

A revista, outra iniciativa de Niemeyer para continuar ativo e expor suas ideias, destacará nesta edição os planos da sede da Universidade Latino-Americana, que está sendo construída em Foz do Iguaçu, na fronteira com Argentina e Paraguai.

"A revista incluirá um texto inédito sobre o Haiti do (escritor uruguaio) Eduardo Galeano e uma extensa homenagem a Vinícius de Moraes, mas no que Niemeyer mais trabalhou foi na apresentação de suas ideias para a Universidade Latino-Americana e dos diferentes detalhes da obra", antecipou seu colaborador.

De acordo com Leite, "se trata de um projeto pelo qual Niemeyer tem muito apreço" e com o qual quer desenvolver uma velha aspiração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da atual governante Dilma Rousseff.

O projeto para a universidade, que ocupará 40 hectares na sede de Itaipu, a hidrelétrica compartilhada por Brasil e Paraguai, inclui seis edifícios, alguns já em construção, destinados à reitoria, biblioteca, anfiteatro, restaurante, laboratórios e salas de aula.

Segundo o Governo Federal, a universidade terá capacidade para dez mil estudantes, metade brasileiros e metade de outros países latino-americanos, e oferecerá cursos nas áreas de ciências e humanidades, tanto em espanhol como em português.

A revista Nosso Caminho também apresentará em sua nova edição outros dois projetos desenvolvidos pelo arquiteto nos últimos meses. O primeiro é uma residência particular na Inglaterra que Niemeyer, nascido no Rio de Janeiro em 15 de dezembro de 1907, quer transformar em um modelo da arquitetura moderna.

O outro é o Teatro Musical Rio's, um enorme espaço destinado a shows e musicais, situado no Aterro do Flamengo, que ainda precisa do aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Prefeitura do Rio para sair do papel.

"A dedicação às diferentes obras que lhe encomendaram, à revista, a seus encontros com amigos para falar de filosofia e a outras atividades é uma forma de mostrar que quer seguir ativo e que não pensa em se aposentar", comentou o colaborador de Niemeyer.

Há exatamente um ano, quando completou 103 anos, o arquiteto de Brasília surpreendeu ao apresentar a letra de um samba que compôs com o enfermeiro Caio Almeida e o músico Edu Krieger. A composição foi a forma que encontrou para se distrair durante o período em que esteve internado em um hospital pelos problemas de saúde que sofreu no ano passado.

Por ocasião do 104º aniversário do artista, o recém criado Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) do Rio de Janeiro realizará sua primeira reunião em homenagem a Niemeyer, um dos impulsores do órgão. Com a nova entidade, estruturada não apenas no Rio, mas em todas as unidades da Federação, os 120 mil arquitetos e urbanistas do país deixam de ser vinculados aos conselhos regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Creas) e passam a ter o seu próprio órgão fiscalizador do exercício profissional.

A principal atribuição do CAU, que somente no estado do Rio de Janeiro reúne cerca de 20 mil arquitetos e urbanistas, será a de acompanhar, fiscalizar e normatizar o exercício profissional. Fora do âmbito estritamente legal, Sidney Menezes vê outro importante papel para o órgão.

Outra homenagem a Niemeyer acontecerá no Parque Dona Lindu, projetado por Niemeyer no Recife, onde será inaugurada nesta quinta-feira uma exposição retrospectiva de sua obra que incluirá esculturas, maquetes e desenhos.

Se o 103º aniversário do arquiteto esteve marcado pela inauguração de um dos edifícios que desenhou para o Centro Cultural Oscar Niemeyer em Avilês, na Espanha, o 104º o estará por mudanças na administração do espaço e a possível retirada do nome do brasileiro do complexo.

O Governo do Principado de Astúrias anunciou no meio de uma polêmica que na quinta-feira assumirá a gestão do Centro, até agora administrado pela Fundação Oscar Niemeyer, e por isso o local terá que mudar de nome.