sábado, 13 de agosto de 2011

OS 85 ANOS DE FIDEL CASTRO



Por Alexandre Figueiredo

Ando fazendo muitas pesquisas sobre o ano de 1961, para um livro que pretendo lançar. E, certamente, um dos personagens mais controversos naquela época hoje completa 85 anos, o ex-presidente de Cuba, Fidel Castro.

Pessoalmente, eu tenho uma posição cética diante de governos moldados no poder centralizado do socialismo à antiga. Mas não deixo de reconhecer que tais governos têm suas virtudes, como nos serviços públicos de Educação e Saúde, que no caso de Cuba demonstram êxitos inegáveis, sobretudo na produção de vacinas e nos tratamentos hospitalares.

Também é inegável o carisma que Fidel Castro possui, e pela inquietação que tiveram as autoridades dos EUA quando Cuba decidiu tornar-se socialista, em pleno fervor da Guerra Fria. Isso foi mais ou menos em 1960, porque, aparentemente, a Revolução Cubana de 1959 foi, para os EUA, apenas um movimento de derrubada de uma ditadura corrupta, como no caso de Fulgêncio Batista.

Só depois de 1960 é que as autoridades estadunidenses começaram a coçar suas cabeças diante do pequeno e incômodo país. Com os artífices da Revolução Cubana, Fidel Castro - então como primeiro-ministro, pois só seria presidente em 1976 - , seu irmão Raul, atual presidente do país centro-americano, e o falecido Ernesto Che Guevara (que há 50 anos visitou o Brasil e foi condecorado pelo direitista "híbrido" Jânio Quadros), consolidados politicamente, os EUA não tardaram a reagir contra o país, na medida em que este oferecia suas bases militares para as Forças Armadas da URSS.

Aí veio a invasão da Baía dos Porcos em abril de 1961, quando dissidentes cubanos foram treinados pela CIA para invadir seu antigo país. As tropas de Fidel estavam mais preparadas e botaram os cubanos de alma ianque para correr.

Depois veio a crise dos mísseis, que quase levou os EUA a iniciar uma guerra contra Cuba. Mas John Kennedy já tinha criado a Aliança para o Progresso, uma iniciativa paternal de submeter a América Latina restante ao jugo estadunidense, e a ameaça pegou mal.

Aí Kennedy foi assassinato e seu antigo rival da pré-candidatura do Partido Democrata para a presidência, mas que consentiu em ser vice da candidatura kennedyana, o ex-senador Lyndon Johnson, tornou-se presidente interino e, mais tarde, eleito presidente.

E aí os EUA partiram para cima de qualquer foco de políticas nacionais-populares na AL. Em 1964, nosso país sucumbiu a um regime militar de 21 anos. A Argentina, o Paraguai, a Bolívia e outros países também sucumbiram. E Chile, quando tentava iniciar um governo socialista, sofreu um violento golpe e Augusto Pinochet pegou pesado no autoritarismo, na repressão e censura, com apetite voraz para violar os direitos humanos.

Tudo isso para tentar neutralizar Cuba. Que pode ser um país que não se modernizou, mas pergunta-se se a "perseguição" à imprensa não seria um meio de reagir contra o autoritarismo empresarial, contra a concentração do poder econômico de uma elite que não quer ficar somente com a fortuna, mas também com o monopólio da opinião e dos privilégios sociais?

Ultimamente até fico indagando se, mesmo com seus equívocos, não teriam seu valor os governos da Venezuela e Bolívia, ainda que sigam uma perspectiva de socialismo da mesma linha de 1959.

Em todo caso, Fidel Castro tornou-se uma personalidade notável por manter sua compostura em mais de 50 anos, e de toda forma foi um ícone socialista comparável a Karl Marx, Vladimir Lênin e Leon Trotsky. E que hoje, aposentado da política, escreve suas memórias, traduzidas aqui para Caros Amigos.

Portanto, desejamos parabéns a Fidel, que ele tenha saúde e vida longa. E que possamos debater o socialismo contemporâneo analisando os regimes além dos olhos míopes da mídia golpista.

MURO DE BERLIM - Já o vergonhoso muro de Berlim também completa hoje 50 anos. Um longo muro construído para separar as fronteiras dos países europeus da OTAN (capitalistas) e do Pacto de Varsóvia (comunistas), que impediam as pessoas de transitarem livremente entre os dois lados, sob pena de serem eletrocutadas ou baleadas por soldados vigilantes.

É o lado ruim da Guerra Fria e de regimes "socialistas" que, sim, tornaram-se lamentáveis, como em muitos países europeus. Regimes meramente burocráticos e militares que, apesar do pretexto, nem de longe têm a ver com os movimentos sociais. Meros stalinismos de escritório, que nada fizeram para o povo, sobretudo na Educação e Saúde.

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