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O MESTRE CHICO ANYSIO VOLTA A CENA


O HUMORISTA CHICO ANYSIO NO PAPEL DA MADAME SALOMÉ.

Por Alexandre Figueiredo

Quase perdemos o humorista Chico Anysio, que ficou doente do coração e ficou internado durante meses. Mas, felizmente, o mestre do humor, um equivalente do humorismo ao poeta Fernando Pessoa na arte de criar uma multidão de personagens, se recuperou e completou 80 anos no último dia 12 se preparando para voltar às gravações.

Ele havia sido um dos grandes nomes do rádio antes de entrar para a TV, ainda no final dos anos 1950. Em 1960, foi o primeiro comediante a usar recursos de videoteipe, que através de truques de edição fazia ele contracenar consigo mesmo, no diálogo de diferentes personagens. Seu humorismo já era considerado sofisticado na época, em detrimento do humorismo de chanchada de um Zé Trindade, conforme pude verificar, a título de exemplo, numa carta de missivista para o jornal baiano A Tarde, numa edição de 1961.

Chico Anysio tem uma longa carreira de êxito, embora tenha enfrentado "geladeiras" mais de uma vez. "Geladeira" é como se chama o período em que um astro contratado por uma emissora de televisão está inativo, sem algum programa para entrar no ar. E, pouco antes de voltar a cena em Zorra Total, era essa a sua condição.

Chico também escreveu roteiros de cinema, lançou vários livros, e até investiu na música. Sua experiência com Baiano & Os Novos Caetanos (com o falecido Arnaud Rodrigues), é uma das passagens mais divertidas da história da Música Popular Brasileira, numa animada gozação, com sabor de homenagem, aos Novos Baianos.

A importância de Francisco Anysio de Paula é tal que ele é escola até para seus próprios filhos. Um deles, Bruno Mazzeo, bem antes de se revelar uma renovação do humor brasileiro - através dos excelentes Cilada e Junto e Misturado, além de, apenas como redator, em A Diarista, e apenas como ator, numa participação em Sob Nova Direção - , participava, junto com o pai, nas redações dos humorísticos deste.

Aliás, Chico havia se esforçado para participar até em novelas como Caminho das Índias, Terra Nostra e Sinhá Moça, não necessariamente em papéis humorísticos.

Além disso, até mesmo sua discreta participação como um deputado demagogo e corrupto no episódio Eleições do seriado Cilada - quando Bruno Mazzeo, numa de suas piadas, homenageou o pai inserindo o personagem Justo Veríssimo numa cena - , foi magistral.

Amanhã Chico Anysio volta a aparecer em Zorra Total, no famoso papel de Salomé, desta vez num "diálogo" destinado à presidenta Dilma Rousseff. Sua volta às gravações foi aplaudida com entusiasmo pelos presentes.

Certa vez, eu até escrevi um artigo questionando a opinião direitista dele, mas é inegável que seu talento de humor é indiscutível, sua genialidade de criar personagens e textos é uma de suas grandes virtudes, que continuam admiráveis.

Longa vida ao grande mestre do humor brasileiro.









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