sexta-feira, 22 de abril de 2011

O MESTRE CHICO ANYSIO VOLTA A CENA


O HUMORISTA CHICO ANYSIO NO PAPEL DA MADAME SALOMÉ.

Por Alexandre Figueiredo

Quase perdemos o humorista Chico Anysio, que ficou doente do coração e ficou internado durante meses. Mas, felizmente, o mestre do humor, um equivalente do humorismo ao poeta Fernando Pessoa na arte de criar uma multidão de personagens, se recuperou e completou 80 anos no último dia 12 se preparando para voltar às gravações.

Ele havia sido um dos grandes nomes do rádio antes de entrar para a TV, ainda no final dos anos 1950. Em 1960, foi o primeiro comediante a usar recursos de videoteipe, que através de truques de edição fazia ele contracenar consigo mesmo, no diálogo de diferentes personagens. Seu humorismo já era considerado sofisticado na época, em detrimento do humorismo de chanchada de um Zé Trindade, conforme pude verificar, a título de exemplo, numa carta de missivista para o jornal baiano A Tarde, numa edição de 1961.

Chico Anysio tem uma longa carreira de êxito, embora tenha enfrentado "geladeiras" mais de uma vez. "Geladeira" é como se chama o período em que um astro contratado por uma emissora de televisão está inativo, sem algum programa para entrar no ar. E, pouco antes de voltar a cena em Zorra Total, era essa a sua condição.

Chico também escreveu roteiros de cinema, lançou vários livros, e até investiu na música. Sua experiência com Baiano & Os Novos Caetanos (com o falecido Arnaud Rodrigues), é uma das passagens mais divertidas da história da Música Popular Brasileira, numa animada gozação, com sabor de homenagem, aos Novos Baianos.

A importância de Francisco Anysio de Paula é tal que ele é escola até para seus próprios filhos. Um deles, Bruno Mazzeo, bem antes de se revelar uma renovação do humor brasileiro - através dos excelentes Cilada e Junto e Misturado, além de, apenas como redator, em A Diarista, e apenas como ator, numa participação em Sob Nova Direção - , participava, junto com o pai, nas redações dos humorísticos deste.

Aliás, Chico havia se esforçado para participar até em novelas como Caminho das Índias, Terra Nostra e Sinhá Moça, não necessariamente em papéis humorísticos.

Além disso, até mesmo sua discreta participação como um deputado demagogo e corrupto no episódio Eleições do seriado Cilada - quando Bruno Mazzeo, numa de suas piadas, homenageou o pai inserindo o personagem Justo Veríssimo numa cena - , foi magistral.

Amanhã Chico Anysio volta a aparecer em Zorra Total, no famoso papel de Salomé, desta vez num "diálogo" destinado à presidenta Dilma Rousseff. Sua volta às gravações foi aplaudida com entusiasmo pelos presentes.

Certa vez, eu até escrevi um artigo questionando a opinião direitista dele, mas é inegável que seu talento de humor é indiscutível, sua genialidade de criar personagens e textos é uma de suas grandes virtudes, que continuam admiráveis.

Longa vida ao grande mestre do humor brasileiro.









terça-feira, 12 de abril de 2011

HÁ 50 ANOS, YURI GAGARIN FOI O PRIMEIRO HOMEM A ENTRAR EM ÓRBITA



Por Alexandre Figueiredo

Não é de hoje que existe o desejo do homem em conhecer o Universo. E mesmo as viagens à Lua já se tornaram notórias em obras de ficção científica de Jules Verne, por exemplo.

Aos 15 anos de Guerra Fria, o sutil conflito político entre os capitalistas EUA e a comunista URSS, as duas potências, que haviam sido momentaneamente aliadas na Segunda Guerra Mundial por conta de um inimigo comum, o nazi-fascismo, disputavam não somente a supremacia política na Terra, mas a supremacia econômica e mesmo tecnológica.

No caso tecnológico, a ênfase, preocupante para a humanidade, estava no arsenal armamentístico e na corrida espacial. E a ascensão política da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas preocupava os Estados Unidos não somente pela sua tese internacionalista de "revolução permanente", mas pelo "apetite" com que os soviéticos exerciam na tecnologia espacial.

Em 1957 os técnicos soviéticos produziram e lançaram seu primeiro satélite artificial, o Sputnik (que teria sucessores com o mesmo nome), lançado na Unidade de testes de foguetes da União Soviética, atualmente conhecido como Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. A façanha indignou as autoridades norte-americanas, que perderam a oportunidade de serem pioneiros na iniciativa.

Pouco depois, ainda em 1957, os soviéticos lançaram o Sputnik II, que transportou o primeiro ser vivo a entrar em órbita, a cadelinha Laika (cujo nome, numa engraçada curiosidade, inspirou muitas famílias a batizarem suas filhas com este nome), que não pôde voltar para a Terra, morrendo no espaço sideral.

Isso fez os EUA correrem atrás e lançarem o Explorer em 1958 e, mais tarde, os três outros satélites artificiais Vanguard I, II e III.

A essas alturas Yuri Gagarin era um professor e aviador, com poucos anos de casado, e talvez não imaginasse que ele mesmo protagonizaria uma façanha, pouco tempo depois. Já como tenente-sênior da Força Aérea Soviética, foi um dos vinte aprovados, em 1960, para integrar o programa espacial soviético, depois de passar por difíceis testes de seleção física e psicológica.

Por causa de sua excelente dedicação nos treinos, Gagarin foi longe e foi escolhido o primeiro homem a enfrentar uma volta em órbita sobre a Terra. A origem camponesa também contou para a escolha, já que tal condição era de muito agrado para a política comunista da União Soviética, então governada pelo presidente Nikita Kruschev.

Também contou para o feito a personalidade cativante de Gagarin e seu diminuto tamanho, de 1,57 m, foi compatível para ele embarcar na nave Vostok, de tamanho pequeno. A nave deu uma volta inteira ao redor da Terra, ao longo de 108 minutos, ou seja, uma hora e 48 minutos.

Gagarin se impressionou com a vista do planeta quando esteve em órbita, e, encantado com a beleza, disse, entusiasmado: "A Terra é azul".

Por cálculos errados dos cientistas, a cápsula espacial de Yuri Gagarin aterrizou de volta ao solo soviético a 320 quilômetros do local previsto, e por conseguinte ninguém esteve à espera do cosmonauta em seu regresso à Terra.

Enquanto o cosmonauta foi promovido de tenente a major, a Agência Tass, a agência de notícias do governo soviético, anunciava que naquele dia, 12 de abril de 1961, marcou-se o início da Era Espacial.

Gagarin tornou-se uma celebridade na União Soviética e no mundo, mas sua popularidade e fama comprometeu seu casamento, na medida em que o major cosmonauta passou a beber muito, chegando a se envolver num acidente, em companhia de uma jovem enfermeira, em outubro de 1961.

Antes disso, no dia 03 de agosto de 1961, Yuri Gagarin visitou o Brasil, a convite do presidente Jânio Quadros, que promovia uma política externa independente dos interesses dos EUA. Já com o governo brasileiro em crise, Gagarin recebeu de Jânio a Ordem do Cruzeiro do Sul, prêmio dado a personalidades de grande importância para a humanidade), num episódio que era brando, diante do mesmo prêmio dado 16 dias depois para o ministro Ernesto Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana junto a Fidel Castro e seu irmão Raul Castro.

Yuri Gagarin morreu com 34 anos, num acidente aéreo em 27 de março de 1968, junto com seu instrutor Vladimir Seryogin, durante um treino de voo. O avião MiG-15 caiu na localidade de Kisznach, matando os dois na hora. Investigações posteriores constataram que uma turbulência talvez causada pelo choque com um pássaro em voo teria causado o desastre.