O ÚLTIMO TANGO DE MARIA SCHNEIDER


A ATRIZ, FAMOSA PELO FILME "O ÚLTIMO TANGO EM PARIS", FALECEU DEPOIS DE MUITO TEMPO DOENTE.

Por Ricardo Calil - Último Segundo

No obituário da atriz Maria Schneider, sua família informa que a atriz francesa morreu de câncer. Sem querer soar esotérico, seria possível dizer também que ela foi vítima do cinema.

Eu ganho a vida louvando o cinema. Mas às vezes é preciso reconhecer que ele faz mal a algumas pessoas. Parece ter sido esse o caso de Maria Schneider. Em uma entrevista dada ao jornal britânico “Telegraph” em 2006, depois de um longo período de reclusão, Schneider deu a entender que não segurou a onda de ter se transformado, do dia para a noite, não apenas em estrela de cinema, mas também em símbolo de uma geração, com “O Último Tango em Paris” (1972).

Ela declarou abertamente que se arrependeu de ter feito o filme de Bernardo Bertolucci. “Se eu pudesse voltar no tempo, teria dito não. Teria feito meu trabalho gradualmente, discretamente. Eu teria sido uma atriz, mas de maneira mais tranqüila”. A famosa cena de sexo com ela, Marlon Brando e uma barra de manteiga foi parte do problema. “Quando me falaram da cena, eu tive uma explosão de raiva. Eu joguei tudo que estava à minha volta. Ninguém pode forçar alguém a fazer algo que não está no script. Mas eu não sabia isso. Eu era muito jovem. Então, eu fiz a cena e chorei. Minhas lágrimas em cena eram verdadeiras.”

Sua vida depois do filme dava um tango: ela foi viciada em cocaína e heroína e chegou internar-se em um asilo para doentes mentais de Roma. Apesar de ter feito 48 filmes, só chamou atenção novamente em “O Passageiro – Profissão: Repórter” (1975), de Michelangelo Antonioni, mas no geral foi para receber pesadas críticas por sua atuação. Recentemente, Jack Nicholson, que foi seu parceiro em cena, contou que teve que segurar Schneider em uma cena para que ela não caísse, porque ela estava dopada por analgésicos.

Nos últimos anos, possivelmente debilitada pelo vício e pela doença, sua figura frágil lembrava muito pouco a garota fornida de “Último Tango”. Símbolo de liberdade sexual nos anos 70, Maria terminou seus dias como protagonista de uma das histórias mais tristes do cinema recente.

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