domingo, 6 de fevereiro de 2011

MORREU O GUITARRISTA GARY MOORE



O obituário de pessoas famosas anda muito solto ultimamente.

Desta vez, foi um músico de rock clássico, o guitarrista Gary Moore, no começo do dia de hoje, enquanto dormia, num hotel da Espanha. A informação foi confirmada pelo seu ex-empresário.

Especializado em blues, Gary Moore também fez jazz rock, rock pesado, gravou com vários outros músicos (inclusive George Harrison) e integrou dois grupos, Skid Row (o que é rock clássico, mesmo; nada a ver com a bandinha farofeira dos anos 90) e Thin Lizzy, do saudoso baixista Phil Lynott.

No Brasil, foi famoso pela música "Still Got The Blues", que virou até tema de novela. Mas seria preguiçoso para os fãs de rock clássico ficar só nessa música. Para quem quiser conhecer a carreira do músico da Irlanda do Norte, aqui está uma amostra da trajetória do músico. "Still Got The Blues" está aqui como guia para os mais jovens.













sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O QUE ERA UMA "REVISTA ELETRÔNICA" HÁ MAIS DE 45 ANOS



Numa época em que a crise de audiência atinge o "Fantástico" da Rede Globo, para não dizer a das chamadas "revistas eletrônicas" da TV Record, Rede TV e CNT, simplesmente sofríveis, uma boa sugestão seria ver esse fragmento de um dos remanescentes do desaparecido acervo televisivo da década de 60, a primeira em que a TV brasileira produziu programas gravados em vídeoteipe.

Houve vários programas de shows e vários programas chamados "revistas eletrônicas", que misturam jornalismos, curiosidades, musicais e esquetes humorísticas. Até mesmo cientistas e filósofos poderiam ser citados sem que o espectador sentisse qualquer estranheza. O "Jornal de Vanguarda" da TV Excelsior é um exemplo de um programa inovador do gênero. O "Primeiro Plano", inicialmente da TV Excelsior e depois da TV Tupi, foi outro.

É o "Primeiro Plano" o programa desse fragmento publicado no YouTube. Apresentado por Terezinha Mendes (como uma voz doce e meiga que é rara nos dias de hoje), e os históricos locutores Luiz Jatobá (nenhum parentesco com a jornalista e minha ex-colega Rosana Jatobá) e Cid Moreira, que participou do extinto "Jornal de Vanguarda", o programa parece insosso para os mais jovens.

No entanto, o programa tinha um ritmo ágil de locução, alternada entre os três apresentadores, com bons textos, boa edição de imagens, esquetes humorísticas (uma delas com os conhecidíssimos José Santa Cruz - também dublador do Dino da Silva Sauro e integrante do Zorra Total - e Lúcio Mauro) e um musical (no caso, um número de Bossa Nova).

É muito pouco para quem não viveu a fase da televisão dos anos 50 e 60, mais precisamente até 1968, quando o vigor criativo era impressionante e fez história. Infelizmente, incêndios eliminaram vários registros desses programas, restando apenas alguns fragmentos. Mas o consolo é que muita coisa foi, pelo menos, registrada em depoimentos e livros sobre a História da Televisão.

Numa época em que a televisão brasileira sofre uma grave queda de qualidade - que já começa a refletir na queda de audiência que atinge até mesmo os badalados Domingão do Faustão, Fantástico e Pânico na TV - , vale a pena pesquisar pelos acervos restantes da televisão brasileira, disponíveis no YouTube.

Mas, antes de mais nada, é aconselhável que os mais jovens se interessem também a ouvir dos mais velhos as memórias que eles têm dos anos dourados de nossa televisão. Nem todo mundo pôde ver TV antigamente, mas os que viram guardam, pelo menos, alguma lembrança saudosa desses tempos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O ÚLTIMO TANGO DE MARIA SCHNEIDER


A ATRIZ, FAMOSA PELO FILME "O ÚLTIMO TANGO EM PARIS", FALECEU DEPOIS DE MUITO TEMPO DOENTE.

Por Ricardo Calil - Último Segundo

No obituário da atriz Maria Schneider, sua família informa que a atriz francesa morreu de câncer. Sem querer soar esotérico, seria possível dizer também que ela foi vítima do cinema.

Eu ganho a vida louvando o cinema. Mas às vezes é preciso reconhecer que ele faz mal a algumas pessoas. Parece ter sido esse o caso de Maria Schneider. Em uma entrevista dada ao jornal britânico “Telegraph” em 2006, depois de um longo período de reclusão, Schneider deu a entender que não segurou a onda de ter se transformado, do dia para a noite, não apenas em estrela de cinema, mas também em símbolo de uma geração, com “O Último Tango em Paris” (1972).

Ela declarou abertamente que se arrependeu de ter feito o filme de Bernardo Bertolucci. “Se eu pudesse voltar no tempo, teria dito não. Teria feito meu trabalho gradualmente, discretamente. Eu teria sido uma atriz, mas de maneira mais tranqüila”. A famosa cena de sexo com ela, Marlon Brando e uma barra de manteiga foi parte do problema. “Quando me falaram da cena, eu tive uma explosão de raiva. Eu joguei tudo que estava à minha volta. Ninguém pode forçar alguém a fazer algo que não está no script. Mas eu não sabia isso. Eu era muito jovem. Então, eu fiz a cena e chorei. Minhas lágrimas em cena eram verdadeiras.”

Sua vida depois do filme dava um tango: ela foi viciada em cocaína e heroína e chegou internar-se em um asilo para doentes mentais de Roma. Apesar de ter feito 48 filmes, só chamou atenção novamente em “O Passageiro – Profissão: Repórter” (1975), de Michelangelo Antonioni, mas no geral foi para receber pesadas críticas por sua atuação. Recentemente, Jack Nicholson, que foi seu parceiro em cena, contou que teve que segurar Schneider em uma cena para que ela não caísse, porque ela estava dopada por analgésicos.

Nos últimos anos, possivelmente debilitada pelo vício e pela doença, sua figura frágil lembrava muito pouco a garota fornida de “Último Tango”. Símbolo de liberdade sexual nos anos 70, Maria terminou seus dias como protagonista de uma das histórias mais tristes do cinema recente.