MORRE CAPTAIN BEEFHEART, PARCEIRO DE FRANK ZAPPA



Lendário roqueiro Captain Beefheart morre aos 69 anos

Do Portal Terra

Don Van Vliet, conhecido pelo pseudônimo Captain Beefheart, um dos principais nomes do rock experimental americano nas décadas de 60 e 70, morreu nesta sexta-feira (17) por complicações de esclerose múltipla, na Califórnia. O falecimento foi anunciado pela Michael Warner Gallery, de Nova York, que representa seu trabalho como artista plástico, informa o site da revista Rolling Stone.

Junto com o amigo de infância Frank Zappa, Vliet foi um dos fundadores do chamado "art rock" na década de 60, mesclando o rock and roll psicodélico da época com o blues, free jazz, experimentalismos de vanguarda e letras surreais e bem-humoradas. Seu grupo, o Magic Band, com uma formação mutante de músicos, existiu entre 1965 e 1982, sob seu forte controle criativo.

Nascido em 1941 na cidade de Glendale, Califórnia, desde criança Vliet mostrou propensão para a arte. Ele gostava de pintar e esculpir animais como dinossauros e peixes, e aos nove anos ganhou um prêmio do Zoológico de Los Angeles, e foi considerado uma "criança prodígio". Na adolescência a família se mudou para a cidade de Lancaster, próxima ao deserto de Mojave, um ambiente mais tranquilo para que ele produzisse sua arte. Nesta época começou seu interesse por música, ouvindo pioneiros do blues como Son House e jazzistas como Thelonius Monk e John Coltrane.

Na escola, ele conheceu Frank Zappa, que compartilhava seus interesses em música e arte. Eles começaram a fazer juntos paródias de músicas da época, e criaram um roteiro para um filme chamado Captain Beefheart vs. the Grunt People, primeira aparição do nome Captain Beefheart. Embora muito tímido, ele imitava bem a voz grave e profunda de blueseiros como Howlin' Wolf. Em 1965, um guitarrista de blues chamado Alex Snoufer o convidou para cantar na banda e estava formando. Foi o início da Magic Band.

Em 1967 foi lançado o primeiro álbum da Magic Band, Safe as Milk. Com base no blues rock da época, o disco já sinalizava algum experimentalismo, e chamou a atenção de músicos como John Lennon e Paul McCartney. Mas, ao contrário, não gostava dos Beatles, e os satirizou na música Beatle Bones 'n' Smokin' Stones. No mesmo ano o grupo foi convidado para tocar no Festival de Monterrey, mas fortes ataques de ansiedade, agravados pelo uso de LSD, levaram Beefheart a "travar" durante um show e deixou o palco. A banda acabou cancelando a participação em Monterrey. Eles gravaram músicas que foram lançadas no disco Strictly Personal, em 1968.

No ano seguinte, Beefheart criou o disco que é considerado sua obra-prima: Trout Mask Replica. Ele exerceu completo controle sobre os músicos, que viveram durante oito meses juntos, em uma espécie de comuna, durante a "gestação" do álbum, lançado pela gravadora Straight Records, de Zappa. Ele e os músicos não tinham dinheiro para comida, e Beefheart muitas vezes abusava deles física e psicológicamente. O resultado foram 28 músicas compostas por Beefheart no piano, de uma só tacada, em oito horas e meia. Os outros músicos sofreram para transpor as músicas para seus instrumentos. Mas no final, o álbum que mesclou definitivamente o blues e o rock com o experimentalismo erudito, melodias atonais, ritmos iconoclastas e os vocais de Beefheart indo do gutural ao falsete, foi aclamado pela crítica especializada. Trout Mask Replica foi considerado pela Rolling Stone o 58º melhor disco de todos os tempos.

Ainda em 1969, Beefheart fez o vocal da falixa Willie the Pimp, do clássico disco Hot Rats, de Zappa. Na década de 70, a produção de Capitain Beefheart e da Magic Band foi irregular, contrastando discos mais experimentais e mais comerciais. Na década de 80 ele acabou definitivamente com o Magic Band e se tornou cada vez mais recluso, se dedicando principalmente às artes plásticas. Ele desenvolveu esclerose múltipla e ficou confinado a uma carreira de rodas desde a década de 90.

A influência de Beefheart é sentida em todas as gerações posteriores do rock experimental e alternativo. Os punks e pós-punks de The Clash, Pere Ubu, Gang of Four e The Fall, os new-waves Talking Heads, Blondie e Devo, os indies Sonic Youth e Pixies, o grunge Kurt Cobain, Jack White, Beck e muitos outros citam Beefheart como influência. O crítico Lester Bangs, o DJ John Peel e o criador dos Simpsons Matt Groening já declararam considerá-lo um dos maiores "gênios" da história do rock.

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