segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

MORREU A CANTORA E COMPOSITORA TEENA MARIE



A cantora, compositora e instrumentista de funk autêntico, Teena Marie, faleceu na noite do último domingo, 26, de causas não divulgadas. Nos últimos anos, todavia, amigos afirmavam que a cantora tinha um histórico de convulsões.

Ela era afilhada artística do soulman Rick James, já falecido, e iniciou sua carreira musical em 1975. Mary Brockert era seu nome de batismo e a cantora, mesmo branca, era um dos destacados talentos do funk autêntico, tendo feito sucesso entre os anos 80.

Seu primeiro álbum, de 1979, foi quase todo composto por Rick James, mas Teena não tardou a mostrar seu talento de compositora. Os LPs It must be magic (1981) e Starchild (1984) se tornaram grandes sucessos. Deste último, o primeiro pela Epic Records, depois de iniciar carreira fonográfica na Motown, vieram as músicas "Lovergirl" e "Ooo La La La", que se tornaram grandes sucessos nas paradas norte-americanas.

Ao longo da carreira, Teena lançou 13 álbuns. O último deles, Conga Square, foi lançado em 2009. No disco, ela presta tributo a cantoras como Sarah Vaughan e Billie Holiday.

A princípio, muita gente pensava que Teena era negra, tal a intimidade que ela tinha com o funk autêntico. E, com a morte dela, é mais uma maldição que atinge a soul music em geral, já que o estilo possui um vasto e constante obituário. De James Brown a Michael Jackson, passando por Otis Redding, Marvin Gaye, Sam Cooke e Dan Hartman, além do nosso Tim Maia, o pop negro vê muitos talentos serem ceifados a cada ano.

Isso complica as coisas para o público mais jovem, uma vez que a soul music com instrumentos musicais e bons arranjos lhes parece algo "velho", enquanto o gangsta rap e o "funk carioca", no caso brasileiro, são as únicas coisas relacionadas à black music que os jovens, movidos a grande mídia, são induzidos a curtir.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

MORRE CAPTAIN BEEFHEART, PARCEIRO DE FRANK ZAPPA



Lendário roqueiro Captain Beefheart morre aos 69 anos

Do Portal Terra

Don Van Vliet, conhecido pelo pseudônimo Captain Beefheart, um dos principais nomes do rock experimental americano nas décadas de 60 e 70, morreu nesta sexta-feira (17) por complicações de esclerose múltipla, na Califórnia. O falecimento foi anunciado pela Michael Warner Gallery, de Nova York, que representa seu trabalho como artista plástico, informa o site da revista Rolling Stone.

Junto com o amigo de infância Frank Zappa, Vliet foi um dos fundadores do chamado "art rock" na década de 60, mesclando o rock and roll psicodélico da época com o blues, free jazz, experimentalismos de vanguarda e letras surreais e bem-humoradas. Seu grupo, o Magic Band, com uma formação mutante de músicos, existiu entre 1965 e 1982, sob seu forte controle criativo.

Nascido em 1941 na cidade de Glendale, Califórnia, desde criança Vliet mostrou propensão para a arte. Ele gostava de pintar e esculpir animais como dinossauros e peixes, e aos nove anos ganhou um prêmio do Zoológico de Los Angeles, e foi considerado uma "criança prodígio". Na adolescência a família se mudou para a cidade de Lancaster, próxima ao deserto de Mojave, um ambiente mais tranquilo para que ele produzisse sua arte. Nesta época começou seu interesse por música, ouvindo pioneiros do blues como Son House e jazzistas como Thelonius Monk e John Coltrane.

Na escola, ele conheceu Frank Zappa, que compartilhava seus interesses em música e arte. Eles começaram a fazer juntos paródias de músicas da época, e criaram um roteiro para um filme chamado Captain Beefheart vs. the Grunt People, primeira aparição do nome Captain Beefheart. Embora muito tímido, ele imitava bem a voz grave e profunda de blueseiros como Howlin' Wolf. Em 1965, um guitarrista de blues chamado Alex Snoufer o convidou para cantar na banda e estava formando. Foi o início da Magic Band.

Em 1967 foi lançado o primeiro álbum da Magic Band, Safe as Milk. Com base no blues rock da época, o disco já sinalizava algum experimentalismo, e chamou a atenção de músicos como John Lennon e Paul McCartney. Mas, ao contrário, não gostava dos Beatles, e os satirizou na música Beatle Bones 'n' Smokin' Stones. No mesmo ano o grupo foi convidado para tocar no Festival de Monterrey, mas fortes ataques de ansiedade, agravados pelo uso de LSD, levaram Beefheart a "travar" durante um show e deixou o palco. A banda acabou cancelando a participação em Monterrey. Eles gravaram músicas que foram lançadas no disco Strictly Personal, em 1968.

No ano seguinte, Beefheart criou o disco que é considerado sua obra-prima: Trout Mask Replica. Ele exerceu completo controle sobre os músicos, que viveram durante oito meses juntos, em uma espécie de comuna, durante a "gestação" do álbum, lançado pela gravadora Straight Records, de Zappa. Ele e os músicos não tinham dinheiro para comida, e Beefheart muitas vezes abusava deles física e psicológicamente. O resultado foram 28 músicas compostas por Beefheart no piano, de uma só tacada, em oito horas e meia. Os outros músicos sofreram para transpor as músicas para seus instrumentos. Mas no final, o álbum que mesclou definitivamente o blues e o rock com o experimentalismo erudito, melodias atonais, ritmos iconoclastas e os vocais de Beefheart indo do gutural ao falsete, foi aclamado pela crítica especializada. Trout Mask Replica foi considerado pela Rolling Stone o 58º melhor disco de todos os tempos.

Ainda em 1969, Beefheart fez o vocal da falixa Willie the Pimp, do clássico disco Hot Rats, de Zappa. Na década de 70, a produção de Capitain Beefheart e da Magic Band foi irregular, contrastando discos mais experimentais e mais comerciais. Na década de 80 ele acabou definitivamente com o Magic Band e se tornou cada vez mais recluso, se dedicando principalmente às artes plásticas. Ele desenvolveu esclerose múltipla e ficou confinado a uma carreira de rodas desde a década de 90.

A influência de Beefheart é sentida em todas as gerações posteriores do rock experimental e alternativo. Os punks e pós-punks de The Clash, Pere Ubu, Gang of Four e The Fall, os new-waves Talking Heads, Blondie e Devo, os indies Sonic Youth e Pixies, o grunge Kurt Cobain, Jack White, Beck e muitos outros citam Beefheart como influência. O crítico Lester Bangs, o DJ John Peel e o criador dos Simpsons Matt Groening já declararam considerá-lo um dos maiores "gênios" da história do rock.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

BLAKE EDWARDS MORRE AOS 88 ANOS



Um dos maiores nomes da comédia mundial, Blake Edwards faleceu na manhã desta quinta-feira, 16 de dezembro, aos 88 anos.

Do sítio Adoro Cinema

Edwards foi responsável pela criação de uma das maiores franquias cômicas da história, A Pantera Cor-de-Rosa, e de muitos outros sucessos no gênero, como Um Convidado Bem Trapalhão e Mulher Nota 10.

Mas antes de criar o Inspetor Clouseau (personagem imortalizado por Peter Sellers e que mais recentemente foi interpretado por Steve Martin), o cineasta também havia provado ter talento para comandar romances, tendo dirigido o belíssimo Bonequinha de Luxo, filme que ficou marcado pela cena em que Audrey Hepburn canta "Moonriver" em sua janela.

O diretor foi grande amigo do compositor Henry Mancini, com quem trabalhou já em seu primeiro sucesso, a série televisiva "Peter Gunn". Mais tarde, Mancini realizou para o amigo a trilha de A Pantera Cor-de-Rosa, que é ponto chave na franquia.

A série do atrapalhado inspetor francês conta ainda com os filmes Um Tiro no Escuro, A Volta da Pantera Cor-de-Rosa, A Nova Transa da Pantera Cor de Rosa, A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa, A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa e A Maldição da Pantera Cor-de-Rosa.

Blake Edwards recebeu indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar pelo roteiro do musical Vítor ou Vitória?, mas só em 2004 recebeu seu primeira estatueta. O diretor/roteirista/ator/produtor recebeu um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra das mãos do comediante e fã Jim Carrey (O Golpista do Ano).

Nascido na cidade de Tulsa, Oklahoma, no dia 26 de julho de 1922, como William Blake Crump, o cineasta ficou conhecido como grande diretor de atores. Sob seu comando, Audrey Hepburn, Jack Lemmon, Lee Remick, Julie Andrews, Robert Preston e Lesley Ann Warren receberam indicações ao prêmio da Academia.

Era casado com a atriz Julie Andrews, a eterna Maria Von Trapp de A Noviça Rebelde, desde 1969. Ao ler uma entrevista em que Edwards a descrevia como "tão doce que deve ter violetas entre suas pernas", a atriz mandou para o cineasta um buquê de violetas. Tempos depois, os dois começaram o relacionamento que durou 41 anos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A FIGURA ÍNTEGRA DE OSCAR NIEMEYER



Por Alexandre Figueiredo

Os brasileiros deveriam ouvir os mais sábios, aqueles que têm sempre o que dizer.

Não com arrogância nem com pedantismo, mas com simplicidade e capacidade de aprender e desenvolver experiências e transmitir lições.

Uma grande oportunidade é ter o arquiteto Oscar Niemeyer vivo, aos 103 anos, lúcido e trabalhando.

É vê-lo com a criatividade de um menino desenhando e criando seus projetos.

E ele fez muitas obras, desde os anos 40. Como o conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, e o prédio do antigo Ministério da Educação, no Castelo, no então Distrito Federal que hoje é a cidade do Rio de Janeiro.

E participou na elaboração do prédio-sede da Organização das Nações Unidas, assim como dos prédios da Esplanada dos Ministérios de Brasília.

Sem falar do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, que, sempre que faço caminhadas pela orla de Icaraí até Boa Viagem, tenho a oportunidade de passar por perto e admirar.

Mas Niemeyer também foi e é um ativista social.

Um socialista autêntico, solidário aos movimentos sociais e aos grandes projetos de melhoria para o país.

Sempre esteve apoiando iniciativas em prol do progresso sócio-político-cultural do Brasil.

Conviveu com os maiores nomes do Modernismo brasileiro e foi um dos intelectuais que se inspiraram na geração de 1922.

Por isso a importância de Oscar Niemeyer.

Que, desafiando o moralismo religioso, é um ateu com surpreendente instinto altruísta.

Com uma humildade e uma serenidade ímpares.

Idoso, é muito mais jovial que tanto jovem que, com seu bacharelado, parte para sua sisudez engravatada, endinheirada e careta.

O Brasil deve ouvir os intelectuais que se foram, e também deve ouvir os intelectuais que ainda estão.

Oscar Niemeyer é um grande mestre. Porque nunca quis se passar por tal.

Porque os verdadeiros mestres não se consideram mestres. O que importa não é a pose nem os discursos de fachada, mas a prática e a experiência real, pois os atos dizem muito mais do que nossas pretensões.

Parabéns ao grande mestre Niemeyer. Se possível, que continue com longa vida e saúde, e que suas lições nesses 103 anos não sejam em vão.

Certamente não serão em vão, mesmo.

O Brasil medíocre é que cai, por mais que queira permanecer em pé.

O Brasil genial, ainda que adormecido por força das forças reacionárias, está despertando.

E é esse Brasil que acorda de novo e que quer ouvir os verdadeiros mestres, como Niemeyer.

Oscar Niemeyer, mineiro cidadão do mundo, figura íntegra do nosso país.

Desejamos feliz aniversário a esse ilustre brasileiro, patriota genuíno.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

GODARD, 80 ANOS NA CRISTA DA "NOVA ONDA"



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Hoje é o aniversário de 80 anos de um dos poucos cineastas de vanguarda ainda vivos e ativos, o polêmico Jean-Luc Godard, numa época em que o cinema perde tantas referências vivas que muitos incautos imaginam que até o cinema comercial mais razoável é "vanguarda" ou "alternativo". Em épocas onde a burrice travestida de inteligência impera, muitas vezes sob o signo da chantagem e do esnobismo, isso é muito grave. Em compensação, o Brasil de hoje mais parece um filme de Luís Buñuel.

Godard, 80 anos na crista da "Nova Onda"

Da Agência EFE

O Pai da "Nouvelle Vague", a revolucionária onda que mudou o cinema por uma proposta crítica e comprometida, o cineasta Jean-Luc Godard completa nesta sexta-feira 80 anos, ligado a uma visão particular do cinema e da vida.

Poucos meses depois que seu último filme, "Film Socialisme", chegou às telas de alguns países, o cineasta franco-suíço não se esquivou das polêmicas.

Acusado de "antissemita" nos Estados Unidos, Godard se negou no mês passado a receber o Oscar oferecido por Hollywood pelo conjunto de sua carreira, "magoado" porque a imprensa americana reprovou sua postura "muito pró-palestina".

Chamado de pai da "Nouvelle Vague", o autor de "Acossado", considerado o filme fundador dessa rompedora corrente, abriu as portas para uma nova maneira de fazer cinema.

Filho de uma família da burguesia franco-suíça, Godard nasceu em Paris durante a Segunda Guerra Mundial.

Educado na França, acabou os estudos de Etnologia, mas logo trocou pelo cinema, primeiro como crítico, até que passou para o outro lado da barreira.

O sucesso que "Acossado" teve entre o público e a crítica em 1959, sua narrativa diferente, com constantes mudanças de direção, foram o tiro de saída para uma geração que estava ansiosa para revolucionar os modelos da época.

"O que eu queria era partir de uma história convencional e refazer, de forma diferente, todo o cinema que já havia sido feito", assegurou, então, Godard.

François Truffaut, Éric Rohmer e Claude Chabrol moldaram a corrente para transformá-la em um fenômeno que ultrapassou fronteiras e se instalou de forma duradoura.

Depois vieram os filmes "Uma Mulher é Uma Mulher" (1961), "O Pequeno Soldado" (1963) e "Bande à Part" (1964), entre outras muitas obras que completam sua ampla filmografia.

Godard nunca se esquivou do papel de líder, de cabeça visível dos jovens que queriam mudar o estilo da época.

No turbulento mês de maio de 1968, enquanto os estudantes marchavam nas ruas de Paris, Godard liderou o movimento que levou o protesto contra o sistema ao Festival de Cannes.

Com este festival, o diretor viveu uma história de amor e ódio. Apesar de suas seis indicações, nunca ganhou uma Palma de Ouro.

Este ano, depois de anunciado seu retorno ao La Croisette para apresentar "Film Socialisme", o diretor cancelou sua participação no último minuto, vítima de um misterioso "mal grego".

"Com o Festival irei até a morte, mas não darei um passo mais", disse o cineasta em uma carta, alimentando a máquina dos rumores que se inquietam por seu estado de saúde.

No entanto, para alguns, não foi mais que um desprezo ao tapete vermelho, ao "glamour" que sempre combateu em sua vida e em seus filmes.

Godard foi um diretor comprometido com uma certa ideia política, uma esquerda tão particular como sua obra.

"A Chinesa" e "Week-end à Francesa" são exemplos de sua particular visão da luta do proletariado.

Nos anos 1970 viajou pelo mundo, seguiu brigando com o sistema, rodou filmes que se negou a estrear, como "One American Movie" e "British Sonunds", e começou a experimentar o vídeo.

Voltou-se para um cinema mais comercial nos anos 1980, onde se reencontrou com atores de renome, mas sem nunca renunciar à polêmica.

E, depois de um período, retornou ao cinema experimental no final do século passado, com obras como "Elogio do Amor".

Quentin Tarantino homenageou o diretor batizando sua produtora de "Bande à Part".

Tão alheio à polêmica que provoca como ao entusiasmo que gera, Godard segue na crista da "Nova Onda" que ajudou a criar.