sábado, 18 de setembro de 2010

HÁ 40 ANOS, JIMI HENDRIX SE FOI



Jimi Hendrix nos deixou há 40 anos atrás.

Grande músico, excelente compositor e até talentoso cantor, Jimi teve uma brevíssima carreira, que no entanto produziu uma riqueza artística que provocou um enorme impacto no cenário da música, fazendo com que outros guitarristas de rock, mesmo muito talentosos, fundissem a cuca diante das ousadias do jovem mestre.

Jimi foi um guitarrista de soul music, lá pelos meados dos anos 60. Gravou com Little Richard, Isley Brothers, Ike & Tina Turner, e tantos outros. Era um jovem discreto, embora afeito a performances que chamavam a atenção, ainda que não sejam exibicionistas. Little Richard não gostava de competir, em performances, com seu guitarrista de apoio. Mas, por incrível que pareça, Hendrix não era exibicionista, ele apenas vibrava com o som da guitarra que tocava. Hendrix fazia o que gostava, senão não teria sido o importante músico que foi e continua sendo para nossa lembrança.

Pois o talento de Jimi Hendrix com sua Fender Stratocaster (marca que ele mais usou e que um dia pretendo comprar para eu ensaiar guitarra) fascinou o baixista do grupo inglês The Animals, Chaz Chandler, que tão logo virou seu empresário e levou o músico mulato de Seattle para Londres, apresentando-o a dois músicos que formaram com ele a "Experiência", ou seja, The Jimi Hendrix Experience: o baixista Noel Redding e o baterista Mitch Mitchell, ambos recentemente falecidos.

A brevíssima discografia de Jimi Hendrix, seja com esta banda, seja com a posterior, Band of Gypsies, revela uma riqueza musical que combinava melodia, barulho, efeitos de estúdio, sons eletrificados, com uma mistura estilística de blues, soul, rock psicodélico, folk, que em certos aspectos antecipava o hard rock ou mesmo o heavy metal, fazendo Jimi Hendrix se tornar o patrono do rock pesado.

Jimi Hendrix também causou polêmica com suas performances, embora a famosa cena da guitarra incendiando seja tão somente uma sugestão de Chaz e que Jimi a princípio recusou-se a realizar.

Hendrix usava drogas, como a maior parte dos jovens dos anos 60 usava. Mas sua morte se deu por ingestão de remédios para dormir, aliada à demora no socorro médico. Mas a mídia sensacionalista fez invencionices a respeito da tragédia de Hendrix, como se ele fosse um maluco insano e psicopata.

Pois Jimi Hendrix era lúcido, autocrítico, e nos últimos meses de vida a coisa que ele mais fazia era gravar no seu estúdio Electric Lady suas inúmeras músicas, covers e outros ensaios guitarrísticos. Deixou um grande material que ao longo do tempo resultou em vários discos póstumos.

Até hoje o talento de Jimi Hendrix não foi superado. Sua agilidade guitarrística afetou até mesmo a indústria de fabricação de guitarras, que teve que adaptar-se tecnologicamente para os avanços sonoros e técnicos provocados pelo guitarrista. Hendrix ia da guitarra rítmica aos solos sem escalas, e sua habilidade sonora é até hoje admirável.

E, nos tempos de mediocridade musical sendo defendida até por cientistas sociais, a trajetória de Jimi Hendrix é fundamental para relembrarmos não só o talento dele, mas todo o cenário da música jovem (e não apenas rock) naqueles idos de 1967-1970, onde o prestígio do cantor ou do conjunto musical se valia mais pela música (e que música!) do que pelo marketing.

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