sábado, 14 de agosto de 2010

BOATE VOGUE, HÁ 55 ANOS, SOFREU INCÊNDIO


Linda Batista durante uma apresentação na boate Vogue.

Do portal Copacabana.Com

Um dos grandes templos da noite carioca, o Vogue foi até o seu final o mais importante e refinado nigthclub da cidade. Todas as grandes estrelas dos anos 1940 e 1950 se apresentaram lá como contratadas: Dolores Duran que começou sua carreira no Vogue em 1946, Aracy de Almeida se apresentou em espetáculos noturnos entre 1948 e 1952, Linda Batista que foi uma das contratadas entre 1947 e 1952 sem deixar de citar Ângela Maria, Sílvio Caldas, Jorge Goulart, Inesita Barroso.

Apesar de pequena em tamanho físico, a casa do Barão von Stuckart, austríaco, na Avenida Princesa Isabel apresentava o excelente orquestra de negros importados dos EUA e, como outra marca registrada, o piano suave de Sacha Rubin que sempre saudava a chegada dos habitués com a canção preferida de cada um deles: Solitude para Jacinto de Thormes, Invitation para Lourdes Catão, Never let me go para Beki Klabin. Funcionou a partir de 1946, logo tornou-se ponto obrigatório das personalidades da époco sendo frequentado por Benjamin Vargas, irmão do presidente Getúlio Vargas, Teresa e Didu Sousa Campos, Lili e Horácio Carvalho, os Mayrink Veiga.

O incêndio do edifício onde funcionava o Vogue comoveu a cidade. Quando as emissoras deram as primeiras notícias, a população estava longe de prever que o sinistro assumisse proporções tão impressionantes. Casos verdadeiramente dantescos se passaram no interior do edifício, tomado pelas chamas. Foi uma luta desigual que se travou entre as poucas pessoas que tiveram a infelicidade de ficar retidas ali dentro e o fogo. Espantados pelo imprevisto da tragédia, entregues à própria sorte, vendo barrados os meios normais de abandonar o prédio, as vítimas tudo fizeram para salvar-se. Lutaram contra as colunas de fogo que marchavam na sua direção.

O Globo - 15 de agosto de 1955
Terminou, ontem, uma etapa da vida noturna carioca. Terminou com o incêndio do Vogue e a morte de Valdemar e Glorinha Schiller. Este cronista, ontem, de manhã, ceava em compania de Lúcio Schiller, quando Valdemar e Glórinha subiam ao seu apartamento. Houve o seguinte diálogo:
LÚCIO - Valdemar, sente-se comigo vamos tomar uma taça de champanhe.

VALDEMAR (olhando o relógio) - Não posso porque, amanhã, vou pegar o primeiro páreo do Jockey.

Era a última vez em que víamos Valdemar e Glorinha. Não sabíamos que estávamos na véspera - eles da morte e nós do sofrimento. Em seguida deixamos a boite para sempre.

No início da década de 1950, o Vogue contratou uma cantora francesa chamada Patachou, que tinha por hábito sentar-se no colo dos senhores enquanto cantava e cortar-lhes a gravata com uma tesoura. Certa vez, o agraciado era o dr. Fábio Barreto, neto do ex-presidente Antônio Carlos e futuro procurador da república. Já bêbado, ele recepcionou Patachou abrindo a braguilha, expondo o membro viril e desafiando a cantora a cortá-lo em vez da gravata. Como ela, não se fazendo de rogada, encaminhasse a tesoura em direção à genitália do doutor, ele mais que depressa recolheu-a, sob apupos gerais.

Ao contratar, ainda na década de 50, os serviços da então famosa Boate Vogue do Rio, a VARIG apostava na alta gastronomia como parte essencial de uma viagem prazerosa. Em 1955, quando os Super Constellation inauguravam uma linha para Nova York, que iguaria fez mais sucesso a bordo? Foi uma entrada, Bitock de Volaille, do Vogue.

Aconteceu que, no domingo 14 de agosto de 1955, à tarde, a boate Vogue pegou fogo. Dois homens, em desespero, atiraram-se do prédio onde funcionava a boate.

Com o Vogue terminou uma era da vida noturna carioca. Outra virá, mas será outra, sem o Vogue. Queimou-se o piano que fora de Sacha, que passou às mãos de Fats Elpídio, Chaim, José Maria e Carlinhos, mas ficarão as canções das noites do Vogue. "C´est magnifique", "Unforgettable", "I`ve Got You under my skin", "Because of Rain"... tantas na voz de Louis Cole, que hoje está perdido na rua, aturdido, como um bêbedo, como um fantas. Acabou-se o Vogue exatamente quando o cornetim dos bombeiros tocou o "fogo extinto".

Antonio Maria

A tragédia do cantor norte-americano Warren Hayes, uma das cinco vítimas do incêndio do Vogue, causou emoção tão profunda como aquela do casal Schiller. pois a radiante mocidade e de certo um não menos brilhante futuro eram apanágio dos três. Warren teve o seu apartamento quase respeitado pelas chamas. mas o calor foi intenso, realmente abrasador, alucinando o rapaz, que, segundo a autópsia, morreu em virtude de extensa queimadura, fazendo-o preferir o salto no espaço. A tragédia do Vogue deve contituir a última advertência no sentido do reaparelhamento urgente, inadiável, imperioso do Corpo dos bombeiros.

O Globo, 16 de agosto de 1955

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

55 ANOS SEM CARMEN MIRANDA



Do blog Samba, Batuques e Outros Lances

Carmen Miranda, nome artístico de Maria do Carmo Miranda da Cunha (Marco de Canaveses, 9 de fevereiro de 1909 — Beverly Hills, 5 de agosto de 1955) foi uma cantora e atriz luso-brasileira. Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos. Seu estilo eclético faz com que seja considerada precursora do tropicalismo,movimento cultural brasileiro surgido no final da década de 1960.

Carmen Miranda recebeu o nome de Maria do Carmo Miranda da Cunha quando foi batizada no local onde nasceu, a freguesia de Várzea da Ovelha e Aliviada, concelho de Marco de Canaveses, em Portugal. Era a segunda filha do barbeiro José Maria Pinto Cunha (1887-1938) e de Maria Emília Miranda (1886-1971). Ganhou o apelido de Carmen no Brasil, graças ao gosto que seu pai tinha por óperas.

Pouco depois de seu nascimento, seu pai, José Maria, emigrou para o Brasil, onde se instalou no Rio de Janeiro. Em 1910, sua mãe, Maria Emília seguiu o marido, acompanhada da filha mais velha, Olinda, e de Carmen, que tinha menos de um ano de idade. Carmen nunca voltou à sua terra natal, o que não impediu que a câmara do concelho de Marco de Canaveses desse seu nome ao museu municipal.

No Rio de Janeiro, seu pai abriu um salão de barbeiro na rua da Misericórdia, número 70, em sociedade com um conterrâneo. A família estabeleceu-se no sobrado acima do salão. Mais tarde mudaram-se para a rua Joaquim Silva, número 53, na Lapa.
No Brasil, nasceram os outros quatro filhos do casal: Amaro (1911), Cecília (1913), Aurora (1915 - 2005) e Oscar (1916).

Carmen estudou na escola de freiras Santa Teresa, na rua da Lapa, número 24. Teve o seu primeiro emprego aos 14 anos numa loja de gravatas, e depois numa chapelaria. Contam que foi despedida por passar o tempo cantando, mas o seu biógrafo Ruy Castro diz que ela cantava por influência de sua irmã mais velha, Olinda, e que assim atraía clientes.

Nesta época, a sua família deixou a Lapa e passou a residir num sobrado na Travessa do Comércio, número 13. Em 1925, Olinda, acometida de tuberculose, voltou a Portugal para tratamento, onde permaneceu até sua morte em 1931. Para complementar a renda familiar, sua mãe passou a administrar uma pensão doméstica que servia refeições para empregados de comércio.

Em 1926, Carmen, que tentava ser artista, apareceu incógnita em uma fotografia na seção de cinema do jornalista Pedro Lima da revista Selecta. Em 1929, foi apresentada ao compositor Josué de Barros, que encantado com seu talento passou a promovê-la em editoras e teatros. No mesmo ano, gravou na editora alemã Brunswick, os primeiros discos com o samba Não Vá Sim'bora e o choro Se O Samba é Moda. Pela gravadora Victor, gravou Triste Jandaia e Dona Balbina ou "Buenas Tardes muchachos".

O grande sucesso veio a partir de 1930, quando gravou a marcha "Pra Você Gostar de Mim" ("Taí") de Joubert de Carvalho. Antes do fim do ano, já era apontada pelo jornal O País como "a maior cantora brasileira".

Em 1933 ajudou a lançar a irmã Aurora na carreira artística. No mesmo ano, assinou um contrato de dois anos com a rádio Mayrink Veiga para ganhar dois contos de réis por mês, o que hoje equivale a cerca de R$ 1000,00. Foi a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando a praxe era o cachê por participação. Logo recebeu o apelido de "Cantora do It". Em 30 de outubro realizou sua primeira turnê internacional, apresentando-se em Buenos Aires. Voltou à Argentina no ano seguinte para uma temporada de um mês na Rádio Belgrano.

Em dezembro de 1936, Carmem deixou a Mayrink Veiga e assinou com a Tupi, ganhando cinco contos de réis.

Em 20 de janeiro de 1936, estreou o filme Alô, Alô Carnaval com a famosa cena em que ela e Aurora Miranda cantam "Cantoras do Rádio". No mesmo ano, as duas irmãs passaram a integrar o elenco do Cassino da Urca de propriedade de Joaquim Rolla. A partir de então as duas irmãs se dividiram entre o palco do cassino e excursões frequentes pelo Brasil e Argentina.

Depois de uma apresentação para o astro de Hollywood Tyrone Power em 1938, aventou-se a possibilidade de uma carreira nos Estados Unidos. Carmen recebia o fabuloso salário de 30 contos de réis mensais no Cassino da Urca e não se interessou pela ideia.

Em 1939, o empresário estadunidense Lee Shubert e a atriz Sonja Henie assistiram ao espetáculo de Carmen no Cassino da Urca. Depois de um espetáculo no transatlântico Normandie, Carmen assinou contrato com o empresário. A execução do contrato não foi imediata, pois a cantora fazia questão de levar o grupo musical Bando da Lua para a acompanhar, mas o empresário estava apenas interessado em Carmen. Depois de voltar para os Estados Unidos, Shubert aceitou a vinda do Bando da Lua. Carmen partiu no navio Uruguai em 4 de maio de 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

Em 29 de maio de 1939 Carmen estreou no espetáculo musical "Streets of Paris", em Boston, com êxito estrondoso de público e crítica. As suas participações teatrais tornaram-se cada vez mais famosas. Em 5 de março de 1940, fez uma apresentação perante o presidente Franklin D. Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.

Em 10 de julho de 1940 retornou ao Brasil, onde foi acolhida com enorme ovação pelo povo carioca. No entanto, em uma apresentação no Cassino da Urca com a presença de políticos importantes do Estado Novo, foi apupada pelos que a consideravam "americanizada". Entre os seus críticos havia muitos que eram simpatizantes de correntes políticas contrárias aos Estados Unidos.

Dois meses depois, no mesmo palco, Carmen foi aplaudida entusiasticamente por uma plateia comum. No mesmo mês gravou seus últimos discos no Brasil, onde respondeu com humor às acusações de ter esquecido o Brasil e ter-se "americanizado". Em 3 de outubro, voltou aos Estados Unidos e gravou a marca de seus sapatos e mãos na Calçada da Fama do Teatro Chinês de Los Angeles.

Entre 1942 e 1953 atuou em 13 filmes em Hollywood e nos mais importantes programas de rádio, televisão, casas noturnas, cassinos e teatros norte-americanos. A Política de Boa Vizinhança, implementada pelos Estados Unidos para buscar aliados na Segunda Guerra Mundial, incentivou a imigração de artistas latino-americanos. Apesar de ter chegado nos Estados Unidos antes da criação da Política de Boa Vizinhança, Carmen Miranda sempre foi identificada como a artista de maior sucesso do projeto.

Em 1946, Carmen era a artista mais bem paga de Hollywood e a mulher que mais pagava imposto de renda nos EUA. Em 17 de março de 1947 casou-se com o americano David Sebastian, nascido em Detroit a 23 de novembro de 1908. Antes, Carmen namorou vários astros de Hollywood e também o músico brasileiro Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua.

Antes de partir para os Estados Unidos e antes de conhecer o marido, Carmen namorou o jovem Mário Cunha e o bon vivant Carlos da Rocha Faria, filho de uma tradicional família do Rio de Janeiro. Já nos EUA, Carmen manteve caso com os atores John Wayne e Dana Andrews.

O casamento é apontado por todos os biógrafos e estudiosos de Carmen Miranda como o começo de sua decadência moral e física. Seu marido, David, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se "empresário" de Carmen Miranda e conduzia mal seus negócios e contratos. Também era alcoólatra e pode ter estimulado Carmen Miranda a consumir bebidas alcoólicas, das quais ela logo se tornaria dependente.

O casamento entrou em crise já nos primeiros meses, por conta de ciúmes excessivos, brigas violentas e traições de David, mas Carmen Miranda não aceitava o desquite pois era uma católica convicta. Engravidou em 1948, mas sofreu um aborto espontâneo depois de uma apresentação e não conseguiu mais engravidar, o que agravou suas crises depressivas e o abuso com bebidas e remédios sedativos.

Desde o início de sua carreira americana, Carmen fez uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda extenuante. Adquiria as drogas com receitas médicas pois, na época, elas eram receitadas pelos médicos sem muitas preocupações com efeitos colaterais. Nos Estados Unidos, tornou-se dependente de vários outros remédios, tanto estimulantes quanto calmantes.

Por ser também viciada em cigarro e beber muito álcool, o efeito das drogas foi potencializado. Por conta do uso cada vez mais frequente, Carmen desenvolveu uma série de sintomas característicos do uso de drogas, mas não percebia os efeitos devastadores, que foram erroneamente diagnosticados como estafa (cansaço) por médicos americanos.Em 3 de dezembro de 1954, Carmen retornou ao Brasil após uma ausência de 14 anos viajando e fazendo shows pelo mundo, além de estar morando nos EUA.

Ela continuava casada e sofrendo com o marido, cada vez mais alcoólatra e violento. Seu médico brasileiro constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Ficou quatro meses internada em tratamento numa suíte do hotel Copacabana Palace. Carmen melhorou, embora não tenha abandonado completamente drogas, álcool e cigarro. Os exames realizados no Brasil não constataram alterações de frequência cardíaca.

Ligeiramente recuperada, retornou para os Estados Unidos em 4 de abril de 1955. Imediatamente começou com as apresentações. Fez uma turnê por Cuba e Las Vegas entre os meses de maio e agosto e voltou a usar barbitúricos, além de fumar e beber mais do que já fumava e bebia. No início de agosto, Carmen gravou uma participação especial no programa televisivo do comediante Jimmy Durante. Durante um número de dança, sofreu um ligeiro desmaio, desequilibrou-se e foi amparada por Durante. Recuperou-se e terminou o número. Na mesma noite, recebeu amigos em sua residência emBeverly Hills, à Bedford Drive, 616. Por volta das duas da manhã, após beber e cantar algumas canções para os amigos presentes, Carmen subiu para seu quarto para dormir. Acendeu um cigarro, vestiu um robe, retirou a maquiagem e caminhou em direção à cama com um pequeno espelho à mão. Um colapso cardíaco fulminante a derrubou morta sobre o chão no dia 5 de agosto. Seu corpo foi encontrado pela empregada na mesma noite. Tinha 46 anos.

Aurora Miranda, sua irmã, recebeu na mesma madrugada um telefonema do marido de Carmen Miranda avisando sobre o falecimento. Aurora Miranda se desesperou por completo e passou então a notícia para as emissoras de rádio e jornais. Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi o primeiro a noticiar a morte de Carmen Miranda em edição extraordinária do Repórter Esso.

Em 12 de agosto de 1955, seu corpo embalsamado desembarcou de um avião no Rio de Janeiro. Sessenta mil pessoas compareceram ao seu velório realizado no saguão da Câmara Municipal da então capital federal. O cortejo fúnebre até o Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas que cantavam esporadicamente, em surdina, "Taí", um de seus maiores sucessos.

No ano seguinte, o prefeito do Rio de Janeiro Francisco Negrão de Lima assinou um decreto criando o Museu Carmen Miranda, o qual somente foi inaugurado em 1976 no Aterro do Flamengo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"UMA NOITE EM 67" REVIVE FESTIVAL DA RECORD



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O Festival da Record de 21 de outubro de 1967 tornou-se histórico e sua importância foi muito além de um mero festival promovido por uma emissora de TV. O evento contribuiu para a consolidação do que hoje conhecemos como a moderna Música Popular Brasileira.

Uma Noite em 67 revive festival da Record

Do Estadão e do Portal R7

Evento foi um dos mais importantes da história da música popular brasileira

Após ser exibido no É Tudo Verdade, maior festival de documentários do País, Uma Noite em 67, dos diretores Renato Terra e Ricardo Calil, estreia hoje nos cinemas. O festival foi uma vitrine e tanto para o filme, que surgiu como desdobramento da monografia de conclusão do curso de Comunicação de Renato Terra, em 2003.

Ele se debruçou sobre a era dos grandes festivais de música, nos anos 1960/70. Decidido a fazer um documentário, chamou seu amigo jornalista, Ricardo Calil. Trabalharam cinco anos no projeto, ganharam apoio da Videofilmes e da TV Record, que abriu seu arquivo.

Uma Noite em 67 é o tipo do filme que levanta o público e Terra e Calil já se acostumaram a ver espectadores exaltados - e eufóricos com o que para muitos ainda é uma novidade.

O documentário dirige seu foco para a noite de encerramento do Festival da Record de 1967, talvez o mais emblemático dos festivais de música ocorridos no País. Algo decisivo ocorreu naquela noite.

O Brasil vivia sob uma ditadura e o palco virou cenário de uma disputa ideológica. A guerra da canção de protesto com a guitarra elétrica, símbolo da dominação imperialista, que Gilberto Gil usou em Domingo no Parque.

Colocar guitarra elétrica na MPB era considerado de direita. Os artistas de raiz, contrários à guitarra, eram de esquerda. Houve um clima de radicalismo - um Fla-Flu musical, como define Calil.

- Não quisemos fazer um filme didático, mas trabalhar o emocional, entregando ao público um documentário que as pessoas precisam completar.

E elas completam - e como! Quatro músicas dominavam a competição - Ponteio, Domingo no Parque, Roda Viva e Alegria, Alegria. Até hoje elas polarizam as opiniões. Tem gente que reclama por que Alegria, Alegria não ganhou, ou Roda Viva. O público que viveu a época agradece aos diretores por trazê-la de volta. Os jovens, porque o filme os projeta num mundo que não conheceram.

Embora o desfecho seja conhecido, o formato é de thriller, com direito a suspense.

- Daniela Thomas deu um retorno muito interessante. Ela considerou o filme hitchcockiano.

Os diretores já foram sondados para levar Uma Noite em 67 ao Festival de Roterdã.

- Não fechamos nada, mas acho legal. Esses artistas possuem grandeza, têm uma carreira internacional, há demanda pelo filme.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.